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Rede MT-NanoAgro fala sobre as pesquisas feitas em Mato Grosso

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A equipe da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secitec) recebeu nesta semana os representantes da Rede MT-NanoAgro para conversar sobre as novas pesquisas que estão sendo feitas em Mato Grosso.

A superintendente de Desenvolvimento Cientifico, Tecnológico e de Inovação da Secitec, Lecticia Figueiredo explica que os avanços e as aplicações da nanotecnologia já são uma realidade bem consolidada no Brasil e no mundo. “Ela está presente direta ou indiretamente em nosso cotidiano”.

O professor de Química da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Ailton Terezo, destaca que a Rede MT-NanoAgro busca aproveitar o máximo do potencial do agronegócio mato-grossense, por meio do desenvolvimento e adoção de tecnologias disruptivas, eficientes e sustentáveis para as práticas agrícolas modernas em larga escala e na agricultura familiar.

“O surgimento da nanociência trouxe novo fôlego e lança possibilidades de contribuições significativas para a atividade da agricultura com o mínimo de impacto possível”.

O que é a Nanotecnologia?
(Ailton Terezo/UFMT) A nanotecnologia pode ser definida como a área da ciência e tecnologia que visa à aplicação de materiais nanométricos em novos processos e produtos. Está na vanguarda da inovação. Um material nanométrico é cerca de 50.000 vezes menor que o diâmetro de um fio de cabelo. Assim como a escala em metros, centímetros e milímetros está em várias situações cotidianas, na nanotecnologia a escala de trabalho representa a bilionésima parte do metro, o que equivale a 1 nanômetro. Isto significa que, atualmente podemos manipular diferentes materiais, para as mais diversas aplicações, com controle muito preciso. Isso possibilitará muitos avanços e inúmeras novas descobertas.

Para que serve?
(Ailton Terezo/UFMT) Os materiais nanométricos (ou nanoestruturados) possuem potencial de aplicação em diferentes áreas, não só por sua dimensão de tamanho, mas especialmente por apresentarem propriedades físicas e químicas distintas daquelas características dos mesmos materiais em escala macro e microscópicas. Em função deste potencial, hoje a nanotecnologia já estabeleceu vários campos de pesquisa e desenvolvimento de aplicações como a Nanomedicina, Nanofabricação, Bionanomateriais, Nanotoxicologia, Nanoeletrônica, Nanoagricultura, dentre outras. Dentro destas áreas existem inúmeras aplicações possíveis. Por exemplo, novas drogas têm sido desenvolvidas para tratamento de câncer, baseadas em nanomateriais para liberação controlada no organismo. Este mesmo, princípio está sendo aplicado em pesquisas de novas formulações para liberação controlada de pesticidas e fertilizantes na agricultura.

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(Paulo Teodoro/Agicultura Bioativa) A nanotecnologia tem uma infinidade de possibilidades, desde o encapsulamento de minerais e compostos químicos, até a preservação de microrganismos benéficos e específicos para utilização na agricultura.

Qual o poder da nanotecnologia?
(Ailton Terezo/UFMT) O poder é de causar uma nova revolução. Desde a revolução industrial, entre os séculos XVIII e XIX, e a revolução da microeletrônica nas últimas décadas, a sociedade passou por grandes transformações em virtude de importantes descobertas científicas que resultaram em novos materiais, processos e produtos. A descoberta de métodos e instrumentos para controlar a matéria em escala nanométrica colocou a comunidade científica mundial diante da possibilidade desta nova revolução. Se considerarmos apenas a aplicação em eletrônica, como celulares que dobram, televisores curvados, carros movidos a baterias, eu diria que já estamos vivenciando está revolução. Onde poderemos chegar com a nanotecnologia? Só o tempo poderá mostrar.

(Paulo Teodoro/Agicultura Bioativa) Com a nanotecnologia podemos estabilizar materiais que normalmente seriam de difícil metodologia para aplicação na agricultura, assim podemos ter novas moléculas e novos produtos com tecnologia de aplicação convencional. 

O que a Rede MT NanoAgro faz?
(Ailton Terezo/UFMT) O principal objetivo na Rede MT-NanoAgro é formar um grupo de pesquisadores competentes para atuar de forma colaborativa, acelerar a produção de conhecimento e promover o desenvolvimento e a inovação na agricultura por meio de produtos nanotecnológicos, especialmente nanopesticidas e nanofertilizantes.

