Mato Grosso
TCE investiga motivos para Prefeitura de Cuiabá contratar publicidade sem licitação
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| A medidada cautelar foi concedida pelo conselheiro interino, Moises Maciel |
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| REPRESENTAÇÃO EXTERNA | PROCESSO Nº 96458/2019 |
O Tribunal de Contas de Mato Grosso, por meio da Secex de Administração Municipal, investiga os motivos que levaram a Secretaria de Inovação e Comunicação de Cuiabá a contratar, por dispensa de licitação, ao valor de R$ 4.585.843,00, duas empresas de publicidade para realizar campanhas do IPTU/2019 e de combate à dengue. Os contratos e o processo licitatório foram suspensos na segunda-feira (25/03), por medida cautelar concedida pelo conselheiro interino Moises Maciel.
Causou estranheza à equipe técnica do TCE-MT o fato de a contratação ser caracterizada como de urgência, apesar da ausência de motivos que justificassem tal medida. E também por estar em andamento, na Prefeitura de Cuiabá, um processo licitatório (Concorrência Pública 023/2018), no valor de R$ 35 milhões, para escolha das agências publicitárias que irão atender as contas do Executivo Municipal.
A apuração também busca entender os critérios para escolha das duas empresas sem licitação, que foram a Genius Publicidade (20ª colocada na classificação da licitação) e a RCMais Agência Digital e Marketing Eireli, 12ª colocada no ranking de classificação, disponibilizado no Diário Oficial de Contas de 12 de março.
A Concorrência Pública 023/2018, inclusive, é alvo de Representação de Natureza Externa (Processo nº 96458/2019) proposta por uma das agências participantes do certame que foi desclassificada, a Casa D’Ideias, em conjunto com outras quatro empresas mal posicionadas na classificação geral.
Assim como a Representação Interna que resultou na concessão de cautelar, a Representação Externa, atualmente em trâmite na Secex de Administração Municipal, também está sob a relatoria do conselheiro interino Moises Maciel, relator das contas de Cuiabá referentes a 2019.
Indícios de ilegalidade
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| Equipe da Secex de Administração Municipal chefiada pelo auditor Francisney Liberato |
Os contratos 122/2019 e 123/2019, derivados, respectivamente, dos procedimentos de Dispensa de Licitação 07/2019 e 08/2019, foram analisados pelo auditor público externo Lázaro da Cunha Amorim, sob a supervisão do auditor Dyego de Jesus Barbara, ambos da Secex de Administração Municipal, chefiada pelo auditor Francisney Liberato.
Segundo Lázaro Amorim, os contratos suspensos tinham por objeto garantir serviços de publicidade para realização de campanhas de “Arrecadação do IPTU/2019” e de “Combate à Dengue”, com valores fixados, respectivamente, em R$ 3.083.663,50 e R$ 1.502.179,50, totalizando R$ 4.585.843,00. A vigência era de 180 dias.
Lázaro Amorim explicou que a Secretaria de Inovação e Comunicação não apresentou nenhum documento que justificasse a contratação de urgência dos serviços, como um decreto de calamidade no município, devidamente reconhecido.
O auditor destacou também que Cuiabá não registra epidemia de dengue em 2019, pelo contrário. No site de notícias da Prefeitura, no dia 21 de fevereiro, é possível conferir uma reportagem em que o município comemora a redução dos casos da doença, mostrando que, de 2018 para 2019 conseguiu reduzir de 351 para 58 o número de casos novos.
Quanto ao IPTU, o auditor também não reconheceu situação de urgência, já que o imposto é cobrado anualmente, o que permite que as campanhas publicitárias a fim de estimular a arrecadação sejam planejadas pelo poder público com antecedência.
O auditor também apontou outra irregularidade promovida pela Prefeitura de Cuiabá, que foi o não envio das informações ao Tribunal de Contas pelo Sistema Aplic, meio adequado para os fiscalizados prestarem contas. Os contratos por dispensa de licitação só foram identificados e analisados em razão do acompanhamento concomitante que a Secex de Administração Municipal faz das contas da Prefeitura, monitorando diariamente o DOC.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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