Mato Grosso
Semana da Amamentação terá arte para sensibilizar sobre o tema
O leite materno, chamado de alimento de ouro pela Organização Mundial da Saúde, é fundamental para garantir a saúde dos bebês nos primeiros anos de vida. No entanto, mesmo diante das evidências científicas, a saúde pública ainda enfrenta um entrave cultural, mitos e preconceitos que culminam no desmame precoce e em graves problemas às crianças. Combater esse cenário através da sensibilização pela arte é o objetivo da Semana da Amamentação de Mato Grosso, que ocorre entre os dias 01 e 07 de agosto, em diferentes espaços culturais de Cuiabá.
Apropriando-se da arte para mostrar a beleza, os benefícios e a importância da amamentação, a campanha ‘Empoderar mães e pais: favorecer a amamentação’ irá oferecer uma programação cultural com cinema, música, artes plásticas, dança, poesia e literatura. Todas as atividades terão a amamentação como temática e serão gratuitas. As atrações ocorrerão no Palácio da Instrução, Cine Teatro Cuiabá e Teatro Zulmira Canavarros. Além disso, a Semana da Amamentação inclui debates e minicursos.
A proposta é reunir conhecimento e arte para promover o empoderamento da mãe e mostrar a importância da rede de apoio familiar para o sucesso da amamentação. Dados da OMS apontam que aproximadamente 6 milhões de crianças são salvas a cada ano com o aumento das taxas de amamentação exclusiva até o sexto mês de vida. A recomendação da OMS é que a mãe amamente o filho até os dois anos ou mais, considerando benefícios à saúde da criança, como o aumento da imunidade e redução de 13% no índice de mortalidade e proteção contra diarréia, infecções respiratórias e alergias.
Programação
A abertura oficial será no dia 01 de agosto, às 19h30, no Cine Teatro Cuiabá. No dia, será exibido o filme Tigers, baseado em uma história real do paquistanês Syed Aamir Raza (Ayan), que foi representante de vendas de fórmulas infantis em uma multinacional, e denunciou problemas de saúde nas crianças decorrentes do uso do produto e o lobby da indústria. Após o filme, haverá um debate com Maria Cristina Passos, da Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar (IBFAN Brasil).
No dia 02, às 20h, a atração artística será show ‘Força Mulher’, da cantora Estela Ceregatti, no Teatro do Cerrado Zulmira Canavarros. É um espetáculo voltado para o empoderamento feminino, o amor e a liberdade da mulher. Durante a apresentação, Estela Ceregatti divide o palco com a artista e professora da dança Nancy Ribeiro.
Artistas mato-grossenses das artes plásticas se unem na luta pela amamentação e apresentam a exposição ‘Arte de Amamentar’, que ficará aberta à visitação de 03 a 30 de agosto, no Palácio da Instrução. A abertura será às 15h, e haverá telas, escultura, instalação e fotografia. O evento contará com apresentação da poetisa Bia Corrêa e da professora de dança Nancy Ribeiro.
Com a curadoria de Ronei Nogueira Ferraz Ronei, a mostra traz obras dos seguintes artistas: Anna Pretta, Irani Gomes, Lourdes de Paula, Ludmila Brandão, Nice Aretê, Paty Wollff, ROCalazans, Rosylene Pinto, Tula Kirst, Adriana Milano, Cida Silva, Dayana Trindade, Rodolfo Carli, Amaury Santos, Mari Gemma De La Cruz, Arachely Tristão, Ferraz Ronei, Ruth Albernaz, Bia Corrêa, Nancy Ribeiro e Maria Lúcia Futuro.
Voltado para as mães que amamentam, também haverá o minicurso ‘Conexão Ventre-amamentação’, com Nancy Ribeiro. Será no dia 02 de agosto. E no dia 05 de agosto haverá a oficina ‘Massagem para bebês: vínculo e afeto’, com Josemara, Edileuza e Jesiele, do Super Mães Grupo de Apoio. Os dois serão das 14h às 18h, no Palácio da Instrução.
Serviço:
A Semana da Amamentação é um evento realizado pelas Secretarias de Estado de Saúde e de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel), com o apoio da Assembleia Legislativa, Ateliê 569, Super Mães Grupo de Apoio, Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar (IBFAN Brasil), Waba Brasil e Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
A programação detalhada está nas redes sociais: Facebook e Instagram
Mais informações e inscrições: (65) 99259-6928 /3613-5415 e pelo e-mail [email protected]
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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