Mato Grosso
Safra 2021/22 exige cautela com percevejos-marrom e barriga-verde
Assunto será um dos destaques durante o Fundação MT em Campo Safra, em Nova Mutum-MT, no próximo dia 27 de janeiro

Foto: Divulgação
Entra safra e termina safra, e o produtor rural deve estar sempre atento à incidência de pragas e doenças nas lavouras. Os percevejos devem estar na pauta de cuidados, já que o problema, principalmente na soja, ocorre todos os anos e causa danos diretos, com ataques às vagens e grãos. No estado de Mato Grosso a espécie Euschistus heros – percevejo-marrom – é mais abundante na cultura, entretanto, nos últimos anos, a espécie Diceraeus melacanthus – percevejo barriga-verde – tem ocorrido em altas populações desde o início de desenvolvimento das plantas.
Este será um dos assuntos destaques durante uma das etapas do Fundação MT em Campo Safra, em Nova Mutum-MT. O evento, que ocorre no próximo dia 27 de janeiro, é realizado pela Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso no Centro de Aprendizagem e Difusão (CAD) da instituição, nesta cidade.
Segundo a pesquisadora em entomologia, Dra. Lúcia Vivan, a predominância de uma dessas espécies varia em função do local, do clima, das cultivares e do estágio e desenvolvimento da cultura. “Da mesma forma, a extensão dos danos depende, entre outros fatores, do estágio de desenvolvimento das plantas durante o período de infestação, visto que estes ocorrem desde a fase vegetativa”, relata. Após esse período eles aumentam progressivamente na fase reprodutiva, com crescimento exponencial e acelerado no final do ciclo da cultura, em especial, nas cultivares de ciclo médio e tardio.
Grandes prejuízos
Quando o ataque dos percevejos acontece nas vagens, as perdas podem atingir valores superiores a 30%. “Se o ataque ocorrer em fase de granação, é possível aparecer deformações, murchamentos e manchas nos grãos. Neste caso, eles perdem o valor para a comercialização por terem o teor de óleo reduzido”, explica a entomologista.
As perdas no poder germinativo das sementes podem ultrapassar 50%, além de terem queda no vigor. Já a infestação durante a fase de desenvolvimento das sementes torna-as pequenas, enrugadas e deformadas. “Quando o ataque dos percevejos se dá nos grãos, ocorre perda na qualidade destes e das sementes, principalmente pela inoculação do fungo Nematospora corylii, que causa a mancha-de-levedura, também conhecida como mancha-de-fermento”, detalha Lúcia.
Impacto no milho
Quando falamos em percevejo barriga-verde, o cuidado começa na safra de soja, que serve de alimento e proteção a este inseto, aumentando sua população e se mantendo na área, onde atacará a cultura do milho. “O cereal estará suscetível a este percevejo poucos dias após a emergência , podendo matar a plântula ou a gema apical, gerando um perfilhamento. Dependendo do ataque, algumas folhas do cartucho não conseguem desenrolar, encharutando”, relata a pesquisadora da Fundação MT.
Por isso, é importante a realização de tratamento de sementes na cultura do milho, e pulverizações foliares de 3 a 5 dias após a emergência e repetir a aplicação aos 7 a 10 dias após a emergência “O milho é suscetível ao ataque desse inseto até o estágio V4-V5. Também a aplicação na palhada após a colheita da soja pode ser uma estratégia para reduzir a população que se manterá na área. Outro ponto importante e de estudo é a pulverização na forma plante e aplique, em que se faz a aplicação de inseticida logo após o plantio de milho”, completa Lúcia.
Manejo é fundamental em ambos os casos
Tanto para um percevejo quanto para outro, é fundamental realizar o manejo correto. Para a espécie marrom recomenda-se o monitoramento das áreas para identificar o momento em que ocorre a entrada do inseto nas lavouras. “A partir disso, deve-se realizar o controle e acompanhar o desenvolvimento da população logo no início, a fim de não gerar populações altas para as áreas mais tardias. Em média se utiliza entre 1 a 2 percevejos/m para realizar o controle em áreas de produção de grãos, para áreas de sementes o nível tem sido de 0,5 percevejo/m”, detalha a entomologista.
Para o percevejo barriga-verde o manejo deve ser feito dentro do sistema de produção, cuidando com a população durante todo o ano, já que este possui muitas plantas hospedeiras. Vale lembrar que áreas com presença de plantas daninhas irão favorecer o desenvolvimento dessa praga, oferecendo alimento e local para oviposicão. Assim, áreas em pousio têm grande probabilidade de manter populações.
No momento do plantio da soja é importante avaliar a palhada e verificar se tem a presença do inseto, neste caso, pode-se optar por dessecação pré-plantio da soja e uso de tratamento de sementes com foco em sugadores. “Durante o desenvolvimento da soja é importante monitorar essa espécie também, no entanto, como o hábito dele é mais rasteiro e fica sob a palhada isso pode dificultar a quantificação da população”, reforça Lúcia.
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MPMT investiga contratações temporárias na Educação
A 8ª Promotoria de Justiça Cível de Defesa da Educação de Cuiabá instaurou três inquéritos civis para apurar as condições de contratação de profissionais da educação nas redes estadual de Mato Grosso e municipais de Cuiabá e Acorizal. O objetivo é verificar a realização de concursos públicos ou processos seletivos, bem como a adesão à Prova Nacional Docente (PND), política criada pelo Ministério da Educação (MEC) em 2026 para aprimorar a seleção de professores da educação básica no país.
Conforme o promotor de Justiça Miguel Slhessarenko Junior, a iniciativa busca levantar informações para avaliar a possível dependência de contratações temporárias, a eventual ausência de concursos públicos regulares, a adesão à política nacional de seleção de docentes (PND) e a existência de planejamento estruturado para a valorização da carreira.
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) determinou o envio de ofícios à Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), e às secretarias municipais de Educação de Cuiabá e de Acorizal, requisitando informações como a adesão à Prova Nacional Docente (PND), ou, em caso negativo, as justificativas e a previsão de adesão; a data de realização do último concurso público ou processo seletivo; e a existência de previsão para novas seleções, com a apresentação de cronograma.
As instituições também deverão encaminhar relação atualizada dos profissionais da educação, com detalhamento por função, local de lotação e tipo de vínculo (efetivo ou temporário). O MPMT requisitou ainda informações sobre o planejamento de políticas de valorização da categoria, incluindo estruturação de carreiras, recomposição do quadro efetivo e adoção de processos seletivos mais técnicos, transparentes e impessoais.
O promotor de Justiça Miguel Slhessarenko Junior considerou que que dados do Censo Escolar indicam que, nos últimos anos, tem havido aumento no número de professores temporários no país, em desacordo com a previsão constitucional e legal. Em algumas redes estaduais, mais de 70% do corpo docente possui vínculo precário.
Considerou também levantamento baseado em painel de Business Intelligence (BI) do MEC aponta que Cuiabá está classificada como Prioridade 3, com 5,5% de inadequação docente, 83% de profissionais concursados e último concurso realizado entre seis e oito anos. Já o município de Acorizal também figura na Prioridade 3, com 53,5% de inadequação docente, 64% de profissionais concursados e ausência de informações sobre o último concurso público na área da educação, bem como sobre a existência de Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR) para a categoria.
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