Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Agro News

Tarifaço: lideranças do agro pressionam por reação diplomática

Publicado

A tarifa de 50% sobre produtos agropecuários brasileiros anunciada presidente dos Estados Unidos nesta semana acendeu um sinal de alerta entre autoridades brasileiras, mas principalmente de entidades do agronegócio nacional. Classificada como uma retaliação política com impacto comercial desproporcional, a medida deve atingir setores estratégicos como café, suco de laranja, carne bovina, celulose, tabaco e açúcar — produtos que somaram mais de US$ 12 bilhões em exportações ao mercado norte-americano no último ano, conforme dados da plataforma Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, se manifestou oficialmente em vídeo (veja abaixo) divulgado nas redes sociais, classificando a medida como “uma ação indecente do governo norte-americano” e assegurando que o governo brasileiro está mobilizado em busca de alternativas. “Telefonei para as principais entidades representativas dos setores mais afetados, o setor de suco de laranja, o setor de carne bovina e o setor de café, para que possamos, juntos, ampliar as ações que já estamos realizando: em abrir mercados, reduzir barreiras comerciais e garantir crescimento à agropecuária brasileira”, declarou o ministro.

Entidades setoriais foram enfáticas em afirmar que a tarifação afeta diretamente a previsibilidade dos fluxos comerciais e compromete a relação de confiança entre os dois países. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), por exemplo, afirmou que “a economia e o comércio não podem ser injustamente afetados por questões de natureza política” e que “a única saída possível é por meio do diálogo incessante e pragmático entre os governos e seus setores privados”. A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), por sua vez, apontou que a decisão carece de justificativa econômica, dado o superávit norte-americano na balança comercial bilateral.

Veja Mais:  Aviação agrícola cresce 5,2% e mantém Brasil como segundo no mundo

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA), a decisão traz riscos econômicos relevantes para o Brasil. “Ainda que os Estados Unidos representem uma fatia minoritária do total das exportações do agronegócio brasileiro — cerca de 6% —, essa fatia concentra produtos de alto valor agregado e de mercados maduros, cuja substituição não ocorre de forma imediata”, analisa Rezende. Segundo ele, a interrupção abrupta de canais tradicionais pode gerar efeitos indiretos severos em preços internacionais e margens de lucro.

O caso do suco de laranja é exemplar: 98% da produção brasileira é destinada à exportação, e os EUA respondem por 37% desse volume. No caso do café, quase 15% das exportações brasileiras têm como destino o mercado norte-americano. “Medidas dessa magnitude não atingem apenas o exportador direto. Elas afetam toda a cadeia, incluindo pequenos produtores, transportadores, armazenadores e redes de distribuição, com potencial de impacto em mais de 3 milhões de empregos diretos e indiretos”, observa o presidente do IA.

Rezende destaca ainda que, a abertura de novos mercados seja possível (como disse o Ministro), ela não substitui a importância de preservar os laços com os grandes centros consumidores tradicionais. “O realinhamento comercial com Ásia, Oriente Médio e Sul Global é estratégico, mas precisa ocorrer de forma planejada e com diversificação cautelosa. A reação a medidas pontuais não pode ser apenas de substituição reativa, sob risco de comprometer o equilíbrio de preços internacionais e a competitividade do produtor nacional”, conclui Rezende.

Veja Mais:  Relatório aponta desafios no crédito rural e oportunidades para exportação

O setor sucroenergético também expressou preocupações. A Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana) e a Organização de Associações de Produtores de Cana (Orplana) alertaram que a tarifa pode prejudicar a exportação de etanol e comprometer os avanços ambientais na substituição de combustíveis fósseis. “Trata-se de uma tarifa que pode afetar diretamente o setor sucroenergético, comprometendo o equilíbrio comercial entre os dois países e penalizando o consumidor norte-americano com preços mais altos de combustível e açúcar”, afirmou José Guilherme Nogueira, CEO da Orplana.

A Sociedade Rural Brasileira (SRB) e o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) também divulgaram notas demonstrando preocupação com o impacto da medida sobre a confiança mútua que sempre caracterizou o relacionamento comercial entre Brasil e Estados Unidos. Segundo Valmor Thesing, presidente do SindiTabaco, o mercado norte-americano é o terceiro maior destino do produto brasileiro e, em 2024, respondeu por US$ 255 milhões em vendas externas — o equivalente a 9% das exportações totais do setor.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) criticou a postura diplomática brasileira, considerando que “faltou assertividade para antecipar e negociar medidas que afetam setores estratégicos da economia nacional”. Ainda assim, seu presidente, Tirso Meirelles, acredita que há espaço para reversão: “Entendo que o confronto levará a prejuízos incalculáveis para ambos os lados. A construção de uma solução diplomática, com coordenação técnica e política, é o único caminho sensato”.