Qual a importância dela para o Estado?
(Paulo Teodoro/Agicultura Bioativa) A Rede é um caminho de colaboração, interação fundamental para o fortalecimento, à inovação tecnológica e agregação de valor à pauta comercial do estado.

(Rodrigo Pereira/IFMT-São Vicente) As pesquisas em colaboração com a Rede MT-NanoAgro podem contribuir muito para melhorar as atividades da agricultura familiar e em assentamentos do nosso Estado. A obtenção de nanofertilizantes a partir de resíduos e biomassa e os nanopesticidas vão possibilitar aumento de produção, melhoria da qualidade dos produtos e, principalmente, melhorar a qualidade de vida do pequeno produtor, evitando, por exemplo, a exposição excessiva aos pesticidas.

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(Evandro Soares da Silva/Vice-Reitor UFMT) A Rede MT-NanoAgro é importante para o Estado, pois envolve um esforço multidisciplinar de pesquisadores das maiores e melhores instituições de ensino e pesquisa de Mato Grosso, UFMT, Unemat e IFMT, que visa contribuir com pesquisa e desenvolvimento em torno de um tema estratégico, que é a Agricultura. Por meio da colaboração entre estas instituições na pesquisa em nanotecnologia para o Agro, promoveremos a formação de recursos humanos qualificados para atuação em termos de inovação e sustentabilidade ambiental.

(Olivan Rabêlo/UFMT) A rede é uma estratégia inovadora porque é constituída por diversos atores interativos no ecossistema da inovação do Estado de Mato Grosso, dentre eles o Escritório de Inovação Tecnológica (EIT) da UFMT que se encarrega, neste contexto, por realizar a Gestão da Inovação, empreendedorismo e Propriedade Intelectual (proteção do conhecimento e invenções geradas na Rede).  O Estado de Mato Grosso ganha com a Rede de Nanotecnologia aplicada ao Agronegócio, pois se abre uma nova fronteira de possibilidades no campo científico, tecnológico e da inovação com novos produtos e serviços que possibilitam aumentar a produtividade e competitividade do agronegócio, principal vocação econômica do Estado, oportunizando o desenvolvimento socioeconômico e ambiental.

Com o que a Rede trabalha?
(Ailton Terezo/UFMT) Os pesquisadores da Rede MT-NanoAgro atuam na pesquisa de novas formulações de nanopesticidas que podem contribuir muito para minimizar a contaminação ambiental ocasionada pelo use excessivo nas lavouras. Outro foco de atuação é na preparação de nanofertilizantes, pois os fertilizantes utilizados atualmente possuem baixíssima eficiência já que uma grande quantidade não é absorvida pelas plantas, são perdidas por evaporação e carregados por água da chuva por exemplo.

Qual o impacto desta tecnologia para MT?
(Ailton Terezo/UFMT) O desenvolvimento de novos produtos com base em nanoformulações poderá mudar o cenário atual no campo, onde a produtividade está relacionada com uso excessivo de agroquímicos. A principal missão da Rede é contribuir para mudar esse paradigma.

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(Paulo Teodoro/Agicultura Bioativa) Mato Grosso é conhecido mundialmente pelo Agronegócio, é um grande consumidor de tecnologia ligada ao Agro, com o desenvolvimento de Nanotecnologia poderemos passar a exportar tecnologia e não apenas matéria prima. Agregando Valor a pauta comercial e gerando desenvolvimento tecnológico e econômico.

Que tipos de serviços a Rede oferece?
(Ailton Terezo/UFMT) Oferecemos uma equipe extremamente qualificada e estrutura de laboratórios das mais importantes instituições do estado, para o desenvolvimento de pesquisas visando melhorar a eficiência de insumos agrícolas. Portanto, podemos contribuir para o aumento de produtividade e redução de custos de produção, sempre com compromisso de preservação ambiental.

Quais pesquisas a Rede vem desenvolvendo para Mato Grosso?
(Ailton Terezo/UFMT) Atualmente o principal foco é o estudo dos mecanismos de atuação dos nanopesticidas e nanofertilizantes descritos na literatura científica mundial e o potencial destes para a agricultura no Mato Grosso, especialmente em solos do Cerrado. A compreensão destes mecanismos poderá definir potenciais produtos e investimentos futuros.

