Mato Grosso
Seaf propõe diagnóstico socioeconômico da Agricultura Familiar em MT
A Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) está discutindo alternativas para diagnosticar o perfil socioeconômico dos agricultores de Mato Grosso. O mapeamento é inédito no Governo do Estado, e pretende utilizar um sistema muito próximo ao Regularização Ambiental e Diagnóstico dos Sistemas Agrários (Radis), desenvolvido pelo Escritório de Inovação Tecnológica (EIT), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), para projetos de regularização fundiária ligados ao Incra.
O diagnóstico deve contemplar inicialmente as famílias beneficiadas pelo Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF). O Programa tem a finalidade de proporcionar ao agricultor familiar sem-terra ou com pouca terra, crédito em condições acessíveis para a compra de imóveis rurais e infraestrutura básica. Hoje, boa parte das famílias está impedida de acessar novos créditos rurais devido às irregularidades ocorridas na consolidação dos projetos de crédito fundiário. As irregularidades vão desde a inconsistência na ocupação das propriedades até a falta de orientação para quitação dos valores financiados.
As informações serão coletadas a partir de questionários aplicados por técnicos do EIT em visita às propriedades. Além de traçar o perfil socioeconômico do agricultor e levantar informações relativas à vocação agrícola e aos sistemas agrários locais e regionais, o questionário também reunirá dados que permitirão avançar no georreferenciamento, e posterior regularização ambiental e fundiária das propriedades.
Para que os pesquisadores tenham acesso aos beneficiários, o EIT realizará uma série de eventos mobilizadores com a participação dos agricultores familiares e da rede de apoio local, sobre a importância de receber os agentes para a coleta dos dados. O mapeamento ainda reunirá informações socioambientais, apontará ajustes na base de dados hidrográficos, de estradas, rodovias, vegetação nativa, parcelamento dos lotes, áreas de desmatamento, e ainda, as medidas necessárias para a recomposição de áreas eventualmente degradadas.
De modo geral, o diagnóstico permitirá a identificação dos modelos de exploração sustentável mais indicados para aqueles agricultores, segundo o arranjo produtivo local e regional onde estão inseridos. O sistema terá também papel primordial na elaboração de programas e projetos produtivos que sejam capazes de gerar renda e promover a manutenção do agricultor no campo.
“Nossa proposta é reunir o maior número de informações possíveis sobre o perfil dos nossos agricultores familiares, especialmente os beneficiários do PNCF, com a expectativa de propormos soluções viáveis para o avanço econômico das famílias, de acordo com seu perfil, e em consonância com a preservação ambiental. É um levantamento bastante completo que nos dará uma base segura para a tomada das melhores decisões de incentivo às produções. O questionário passará por alterações para que possa atender as necessidades da secretaria, mas assim que concluído se tornará uma base de dados muito rica. A iniciativa é audaciosa. O secretário Silvano Amaral está de parabéns pela decisão”, avaliou a Superintendente do Crédito Fundiário, Iracema Araújo Ramos.
Além da participação do secretário de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), Silvano Amaral, as discussões também contaram com a presença dos professores Olivan da Silva Rabelo, Luciane Durante e Ronilton Souza, ligados ao projeto Radis/UFMT; do secretário adjunto de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural da Seaf, Carlos Alberto de Arruda; e equipe técnica da Seaf, responsável pela execução do PNCF em Mato Grosso.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
Defensoria impede leilão da única propriedade rural de casal de idosos
Mato Grosso
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