Mato Grosso
Secretário faz avaliação da Educação em audiência na Assembleia
O secretário de Estado de Educação, Permínio Pinto, fez um balanço do início do ano letivo e das ações desenvolvidas na Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer (Seduc), durante os trabalhos da Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura e Desporto, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
Na oportunidade, ele apontou as melhorias que foram implantadas e outras que serão executadas este ano. A audiência aconteceu nesta quarta-feira (02.03). Entre as ações citadas pelo secretário estão o Processo Seletivo Simplificado (PSS), que aumentou o nível de qualificação dos contratados; a avaliação externa que será feita com os alunos do 2º, 4º, 6º e 9º ano do Ensino Fundamental e 1º e 2º do Ensino Médio; e a escola para gestores, que focará na formação dos diretores das unidades escolares.
“Posso afirmar com tranquilidade que a qualidade e a democratização no PSS foram quesitos positivos que alcançamos. Enfrentamos resistência muito grande por conta do círculo vicioso que estava instalado”, frisou Permínio Pinto, ao explicar que os contratados anteriormente eram selecionados nas escolas e, assim, muitos permaneciam por vários anos ainda que a pontuação fosse baixa.
Quanto à avaliação, Permínio disse que a Seduc está trazendo a expertise de uma instituição que atua em outros 18 estados. Desta forma, Mato Grosso terá sua própria avaliação.
O ciclo de formação humana foi questionado pelo deputado José Carlos do Pátio, presente na reunião, com o foco em melhorias. “Não dá para voltar com o ensino seriado, mas também não dá para ficar com o sistema ciclado da forma como está. Ele precisa ser melhorado”, disse o parlamentar.
O secretário afirmou que a avaliação dos alunos prevista para o final de março norteará as ações pedagógicas, além da formação continuada dos professores.
Para o presidente da Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura e Desporto, deputado Wilson Santos, o secretário Permínio está à frente de um grande desafio. “Permínio tem pouco tempo para fazer as mudanças que almeja na formação humana. Mas ele tem audácia para mudar, sei que ele vai fazer as mudanças”, frisou.
O deputado Wancley Carvalho, a secretária adjunta de educação de Cuiabá, Marioneide Angélica Kliemaschewsk e o presidente do Conselho Estadual de Educação Carlos Alberto Caetano participaram da audiência.
Ficai em debate
O projeto Ficai (Ficha de aluno infrequente, indisciplinado e ato infracional) também foi debatido na reunião da Comissão. O objetivo é transformar o Ficai em lei para que ele alcance todas as unidades escolares do Estado. O promotor de Justiça Henrique Schneider Neto, presente na audiência, defende a iniciativa.
A ficha já é conhecida em algumas escolas de Cuiabá. Trata-se de um sistema de controle de frequência do aluno. Mas, segundo o promotor, é muito pouco ainda e não há como cobrar a efetividade dela. “Através de uma lei ela se fortalece e se expandirá por todo o Estado, possibilitando a eficiência da ação”, ponderou Henrique.
Ele argumenta que o projeto Ficai melhora ainda a comunicação com a família, uma vez que estará informando os pais e os notificando sobre a frequência do aluno na escola, contribuindo inclusive com a evasão escolar.
As escolas terão a ficha do Ficai como instrumento de indisciplina, mas também como ato infracional para que as medidas possam ter tomadas. No caso, o Ficai será uma ferramenta compensatória e que não estimulará a evasão escolar, como alguns possam pensar. Entende-se que se o aluno se ausentar da escola, o Ficai vai buscar esse aluno, porque será de conhecimento das autoridades.
O secretário afirmou que não dá para fazer educação sem a participação da família e que o celular, nesse caso, também poderá ser um mecanismo de apoio, pelo imediatismo que dispõe.
Com experiência na área em Alta Floresta, o promotor disse que, no Rio Grande do Sul, o projeto Ficai está mais adiantado. “O Ministério Público não veio para ser instância de recurso da unidade escolar, não é para ser uma válvula de escape. Mas para fortalecer a escola”, destacou o promotor.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
Mato Grosso
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