Mato Grosso
Sema promove oficina participativa para elaboração do Plano de Manejo da Estrada Parque

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) iniciou nesta segunda-feira (5.4), no Centro de Atividades do Sesc Pantanal, em Poconé, oficina para elaboração do Plano de Manejo da Estrada Parque Transpantaneira. Até sexta-feira (9), aproximadamente 50 pessoas, representantes de vários segmentos, discutem sugestões de programas, ações, zoneamento, entre outras atividades, que deverão nortear a implementação de políticas públicas voltadas à unidade de conservação.
A Estrada Parque Transpantaneira está localizada na rodovia MT-060, do Km 17 (onde está localizado o Posto de Fiscalização) até o Km 142 (Porto Jofre). A Unidade de Conservação inclui ainda a faixa marginal de 300 metros de cada lado da rodovia.
De acordo com a superintendente de Biodiversidades da Sema, Sanny Saggin, a oficina é uma oportunidade para participação social. “A expectativa é de que desta oficina saia um documento norteador de gestão que defina ações viáveis em sua implementação. O plano de manejo deve trazer sugestões de ações, programas e prioridades para a gestão da unidade”, afirmou a superintendente.
Segundo ela, Mato Grosso é pioneiro na elaboração de Plano de Manejo para Estrada Parque. “É uma construção desafiadora, pois não temos roteiros metodológicos para seguirmos que atenda as peculiaridades de uma Estrada Parque. Mais uma vez a Sema sai na frente ao iniciar esta discussão para elaboração desse instrumento de gestão que deve servir de modelo para outros estados”, afirmou.
O Plano de Manejo é um instrumento essencial para a gestão da Unidade de Conservação. O objetivo é garantir que as atividades de manejo e conservação realizadas na Estrada Parque Transpantaneira sejam planejadas e executadas de maneira sustentável e equilibrada, com foco na preservação da sua biodiversidade e dos seus recursos naturais.
O gerente da Estrada Parque Transpantaneira, Paulo Abranches, destacou que atualmente os principais desafios enfrentados na unidade estão relacionados ao controle de velocidade, falta de sinalização, limpeza da faixa de domínio e rompimentos de cabos de energia elétrica. Existem na região mais de 15 pousadas, além de barcos hotéis.
Participam da oficina representantes da Universidade Federal de Mato Grosso, secretarias estadual e municipal de Turismo, Associação de Defesa do Pantanal, Câmara Municipal de Poconé, Sesc e várias organizações não governamentais.
A oficina para elaboração do Plano de Manejo da Estrada Parque Transpantaneira está sendo desenvolvida com consultoria da empresa Ecosoul. A contratação foi viabilizada por meio de recursos do Banco de Projetos e Entidades (Bapre) do Ministério Público do Estado de Mato Grosso.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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