Mato Grosso
Tomada de Contas vai identificar responsáveis por dano de R$ 326 mil a Sapezal
| Assunto: AUDITORIA Interessado Principal: PREFEITURA MUNICIPAL DE SAPEZAL |
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| JOÃO BATISTA CAMARGO CONSELHEIRO INTERINO |
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__________ JAQUELINE JACOBSEN RELATORA DO VOTO VISTA VOTO VISTA |
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DETALHES DO PROCESSO |
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| INTEIRO TEOR | |
| VOTO DO RELATOR | |
| ASSISTA AO JULGAMENTO |
Uma Tomada de Contas Ordinária será instaurada para apurar as responsabilidades individuais sobre o dano ao erário de Sapezal, estimado inicilamente em R$ 326.663,87, em razão do pagamento integral de salários, no período de janeiro a dezembro de 2017, aos médicos da Secretaria Municipal de Saúde, sem aplicação de descontos por faltas e impontualidade no registo da jornada de trabalho.
A Tomada de Contas foi determinada no julgamento da Auditoria de Conformidade realizada pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso nos Serviços Médicos de Sapezal, que constatou que 75% dos médicos da Prefeitura não cumprem corretamente a carga horária no município. O julgamento da Auditoria (Processo nº 102393/2018) ocorreu na sessão ordinária do Tribunal Pleno de terça-feira (01/10).
O relator do processo, conselheiro interino João Batista de Camargo, destacou, no voto, que a Auditoria de Conformidade demonstrou que seis dos oito médicos do Município de Sapezal não cumpriram de forma efetiva suas jornadas de trabalho. Não obstante, esses servidores receberam, no período de janeiro a dezembro de 2017, suas remunerações de forma integral.
Além dos seis médicos, o conselheiro também responsabilizou pelas irregularidades dois ex-secretários municipais de saúde e duas servidoras do setor de Recursos Humanos (RH). O relator firmou entendimento de que os profissionais tinham conhecimento do problema, já que na Ouvidoria do Município constavam 22 denúncias relacionadas à falta de médicos nas unidades de saúde, “o que alertava para a existência de possível descumprimento de carga horária pelos profissionais”.
Foi determinado à atual gestão de Sapezal que em 90 dias estabeleça um plano de ação visando à correção das irregularidades constatadas na auditoria; instaure procedimento a fim de apurar a incompatibilidade de horários nos cargos efetivos ocupados pelo médico Irui Carlos Morandini, que atua no município e como perito no Estado de Mato Grosso. À Secretaria Municipal de Saúde que verifique o cumprimento da jornada de trabalho de todos os profissionais da pasta, entre outras determinações e recomedações. O voto do relator foi aprovado por unanimidade.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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