Mato Grosso
Seplag publica normativa para agilizar abertura de conta salário
Visando desburocratizar e agilizar a abertura de conta salário para novos servidores e empregados públicos, a partir de agora, a declaração exigida pelas instituições bancárias poderá ser emitida pelos gestores de pessoas ou superior hierárquico do órgão onde o funcionário ou servidor será lotado. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado que circula nesta quarta-feira (20).
A Instrução Normativa da Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) também visa cumprir a Lei Federal nº13.726/ 2018 que trata da desburocratização e racionaliza atos e procedimentos administrativos mediante a supressão ou simplificação de formalidades e exigências desnecessárias ou superpostas, cujo custo econômico ou social, tanto para o erário como para o cidadão, seja superior ao eventual risco de fraude.
Até esta data esta declaração era fornecida apenas pela Seplag. A partir de agora será disponibilizada uma declaração que deverá ser preenchida e impressa em papel timbrado onde constem os dados da secretaria, empresa estatal, autarquia ou fundação pública emitente, nome e cargo do responsável pela emissão e telefone do correspondente do setor de gestão de pessoas que viabilize a confirmação dos dados da declaração emitida.
Para as unidades localizadas no interior, a declaração poderá ser digitalizada e encaminhada via endereço eletrônico (e-mail) diretamente ao responsável pela unidade em que o servidor deverá ficar lotado. A declaração está disponível aqui.
Ficará a cargo do responsável entregar ao servidor ou empregado público a cópia autenticada com carimbo de identificação do cargo e assinatura, da declaração encaminhada em conformidade para abertura da conta-salário.
As instituições bancárias usavam como referência uma portaria da Secretaria de Fazenda que se refere a abertura de contas de pessoas jurídicas, devido à falta de referência para esses casos em específico, o que dificultava o trâmite. A nova regra foi publicada para facilitar e desburocratizar os procedimentos.
Para a secretária adjunta de Gestão de Pessoas da Seplag, Miramar Januário de Oliveira, a medida trará mais celeridade, tanto para o órgão quanto para o servidor ou empregado público. “Esta é mais uma das medidas que estamos adotando como cabeça de sistema de gestão de pessoas, buscando modernizar a administração pública. A abertura da conta salário agora poderá ser feita de forma muito mais ágil, principalmente para os servidores do interior. Até então, esta declaração era enviada por malote ao interior do Estado”, disse.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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