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2021 e a nossa luta ainda é por igualdade
Mais um 8 de Março

Glaucia Amaral
Já são 164 anos de luta por direitos das mulheres e ainda temos que lutar por igualdade. E isso parece desolador quando encaramos a realidade que enfrentamos no dia a dia. Estamos longe de alcançar metas que foram estabelecidas em escala global como a paridade de gênero, de salários, de vida com dignidade para todas e todos.
Para se ter um parâmetro, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu em 2015 os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030. Dentre essas metas acordadas entre 193 países, a de nº 5 dispõe: alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.
A meta é ousada, mas o percurso da humanidade parece não ter evoluído muito para alcançar esses objetivos. Basta visualizar um breve panorama em alguns indicadores, que chegaremos a uma conclusão pouco esperançosa.
De acordo com o Banco Mundial, no ritmo em que estamos ainda vamos levar 150 anos para conseguir atingir a paridade de gênero em salários. Dados do Censo de 2010 apontam, por exemplo, que os homens brasileiros possuíam rendimento médio mensal de R$ 1.547, enquanto que as mulheres em igual condição recebiam R$ 473 menos, sendo uma média de R$ 1.074.
A igualdade ainda também é uma utopia em relação à educação. Dados da Unesco apontam que no mundo, as meninas têm duas vezes menos chances de ingressar em uma escola, do que os meninos.
As mulheres ainda são subjugadas em relação aos seus direitos de liberdade, dignidade e a uma vida feliz. Segundo a Plataforma Violência Contra as Mulheres em Dados, 97% das mulheres brasileiras que dependem do transporte público relatam que já foram vítimas de assédio em meios de transporte.
A violência também foi um dos terrores enfrentados pelas mulheres em 2020 e é uma decepcionante realidade em 2021. No ano passado, a cada 5 minutos uma mulher ligou para o 180 para denunciar violência doméstica.
Há ainda a violência no local de trabalho. A Plataforma estima que 76% das mulheres brasileiras já passaram por episódio de violência e assédio no ambiente funcional, sendo que 40% das mulheres foram supervisionadas excessivamente ou xingadas e constrangidas enquanto defendiam seu sustento.
Mas o que está faltando para essa realidade ser diferente? Este é um questionamento que cabe muitas respostas, mas a meu ver, uma forma de mudar toda essa realidade é com mais participação feminina na política.
No Brasil, dados compilados pelo IBGE com base em informações do Tribunal Superior Eleitoral, a média de candidaturas femininas nas eleições é de 11%, mesmo as mulheres sendo mais da metade entre os eleitores e da população.
Participação da mulher na política, na economia, na educação, no Poder Público é uma questão de urgência. Homens, por mais empáticos que alguns possam ser, nunca conseguirão pensar, falar e decidir pelas mulheres. Somente nós sabemos quais são nossas verdadeiras necessidades.
Somente a mulher violentada, abusada, humilhada e reprimida sabe sua dor e a dificuldade que é denunciar, colocar-se no mercado de trabalho e romper com uma cultura de opressão.
A chave para abrirmos a porta da mudança desta realidade é: participação. Quando mulheres se unem para debater ideias e pensar estratégias de transformação da realidade, reúnem em si forças essenciais para alcançar resultados que precisamos perseguir para conseguir viver em um mundo com igualdade.
Que este 8 de março de 2021, não seja mais uma data sazonal, possa sim marcar uma nova era de engajamento feminino, com objetivos claros por liberdade e igualdade, sem as amarras da violência, do ódio e da indiferença.
Continuemos a luta, mulheres! Por nós, em agradecimento às que vieram antes de nós, e pelas mulheres que virão depois de nós.
Glaucia Amaral é procuradora do Estado e Presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher de Mato Grosso (CEDM-MT).
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Jovem Aprendiz: Muito além da obrigação, um compromisso com o futuro

Por Ulana Maria Bruehmueller
Aproveitando o dia 1º de maio, gostaria de compartilhar nossa experiência com o programa Jovem Aprendiz.
