Mato Grosso
Técnicos participam de mini curso sobre a cultura da mandioca com aula prática
Extensionistas da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) participaram durante dois dias (21 e 22.11), de um mini curso sobre a cultura da mandioca, com aulas teóricas e práticas. O engenheiro agrônomo da Empaer, Almir de Souza Ferro, fala que a mandioca representa importante atividade sócio-econômica que gera emprego e renda tanto nas áreas rurais, com o processo de produção e industrialização, como nas áreas urbanas por meio da comercialização.
De acordo com Almir, a mandioca é produzida em todos os municípios do Estado e está presente nas pequenas propriedades rurais como fonte alimentar e para criação de animais. Trabalhando com a cultura da mandioca há 30 anos, ele explica que hoje a média de produção estadual chega a 14 toneladas por hectare e a tendência é chegar em breve a 20 toneladas de mandioca/hectare.
O mini curso apresentou para os técnicos da Baixada Cuiabana que a cultura da mandioca é produzida pelos agricultores familiares em 141 municípios do Estado. Almir esclarece que o plantio da cultura deve ser feito nas épocas recomendadas, nos meses de setembro e novembro (1º plantio), e fevereiro e março (2º plantio). “Se não plantar na época recomendada a perda na produção pode chegar até a 30%”, adverte.
Para conhecer o cultivo da mandioca, os técnicos visitaram a área do agricultor Oilso Ferreira da Silva, na Comunidade Mutuca – Quilombola Mata Cavalo, localizada no município de Nossa Senhora do Livramento (42 km ao Sul de Cuiabá). Com o plantio de três hectares de mandioca toda produção é vendida em Cuiabá e Várzea Grande. O agricultor Oilso, comenta que todos os anos colhe em média duas toneladas por hectare. Porém, este ano, devido ao excesso de chuva, irá colher apenas 500 quilos de mandioca. “Vamos colher e fazer farinha com o que sobrou para consumo da família”, enfatiza.
Na área de 10 hectares, o trabalho na terra é realizado pelo pai do agricultor, João Pedro da Silva, e o irmão Wilson Ferreira da Silva. Eles cultivam banana da terra, cana-de-açúcar e milho, além de feijão e arroz são para o consumo próprio. Conforme Oilso, mesmo com a queda no cultivo da mandioca, em breve será realizada a colheita e em seguida o plantio. “Nós sobrevivemos com o que plantamos e hoje temos clientes que compram toda semana nossa produção”, comenta.
O técnico agropecuário da Empaer, Liduíno João de Lima, mostra na prática para os extensionistas que para realizar um plantio de mandioca são necessários checar a escolha e preparo da área, variedades (mesa, indústria e alimentação animal), tipos de variedades (cor da polpa), seleção e preparo das ramas (corte das ramas, quantidade, transporte e armazenamento), preparo das maninas (tamanho, corte e quantidade), plantio (época, espaçamentos e sistema de plantio), pragas e doenças, tratos culturais e outros.
O técnico agropecuário da Empaer, Gláucio Guimarães, comenta que está na empresa há apenas 18 meses, e atua no município de Jangada, que possui uma área de 400 hectares com o cultivo da mandioca. Ele relata que o mini curso trouxe informações importantes com relação à análise de solos, pragas, doenças e interpretação para auxiliar com mais precisão os agricultores familiares.
O engenheiro agrônomo da Empaer e organizador do evento, Osmano de Freitas Silva, fala que o objetivo do evento foi capacitar os técnicos para prestar os serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) aos produtores rurais com informações e tecnologias necessárias para o bom andamento da lavoura, garantindo lucro e renda às famílias do campo.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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