conecte-se conosco
Copyright © 2018 - Agência InfocoWeb - 66 9.99774262


Artigos

Cenário e estratégias empresariais ante o COVID-19

Publicado

Leonardo Bocchese

Neste artigo será compartilhada a visão empresarial sobre o momento de paralisia da economia, buscando-se demonstrar estratégias aplicáveis para mitigar os prejuízos. Não se abordará a questão dos cuidados à saúde em si, há diversos outros canais que se dedicam, com propriedade, a isso.

Dirijo-me àqueles que, como eu, se sentem ansiosos pelo quadro de incerteza que nos cerca diante de algumas questões que se acenam: a) quanto tempo durará a paralisação?  b) quais os impactos que o momento trará à economia mundial? c) que medidas adotar em relação aos colaboradores? d) quais estratégias para mitigar os efeitos da crise?

Em busca de respostas, foram ouvidos empresários de Cuiabá que, contribuindo com o presente artigo, compartilharam como tem agido para combater a crise ocasionada pela paralisação.

Rodolfo Alves de Almeida, pela Água Mineral Lebrinha, disse que a demanda por água aumentou muito pois as pessoas estão estocando o produto. Contrataram mais pessoas para produção (em três turnos). O setor administrativo está fazendo rodízio. Os vendedores estão em home office, sendo proibida a visita a clientes.  Os motoristas têm orientação para se proteger de contaminação no momento do carregamento e entrega. Foi adquirido um termômetro digital “de testa” pra aferir a temperatura das pessoas que entram na empresa, se alguém tiver com febre isolam e encaminham para casa de repouso.

Rodolfo diz que há risco da empresa parar se os fornecedores de peças de reposição não mantiverem o funcionamento, algumas de Bento Gonçalves e Caxias do Sul/RS. Se houver problemas com as máquinas não sabe se manterão a atividade. Considera um cenário extremo, que afetaria a produção, é se houver uma contaminação em massa, mas acredita que não ocorrerá pelas medidas preventivas públicas que estão sendo tomadas.

Manifestou preocupação com o pequeno empresário e o profissional independente que, rapidamente, poderão ter sua condição deteriorada assim como da população em geral, podendo a crise trazer resultados negativos em índices de violência. Mas, salienta a importância de se proteger em especial as pessoas pertencentes ao chamado grupo de risco. Falou do receio de calote sistemático no mercado. Por fim, mencionou ações de apoio realizadas pela Lebrinha para combater a crise provocada pelo COVID-19, como a doação de vasilhames ao governo do estado de Mato Grosso para embalagem de álcool gel.

Rogerio Fabian Iwankiw, falou pela Plaenge Empreendimentos. Ele informou que algumas medidas estão sendo tomadas como a paralisação de obras por 15 dias, mantendo-se salários e empregos, mediante acordo inicial de compensação dos dias parados ao longo dos próximos. Existe preocupação com estrago maior na economia, mas com crença que em mais 10 dias essa situação retome e o país comece a sair da paralisia. São mantidos cuidados com grupo de risco. Disponibilizam EPI aos órgãos de saúde.  Disse que recebeu relato de proprietário de hospital do interior de São Paulo, dizendo que parou tudo, está preparado para o surto mas está sem receita pois as operadoras de saúde particulares só pagam os médicos de plantão.

Veja Mais:  Combate ao bullying na adolescência impacta na carreira profissional

Geraldo José do Prado, pela Casa Prado, informou que eles adotaram inicialmente um horário reduzido de trabalho, buscando mitigar o risco daqueles que se encontram em grupo vulnerável. Disponibilizaram também álcool em gel em todas as unidades e orientaram os colaboradores a intensificar a limpeza do local.  Suspenderam viagens e reuniões presenciais e criaram um canal de delivery. Após, com a intensificação das restrições, fecharam as unidades. Ele manifesta intensa preocupação com o cenário econômico e aguarda medidas governamentais para auxiliar na recuperação financeira pelos problemas causados neste momento.

Já Rodrigo Nogueira Manoel, pela Pão & Arte Frozen Bread, disse que mantém a produção e que aguarda algo prático a ser determinado pelo governo em relação aos colaboradores. Ele diz ver dificuldade em manter as atividades por conta das restrições que o atendimento precário dos bancos pode representar.

