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Vale a pena lutar
Em 2018 pouco mais de 580 mil pessoas foram diagnosticadas com algum tipo de câncer no Brasil, sendo boa parte dos casos constatado nas mamas, entre mulheres, e próstata, entre homens. O número, que corresponde a pouco mais de 1% da população, não é correlativo ao de óbitos, o que nos leva a uma perspectiva positiva: a doença é tratável e curável, especialmente se descoberta em estágios iniciais.
Isso significa que a batalha travada por milhares de pacientes e familiares quase sempre tem bom desfecho. Vitórias celebradas especialmente a cada mês de abril, quando é comemorado o Dia Mundial de Luta Contra o Câncer. Ao longo do mês, quando o debate sobre o assunto é intensificado, a prevenção também ganha destaque e reforçamos o alerta para que as pessoas mantenham a regularidade nos cuidados.
Além de ampliar o alcance da informação e dar o devido mérito àqueles que convivem com a situação, a data também oportuniza a conscientização da população acerca de cuidados como hábitos alimentares, prática de atividade física regular, entre outros. Diversos estudos apontam que um estilo de vida desregrado está associado ao surgimento da doença.
Só quem passa por essa situação sabe que cada sessão de quimioterapia e de radioterapia tem significado de conquista, de um passo a frente rumo ao triunfo no tratamento. Por isso percebemos a importância de destacar que o câncer não é uma sentença de morte. À medida que a medicina avança e os efeitos colaterais são reduzidos, constata-se o aumento nas chances de cura.
É o caso do câncer infantil, que atualmente apresenta 80% de chances de cura com diagnósticos precoces. É preciso considerar ainda que esta é a enfermidade crônica mais curável em todo o mundo, uma das que concentra o maior número de pesquisas e uma das que permite maior sobrevida.
Na medicina os avanços tecnológicos tem sido muito ágeis e, com isso, ajudando de forma eficaz no tratamento. O melhor de tudo é que a acessibilidade a essas novas tecnologias também é mais fácil.
Há bem pouco tempo tínhamos que encaminhar pacientes a outros grandes centros, até mesmo fora do Brasil, para que tivessem a rapidez necessária ao tratamento. Hoje, com esse acesso facilitado, os tratamentos já são encontrados, inclusive, em Mato Grosso. Existem exames que auxiliam na descoberta precoce e durante o tratamento, como os moleculares e os específicos para medula óssea. Algumas dessas tecnologias são capazes de apresentar exatamente qual é a abordagem que o médico deve seguir.
Atualmente não é preciso sair de Cuiabá para buscar um tratamento de última geração, o que reduz os custos para o paciente, porque não precisará se deslocar em busca de tratamento diferenciado, visto que, podem ser encontradas aqui.
Portanto o Dia Mundial de Luta Contra o Câncer existe para que cada paciente possa relembrar o quanto é importante acreditar na cura, buscar todos os dias, de todas as maneiras, superar essa etapa de suas vidas. Sabemos que o quanto pode ser difícil, mas é preciso ter em mente que esse momento não define as suas vidas ou suas histórias.
Apoiar-se no que foi construído até aqui, nos momentos com a família, ao lado dos amigos ou no trabalho, é uma ferramenta importante nestas horas. Contar com uma trajetórias e profissionais bem sucedidos também. É para isso que estamos aqui, motivados a lutar lado a lado desses guerreiros.
*André Henrique Crepaldi é médico oncologista e hematologista, diretor da Clínica Oncolog de Cuiabá/MT.
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Agro em ano eleitoral: até onde podem ir os incentivos e benefícios fiscais?
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63 anos não se constroem por acaso: a liderança por trás da longevidade empresarial

Por Ulana Bruehmueller
O brasileiro tem uma reconhecida vontade de empreender. Muitas empresas nascem pequenas, de um sonho, de uma oportunidade ou da necessidade de construir um futuro melhor. Começam com poucos recursos, muito trabalho e a esperança de crescer ano após ano.
Mas começar uma empresa é apenas o primeiro desafio. Fazê-la permanecer, atravessar gerações e continuar relevante é uma conquista muito maior.
No Brasil, poucas empresas alcançam mais de seis décadas de atividade. Ao longo do caminho, enfrentam obstáculos que vão do acesso ao crédito aos elevados custos de insumos, energia e produção, além da carga tributária, da insegurança jurídica e de uma logística ainda cara e ineficiente.
É nesse contexto que celebramos os 63 anos da Refrigerantes Marajá.
Mais do que uma data no calendário, este aniversário nos convida a uma reflexão: o que faz uma organização atravessar tantas transformações e permanecer relevante ao longo das gerações?
A qualidade dos produtos e a confiança dos consumidores são fundamentais. Mas longevidade também se constrói com liderança forte, propósito definido, valores consistentes e pessoas alinhadas em torno de uma mesma direção.
Ao longo de mais de seis décadas, a Marajá precisou se transformar inúmeras vezes. Cresceu, ampliou mercados, modernizou sua estrutura industrial, incorporou tecnologias, profissionalizou processos, fortaleceu sua governança e desenvolveu novas marcas e produtos.
Ao mesmo tempo, avançou em uma agenda de ESG cada vez mais consistente, compreendendo que responsabilidade ambiental e social, ética e boa governança não devem existir apenas no discurso. Precisam estar incorporadas à maneira como uma organização toma decisões e pensa no seu futuro.
Essa capacidade de evoluir sem perder a essência talvez seja uma das principais explicações para a longevidade de uma empresa.
E nenhuma transformação acontece sem pessoas.