Veja Mais:  Governo anuncia 546,6 bilhões para a agroindústria

Enquanto aguarda-se a possível entrada em vigor da tarifa no próximo dia 1º de agosto, o governo federal trabalha para mitigar os impactos e pressionar por uma solução negociada. “Estamos juntos com o setor e vamos superar este momento difícil com união e inteligência estratégica”, declarou o ministro Fávaro. A expectativa do setor é que a racionalidade prevaleça e que as tratativas bilaterais avancem com celeridade, evitando danos permanentes a uma relação comercial construída ao longo de dois séculos.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook

Agro News

Crédito travado expõe falhas em regra ambiental e causa insegurança jurídica

Publicado

A combinação entre novas exigências ambientais e o uso automático de monitoramento por satélite para concessão de crédito rural passou a travar operações no campo e reacendeu o debate sobre segurança jurídica no financiamento da produção. Em vigor desde 1º de abril, as resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN) obrigam instituições financeiras a consultar o sistema Prodes antes de liberar recursos, medida que, na prática, tem gerado bloqueios até em áreas produtivas regulares.

O problema está na forma como os apontamentos são feitos. O Prodes, ferramenta oficial de monitoramento por satélite, identifica alterações na cobertura vegetal, mas não distingue automaticamente práticas agrícolas legais — como renovação de culturas, manejo de pastagens ou substituição de lavouras, de desmatamento irregular. O resultado tem sido um volume elevado de registros que, mesmo sem confirmação de infração, acabam impedindo o acesso ao crédito.

Dados de mercado indicam que, até outubro de 2025, foram registrados 5,4 milhões de apontamentos positivos no sistema, parte deles considerados potenciais falsos positivos. No campo, produtores relatam embargos administrativos sem notificação prévia e sem possibilidade imediata de contestação, o que interrompe o fluxo de financiamento em momentos críticos da safra.

O impacto se soma a um quadro mais amplo de restrição ao crédito no campo. Como mostrou o portal Pensar Agro mostrou na edição de ontem (09.04) – leia aqui, o aumento do endividamento rural e o custo elevado do financiamento também vêm limitando a capacidade de acesso a recursos por parte dos produtores.

Veja Mais:  Relatório aponta desafios no crédito rural e oportunidades para exportação

Diante desse cenário, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) articula mudanças tanto no Congresso quanto junto ao Executivo. Dois projetos de lei em tramitação buscam limitar o uso exclusivo de sensoriamento remoto para embargos e estabelecer critérios mais claros, com base no Código Florestal, para o bloqueio de crédito rural.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o problema não está na ferramenta, mas na forma como ela vem sendo aplicada. “O monitoramento por satélite é essencial e deve ser mantido. O que não pode acontecer é o produtor ser penalizado automaticamente por uma leitura que não diferencia manejo produtivo de desmatamento ilegal. Hoje, há situações em que a simples renovação de uma área agrícola gera um bloqueio de crédito, o que compromete toda a operação da safra”.

Segundo ele, o efeito mais imediato é a ruptura no fluxo financeiro dentro da porteira. “O crédito rural não é apenas financiamento, é a engrenagem que sustenta o ciclo produtivo. Quando há um bloqueio inesperado, o produtor perde capacidade de compra de insumos, atrasa plantio e aumenta o risco operacional. Isso encarece a produção e reduz competitividade, principalmente em um cenário de margens já pressionadas”.

Veja Mais:  Fórum Brasil Central de Agronomia nasce para unificar o agro brasileiro

Rezende avalia que a insegurança jurídica tende a ampliar o custo do crédito no médio prazo. “O sistema financeiro reage ao risco. Se há incerteza sobre a elegibilidade do produtor, o crédito fica mais restritivo e mais caro. Isso pode afastar investimentos, travar expansão de área e até comprometer ganhos de produtividade. No fim, o impacto não fica só no produtor, mas em toda a cadeia, inclusive no abastecimento e nos preços ao consumidor”.

Paralelamente, o Congresso também discute mudanças no seguro rural. O Projeto de Lei que reformula o modelo e prevê a criação de um fundo de catástrofes tramita em regime de urgência. A proposta busca recompor a previsibilidade de um instrumento que perdeu força nos últimos anos: os recursos do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) caíram de R$ 1,15 bilhão em 2021 para R$ 565,3 milhões em 2025, o menor nível desde 2019.

A avaliação no setor é de que crédito e seguro caminham juntos. Sem previsibilidade regulatória e instrumentos de mitigação de risco, o ambiente de financiamento tende a se deteriorar. No momento em que o país busca ampliar produção com sustentabilidade, o desafio passa a ser calibrar controle ambiental com viabilidade econômica — sem comprometer o acesso ao crédito que sustenta o campo.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Agro News

Mais etanol e vendas antecipadas mudam ritmo do mercado

Publicado

O avanço das vendas antecipadas pelas usinas e a mudança no destino da cana-de-açúcar estão redesenhando o mercado na safra 2026/27, com impacto direto sobre exportações e preços. A expectativa é de queda de cerca de 14,2% nos embarques brasileiros de açúcar, à medida que cresce o direcionamento da matéria-prima para a produção de etanol.

Em março, o Brasil exportou 1,808 milhão de toneladas de açúcar, volume 1,42% inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado, segundo a Secretaria de Comércio Exterior. A receita somou aproximadamente R$ 3,39 bilhões (US$ 657,57 milhões convertidos a R$ 5,15), recuo de 24,7% na comparação anual, refletindo preços internacionais mais baixos.

