Mato Grosso
Seaf inscreve mais de R$ 18 milhões em projetos junto ao Mapa
A Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) concluiu nesta semana o cadastro de mais de R$ 18 milhões em propostas para apoio financeiro junto Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). As chamadas “Propostas Voluntárias” são para o fomento de ações de promoção e fortalecimento da Agricultura Familiar, setor agropecuário, desenvolvimento da produção pesqueira agrícola, sustentabilidade de territórios rurais, e de apoio às políticas públicas para promoção da igualdade racial.
No total foram inscritas 14 propostas que abrangem o fortalecimento de cadeias produtivas definidas como prioritárias para o avanço da produção familiar. Entre as iniciativas propostas pela Seaf, estão o fomento de ações ligadas ao desenvolvimento da bacia leiteira com ênfase na aquisição de resfriadores e calcário para recuperação das pastagens; implantação de unidades demonstrativas para a piscicultura; perfuração de poços artesianos; revitalização de feiras municipais; fomento à cadeia produtiva do mel; recursos para a realização de oficinas regionais voltadas a capacitação dos municípios para adesão ao Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar e de Pequeno Porte (Susaf), e a aquisição de equipamentos e patrulhas agrícolas.
O secretário de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), Silvano Amaral se reuniu em Brasília com o secretário-adjunto de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Mapa, Ewerton dos Santos, onde reiterou a necessidade de uma análise mais criteriosa sobre as propostas inscritas por Mato Grosso. Silvano relatou o empenho do Estado em fazer frente às principais demandas da Agricultura Familiar, e reafirmou a importância da participação do Mapa para a ampliação dos resultados de apoio às famílias e potencialização dos projetos.
“A disponibilização deste recurso é fundamental para que os estados e municípios ampliem e qualifiquem sua oferta de serviços, focando sempre em ampliar a abrangência das famílias assistidas pelo poder público. Além disso, são ações que geram um efeito cascata na economia local e regional, com a abertura de novos postos de trabalho, geração de renda e estimulo à vocação dos setores”, destacou Silvano Amaral.
Crédito fundiário
O secretário também apresentou ao diretor do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF), Carlos Everardo a proposta de realização do diagnóstico socioeconômico dos Agricultores Familiares de Mato Grosso. O mapeamento é inédito no Governo do Estado, e pretende utilizar um sistema próximo ao Regularização Ambiental e Diagnóstico dos Sistemas Agrários (Radis), desenvolvido pelo Escritório de Inovação Tecnológica (EIT), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), para projetos de regularização fundiária.
A ideia é contemplar inicialmente as 7.830 famílias beneficiadas pelo PNCF no Estado. Hoje, boa parte das famílias está impedida de acessar novos créditos rurais devido às irregularidades ocorridas na consolidação dos projetos de crédito fundiário. Além de traçar o perfil do agricultor e levantar informações sobre sua vocação, o questionário também reunirá dados que permitirão avançar no georreferenciamento, e posterior regularização ambiental e fundiária das propriedades.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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