Mato Grosso
Virada Sustentável reúne cerca de 2 mil pessoas em Rondonópolis

A Virada Sustentável Mato Grosso recebeu cerca de 2 mil pessoas em três dias de programação, com mais de 30 atrações disponibilizadas, em Rondonópolis.
O espaço destinado à escultura inflável tridimensional de uma capivara, com quatro metros de altura, recebeu fluxo diário de visitação e atraiu pessoas que buscavam um melhor ângulo para registro fotográfico.
No domingo (1º), moradores dos bairros localizados próximos à Praça Pôr do Sol compareceram em peso para as atividades de encerramento. Quem passou pelo local pôde se divertir com brincadeiras circenses, peças teatrais, apresentação cultural da Quadrilha da Junina Barnabé e show do grupo Chorinho do Cerrado.
Realizado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Instituto Virada Sustentável e parceiros, o evento teve a abertura oficial na quinta-feira (29), na Praça dos Carreiros, no centro de Rondonópolis. No sábado, a programação seguiu para a região do Cais, passou pelo Horto Florestal, e as atividades foram encerradas na Praça Pôr do Sol.
“Ficamos felizes com a presença das famílias. Tivemos um público muito legal, formado por crianças, jovens, adultos e idosos. Uma das propostas do evento foi demonstrar outras opções de lazer mais sustentáveis”, destacou a coordenadora local da Virada Sustentável, Daniela Kern Sznelwar.
Segundo ela, a organização teve o cuidado de garantir uma programação inclusiva. Em todos os eventos, foram disponibilizados fones de ouvido para audiodescrição, tradução em Libras e reserva de vagas para pessoas com deficiência. Ela destacou também o cuidado com o meio ambiente.
“No decorrer da programação, fizemos a gestão dos resíduos sólidos e orgânicos. Além disso, mapeamos todo o evento para fazer a neutralização de carbono com o plantio de árvores. A ação de plantio ocorrerá após o período da seca”, adiantou a coordenadora.
Natália Duarte, coordenadora nacional da Virada Sustentável, veio de São Paulo para acompanhar as atividades realizadas no fim de semana em Rondonópolis e destacou a ampliação do evento em Mato Grosso. “Houve um grande crescimento. No ano passado, realizamos uma edição de chegada em Cuiabá, que chamamos de edição semente, e neste ano ela cresceu, já é uma planta e, inclusive, frutificou para além da capital, vindo para Rondonópolis”, ressaltou.
Conforme a coordenadora, a Virada Sustentável já realizou mais de 55 edições em diversas cidades do país. “Hoje temos uma difusão muito maior de informações sobre meio ambiente, sustentabilidade, ecologia, mudanças climáticas, mas precisamos encantar e mobilizar as pessoas para as diversas formas de engajamento”, afirmou.
A superintendente de Educação Ambiental e de Atendimento ao Cidadão da Sema, Juliana Carvalho, destacou que, além da variedade de opções, o evento teve um atrativo muito especial – uma capivara de quatro metros de altura e um filhote. Criação do artista paulistano Eduardo Baum, a intervenção cultural foi cenário para várias fotografias.
“As pessoas, e em especial as crianças, se encantaram com a escultura inflável tridimensional. Agora, a capivara subirá a serra e virá para Cuiabá para a celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente. Esperamos que ela seja acolhida da mesma forma que foi em Rondonópolis”, disse a superintendente.
Em Cuiabá, entre os dias 4 e 8 de junho, o projeto chega aos parques das Águas, Zé Bolo Flô, Mãe Bonifácia, Massairo Okamura e Horto Florestal. Além desses locais, as atividades também serão realizadas na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), no Museu de História Natural, na Associação de Mulheres do Jardim Vitória e no Instituto Cultural Casarão das Artes, situado no bairro Pedra 90.
A Virada Sustentável Mato Grosso 2025 é uma realização da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e do Instituto Virada Sustentável, com apoio do Governo Federal, via Lei de Incentivo à Cultura, e patrocínio da Rumo Logística, através do Instituto Rumo. Recebe ainda apoio da Prefeitura de Cuiabá, Prefeitura de Rondonópolis, Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), Secretaria de Estado de Educação (Seduc), TV Centro América, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Museu de Arte e Cultura Popular, Cineclube Coxiponés, Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), Sesc e Ministério do Meio Ambiente.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
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Mato Grosso
Leis aprovadas por Câmaras são declaradas inconstitucionais em MT

Foto- Assessoria
Leis aprovadas em câmaras municipais que avançam sobre atribuições típicas do Poder Executivo continuam sendo alvo de questionamentos no Judiciário, com reiterado reconhecimento de inconstitucionalidade por vícios formais. Em decisões recentes envolvendo municípios mato-grossenses, a exemplo de Sinop e Rondonópolis, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reafirmou os parâmetros que delimitam a atuação do Legislativo local.
Nesse contexto, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tem se manifestado em ações diretas de inconstitucionalidade apontando irregularidades em leis de iniciativa parlamentar que tratam da execução de políticas públicas. Foi o que ocorreu nos casos das Leis Municipais nº 3.599/2025, que instituiu a denominada Escola Ambiental, e nº 3.641/2026, que criou o Programa Oftalmologia nas Escolas, ambas no município de Sinop.
As análises jurídicas indicam que essas normas apresentaram vício formal de iniciativa, uma vez que trataram de matérias cuja proposição é reservada ao chefe do Poder Executivo. A Constituição Federal e a Constituição do Estado de Mato Grosso estabelecem que cabe privativamente ao Executivo propor leis que disponham sobre organização administrativa, funcionamento de órgãos públicos e implementação de políticas governamentais, entendimento que se aplica aos municípios por simetria constitucional.
