Mato Grosso
Unidades sociassistenciais garantem atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência
A menina Araceli tinha oito anos quando foi sequestrada, violentada e cruelmente assassinada. O fato aconteceu em 18 de maio de 1973, mas casos semelhantes permeiam a vida de crianças e adolescente até os dias de hoje. Vinte e sete anos depois, por meio da Lei Federal nº. 9.970/2000, foi instituído o “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”.
Em Mato Grosso, mais de mil casos de violência sexual foram registrados pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) em 2018. Em 2015, foram recebidas 987 vítimas que sofreram algum tipo de negligencia e maus tratos. A Secretaria de Estado de Assistência Social de Cidadania (Setasc) realiza o apoio técnico e orientação aos municípios que executam o serviço socioassistenciais.
De acordo com o secretario adjunto de Assistência Social da Setasc e presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, Aguinaldo Garrido, apesar de os atendimentos às vítimas serem feitos pelas equipes técnicas dos CREAS, em muitos municípios existem somente os Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), que oferecem a proteção social básica de forma preventiva, proativa e protetiva.
Nessas unidades, o atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência ou violação, aumentou 815% desde 2015, passando de 74 atendimentos para 677, em 2018. “O aumento dos registros mostra que a rede de proteção está cumprindo o seu papel, garantindo às crianças e adolescentes vítimas de violência o acolhimento em unidades que ofertam serviços de apoio, orientação e encaminhamentos necessários”.
“Neste ano, preparamos um material informativo, composto por vídeo, nota técnica e material para impressão, que foi disponibilizado aos 141 municípios mato-grossenses para subsidiar as ações municipais referente a Campanha Faça Bonito, em alusão ao 18 de Maio – Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”. O assunto também foi apresentado por Garrido durante o II Seminário de Enfrentamento Contra Violência Sexual de Crianças e Adolescentes, em Poconé, a 103 km de Cuiabá, a convite do Sesc Pantanal.
A secretária da Setasc, Rosamaria de Carvalho, acrescenta que a campanha é de extrema importância, mas que o trabalho de sensibilização deve ser estendido para todo o ano. “A maior parte das mobilizações ocorrem no mês de maio, porém, as ações para que haja o combate ao abuso e exploração de crianças e adolescentes devem ocorrer o ano todo”.
As crianças e os adolescentes vítimas de violência sexual e suas famílias devem ser encaminhadas para o Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI), ofertado no Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS, ou, quando da sua inexistência, para a/o profissional de referência da Proteção Social Especial da Política de Assistência Social, para que seja realizado o acompanhamento especializado.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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