Apesar da retração no mês, o acumulado do primeiro trimestre ainda indica crescimento em volume. Entre janeiro e março, os embarques alcançaram 6,04 milhões de toneladas, alta de 5,78% sobre igual período de 2025. A receita, por outro lado, caiu 19,6%, evidenciando a pressão sobre os preços médios.

No campo, a principal mudança está no mix de produção. A moagem no Centro-Sul deve variar entre 625 milhões e 635 milhões de toneladas, com maior participação do etanol. A parcela da cana destinada ao açúcar tende a cair para 48,8%, abaixo dos 50,7% do ciclo anterior, em resposta direta aos preços mais elevados dos combustíveis.

Esse ajuste ocorre em um cenário de possível déficit global estimado em 2,7 milhões de toneladas na safra 2026/27, o que, em tese, sustentaria as cotações internacionais. No entanto, o comportamento das usinas tem atuado como fator de contenção no curto prazo.

Veja Mais:  Governo anuncia 546,6 bilhões para a agroindústria

Levantamento da StoneX indica que as fixações de açúcar no Centro-Sul avançaram de 41,8% para 59,5% ao longo de março. A diferença em relação ao mesmo período do ciclo anterior, que já foi de 20 pontos percentuais, recuou para cerca de 10 pontos.

Na prática, esse movimento reduz a pressão de venda que vinha travando altas mais consistentes. Com menos volume disponível para negociação imediata, o mercado passa a operar em um ambiente mais equilibrado, com menor resistência a eventuais valorizações.

No cenário internacional, os preços do açúcar registraram ganhos moderados em março, influenciados por fatores financeiros e geopolíticos, como a redução de posições vendidas por fundos em meio a tensões no Oriente Médio.

Para o produtor, o foco permanece na gestão do mix entre açúcar e etanol, que segue diretamente ligado ao comportamento do petróleo. A combinação entre custos, preços internacionais e demanda por combustíveis deve definir o rumo das margens ao longo da safra.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Agro News

Exportações de carne suína crescem 32% em março

Publicado

Em março, o Brasil exportou 153,8 mil toneladas de carne suína, entre produtos in natura e processados, volume 32,2% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O desempenho ocorre em um contexto de ajuste nos preços das proteínas, que ampliou a competitividade da carne suína no mercado interno e externo.

No atacado, enquanto a carne suína perdeu valor, a bovina seguiu em trajetória de alta. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) mostra que a carcaça especial suína foi negociada a R$ 10,06 por quilo na Grande São Paulo, queda de 2,8% frente a fevereiro. Já a carcaça casada bovina subiu para R$ 24,32 por quilo, impulsionada pela oferta restrita de animais terminados e pela demanda internacional aquecida.

Com isso, o diferencial de preços entre as duas proteínas atingiu R$ 14,26 por quilo em março, o maior nível em quatro anos. Esse aumento do spread reforça a atratividade da carne suína, especialmente em momentos de renda mais pressionada, e favorece o avanço dos embarques.

A receita acompanhou o crescimento do volume. As exportações somaram cerca de R$ 1,86 bilhão no mês, considerando câmbio médio de R$ 5,15, alta de 30,1% na comparação anual.

Veja Mais:  Governo anuncia 546,6 bilhões para a agroindústria

No acumulado do primeiro trimestre, o setor manteve ritmo consistente. Foram exportadas 392,2 mil toneladas, avanço de 16,5% sobre igual período de 2025, com faturamento próximo de R$ 4,7 bilhões.

No mercado doméstico, a pressão sobre os preços da carne suína esteve associada à menor liquidez típica da Quaresma, período em que há redução no consumo da proteína. Com o encerramento desse intervalo no início de abril, a expectativa é de recomposição gradual da demanda interna.

No exterior, a demanda segue concentrada na Ásia e em mercados sul-americanos. As Filipinas lideraram as compras em março, com 48,9 mil toneladas — aumento de 80,7% em relação ao ano anterior. Japão (18,2 mil toneladas, +85,8%), China (12,7 mil toneladas, -9,5%), Chile (10,6 mil toneladas, +26,1%) e Hong Kong (8,8 mil toneladas, -29,4%) aparecem na sequência.

Regionalmente, a base exportadora continua concentrada no Sul do país. Santa Catarina liderou os embarques, com 71 mil toneladas (+21,5%), seguida por Rio Grande do Sul (43,3 mil toneladas, +71,4%) e Paraná (21,4 mil toneladas, +10,5%). Estados como Minas Gerais e Mato Grosso também ampliam participação, ainda que em menor escala.

A sustentação do mercado segue ancorada no desempenho externo, enquanto o comportamento do consumo interno e a evolução dos preços das demais proteínas devem orientar o ritmo das cotações ao longo de 2026.

Veja Mais:  Minas Gerais anuncia R$ 1,4 bilhão em crédito para o agronegócio na safra 2024/2025

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

ALMT Segurança nas Escolas

Rondonópolis

Polícia

Esportes

Famosos

Mais Lidas da Semana