Mato Grosso
Rede estadual de Cuiabá promove educação inclusiva a 135 imigrantes estrangeiros
Com fama de hospitaleira, a Capital de Mato Grosso costuma receber de braços abertos os imigrantes que aqui chegam. E a rede estadual de ensino participa desse atendimento tendo 135 estrangeiros matriculados somente nas escolas de Cuiabá, dos quais 120 haitianos e 15 venezuelanos.
Além do ensino regular, a proposta da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e fazer um trabalho de inclusão. É o caso do Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) Almira Amorim e Silva, no CPA III, que há três anos faz um trabalho social com os imigrantes haitianos, para que eles se sintam em casa.
A escola abre espaço para os estrangeiros aprender a língua do novo país e também para mostrar a sua cultura. Para isso, fazem a Festa da Bandeira (o 7 de setembro deles) com danças e pratos típicos. “Somos uma escola inclusiva, pois temos muitos alunos PCD (pessoa com deficiência) e com os imigrantes também não seria diferente”, destaca o diretor Gabriel Pereira Faria.
O diretor explica que os alunos ficaram satisfeito com a recepção e a hospitalidade. “Tanto que nos cobraram o dia do Brasil. Então, fizemos uma festa sobre nossa cultura, com comida típica e tudo o que gostaria de saber sobre o país”, acrescenta.
A venezuelana Joana veio para Cuiabá com seus dois filhos adolescentes, um de 13 e outro de 15 anos. Ela pretende estudar numa das escolas que ofereça o EJA. Sobre Cuiabá, ela disse que foi recebida da melhor forma possível. “Sou bem-vinda aqui, trouxe meus filhos. A cidade é muito humana, as pessoas nos dão muita atenção”. Os filhos também estão gostando de morar em Cuiabá, apesar dos poucos meses que aqui residem.
A imigrante, que trabalha numa empresa que presta serviço ao Detran, ressalta que se adaptou ao calor cuiabano e tudo na cidade é especial, principalmente as pessoas. Ela explica que está aprendendo a língua portuguesa aos poucos e pretende dar continuidade aos estudos. “Cuiabá é feita de gente muito boa”, frisa.
Para Flávia Ribeiro, da Educação de Jovens e Adultos da Seduc, os imigrantes contribuem para a movimentação da economia, uma vez que todos chegam ao país para trabalhar. Nessa convivência, acabam se integrando com os cuiabanos e migrantes que aqui vivem. “Na escola, o imigrante nos possibilita ter o conhecimento de outras culturas também”, frisa.
Eles estudam língua portuguesa para estrangeiros contando com a ajuda de um intérprete. Vencida essa etapa, os imigrantes estão aptos para se matricular numa turma de educação de jovens e adultos e prosseguir com os estudos.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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