Felipe Goelzer Pereira, pela Márcio Design, afirma que passam por algo novo, nunca imaginado. Entende necessária a quarentena, mas considera que o efeito colateral disso pode trazer um saldo (inclusive de mortes) talvez maior que o próprio coronavírus, pelo definhamento de uma sociedade que já é carente. Como medidas práticas, encaminharam e-mail aos fornecedores para suspender o envio de mercadorias nesse período. As lojas estão todas fechadas nos Shoppings e maison, em atendimento às ordens governamentais. Fomentaram o e-commerce. Salientou que é um momento de se olhar para Deus e para família, e que num momento que as pessoas estão tão carentes de um abraço e contato físico, existe um vírus que nos impede disso. Como um contrassenso, vê nisso um recado para que saíamos mais fortes e simpáticos com as pessoas, com um olhar social sobre o outro. Se preocupa com a rigidez das medidas e entende que se isso se estender poderão trazer um saldo muito negativo. Aponta a quarentena vertical como uma saída, com a manutenção das pessoas pertencentes ao grupo de risco em casa, o que seria um equilíbrio entre cuidar das pessoas e retomar as atividades.

Veja Mais:  Uso do FGTS no consórcio imobiliário

Paulo Esteves Souza, pela Verdão Materiais de Construção, considera uma crise comparável a de 1929. As lojas estão abertas como exceção indicada no Decreto 7.849/2020  da prefeitura, pois são consideradas um segmento essencial. Concederam férias para 60% da equipe. Nas lojas foram tomadas medidas de segurança, como disponibilizar máscara para todos os funcionários e horário de funcionamento reduzido. Há enorme demanda por parte de hospitais, que necessitam de suporte do segmento nesta fase crítica. Paulo disse que cancelaram o contrato de marketing para os próximos 30 dias para diminuir custos, ante a previsão de a receita ter queda drástica. Bloquearam também a venda no boleto por risco de inadimplência. Disse haver muitos títulos a vencer e prevê que com essa paralisação haverá queda nas vendas, afetando o fluxo de caixa. Solicitaram para vários fornecedores a prorrogação dos vencimentos. Afirma acreditar que por conta do cenário pode haver mais problemas (e até mortes) do que o coronavírus pode trazer.

Passo a tecer minha própria reflexão. Começo pelos aspectos emocionais. Ao lado do sempre atual Dale Carnegie, em sua contribuição para gestão das preocupações, ele nos diz que uma ferramenta que pode ser muito eficaz em momento como esse é: cooperar com o inevitável. O que significa que não devemos nos opor àquilo que supera nosso controle e nossas forças,  o que geraria somente desgaste e sofrimento. O cenário que se impõe com a consequente paralisia é, atualmente, algo insuperável a todos nós. Adotar uma postura de resignação em relação ao cenário pode significar sabedoria.  

Mas não vamos confundir resignação (aceitação que o cenário externo não pode ser alterado por nossas forças) com paralisia ou não-ação. Resignar-se objetiva diminuir a carga de ansiedade e preocupação que pode corroer nossa condição emocional, com piora generalizada de todos os aspectos que isso pode envolver, inclusive com nossa capacidade de tomar boas decisões tão importantes nesse momento. Além das medidas trazidas acima como exemplo pelos gestores, penso que é o momento de planejar e colocar em dia algumas atividades que nunca encontramos tempo em condições normais de trabalho.

Afinal de contas, efeitos à economia e aos (nossos) negócios serão inevitáveis. Se sairmos desse período de alguma forma com mais planejamento, mais organizados e alinhados, nossa recuperação poderá ser mais rápida.

Veja Mais:  No Brasil um morre de câncer de pele a cada 3 horas

Outro ensinamento que nos traz Dale Carnegie é o que ele chama de stop-loss. Significa que a partir de uma situação danosa, pode-se determinar que as perdas não sejam ainda maiores. Assim, já que os problemas advindos do momento devem ocorrer de forma inevitável, “restringir” os prejuízos às finanças e às atividades, não permitindo que isso se estenda à nossa capacidade de trabalho é aplicar o stop-loss. Não aplicar esse limitador à situação pode fazer com que os problemas não fiquem adstritos ao ambiente, podem ser incorporados em forma de quaisquer efeitos danosos à saúde física e/ou mental, o que atrapalhará ainda mais nossa recuperação.

