Mato Grosso
Setasc realiza workshop sobre cultura de não violência e formação de lideranças

A Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) realizou, nesta sexta-feira (5.12), o workshop “Estratégias para uma Cultura de Não Violência: Formando Líderes para um Mundo Mais Pacífico”, no Ministério Público do Estado, na sede das Promotorias.
O evento, que faz parte do Programa SER Família Mulher Na Comunidade, reuniu autoridades, profissionais da rede de proteção, representantes de instituições públicas e a sociedade civil em uma importante ação de sensibilização e fortalecimento das políticas públicas voltadas à prevenção da violência, sobretudo contra as mulheres.
Durante o evento, a secretária adjunta de Políticas Públicas para as Mulheres da Setasc, Salete Morockoski, destacou o empenho do Governo do Estado no enfrentamento à violência e no acolhimento das mulheres em situação de vulnerabilidade.
“No âmbito estadual, temos envidado esforços incansáveis, em colaboração com todas as forças de segurança, com o apoio do governador e a primeira-dama, Virginia Mendes. Ela tem demonstrado grande empenho e determinação, para garantir que todas as mulheres que buscam apoio em nossos serviços ou em qualquer instância do poder público sejam acolhidas e tenham suas necessidades atendidas. Nosso objetivo é alcançar essas mulheres, oferecer-lhes suporte e implementar políticas públicas que as beneficiem”, afirmou.
Com abordagem de psicoeducação terapêutica centrada nas virtudes, o workshop foi conduzido pelo palestrante Afro Stephanini II, que ressaltou a importância da iniciativa para a promoção de uma cultura de paz e transformação social.
“A Setasc, por meio deste workshop, estabelece um importante marco, apresentando estratégias para a cultura da paz e a formação de líderes para um mundo mais pacífico. Ele oferece um espaço crucial para promover as mudanças necessárias em nossa sociedade, especialmente no que diz respeito aos valores”, destacou o palestrante.
A programação também contou com a participação da coordenadora de Polícia Comunitária e Direitos Humanos, tenente-coronel Ludmila Eickhoff, que pontuou a necessidade de uma mudança cultural em relação à violência de gênero, enfatizando a educação como ferramenta de transformação.
“Não é porque a mulher não sai desse ciclo de violência, mas por que o homem continua a agredir. A gente precisa mudar a nossa forma de ver, nossa forma de pensar sobre esse assunto. É uma mudança cultural que precisa acontecer dentro de casa, nas rodas de conversa, nas igrejas, principalmente com nossas crianças e adolescentes, para que no futuro essa pauta já esteja superada”, ressaltou.
Segundo a organização, a ação integra um conjunto de estratégias desenvolvidas pela Setasc com foco no fortalecimento da saúde mental, na construção de vivências emocionais positivas e na formação de lideranças comprometidas com a paz, o respeito e a equidade.
O workshop também proporcionou momentos de reflexão, troca de experiências e avaliação pessoal por meio de técnicas específicas, com o objetivo de ampliar a conscientização e fortalecer o papel de cada participante na promoção de uma sociedade mais justa, segura e empática.
Também estiveram presentes no evento a secretária adjunta de Assistência Social da Setasc (Saas), Miranir Oliveira; o secretário adjunto de Segurança Pública, coronel PM Heverton Moretti e a defensora pública, do Núcleo da Defesa da Mulher em Cuiabá (Nudem), Zanah Carrijo.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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