(Alessandra Butnariu/Unemat) A compreensão de como os nanopesticidas podem atuar contra diferentes pragas e, também como nanoformulações podem ser usadas para preservar micro-organismos que são inimigos naturais (fungos e bactérias), pode trazer um grande avanço para o controle biológico em importantes culturas no Mato Grosso.

(Paulo Teodoro/Agicultura Bioativa) Temos desenvolvido junto com o departamento de química as pesquisas com Nanocompósitos e Produtos quelatados.

(Fabiano Petter/UFMT-Sinop) Uma característica dos solos do Cerrado é a baixa retenção de nutrientes, Daí a pesquisa com biocarvões e nano biocarvões enriquecidos com nanofetilizantes e pesticidas podem contribuir muito para melhoria e condicionamento destes solos.

Porque buscar parcerias com a Secitec?
(Ailton Terezo/UFMT) A pareceria com a Secitec é fundamental para a implantação e consolidação da Rede MT-NanoAgro, como organismo Estadual de apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico do estado de Mato Grosso.

Para mais informações, podem procurar o professor Ailton Terezo pelo e-mail: [email protected] ou acessar o site: www.redemtnanoagro.com.br.

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Entrega dos kits da Corrida Marajá – Edição Infinity Energy Drink começam nesta quinta-feira (20/08)

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No ato da retirada do kit o participante deverá doar um quilo de alimento não-perecível (exceto sal)

O clima de expectativa já tomou conta dos 2 mil atletas inscritos na Corrida Marajá – Edição Infinity Energy Drink e antes de encarar o percurso no domingo (23/08), os participantes terão o compromisso nesta quinta-feira (20/08), com o início da entrega dos kits de prova em um espaço exclusivo do evento no Atacadão do Porto, em Cuiabá.

A organização preparou um cronograma especial em três dias para garantir comodidade e agilidade aos participantes: nos dias 20 e 21 de agosto (quinta e sexta-feira), das 9h às 19h e 22 de agosto (sábado), das 9h às 13 horas.

O kit oficial do atleta é para lá de completo, onde inclui a camiseta oficial da prova, sacochila, número de peito com chip de cronometragem, copo exclusivo colecionável, uma unidade do Infinity Energy Drink Sem Açúcar e brindes oferecidos pelos patrocinadores do evento.

Com o número no peito e chip de cronometragem garantidos, o foco total será para o dia do desafio de 6 quilômetros no domingo. A largada pontual está marcada para às 06h30, em frente à sede da fábrica de Refrigerantes Marajá, em Várzea Grande, que também servirá como ponto de chegada. O evento é alusivo ao aniversário de 63 anos de fundação da empresa.

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A recomendação da organização é que os corredores cheguem com antecedência para o aquecimento inicial e hidratação.

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Empresários do setor da construção visitam o mais moderno centro de segurança do trabalho da América Latina

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Foto-Assessoria

Na tarde desta quinta-feira (13/08), um grupo de empresários associados ao Sindicato das Indústrias da Construção da Região Sul do Estado de Mato Grosso (Sinduscon Sul MT) realizou uma visita técnica e de imersão no recém-inaugurado Sesi Experience – Centro Avançado de Segurança do Trabalho, localizado em anexo às dependências da sede do Serviço Social da Indústria de Rondonópolis.

Antes do tour técnico, os associados participaram de uma breve palestra sobre os detalhes e o potencial de aprendizado do CT, que recebeu um investimento total de 12 milhões de reais. Na sequência, eles seguiram para o centro, onde passaram por experiências que simulam situações reais de acidentes de trabalho e momentos críticos.

Para o gestor regional de Saúde e Segurança do Trabalho do Sesi Mato Grosso, Márcio Alves, este foi o primeiro grupo de empresários a realizar a imersão no centro avançado. “Eles puderam presenciar toda a tecnologia voltada para a segurança do trabalho. Os equipamentos proporcionam uma imersão do trabalhador ao utilizar de forma correta tanto os equipamentos de proteção coletiva quanto os de proteção individual”, explicou.