Agora para aspectos mais técnicos da minha contribuição pessoal. O Governo Federal, através da Caixa Econômica Federal, vem criando mecanismo de auxílio às empresas, como diminuição de taxa de juros e criação de pausas de pagamento. Caso o período de paralisação de alongue, novas medidas devem ser tomadas pelos governos à medida que a arrecadação diminua pela inadimplência dos tributos e pela queda generalizada no faturamento/arrecadação. Assim, procurar (através dos canais disponíveis) o sistema bancário pode ser uma alternativa para superar o momento.

Em segundo, a eliminação de custos é uma busca permanente e atemporal. Para o presente momento fazer isso é essencial. Realizar cancelamentos ou suspensão, negociando com credores o espaçamento de débitos, pode auxiliar.

 O terceiro ponto do aspecto técnico é a respeito da criatividade e inovação. Temos visto negócios que estão atuando de forma diferente para suportar a paralisação, utilizando mecanismos alternativos para funcionar baseando o funcionamento em entregas, atendimento online, teletrabalho. É certo que nem todas as atividades suportam o modelo de funcionamento por esses canais, mas a pergunta deve sempre ser feita: há alguma forma de atuação possível durante esse período?

Por derradeiro, esse momento nos traz à luz a ideia que podemos utilizar de forma eficaz outros meios de comunicação, o que nos mostra que muitas reuniões presenciais, por exemplo, são desnecessárias, que poderiam dispensar deslocamento, gasto, perda de tempo, exposição à violência etc. Não perder de foco que há aprendizado à nossa disposição é importante.

Deixo a reflexão de tentar fazer desse momento mais produtivo e relevante, com menos perdas e, se possível, com algum ganho para o futuro.

Leonardo Bocchese – Executivo, advogado e educador corporativo

Comentários Facebook

Artigos

O papel do Estado e o Coronavírus

Publicado

Por Rinaldo Segundo

O Estado Moderno nasceu contra a tirania do Absolutismo, e a favor da Defesa da Pessoa Humana. No artigo 5º da Constituição Federal consta que “Todos são iguais perante a lei… garantindo-se aos brasileiros… a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade…” Esses direitos são chamados de fundamentais, pois são considerados indispensáveis à vida nacional. Não foi por acaso que o direito à vida apareceu antes dos outros direitos no artigo 5º. “Viver é a primeira e mais importante iniciativa de um ser humano e de uma sociedade.”

Obviamente, morrer é inevitável. Há mortes “inevitáveis”: AVC, câncer, acidente de trânsito, etc. (claro, um SUS mais robusto e atitudes cidadãs aumentariam a expectativa de vida). Porém, há mortes evitáveis, tais como feminicídios, latrocínios, homicídios premeditados e banais. São imensos desafios a todos nós, brasileiros, as mortes evitáveis.

O Estado deve prevenir mortes evitáveis, garantindo o direito à vida do cidadão. Os sistemas de assistência social e saúde, e segurança pública e justiça existem para isso. Morrer dignamente, também é direito constitucional. Primeiro, a dignidade da pessoa humana é fundamento da República Federativa do Brasil (art. 1º da Constituição Federal). Segundo, o Brasil não permite penas de morte, salvo em caso de guerra declarada ou cruéis (art. 5º, XLVII, “a” e “e” da Constituição Federal.) Se a um condenado é garantido tal direito, por analogia, igual direito tem toda pessoa humana.

Veja Mais:  Combate ao bullying na adolescência impacta na carreira profissional

Voltando à Terra das Palmeiras. O Estado brasileiro pode e deve fazer mais na crise do Coronavírus. Há várias razões científicas, econômicas e sociais para isso.

Não sou epidemiologista, enfermeiro, médico ou estatístico, e até por isso não desprezo a ciência. Doente, vou ao médico, e não construo casa sem engenheiro/arquiteto. Então, se cientistas apontam a gravidade do Coronavírus e a importância do isolamento social, acompanho-os.

