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Salvar vidas e mitigar danos da pandemia em Rondonópolis: Dever de todos!

*Thiago Muniz
O início da vacinação contra a Covid-19 é sem dúvida a melhor notícia que tivemos desde que a pandemia chegou ao Brasil. Como empresário e pessoa pública, mas também como alguém que teve a doença e que perdeu pessoas queridas nesta pandemia, fico parcialmente aliviado ao saber que finalmente dispomos de uma arma realmente eficiente para barrar o avanço do coronavírus. Mas quero aqui chamar a atenção de todos à nossa dura realidade e sugerir algumas ações para amenizar o sofrimento que ainda parece longe de ser superado.
Primeiro a realidade. O Brasil é um dos campeões em mortes e contaminações por Covid-19, e a média de óbitos aqui em Rondonópolis é bem superior à nacional. A vacina demorou a chegar e o total disponível não dá para imunizar nem cinco por cento dos cerca de 210 milhões de brasileiros. Segundo a ciência, a imunidade coletiva é alcançada a partir da vacinação de pelo menos 70% da população, patamar que só deve ser atingido lá por 2022. No curto prazo o cenário não é positivo.
Para evitar discussões estéreis nem vou entrar no mérito do quê nos trouxe à presente situação. No tempo certo poderemos avaliar e responsabilizar os ‘culpados’; aqueles que, por ação ou omissão, empurraram o Brasil, Mato Grosso e Rondonópolis para esta situação dramática. Mas, agora, precisamos cuidar dos que sofrem com a doença e com os efeitos desta pandemia na Economia.
Está claro que devemos reforçar as pressões para ter mais vacinas por todos os canais possíveis – entidades de classe, representação política, diplomacia etc. Precisamos também garantir transparência máxima no processo de imunização, para evitar privilégios na distribuição das poucas vacinas disponíveis.
Mas é fundamental também reforçar a estrutura de atendimento na rede pública para atender os doentes e as pessoas que tiveram sequelas, sem negligenciar os cuidados daqueles que têm outros problemas de saúde. Neste sentido é urgente a abertura de novos leitos de UTI, contratação de mais profissionais e uma sinergia melhor entre União, estado e município.
Precisamos também popularizar a testagem visando o diagnóstico precoce. Quanto antes for identificada a contaminação, mais eficientes serão o tratamento e as necessárias medidas de isolamento para impedir a propagação do vírus. Isso pode ser feito através dos ‘testes-rápidos’ e também de exames de imagem – que costumam ser tão (ou mais) eficientes que os exames laboratoriais. No ano passado defendi que o município adquirisse aparelhos de tomografia, que podem propiciar a realização de milhares de testes por mês visando a identificação de manchas no pulmão (um dos efeitos da Covid). A proposta é viável do ponto de vista econômico e continua válida. Rogo para que os vereadores e a Prefeitura avaliem isso sem qualquer preconceito político ou científico.
Por outro lado, temos a também urgente questão dos danos econômicos que pairam sobre famílias e empresas. Nesta área pouco pode ser feito no âmbito municipal, mas é possível fazer algo. No caso das empresas o melhor é não complicar. Compartilhar informações, antecipar decisões e, se possível, adiar medidas envolvendo majoração de tributos.
Já em relação às famílias reitero a sugestão de criação do Auxílio Emergencial Municipal para amparar aquelas em situação de extrema pobreza. Estamos falando de pessoas que já não têm recursos nem para comprar comida e que vão enfrentar um drama ainda maior agora com o fim do auxílio que era oferecido pela União.
É desumano abandonar essas pessoas à própria sorte sabendo que temos recursos para auxiliá-las temporariamente. Pode não parecer, mas nestes casos uma ajuda de R$ 100,00 fará muita diferença. Reafirmo que o município tem recursos que podem ser usados. Além disso, a Prefeitura pode liderar uma campanha buscando o apoio dos outros Poderes (Judiciário e Legislativo), do Ministério Público e da própria sociedade para obter mais recursos e ampliar o atendimento às famílias em situação de pobreza extrema.
