Mato Grosso
Reforço na segurança contribui para redução de queimadas na região de Colniza
Desde o dia 15 de setembro a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) realiza a etapa ostensiva da operação integrada Gold and Earth. A ação ocorre na Região Integrada de Segurança Pública (Risp) 8, com foco nos municípios de Colniza e Aripuanã e Distritos de Taquaraçu do Norte, Guatá, Guariba e Conselvan. A partir deste período, houve redução de 42% nos pontos de calor na região, segundo dados do Comitê Temporário Integrado Multiagências de Coordenação Operacional (Ciman) do Corpo de Bombeiros Militar (CBM-MT).
Foram montadas barreiras policiais, ação que, segundo o comandante do Comando Regional 8 da Polícia Militar, tenente-coronel PM Wendel Soares Sodré, inibiu a provocação de incêndios criminosos.
“Fizemos uma saturação em Colniza, que já marcou o reforço da presença do Estado na região, assim como o deslocamento para os distritos. Desta forma, conseguimos dar uma resposta eficaz quanto as questões ambientais, que estavam incomodando muito a população local”, ressaltou.
O levantamento demonstrou que no período de 16 a 27 de setembro, foram identificados 1.498 pontos de calor no município de Colniza, enquanto de 1° a 15 do mesmo mês, havia 2.132 pontos.
O reforço no efetivo da Polícia Militar (PM-MT), incluindo o Batalhão de Ronda Ostensiva Tático Metropolitana (Rotam) e Batalhão de Operações Especiais (Bope); da Polícia Judiciária Civil (PJC-MT); Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec); e Corpo de Bombeiros Militar (CBM-MT) também resultou na apreensão de seis armas de fogo e munições, quatro prisões por cumprimento de mandados e oito, em flagrante. Houve ainda apreensões de seis caminhões, um trator e uma caminhonete.
“A integração de instituições é uma característica da Segurança Pública em Mato Grosso. O Corpo de Bombeiros Militar atua na resposta, mas também pode atuar coibindo o delito, o que é facilitado pela parceria com as polícias”, destacou o comandante do CBM, Coronel BM Alessandro Borges.
A situação no local está estável, conforme avaliou o delegado regional de Juína, Carlos Francisco de Moraes. “O trabalho inicial da inteligência, com levantamento de informações foi muito importante, os resultados estão sendo positivos, as com as investigações em andamento, e o trabalho continua pelos próximos meses”.
A primeira etapa da operação, iniciada em 1º de setembro, consistiu no levantamento de informações por parte da inteligência. A Gold and Earth terá ainda outras fases, deflagradas de acordo com os resultados dos trabalhos dos órgãos de segurança envolvidos.
Os policiais também atuam em apoio às ações de fiscalização da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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Mato Grosso
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