Mato Grosso
Santa Casa retoma serviços nesta quinta (30.08), após conciliação
Os trabalhadores e a diretoria da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá chegaram a um acordo na tarde desta quarta-feira (29.08). A assinatura do Termo de Conciliação, mediado pela Casa Civil do Governo do Estado, ocorreu no Núcleo de Conciliação do Tribunal de Justiça (TJ).
A assinatura do documento entre as partes garante o empréstimo de R$ 6 milhões para o pagamento de parte dos salários em atraso, e a contrapartida de ações que deverão ser adotadas pela diretoria da Santa Casa. O acordo garante a retomada dos serviços nesta quinta-feira (30).
“Mesmo não devendo qualquer valor à instituição privada, o Governo do Estado participou da conciliação junto ao TJ, com a Prefeitura de Cuiabá, por se tratar de assunto de interesse público: a saúde”, comentou o secretário-chefe da Casa Civil, Ciro Rodolpho Gonçalves.
Conciliação
O titular da Casa Civil explica o que ficou definido no Termo de Conciliação. “Nesta quinta-feira (30.08) o Governo do Estado enviará diretamente à diretoria da Santa Casa o valor de R$1,5 milhão. O Estado já repassou à Santa Casa, por meio da Prefeitura de Cuiabá, como é regimental, mais R$ 568 mil referente ao FEEF do mês de agosto e mais R$ 435 mil pelos serviços de UTI prestados ao executivo estadual. Esses dois valores também serão liberados pela Prefeitura amanhã”. A Santa Casa complementará com R$ 500 mil.
A maior parte do total de R$ 3.003.000,00 será utilizada para o pagamento de uma folha salarial e meia dos profissionais de enfermagem e de apoio do hospital, e R$ 500 mil irão para os vencimentos dos médicos.
No dia 05 de setembro, a Prefeitura de Cuiabá enviará R$ 1,5 mi para repor os R$ 500 mil do fluxo de caixa da Santa Casa, e R$ 1 milhão para a amortização da primeira cota dos salários dos médicos.
No Termo de Conciliação, a Santa Casa se compromete a solicitar à Sociedade Mantenedora uma assembleia para a revisão do estatuto, encaminhando proposta para a implantação do Comitê de Governança, que deverá ser composto por membros da direção, corpo clínico e trabalhadores. A entidade também se compromete a fornecer as informações necessárias e o livre trânsito de servidores da Controladoria Geral do Estado (CGE) para a realização de uma auditoria sobre todos os recursos públicos empregados na entidade.
Realizada a auditoria, a Santa Casa elaborará um Plano de Providências em até 60 dias, no intuito de aprimorar sua gestão, submetendo-o ao seu Conselho Fiscal.
Também se compromete a apresentar um plano de alteração da composição das receitas, passando para a proporção de 60% para atendimento SUS e 40% para atendimento à Rede Privada.
Por fim, a entidade deverá restituir os valores repassados (R$ 6 milhões) pelo Poder Público em até 120 dias.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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