Vejo muitos cidadãos e empresários fazendo o máximo que podem. Mas estou convencido de que atuando isoladamente como o beija-flor da fábula não conseguiremos apagar esse incêndio que nos consome. A ciência e os profissionais da saúde estão fazendo sua parte. E nós, sociedade e Poder Público, precisamos nos unir e agir para evitar que esta pandemia continue ceifando vidas e multiplicando tragédias. É hora de esquecer as diferenças e focar nas soluções.
*Thiago Muniz, sobrevivente da Covid-19, é empresário da construção civil; foi vereador e também candidato a prefeito de Rondonópolis em 2020.
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Agro em ano eleitoral: até onde podem ir os incentivos e benefícios fiscais?
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63 anos não se constroem por acaso: a liderança por trás da longevidade empresarial

Por Ulana Bruehmueller
O brasileiro tem uma reconhecida vontade de empreender. Muitas empresas nascem pequenas, de um sonho, de uma oportunidade ou da necessidade de construir um futuro melhor. Começam com poucos recursos, muito trabalho e a esperança de crescer ano após ano.
Mas começar uma empresa é apenas o primeiro desafio. Fazê-la permanecer, atravessar gerações e continuar relevante é uma conquista muito maior.
No Brasil, poucas empresas alcançam mais de seis décadas de atividade. Ao longo do caminho, enfrentam obstáculos que vão do acesso ao crédito aos elevados custos de insumos, energia e produção, além da carga tributária, da insegurança jurídica e de uma logística ainda cara e ineficiente.
É nesse contexto que celebramos os 63 anos da Refrigerantes Marajá.
Mais do que uma data no calendário, este aniversário nos convida a uma reflexão: o que faz uma organização atravessar tantas transformações e permanecer relevante ao longo das gerações?
A qualidade dos produtos e a confiança dos consumidores são fundamentais. Mas longevidade também se constrói com liderança forte, propósito definido, valores consistentes e pessoas alinhadas em torno de uma mesma direção.
Ao longo de mais de seis décadas, a Marajá precisou se transformar inúmeras vezes. Cresceu, ampliou mercados, modernizou sua estrutura industrial, incorporou tecnologias, profissionalizou processos, fortaleceu sua governança e desenvolveu novas marcas e produtos.
Ao mesmo tempo, avançou em uma agenda de ESG cada vez mais consistente, compreendendo que responsabilidade ambiental e social, ética e boa governança não devem existir apenas no discurso. Precisam estar incorporadas à maneira como uma organização toma decisões e pensa no seu futuro.
Essa capacidade de evoluir sem perder a essência talvez seja uma das principais explicações para a longevidade de uma empresa.
E nenhuma transformação acontece sem pessoas.
Ao longo da minha carreira, aprendi que podemos definir estratégias, estabelecer metas, investir em tecnologia e modernizar processos, mas são as pessoas que transformam o planejamento em resultado. Por isso, o alinhamento da liderança e o comprometimento do time são fatores concretos de competitividade.
Estratégias mudam. Mercados mudam. Tecnologias evoluem. Gerações chegam com novas expectativas. Os valores, entretanto, permanecem como uma bússola, permitindo que a empresa se transforme sem perder sua identidade.
Tenho muito orgulho de ter dedicado mais de 30 anos da minha vida profissional à Marajá e de ter crescido junto com esta empresa. Foram décadas de desafios, crises, decisões, expansão, transformação e, acima de tudo, aprendizado.
Por isso, celebrar estes 63 anos é também agradecer.
Aos fundadores que tiveram a disposição de empreender. Aos acionistas, diretores e líderes que assumiram a responsabilidade de conduzir a empresa ao longo do tempo. Aos profissionais que passaram por aqui e deixaram sua contribuição. E aos que hoje continuam escrevendo esta história e preparando a Marajá para o futuro.
Depois de tantos anos na indústria, compreendo que uma das maiores responsabilidades de uma liderança não é apenas entregar os resultados do presente. É criar condições para que a organização continue crescendo e gerando valor para as próximas gerações.
Longevidade empresarial não é simplesmente resistir ao tempo. É atravessar gerações evoluindo sempre. Continuar olhando para frente e assumindo responsabilidade pelo futuro!