O programa foi criado no ano 2000 e tornou-se obrigatório para as empresas em 2005. Desde então, temos oportunizado essas vagas, preferencialmente, para filhos e parentes dos profissionais que trabalham conosco. Entendemos que tal medida contribui para a retenção dos profissionais e um maior acolhimento dos jovens.
Temos como objetivo que estes jovens, ao concluírem sua jornada na empresa, estejam mais preparados para ingressar no mercado de trabalho — ou, ainda, possam ser contratados para integrar nosso time.
Ao longo dos anos, acumulamos experiências extraordinárias. Atualmente, 6% dos profissionais, em diversas áreas, iniciaram suas trajetórias por meio do programa — e alguns deles hoje ocupam cargos de liderança.
Outro ponto fundamental é a oportunidade que oferecemos para que conheçam diferentes áreas .Eles estão em um momento decisivo da vida, em que precisam fazer escolhas profissionais, e essa vivência contribui para decisões mais conscientes e assertivas.
O que vemos é uma geração ávida por aprender — mas de uma forma diferente daquela com a qual nós aprendemos, trabalhamos e nos relacionamos.
Nós, que fazemos parte das gerações Baby Boomers e Geração X, temos um papel fundamental: incentivar e apoiar esses jovens em seu desenvolvimento.
Por isso, é essencial evitarmos falas como:
- “No meu tempo era melhor.”
- “Na minha época, as coisas eram mais difíceis.”
- “Por que vocês não fazem como a gente fazia?”
Essas expressões criam distância.
Dê preferência para :
“Me mostre como você faz.”
Muitos dizem que os jovens só querem ficar no celular.
Mas quantos de nós paramos para perguntar: o que vocês estão aprendendo? O que estão criando?
Hoje, jovens constroem negócios, comunidades e identidade digital dentro de um celular.
Façamos, então, uma mudança de perspectiva:
Não se trata de vício em meios digitais — trata-se de um novo formato de vida.
Cabe a nós contribuir para que esta geração — e as próximas — possam conduzir o futuro das empresas e da nação, promovendo o crescimento das pessoas e um mundo melhor para se viver.
Ulana Maria Bruehmueller é diretora executiva da Refrigerantes Marajá
—
Atenciosamente,
Cairo Lustoza
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO E AGÊNCIA DE CONTEÚDO
MT: (66) 99915 5731
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Treinar forte é suficiente para proteger o coração?

Dr. Max Wagner de Lima Cardiologista
A verdade que a maioria das pessoas fisicamente ativas ainda não entendeu
Você treina. Se alimenta razoavelmente bem. Se sente disposto. E, por isso, acredita que seu coração está protegido.
Mas aqui está o ponto crítico: a Atividade física não é sinônimo automático de saúde cardiovascular. E isso, na prática clínica, é mais comum do que parece.
O erro silencioso dos pacientes “ativos”!!!
Existe um perfil cada vez mais frequente nos consultórios:
* homens e mulheres entre 30–55 anos
* rotina intensa de trabalho
* treinam 3 a 6 vezes por semana
* aparência saudável
* exames básicos “ok”
Mas, ao aprofundar a avaliação, encontramos:
* gordura visceral elevada
* alteração na glicemia
* níveis de insulina elevados
* inflamação crônica de baixo grau
* perda de massa muscular (mesmo com treino)
Ou seja: um organismo metabolicamente desorganizado , mesmo com prática de exercício. O que está por trás disso?
O corpo humano não responde apenas ao exercício. Ele responde ao conjunto da ROTINA .
E um dos principais mecanismos envolvidos é: Resistência à Insulina
Esse quadro ocorre quando o organismo passa a ter dificuldade em utilizar a glicose de forma eficiente.