Ainda segundo Márcio Alves, esses cenários e equipamentos fazem com que se mude o formato e a abordagem do trabalhador quanto à importância de prevenir a sua saúde e a sua segurança. “Aqui o foco é trazer essa experiência, onde o trabalhador vai poder fazer a utilização de forma correta do equipamento de segurança individual e voltar para sua rotina, na qual ele vai conseguir utilizar da melhor forma possível esse equipamento, fazendo uma imersão nesse ambiente saudável e seguro”, finalizou.

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O engenheiro civil e proprietário da empresa Plano Sul, Rafael Francisco Lopes Machado, foi um dos associados que fizeram a visita técnica ao Sesi Experience. “Foi uma experiência incrível, acredito que fora do normal. Nunca vi algo parecido, porque existe de fato uma imersão e é possível vivenciar situações em que sentimos estar passando pelo risco e aprendemos como não passar por eles na vida cotidiana e na operação da obra”, destacou.

Sesi Experience — O maior centro de treinamento em Saúde e Segurança do Trabalho da América Latina e o primeiro do Brasil, o Sesi Experience, fica em Rondonópolis. O complexo tem a missão de transformar a forma como as empresas capacitam seus trabalhadores, reunindo treinamentos que vão desde instalações elétricas e espaços confinados até o trabalho em altura. Para isso, utiliza tecnologia coreana imersiva para reproduzir situações reais de risco sem expor os participantes ao perigo. Idealizado pelo Sesi MT, a estrutura permite que o colaborador vivencie cenários críticos, aprenda a identificar riscos e adote os procedimentos corretos de segurança em um ambiente totalmente controlado.

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Lei Maria da Penha completa 20 anos ainda com entraves para ser colocada em prática

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A coordenadora do Nudem, Rosana Leite, participou de uma entrevista especial para analisar as duas décadas da lei além dos altos índices de feminicídio em Mato Grosso

Nesta sexta-feira (7), a Lei Maria da Penha (lei nº 11.340) completa 20 anos de promulgação. Considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das três melhores legislações mundiais quando se fala em defesa dos direitos das mulheres, ela ainda enfrenta muitos entraves para ser colocada em prática.

O reflexo dessas dificuldades bate à porta de Mato Grosso, afinal, de acordo com 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em julho deste ano, o estado registrou a terceira maior taxa de feminicídios do país em 2025. Naquele ano, Mato Grosso teve uma taxa de 2,7 feminicídios para cada 100 mil habitantes.

Embora estes números sejam menores do que os registrados em 2024, ano em que Mato Grosso figurou em primeiro lugar nas taxas de feminicídios com 2,5 casos para cada 100 mil habitantes, a coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem) da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), Rosana Leite, garante que ainda não é hora de comemorar.

Mas como mudar esse quadro? De que forma a lei Maria da Penha ajudou a enfrentar a violência de gênero em seus 20 anos de promulgação? Para tirar essas e outras dúvidas, Rosana Leite concedeu uma entrevista especial na qual faz uma análise da legislação e conta um pouco mais sobre a atuação do Nudem em todo o estado.

Confira a entrevista:

Qual o maior legado da Lei Maria da Penha (LMP) nesses 20 anos da sua promulgação?

Rosana Leite – Eu vejo que o maior legado é a discussão do enfrentamento à violência contra as mulheres. Hoje nós sabemos que qualquer violação às mulheres se perfaz em violação aos Direitos Humanos das mulheres. Com a lei nós passamos a falar muito mais sobre esse enfrentamento. Antigamente as mulheres não tinham voz, mas hoje nós temos voz. Com a redemocratização do Brasil, o nosso país passou a ser signatário de tratados e convenções internacionais e a LMP é uma resposta a tudo isso, ela quebrou paradigmas ao mostrar que a violência contra a mulher deve ser enfrentada pelo Poder Público e não por pessoas mais próximas, como amigos e familiares. A Maria da Penha mostrou que a legislação deve amparar todas das mulheres. E agora, com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), ela também deve amparar todo o segmento LGBTQIAPN+. Portanto, a lei trouxe uma forma diferenciada da sociedade enxergar as mulheres, os Direitos Humanos e ter consciência que nós mulheres temos direitos, que nós precisamos de respeito, de consideração da sociedade, que a nossa historicidade precisa ser garantida porque nós fomos deixadas de lado por muito tempo.