Ao longo da minha carreira, aprendi que podemos definir estratégias, estabelecer metas, investir em tecnologia e modernizar processos, mas são as pessoas que transformam o planejamento em resultado. Por isso, o alinhamento da liderança e o comprometimento do time são fatores concretos de competitividade.
Estratégias mudam. Mercados mudam. Tecnologias evoluem. Gerações chegam com novas expectativas. Os valores, entretanto, permanecem como uma bússola, permitindo que a empresa se transforme sem perder sua identidade.
Tenho muito orgulho de ter dedicado mais de 30 anos da minha vida profissional à Marajá e de ter crescido junto com esta empresa. Foram décadas de desafios, crises, decisões, expansão, transformação e, acima de tudo, aprendizado.
Por isso, celebrar estes 63 anos é também agradecer.
Aos fundadores que tiveram a disposição de empreender. Aos acionistas, diretores e líderes que assumiram a responsabilidade de conduzir a empresa ao longo do tempo. Aos profissionais que passaram por aqui e deixaram sua contribuição. E aos que hoje continuam escrevendo esta história e preparando a Marajá para o futuro.
Depois de tantos anos na indústria, compreendo que uma das maiores responsabilidades de uma liderança não é apenas entregar os resultados do presente. É criar condições para que a organização continue crescendo e gerando valor para as próximas gerações.
Longevidade empresarial não é simplesmente resistir ao tempo. É atravessar gerações evoluindo sempre. Continuar olhando para frente e assumindo responsabilidade pelo futuro!
Ulana Maria Bruehmueller é CEO da Refrigerantes Marajá
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A cidade começa na calçada

Rodrigo Arruda e Sá
Quando pensamos em desenvolvimento urbano, quase sempre imaginamos grandes avenidas, viadutos, pontes ou obras de infraestrutura. Tudo isso é importante, mas existe um elemento muito mais presente na vida das pessoas e que, muitas vezes, passa despercebido: a calçada. É nela que a cidade realmente começa, porque é por ela que todos nós caminhamos antes de entrar em um carro, em um ônibus, em um comércio ou em uma praça.
A qualidade de uma cidade pode ser medida pela forma como ela trata o pedestre. É pela calçada que uma criança vai à escola, um idoso chega à farmácia, uma mãe empurra o carrinho do filho e um trabalhador segue até o ponto de ônibus. Quando esse espaço está esburacado, desnivelado, ocupado irregularmente ou simplesmente não existe, a cidade transmite uma mensagem clara: as pessoas deixaram de ser prioridade.
Não é preciso olhar para a Europa para encontrar bons exemplos. Curitiba transformou o cuidado com as calçadas em uma política permanente de urbanismo e acessibilidade. Maringá tornou-se referência nacional pela arborização, pela conservação dos espaços públicos e pela qualidade de seus passeios. Joinville e Blumenau também demonstram como calçadas bem cuidadas, praças limpas, iluminadas e bem conservadas tornam a cidade mais acolhedora para moradores, turistas e comerciantes.
Essas cidades compreenderam que desenvolvimento urbano não se resume a grandes obras. A qualidade de vida nasce dos espaços que as pessoas utilizam diariamente. Calçadas acessíveis, arborização, praças bem cuidadas, iluminação eficiente e limpeza permanente estimulam a convivência, fortalecem o comércio de rua, aumentam a sensação de segurança e fazem com que os moradores sintam orgulho da cidade onde vivem.
Em Cuiabá, infelizmente, ainda convivemos com uma realidade distante desse padrão. Além das calçadas interrompidas, desniveladas ou sem acessibilidade, muitas praças apresentam sinais evidentes de abandono.
A Praça Ipiranga, um dos espaços mais tradicionais da capital, frequentemente convive com acúmulo de lixo e mau cheiro, enquanto a Praça Popular, um dos principais pontos de encontro da cidade, além de estar coberta de lixo, sofre com a iluminação deficiente e manutenção insuficiente. Em vez de convidarem as famílias ao convívio, ao esporte e ao lazer, esses espaços acabam transmitindo uma sensação de descuido incompatível com a importância que têm para a vida urbana.
Como contador e empresário, aprendi que cidades agradáveis também são cidades economicamente mais fortes. O comércio prospera quando as pessoas caminham pelas ruas com conforto e segurança, frequentam as praças, permanecem mais tempo nos espaços públicos e ocupam naturalmente os centros comerciais. Investir nesses ambientes não é apenas uma política de urbanismo; é também uma política de desenvolvimento econômico.
É evidente que Cuiabá precisa continuar investindo em mobilidade, infraestrutura e transporte coletivo. Mas nenhuma dessas políticas produzirá resultados completos se esquecermos que toda viagem começa e termina a pé.
Antes de sermos motoristas, passageiros ou ciclistas, todos nós somos pedestres, e uma cidade que não acolhe quem caminha dificilmente será acolhedora para qualquer outro meio de transporte.
Talvez esteja na hora de ampliarmos o conceito de desenvolvimento urbano. Em vez de avaliar uma administração apenas pelo número de quilômetros de asfalto entregues ou pelas grandes obras inauguradas, deveríamos observar também a qualidade das calçadas, das praças e dos espaços públicos onde a vida realmente acontece.
Cuidar desses pequenos detalhes não é uma questão estética, mas uma demonstração de respeito ao cidadão e de compromisso com a qualidade de vida. Afinal, uma cidade verdadeiramente humana não se mede apenas pelo tamanho de suas avenidas, mas pelo cuidado com os lugares onde seus moradores caminham, convivem e constroem diariamente a sua história.
*RODRIGO ARRUDA E SÁ é contador, bacharel em Direito, empresário e ex-vereador de Cuiabá.
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