Sei, ciência está fora de moda, mas ainda penso que a Terra é redonda. Discordar disso está contido nos direitos à crença, à liberdade do pensamento e às manifestações religiosas na Constituição Federal. Ainda bem que o pensamento e sua manifestação são livres! Agora, o Estado, inclusive por governantes eleitos democraticamente, tem a obrigação de preservar, ao máximo, a vida de seus governados. Ideologias, de direita ou de esquerda, não estão acima da razão científica, apoiada na realidade dos fatos e dignidade da pessoa humana.

Economia é muito importante. Garante prosperidade, custeia as famílias, enriquece os empresários. Aumentando-se a produtividade e a renda nacional, vive-se e sonhos se realizam: a TV, o carro, a boneca da filha, a viagem dos sonhos com a esposa, o almoço no aniversário da mãe. Isso é viver. Porém, nem Estado, nem Economia são um fim em si mesmo. O fim será sempre a Pessoa Humana. Inclusive, preservando vidas.

Conceito econômico útil nesses dias é a realização do prejuízo. Praticamente, investe-se numa empresa, num título ou numa aplicação financeira; a seguir, esse investimento se revela ruim. Há duas opções: continuar perdendo dinheiro ou “vender” a posição ruim.

Veja Mais:  Compliance: segurança e credibilidade necessárias

Tratando-se da crise do Coronavírus, realizar o prejuízo significa admitir a situação excepcional vivida (tal qual guerras, crises de fome e pandemias anteriores), e, consequentemente, reconhecer que haverá prejuízos financeiros e econômicos (recessão, desemprego, congelamento ou redução de salários, etc…). Economistas e governos liberais admitem a gravidade do Coronavírus e a iminente recessão mundial, e a necessidade do Estado adotar políticas econômicas keynesianas, salvando trabalhadores, autônomos e empresários. Claro, salvando, também, doentes e infectados, investindo-se em testes rápidos, mais respiradores e monitores para UTI`s, novas contratações de profissionais de saúde, a compra de equipamentos de proteção individual. Esse é o papel do Estado na crise do Coronavírus.

*Rinaldo Segundo é formado em Direito e Ciências Econômicas. Promotor de Justiça em Mato Grosso.

Comentários Facebook
Continue lendo

Artigos

Autismo, respeito e compreensão

Publicado

Dr. Clay Brites

No dia 02 de abril é comemorado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Durante todo o abril azul, é dado destaque para que o preconceito e discriminação pela falta de conhecimento, diminuam.

Criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data também nos faz refletir sobre o que os autistas e seus familiares mais precisam: compreensão e respeito. É fundamental que mais pessoas entendam que há uma grande complexidade envolvendo o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e que nenhum indivíduo é afetado da mesma forma.

O TEA é o transtorno do neurodesenvolvimento cujas características podem ser observadas ainda na primeira infância por meio da consulta a um especialista e de diagnóstico precoce. O autismo é uma condição que atualmente é entendida também como uma síndrome comportamental de nível complexo, além disso, o autismo combina fatores genéticos e ambientais.

Geralmente, os autistas apresentam problemas na interação, na comunicação e no comportamento. Por exemplo, na interação social comprometida, o relacionamento com pessoas do mesmo contexto familiar ou etário é aquém do esperado. Pode haver falta de reciprocidade emocional, pouco uso de meios não verbais para comunicação. Podem apresentar também comunicação deficitária, com ausência de linguagem verbal (falada), fala extremamente rebuscada para idade, ecolalias, pronúncia sem a cadência que as pessoas geralmente utilizam (sem alteração de tom) entre outros.

Além disso, há comportamentos marcados por estereotipias, como interesses não usuais em intensidade ou foco, movimentos motores repetitivos, rotinas invariavelmente rígidas e não funcionais, preocupação com partes de objetos, etc.

Veja Mais:  Os desafios da maternidade e do mercado de trabalho

No entanto, esses fatores variam de caso a caso, ou seja, nenhum autista é igual ao outro. O autismo é muito variado, podendo apresentar intensidades severas em alguns pontos e leves em outros. Por isso, o TEA deve ser muito bem avaliado, por meio de escalas diagnósticas específicas e uma bateria de avaliações cuidadosas. Isso é necessário, pois somente dessa forma é possível saber a intensidade e as áreas que devem ser melhor trabalhadas.