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Ainda há dificuldades para colocar em prática algumas ações e políticas públicas voltadas às mulheres?

Rosana Leite – Sim. A Organização das Nações Unidas (ONU) já declarou que a Maria da Penha é uma das três leis mais importantes do mundo no que diz respeito ao enfrentamento da violência de gênero. Mas ela ainda não foi cumprida integralmente pelo Poder Público. A lei traz, por exemplo, políticas públicas importantíssimas em seu artigo oitavo que não foram todas cumpridas. E eu cito aqui a inclusão nos currículos escolares de matérias sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres. Infelizmente nós não temos essa inclusão. Imagina se tivéssemos essa inclusão há 19 anos. Será que já não teríamos uma sociedade diferenciada? O enfrentamento da violência contra as mulheres passa pela educação. Mas enquanto nós não mudarmos os currículos escolares, não iremos trabalhar no cerne do problema. A educação ainda é a chave. Virando essa chave, quem sabe poderemos ter outra realidade.

Outro ponto. Infelizmente a LMP ainda não é cumprida integralmente e de forma homogênea no Brasil. No Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege) temos a Comissão de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres e lá nós conseguimos enxergar que em cada estado a LMP passa a ser aplicada de uma forma diferente. Portanto, essa falta de políticas públicas homogêneas, da aplicabilidade da lei de forma homogênea, tem prejudicado uma lei que já tem 20 anos.

Quando a LMP surgiu, nós tivemos que nos readequar, fazer com que a sociedade entendesse a lei. No começo ela foi chamada de inconstitucional. Quando a lei tinha apenas seis anos, a Corte Suprema do país teve que declarar a sua constitucionalidade. Já quando a lei estava em sua fase de “adolescência”, ela ganhou seus remendos e alterações. Hoje, na fase “adulta”, nós precisamos que ela seja cumprida. Mas esse cumprimento de forma homogênea nós ainda não temos.

O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública coloca Mato Grosso em terceiro lugar nas taxas de feminicídio no Brasil em 2025. Em 2024 estávamos em primeiro lugar. Como a senhora analisa este quadro? Podemos comemorar essa queda do primeiro para o terceiro lugar?

Rosana Leite – Isso é muito delicado. Nosso estado é referência na aplicação da LMP. Aqui em Mato Grosso, o Poder Judiciário, a Defensoria Pública e o Ministério Público foram os primeiros do Sistema de Justiça a colocar a lei em prática. Somos referência para outros estados. Nós aplicamos dentro do Sistema de Justiça a competência híbrida que ajuda muito no atendimento das mulheres, mas, mesmo assim, ocupamos esse triste ranking. Então, não, eu não comemoro essa descida para o terceiro lugar. Não acho que deveríamos comemorar, mas sim nos preocupar. Até o início de agosto já registramos 27 feminicídios em Mato Grosso. Ter o nosso estado ocupando primeiro, segundo e terceiro lugar nesse ranking é muito triste e nos mostra o quanto nós vivemos num estado patriarcal. Esse ranking mostra que as nossas mulheres não são bem tratadas em Mato Grosso. Ele nos mostra que ainda vivemos o patriarcalismo, o machismo exacerbado, que somos um estado machista, homofóbico, transfóbico e que não tem respeitado os segmentos de pessoas em situação de vulnerabilidade.

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Você disse que somos o estado que melhor aplica a lei Maria da Penha, mas mesmo assim estamos nesse ranking de onde mais morrem mulheres. Como explicar esse paradoxo?

Rosana Leite – Eu explico da seguinte forma: apenas o Sistema de Justiça não é capaz de resolver tudo. Não é possível resolver todo esse problema apenas com a aplicação da lei. Por isso que eu sempre defendo que o aumento de pena jamais vai resolver a situação. Nós vivemos em um país que não socializa e não ressocializa. A ressocialização das pessoas é quase impossível. Um dia cumprindo pena em uma cadeia do Brasil é horrível. Nós precisamos trabalhar a prevenção. A Ultima Ratio do Sistema de Justiça {expressão em latim que significa Último Recurso no Direito Penal} é a prisão do agressor, mas o aumento de pena não resolve. Hoje o feminicídio e o vicaricídio {crime em que o agressor mata uma pessoa próxima a uma mulher, como filhos, pais ou dependentes, no contexto de violência doméstica, com o objetivo exclusivo de causar sofrimento eterno, punir ou controlar a mulher} são os crimes com maiores penas, que são de 20 a 40 anos de prisão, mas somente isso não resolve.