Com o tempo, isso leva a:
* aumento da gordura abdominal
* maior risco de diabetes
* inflamação sistêmica
* disfunção vascular
E frequentemente evolui para: A Síndrome Metabólica . Um dos maiores preditores de doença cardiovascular no mundo moderno.
Por que o treino, sozinho, não resolve?
Porque ele atua em apenas uma parte do sistema.
O exercício físico:
* melhora a capacidade cardiovascular
* aumenta gasto energético
* estimula ganho ou manutenção de massa muscular
Mas ele não compensa, de forma isolada:
* alimentação desorganizada
* excesso de ultraprocessados
* privação de sono
* estresse crônico
* consumo frequente de álcool
* rotina inconsistente
Em termos simples: você pode estar “treinando bem” e vivendo mal. O mito do “eu já faço minha parte”
Esse é um dos pontos mais delicados. Muitos pacientes utilizam o treino como uma espécie de “proteção psicológica”:
“Eu treino, então está tudo certo.” Mas a fisiologia não funciona por compensação emocional. Ela funciona por equilíbrio metabólico real.
O que realmente define saúde cardiovascular
Hoje, sabemos que o risco cardiovascular é determinado por múltiplos fatores integrados:
Composição corporal: Especialmente a presença de gordura visceral.
Metabolismo : Incluindo glicose, insulina e sensibilidade metabólica.
Inflamação : Processo silencioso que acelera o envelhecimento vascular.
Qualidade do sono: Diretamente ligada ao sistema hormonal e autonômico.
Estresse : Impacta cortisol, pressão arterial e comportamento alimentar.
Fitness ≠ Saúde .Esse é o ponto central do artigo.
Você pode ter:
* boa capacidade física
* bom desempenho no treino
* aparência saudável
E ainda assim ter um risco cardiovascular aumentado.
Porque:
fitness é desempenho.
saúde é funcionamento interno.
E os dois nem sempre caminham juntos.
O impacto do tempo:
O fator tempo é decisivo. A desorganização metabólica pode evoluir lentamente, por anos, até se manifestar como:
* hipertensão
* diabetes
* doença coronariana
* eventos agudos (infarto, AVC)
E, novamente, quando isso aparece, o processo já vem de longa data.
A abordagem moderna: A medicina atual não trata o exercício como solução isolada.
Ela integra:
* treino estruturado (força + aeróbico)
* estratégia nutricional individualizada
* ajuste do sono
* manejo do estresse
* acompanhamento clínico longitudinal
É essa integração que gera proteção real.
O que você deveria ajustar hoje !
Se você já treina, ótimo. Você está à frente da média.
Mas o próximo nível exige:
* entender seu metabolismo
* avaliar sua composição corporal de forma precisa
* analisar seus marcadores inflamatórios
* organizar sua rotina de forma consistente
A verdade que muda o jogo: Não é sobre fazer mais. É sobre fazer certo, com estratégia e acompanhamento.
Conclusão:
Treinar é essencial. Mas não é suficiente.
Saúde cardiovascular real exige visão completa.
Exige método.
Exige constância.
E, principalmente: exige sair da lógica do “acho que estou bem”, e entrar na lógica do eu sei como está meu organismo.
Reflexão final:
Se você treina para ter performance… Por que não cuidar do seu corpo com o mesmo nível de precisão?
Dr. Max Wagner de Lima Cardiologista | Luminae – Excelência em Saúde Método ROTINA | Longevidade com estratégia
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Saúde mental no trabalho começa na gestão, não no trabalhador

*Fernando Wosgrau
Imagine que uma lei obrigue todas as empresas a gerenciar um risco específico – e não defina quem deve ser o responsável em fazer isso. É exatamente o que ocorreu com a atualização da NR-1 – Norma Regulamentadora nº 1, que estabelece as diretrizes gerais de saúde e segurança no trabalho no Brasil.