Ulana Maria Bruehmueller é CEO da Refrigerantes Marajá
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A cidade começa na calçada

Rodrigo Arruda e Sá
Quando pensamos em desenvolvimento urbano, quase sempre imaginamos grandes avenidas, viadutos, pontes ou obras de infraestrutura. Tudo isso é importante, mas existe um elemento muito mais presente na vida das pessoas e que, muitas vezes, passa despercebido: a calçada. É nela que a cidade realmente começa, porque é por ela que todos nós caminhamos antes de entrar em um carro, em um ônibus, em um comércio ou em uma praça.
A qualidade de uma cidade pode ser medida pela forma como ela trata o pedestre. É pela calçada que uma criança vai à escola, um idoso chega à farmácia, uma mãe empurra o carrinho do filho e um trabalhador segue até o ponto de ônibus. Quando esse espaço está esburacado, desnivelado, ocupado irregularmente ou simplesmente não existe, a cidade transmite uma mensagem clara: as pessoas deixaram de ser prioridade.
Não é preciso olhar para a Europa para encontrar bons exemplos. Curitiba transformou o cuidado com as calçadas em uma política permanente de urbanismo e acessibilidade. Maringá tornou-se referência nacional pela arborização, pela conservação dos espaços públicos e pela qualidade de seus passeios. Joinville e Blumenau também demonstram como calçadas bem cuidadas, praças limpas, iluminadas e bem conservadas tornam a cidade mais acolhedora para moradores, turistas e comerciantes.
Essas cidades compreenderam que desenvolvimento urbano não se resume a grandes obras. A qualidade de vida nasce dos espaços que as pessoas utilizam diariamente. Calçadas acessíveis, arborização, praças bem cuidadas, iluminação eficiente e limpeza permanente estimulam a convivência, fortalecem o comércio de rua, aumentam a sensação de segurança e fazem com que os moradores sintam orgulho da cidade onde vivem.
Em Cuiabá, infelizmente, ainda convivemos com uma realidade distante desse padrão. Além das calçadas interrompidas, desniveladas ou sem acessibilidade, muitas praças apresentam sinais evidentes de abandono.
A Praça Ipiranga, um dos espaços mais tradicionais da capital, frequentemente convive com acúmulo de lixo e mau cheiro, enquanto a Praça Popular, um dos principais pontos de encontro da cidade, além de estar coberta de lixo, sofre com a iluminação deficiente e manutenção insuficiente. Em vez de convidarem as famílias ao convívio, ao esporte e ao lazer, esses espaços acabam transmitindo uma sensação de descuido incompatível com a importância que têm para a vida urbana.
Como contador e empresário, aprendi que cidades agradáveis também são cidades economicamente mais fortes. O comércio prospera quando as pessoas caminham pelas ruas com conforto e segurança, frequentam as praças, permanecem mais tempo nos espaços públicos e ocupam naturalmente os centros comerciais. Investir nesses ambientes não é apenas uma política de urbanismo; é também uma política de desenvolvimento econômico.
É evidente que Cuiabá precisa continuar investindo em mobilidade, infraestrutura e transporte coletivo. Mas nenhuma dessas políticas produzirá resultados completos se esquecermos que toda viagem começa e termina a pé.
Antes de sermos motoristas, passageiros ou ciclistas, todos nós somos pedestres, e uma cidade que não acolhe quem caminha dificilmente será acolhedora para qualquer outro meio de transporte.
Talvez esteja na hora de ampliarmos o conceito de desenvolvimento urbano. Em vez de avaliar uma administração apenas pelo número de quilômetros de asfalto entregues ou pelas grandes obras inauguradas, deveríamos observar também a qualidade das calçadas, das praças e dos espaços públicos onde a vida realmente acontece.
Cuidar desses pequenos detalhes não é uma questão estética, mas uma demonstração de respeito ao cidadão e de compromisso com a qualidade de vida. Afinal, uma cidade verdadeiramente humana não se mede apenas pelo tamanho de suas avenidas, mas pelo cuidado com os lugares onde seus moradores caminham, convivem e constroem diariamente a sua história.
*RODRIGO ARRUDA E SÁ é contador, bacharel em Direito, empresário e ex-vereador de Cuiabá.
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