Mato Grosso
Simpósio apresentará tecnologia utilizada na identificação das vítimas em Brumadinho
Dos dias 27 de fevereiro a 1º de Março, será realizado o I Simpósio Estadual de Identificação, com o tema “Tecnologias a serviço da identificação humana”, no auditório Milton Figueiredo, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, em Cuiabá.
A palestra de abertura será na quarta-feira (27.02), às 15h30, com o papiloscopista da Polícia Federal Marco Antonio de Souza, sobre o uso de tecnologias na identificação das vítimas do desastre da Vale em Brumadinho (MG).
Ele irá apresentar um equipamento portátil de identificação biométrica desenvolvido por papiloscopistas da Polícia Federal que ganhou destaque nas ações de reconhecimento das vítimas.
O sistema Alethia, como é conhecido, faz o cruzamento das impressões digitais das vítimas encontradas com impressões armazenadas previamente em um banco de dados do próprio equipamento.
No dia 28 de fevereiro (quinta-feira), às 10h10, o evento irá discutir sobre quem pode usar e como usar o Nome Social, em mesa redonda com a participação do professor do Instituto de Saúde Coletiva da UFMT, Pablo Cardozo Roco, o presidente da Comissão de Diversidade Sexual da OAB, Nelson Freitas Neto, e a bacharela em secretariado executivo Daniela Behrends Rodrigues.
No dia 1º de Março (sexta-feira), às 8h, o diretor metropolitano de Identificação Técnica da Politec, Aílton Silva Machado irá apresentar o novo modelo de documento de identidade, instituído pelo Decreto nº 9.278, de 5 de fevereiro de 2018.
O documento conterá o número do Documento Nacional de Identificação, da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), Título de Eleitor, Carteira de Trabalho e Previdência Social, dentre outros dados.
O evento será realizado pela Diretoria Metropolitana de Identificação Técnica da Politec, e reunirá profissionais de diversas áreas para discutirem tecnologias que podem ser usadas para o aprimoramento do serviço de identificação do Estado de Mato Grosso.
O público-alvo são os servidores da DMIT, papiloscopistas, estagiários e técnicos de desenvolvimento econômico e social, funcionários de Postos de Identificação e representantes de prefeituras municipais. As inscrições para o Simpósio estão abertas e podem ser realizadas neste link.
O Instituto de Identificação Dr. Aroldo Mendes Paiva, vinculado à DMIT, atualmente 140 municípios de todo Estado de Mato Grosso em Postos de Identificação.
De acordo com os organizadores, com esse evento, será possível reunir profissionais da área da Papiloscopia, servidores atuantes dos postos de identificação, bem como representantes dos governos de esfera municipais e estadual, e representantes da iniciativa privada ligados às tecnologias de identificação.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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