A Portaria nº 1.419/2024, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), torna obrigatória, a partir de 26 de maio de 2026, a inclusão dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) de todas as organizações, independentemente do porte. Estresse crônico, sobrecarga, metas inatingíveis, ausência de autonomia e assédio deixam de ser “assunto de RH” e passam a ser riscos ocupacionais documentáveis, sujeitos à fiscalização.
Os números mostram a urgência. Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número em uma década, pelo segundo ano consecutivo. Conforme o Ministério da Previdência Social, a ansiedade e a depressão já formam o segundo maior motivo de pedidos de auxílio-doença, atrás apenas das doenças da coluna.
Diante desse cenário, surge a pergunta inevitável: quem, dentro das organizações, tem competência para conduzir esse processo?
A Orientação Técnica SIT nº 3/2023 da Secretaria de Inspeção do Trabalho é objetiva: “Ressalvadas algumas exceções inseridas em Normas Regulamentadoras específicas, não há a definição do profissional responsável pela elaboração/implementação do PGR, cabendo-se observar que o profissional deve ter conhecimento técnico condizente com a complexidade dos perigos e riscos existentes no meio ambiente de trabalho.” Base legal: Art. 157, inciso I, da CLT.
Essa abertura gerou disputa entre categorias. Psicólogos e médicos do trabalho apresentam argumentos legítimos sobre suas atribuições. Os profissionais de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) integram esse processo na prática, mas sem exclusividade legal estabelecida pela norma.
Mas há um ponto que ainda não entrou no debate. E que muda tudo. Os riscos psicossociais não nascem no adoecimento do trabalhador. Nascem nas decisões sobre como o trabalho é organizado. E quem organiza o trabalho não é o psicólogo, nem o médico, nem o profissional de SST. É o administrador.
É ele quem define metas, distribui carga, estrutura hierarquias e constrói – ou destrói – a cultura do ambiente de trabalho. É ele quem decide como o trabalho funciona. E, portanto, é nele que os riscos psicossociais começam.
Esse entendimento já está posto no próprio sistema de Administração. Em maio de 2025, o Conselho Federal de Administração (CFA) foi direto: a gestão de riscos psicossociais é mais papel do administrador do que do psicólogo, porque é o administrador que entende de gestão e processos dentro de todo o contexto empresarial. A pergunta que fica sem resposta é outra: os cursos de Administração já prepararam esse profissional para assumir esse papel?
Para ocupar esse lugar com consistência técnica, é preciso reconhecer uma lacuna que o currículo ainda não fechou. As Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Administração (DCN) de 2021 incluem “Comportamento Humano e Organizacional” entre os conhecimentos fundamentais do egresso (Art. 3º, I). Há quem defenda que essa previsão já contempla o tema. Essa leitura é generosa, mas generosidade curricular não substitui competência técnica devidamente desenvolvida em sala de aula.
O “Comportamento Humano e Organizacional” previsto pela DCN está orientado para produtividade, colaboração e desempenho. A NR-1 exige algo diferente: reconhecer quando a própria organização do trabalho está produzindo adoecimento. Em nenhum artigo da DCN aparecem os termos saúde mental do trabalhador, riscos psicossociais ou adoecimento ocupacional como competências a serem desenvolvidas pelo egresso.
A norma trabalhista chegou a um ponto que o currículo ainda não alcançou. O curioso é que a solução já está prevista na própria DCN. O Art. 3º, §3º permite que os conhecimentos fundamentais sejam trabalhados como atividades, práticas supervisionadas e áreas de estudo, sem exigir reformulação curricular completa.
O que falta agora não é só o tempo, a norma entra em vigor no próximo mês. O que falta, em muitos cursos, é a decisão institucional de reconhecer a lacuna e corrigi-la.
O administrador está no lugar certo. Mas somente vai ocupá-lo com consistência quando a graduação decidir prepará-lo para isso.
*Fernando Wosgrau é administrador, mestre em Agronegócios, professor de Administração e ex-conselheiro de Educação (CEE-MT)
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