Mato Grosso
Voçorocas que vertem água para o Pantanal recebem proteção
Voçorocas com mais de 15 mil metros quadrados de área chamam a atenção em Araputanga, município localizado a 342 Km de Cuiabá. As imagens, que por si só já assustam, se tornam ainda mais preocupantes quando o destino de todos os sedimentos é revelado: o Pantanal. O cenário, que abrange processos erosivos em estágio avançado, começa a ser alterado em razão das ações de recuperação ambiental que vêm sendo desenvolvidas ao longo dos anos.
São iniciativas bem-sucedidas de isolamento da área e plantio que demonstram a possibilidade de reversão da degradação ambiental. Nos dias 25 e 26 de maio deste ano, a equipe de interiorização do Água para o Futuro, projeto estratégico do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, esteve no local e constatou a existência de nascentes nessas voçorocas. Estima-se que cada uma delas verta mais de 300 mil litros de água por dia ao Pantanal.
“É nítida a diferença da qualidade da água exfiltrada das voçorocas em recuperação em relação às voçorocas sem recuperação. A quantidade de sedimentos na água exfiltrada pelas voçorocas ainda sem recuperação é muito alta, isso é visível pela coloração da água avermelhada quando comparada com a voçoroca em recuperação, que possui água transparente. Todo esse sedimento acaba impactando negativamente na quantidade e qualidade da água que chega ao Pantanal”, ressaltou o biólogo e coordenador técnico-científico do Água para o Futuro, Abílio José Ferraz de Moraes.
Araputanga é um dos municípios contemplados com a Interiorização do Projeto Água para o Futuro. A iniciativa também está sendo executada nos municípios de Chapada dos Guimarães, Rondonópolis, Alto Taquari, Alto Araguaia, São José do Quatro Marcos e Itiquira. Existem ainda 11 cidades que estão em fase de implantação com ajustes administrativos e técnicos para a atuação das ações protetivas. São elas: Alta Floresta, Campo Verde, Cláudia, Diamantino, Juína, Nobres, Rosário Oeste, Tangará da Serra, Vila Bela da Santíssima Trindade, Peixoto de Azevedo e Jauru.
Até o momento, capacitações técnicas promovidas pela equipe do Água para o Futuro proporcionaram a formação de mais de 100 servidores, técnicos administrativos e voluntários de diferentes áreas do conhecimento, com abordagens sobre as fases de implantação do projeto, voltados para a proteção de nascentes e caracterização dos danos ambientais.
Antes de se tornar Projeto Estratégico (2020-2023), o Água para o Futuro já havia sido implementado em Cuiabá, Várzea Grande, Sapezal, Jaciara e Lucas do Rio Verde.
Suporte científico e metodológico conferem credibilidade
O projeto Água para o Futuro é uma iniciativa do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, coordenado pelo Centro de Apoio da Execução Ambiental (CAEX Ambiental), sob a supervisão da Procuradoria Especializada de Defesa do Meio Ambiente e da Ordem Urbanística. Professores e pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso conferem suporte científico e metodológico à iniciativa.
Atualmente, segundo o coordenador do Caex Ambiental, promotor de Justiça Marcelo Caetano Vacchiano, o projeto conta com a parceira do Instituto Centro de Vida, responsável pela execução do Projeto, e as destinações de recursos são cadastradas no Banco de Projetos e Entidades (BAPRE) do MPMT, na aba “Acordos” e disponíveis para visualização.
Ele explica que o projeto busca prioritariamente garantir a preservação dos recursos hídricos por meio da identificação, preservação e recuperação das nascentes. Engenheiros sanitaristas, biólogos, especialistas em sensoriamento remoto, entre outros profissionais, realizam trabalhos de prospecção, identificação, caracterização e monitoramento de nascentes subsidiando a atuação do promotor de Justiça.
Desde que começou a ser executado, no ano de 2015, foram prospectadas mais de 200.000 possíveis nascentes do Estado com o uso de sensoriamento remoto. Reconhecido com duas premiações junto ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), o projeto integra o Planejamento Estratégico da instituição e está em fase de interiorização.
Fonte: MP MT
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Por Bruna Pinheiro / Formad
Mato Grosso
Laudo afasta crime, mas incêndio em prédio da Prefeitura de VG segue cercado de perguntas

A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) concluiu os levantamentos periciais e descartou a hipótese de incêndio criminoso no prédio da gerência de patrimônio e da Superintendência Operacional do Sistema Escolar da Prefeitura de Várzea Grande, ocorrido no dia 17/6.
Análises de vestígios coletados no local associada a evidências de registros de gravação de câmeras de segurança das redondezas e depoimento de testemunhas apontaram para causa acidental provocada por fenômeno termoelétrico na fiação localizada na parte superior da câmara fria de alimentos congelados pertencente ao anexo I da Secretaria Municipal de Educação de Várzea Grande, que seriam destinadas à alimentação dos alunos da rede municipal de educação. Os peritos realizaram vistoria externa e superior com a utilização de drones em todo o perímetro colapsado pelo incêndio.
No prédio, funcionava a parte logística da Secretaria onde eram armazenados de alimentos, materiais e equipamentos que seriam destinados às escolas do município.
“Tudo iniciou-se com o fenômeno termoelétrico que ocorreu na parte superior da câmara fria de congelados, e se propagou para o prédio todo, para os dois sentidos do pavilhão. Na parte de trás da edificação, as chamas rapidamente tiveram contato com dois veículos, que estavam muito próximos a essa câmara, e que possuem uma carga térmica muito alta, causando facilmente a propagação para o fundo dessa estrutura metálica, e também por conta grande quantidade de material combustível que existia dentro prédio, o que ajudou a propagação e a grande monta dos danos e prejuízos causados pelo incêndio”, apontou o perito.
Mediante o término das análises no local do incêndio, o prédio foi liberado pela perícia para a Polícia Civil. O laudo pericial com o detalhamento das análises será concluído em até 30 dias.
No laudo, constará toda a descrição do local e dos vestígios coletados e analisados em laboratório, o relato de depoimentos de testemunhas, as imagens registradas pelo sistema de monitoramento de câmeras que ajudaram a delimitar a dinâmica do incêndio, que explica onde o fogo teve início e como ele se propagou, além dos danos que ocorreram em todos os ambientes.
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