Mato Grosso
Reeducandos se destacam em serviços de manutenção e conservação do prédio da PGE
A oportunidade de recomeçar é sempre bem-vinda na vida de qualquer pessoa e foi pensando desta forma que A.C. (43) e JC.T.S. (51) conquistaram a confiança, respeito e consideração dos colegas de diversos setores da Procuradoria Geral do Estado (PGE), em Cuiabá.
Ambos são reeducandos e receberam recentemente o direito a cumprir a pena em regime aberto. Na procuradoria são responsáveis pela realização de reparos e manutenção básica da parte elétrica e hidraúlica do prédio de 12 andares, contendo 140 salas e banheiros. Para auxiliar no trabalho deles, a autarquia investiu na aquisição de ferramentas e equipamentos de proteção individual (EPIs).
“Só tenho que agradecer a Deus e todas as pessoas que nos ajudaram. Hoje dou mais valor ao dinheiro obtido de forma honesta e não tem nada melhor do estar com a família. O tempo vai deixando a gente mais maduro e essa oportunidade de trabalhar aqui mudou a minha vida”, relatou.
A.C esteve recluso por 2 anos e 7 meses por tráfico de drogas. Entre os novos objetivos está fazer um supletivo e evoluir nos trabalhos voltados à construção civil.
De poucas palavras e braço direito de A.C., J C.T.S. conta que teve receio em aceitar a proposta, mas que valeu a pena. “No início fizemos alguns trabalhos sem remuneração em outros locais e aos poucos fomos nos adaptando, perdendo o medo e aprendendo mais”, disse.
De acordo com a diretora geral da PGE, Soraya Queiroz, além da questão da ressocialização os servidores também contribuíram para que houvesse uma mão de obra de qualidade sem ultrapassar o orçamento.
“Na sede antiga tinhamos três andares e o gasto era de R$ 60 mil por ano. No prédio atual, este valor chega a cerca de R$45 mil, sendo uma estrutura maior e que tem 300 funcionários – entre procuradores, estagiários e servidores efetivos, comissionados e terceirizados”, destacou.
Para compensar a jornada de semanal das 8h às 17h, eles recebem um salário mínino, vale-transporte e vale-refeição. 
“A agilidade no serviço e o comprometimento deles, fizeram com que tívessemos mais confiança e, é muito bom poder acompanhar de perto essa evolução e entrega na mudança de vida de cada um”, concluiu a diretora.
A oferta de trabalho é resultado de um termo de cooperação com a Fundação Nova Chance (Funac), por meio da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp). O contrato tem validade de dois anos com possibilidade de renovação por mais dois anos. A cada três dias trabalhados, os reeducandos reduzem um dia da pena.
Conforme levantamento da Sesp, 608 reeducandos possuem contratos com 33 orgãos públicos e empresas em Mato Grosso. Entre eles reeducandos do sistema semiaberto, aberto e fechado, homens e mulheres. O sistema carcerário tem hoje aproximadamente 12 mil detentos.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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