E como você analisa os projetos de lei que ensinam mulheres a se defender com lutas, aulas de tiro e até mesmo os que liberam o uso de spray de pimenta?

Rosana Leite – Eu vejo que não trazem uma solução efetiva. Em uma luta corporal, por exemplo, fatalmente uma mulher perde. Se tem algo que nós somos diferentes é na nossa estrutura física. Imagina o spray de pimenta na mão de uma pessoa que não sabe usar, uma arma na mão de quem não sabe manusear? “Ah, mas nós vamos dar curso. Vamos ensinar a usar”. Mas e a estrutura física, onde fica? Aí eu volto na questão da luta corporal. Em regra, um homem vai vencer a mulher, então será que o uso errado do spray de pimenta não trará uma situação pior? Por isso eu acho que a prevenção através da educação das nossas crianças e adolescentes, desde a tenra infância até a fase da faculdade, é a forma mais eficaz. Temos que incluir nos currículos escolares o que é a violência contra a mulher, o que causa essa violência dentro da sociedade, como ela atinge o quadro familiar e a sociedade. Os presídios brasileiros estão cheios de pessoas que foram vítimas de violência doméstica na infância, ou que presenciaram essa violência. Por essa razão eu defendo que a educação é a forma que temos para garantir a prevenção da violência à médio e longo prazo.

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Agora vamos falar do Nudem. Quais são as maiores demandas do Núcleo?

Rosana Leite – A criação do Nudem aconteceu em 2014, mas nós fazemos a defesa das mulheres desde o advento da LMP. A DPEMT foi uma das primeiras do Brasil a aplicar a LMP, mas o Nudem como Núcleo surgiu a partir de 2014. Nacionalmente a Defensoria Pública fez questão de ampliar o atendimento das mulheres. A LMP foi tão de vanguarda que ela trouxe a necessidade das Varas de Justiça, dos Juizados dentro do Poder Judiciário e dentro da Defensoria Pública de termos núcleos de atendimento especializados. Tivemos o aumento das Delegacias Especializadas e toda essa gama do Sistema de Justiça ajuda no amparo das mulheres em forma de rede para que elas saibam onde pode buscar o atendimento. Aqui na Defensoria Pública nós fizemos questão de ampliar esse atendimento. Nós não atendemos apenas mulheres vítimas de violência, nós atendemos a violência de gênero nacionalmente. Então, toda e qualquer mulher que venha passar por violência, dentro ou fora de casa, pode buscar o Nudem. A violência que mais aporta aqui no Nudem é a violência doméstica e familiar, onde estão as ameaças e a violência psicológica. Esses são os crimes que as mulheres mais narram.

Como você espera encontrar a Lei Maria da Penha daqui 20 anos?

Rosana Leite – Nunca parei para pensar nisso, mas acho que de tempos em tempos nós estamos ganhando mais atuação, mais confiança da sociedade. Em 2019 o Data Senado fez uma pesquisa, ele entrevistou mulheres vítimas de violência e que decidiram não lavrar um boletim de ocorrência. Eles questionaram o porquê delas não terem lavrado o boletim. Nessa época, a LMP estava fazendo 13 anos e essa pesquisa me marcou muito, pois 79% das mulheres responderam que tinham medo de que a violência se tornasse ainda maior, mesmo com uma lei tão importante em mãos. Quer dizer, elas não acreditavam na lei. A sociedade ainda não confia na efetividade da Maria da Penha. Então, eu quero que as mulheres estejam confiando mais na efetividade da lei, que o Sistema de Justiça continue ampliando o seu atendimento, que o Poder Público, que a rede de atenção se debruce em prol dos Direitos Humanos das mulheres. Estamos em época de campanha política, nessa época ouvimos muito falar no enfrentamento à violência contra as mulheres. Só que a pauta nunca chega até onde nós queremos. Por isso que essa pauta deve avançar na política para enfrentar a violência que tem acontecido todos os dias. Mas, acima de tudo, precisamos dar crédito a palavra das mulheres. Todos os dias.

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