Nos casos analisados, as leis não se limitaram à criação de diretrizes gerais, mas passaram a disciplinar a execução das políticas públicas. Entre os pontos identificados estão a definição de periodicidade de serviços, a imposição de atividades específicas por secretarias e a vinculação direta de ações à estrutura administrativa do município. Esse tipo de previsão normativa caracteriza ingerência indevida na esfera do Executivo, ao restringir a margem de decisão administrativa quanto à conveniência, oportunidade e viabilidade das medidas.
Situação semelhante foi verificada em Rondonópolis, onde a Lei Municipal nº 14.224/2025 instituiu o projeto “Bem-Estar Rural”, determinando a realização de atividades físicas e de lazer para a população, com frequência mínima semanal e execução a cargo de secretaria municipal. O entendimento consolidado foi de que a norma, também de iniciativa parlamentar, impôs obrigações concretas ao Executivo, interferindo na gestão administrativa, no planejamento de políticas públicas e na alocação de recursos humanos, além de exigir contratação de profissionais.
Nessa hipótese, assim como em Sinop, o Ministério Público apontou que, embora a iniciativa legislativa tenha sido orientada por finalidade social relevante, a forma adotada acabou por invadir a esfera de competência do Executivo, comprometendo o equilíbrio entre os poderes e retirando do gestor público a possibilidade de avaliar a melhor forma de execução da política pública.
Outro ponto comum nos casos analisados é a violação ao princípio da separação dos poderes. Embora o Legislativo tenha papel essencial na formulação de normas e na representação da sociedade, sua atuação encontra limites constitucionais. Quando a lei estabelece comandos operacionais específicos, substitui a discricionariedade administrativa por obrigações previamente definidas, caracterizando interferência indevida na gestão pública.
Além disso, foi constatada a ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro em leis que criavam despesas públicas obrigatórias e continuadas. A exigência constitucional de apresentação desse estudo busca garantir o equilíbrio das contas públicas e a compatibilidade com o planejamento orçamentário. A inobservância desse requisito tem sido considerada vício suficiente para invalidar as normas.
A atuação do Ministério Público nesses casos busca assegurar que o processo legislativo observe os parâmetros constitucionais, contribuindo para a produção de normas eficazes e juridicamente válidas, sempre reconhecendo o importante papel das câmaras municipais na elaboração de leis que estabeleçam diretrizes gerais e políticas públicas em sentido amplo.
Mato Grosso
Estado é condenado a reformar Cadeia Pública feminina de Cáceres
A pedido da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Cáceres (a 225 km de Cuiabá), a Justiça determinou que o Estado de Mato Grosso apresente, no prazo de até 90 dias, um plano completo para sanar irregularidades estruturais, sanitárias e de segurança na Cadeia Pública Feminina de Cáceres, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. A 4ª Vara Cível da comarca julgou procedente a Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso. A sentença foi proferida em 21 de maio.
A decisão judicial estabelece que o Estado deve elaborar, apresentar e implementar um Plano de Adequação Estrutural e Funcional, no qual deverão constar, de forma detalhada, todas as intervenções necessárias para a regularização da unidade, incluindo obras, reparos e medidas voltadas ao cumprimento das normas de segurança contra incêndio, das condições sanitárias e das exigências estruturais. O cronograma deverá indicar, ainda, os prazos de início e conclusão de cada etapa, a estimativa de custos, as fontes de financiamento e os órgãos responsáveis pela execução.
Além disso, o Estado deverá comprovar periodicamente o andamento das ações por meio da apresentação de relatórios técnicos e registros fotográficos a cada 60 dias, evidenciando a evolução das medidas adotadas. Na sentença, o juízo também fixou multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil, em caso de descumprimento dos prazos estabelecidos.
De acordo com a ação, a investigação teve início após a 1ª Promotoria de Justiça Criminal identificar irregularidades relevantes na unidade durante fiscalizações de rotina, especialmente relacionadas à estrutura física, à segurança e ao funcionamento, com risco à integridade de custodiadas e servidores. Diante desse cenário, a 1ª Promotoria de Justiça Cível instaurou procedimento para acompanhar a situação e cobrar providências do Estado, responsável pela gestão do sistema prisional.
As apurações revelaram um quadro crônico de precariedade estrutural, com edificações deterioradas, problemas nas instalações elétricas, ausência de sistemas adequados de prevenção a incêndios e falhas nas condições sanitárias. Relatórios técnicos e vistorias realizadas por órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária e o Centro de Apoio Operacional do Ministério Público (CAO-MP) confirmaram os riscos. Na cadeia feminina, foram registrados, entre outros problemas, fiação exposta e sobrecarga elétrica, fatores que motivaram, inclusive, pedido de interdição parcial.
“As irregularidades estruturais constatadas pelo Centro de Apoio Operacional do Ministério Público expõem de forma permanente pessoas privadas de liberdade, servidores e demais usuários das unidades prisionais a riscos concretos à vida e à integridade física, especialmente em razão da precariedade das edificações, da ausência de manutenção preventiva e da deficiência das instalações elétricas e estruturais.”, narra a ação.
Segundo o MPMT, as medidas adotadas pelo Estado ao longo da investigação foram pontuais e insuficientes para solucionar as irregularidades. O Ministério Público também buscou uma solução extrajudicial, por meio da proposta de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não obteve resposta do poder público.
Foto: Reprodução.
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