Mato Grosso
Senasp avalia perfil da Balística Forense de MT em levantamento nacional
Uma pesquisa realizada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) com as instituições de perícias oficiais criminais traçou um relatório diagnóstico sobre o perfil da Balística Forense no país nos anos de 2016 e 2017.
A pesquisa revelou que Mato Grosso é o terceiro estado com o maior efetivo de peritos criminais realizando exames do gênero, atrás dos estados de São Paulo e Minas Gerais. A maior parte dos peritos que realizam exames de balística forense estão lotados no interior.
A Gerência de Perícias de Balística, na capital, concentra os exames de microcomparação balística de materiais provenientes de todo o Estado de Mato Grosso, além de exames de eficiência, metalográfico (recuperação das numerações de série destruídas), de comparação balística e de real funcionamento de armas de fogo (segurança). Já as regionais do interior realizam os exames balísticos, exceto o de confronto balístico. Durante o período, a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) produziu 8.655 laudos de balística, na capital e no interior do Estado.
O levantamento observou o efetivo de peritos que realizam exames de microcomparação balística, um dos exames mais complexos e importantes da área, pois possibilita relacionar elementos de munição (estojos e projeteis), à determinada arma de fogo, fornecendo a prova pericial crucial para a elucidação da autoria de um crime. Em Mato Grosso, cinco peritos realizam este tipo de exame, exclusivamente na capital.
Entre 2016 e 2017, a Politec periciou 7.306 armas de fogo e realizou 532 exames de microcomparação balística e periciou 11.947 estojos e projéteis. O levantamento avaliou ainda a necessidade de aquisição de Sistemas Automatizados de Análise Balística e a necessidade de aquisição de microcomparadores balísticos e de tanques para coleta de projeteis, ambos com alta prioridade.
Sistema Nacional de Análise Balística
O principal objetivo da pesquisa é a realização de um diagnóstico referente ao efetivo de Peritos Criminais, exames realizados e equipamentos utilizados, fornecendo informações relevantes para subsidiar o Projeto Estratégico do Ministério da Segurança Pública, denominado Sistema Nacional de Análise Balística-SINAB.
O projeto SINAB visa prover as unidades de Perícia Criminal dos Estados, do Distrito Federal e da União com equipamentos e sistemas específicos para Balística Forense. Dessa forma será possível realizar a digitalização, a inserção em banco de dados e o confronto automatizado dos elementos de munição (projéteis e estojos), provenientes de locais de crimes, vítimas de homicídios e armas apreendidas. Os bancos de dados das Unidades da Federação e da Polícia Federal formarão uma rede integrada, permitindo o compartilhamento e comparação de dados em nível nacional.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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