Por todos esses motivos, é essencial que profissionais das áreas da saúde e da educação possam buscar mais conhecimento e compreender melhor tudo o que envolve o transtorno para tentar, de alguma forma, amenizar as dificuldades provocadas pelo TEA. Assim, conseguiremos tratar essa condição de maneira mais adequada e responsável.

(*) Dr. Clay Brites é pediatra, neurologista infantil, autor de livros sobre autismo e transtornos de aprendizagem, além de ser um dos fundadores do Instituto NeuroSaber

Comentários Facebook
Continue lendo

Artigos

Força do agro em tempos de pandemia

Publicado

Miguel Vaz Ribeiro*

O Brasil e o mundo enfrentam um inimigo invisível, que está paralisando economias de várias potências e lançando incertezas sobre o futuro da economia mundial. Governos e mercados financeiros fazem projeções diárias do impacto que o Covid-19 provoca em vários setores, principalmente, nos essenciais.

Olhando para o principal setor da economia do país, o agronegócio, é perceptível que este enfrenta a crise com uma certa estabilidade, até o momento. O Brasil possui um superávit de alimentos e, mesmo que os portos fiquem paralisados, o que não está previsto, o país não precisará importar comida, pois há alimentos estocados suficiente para alguns meses, isso sem contar as safras que ainda serão colhidas.

O otimismo se transforma em preocupação quando o assunto é logística e transporte de grãos. Apesar de o Governo Federal ter garantido, por meio de decreto presidencial, que o transporte de carga — assim como os serviços médicos, segurança pública e abastecimento de alimentos, entre outros — é uma atividade essencial, e, portanto não deve ser interrompida no período de combate ao coronavírus, as ações em nível municipal e estadual devem ser coordenadas para evitar prejuízos e interrupções do abastecimento.

Alguns municípios proibiram, por meio de decreto, o transporte de grãos para outras localidades. Limitando, inclusive, o funcionamento dos armazéns de grãos da cidade apenas para “recebimento da colheita municipal, sendo vedado o escoamento para fora”.

Veja Mais:  Criatividade que gera riqueza

É necessário ter em mente, nesse momento, que garantir o abastecimento e a circulação de bens no país é tão importante para a população e para a economia, quanto os esforços para não permitir que o Covid-19 se alastre. Para isso, é preciso cuidar desses profissionais e dar condições para que exerçam suas atividades com segurança e estrutura, evitando qualquer tipo de contato no momento da fiscalização e do embarque dos grãos.

Por isso, é importante reconhecer os esforços do Ministério da Infraestrutura que anunciou, suspendendo, em caráter emergencial, postos com balanças de pesagem (fiscalização do peso dos veículos) nas rodovias federais por 90 dias.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), orienta que o setor agropecuário nos municípios converse com as prefeituras para reverter qualquer eventual fechamento de agroindústrias ou comércio de insumos em virtude da pandemia.

As prefeituras precisam se manter coesas com os governos estadual e federal, afinal, todos os insumos ou derivados da cadeia produtiva de alimentos estão resguardados pelo decreto presidencial que visa o livre trânsito, seja transporte de cargas em geral, seja de insumos e produtos que são base de alimentos para a população.

Olhando para as exportações, o otimismo volta à tona ao observar as informações do grupo criado pela CNA para monitorar a crise e realizar levantamentos sobre a situação de mercados e produtos, cujos boletins apontam que não há interrupção nas exportações de bens agropecuários brasileiros. Podemos citar como exemplo as exportações à China, que entre janeiro e fevereiro, houve aumento de 9,7% no comércio de grãos, óleos e alimentos no país.

Veja Mais:  Compliance: segurança e credibilidade necessárias

As principais commodities agrícolas, como soja, milho e café, apresentaram queda nos preços internacionais. No entanto, em função da alta do dólar, os preços reais não foram impactados. Para o setor sucroenergético e o algodão, o maior problema é a guerra do petróleo entre Rússia e Arábia Saudita, que derrubou os preços nestes setores.

Uma questão a ser observada com o dólar em alta, é que o aumento de rentabilidade do agro pode gerar a falsa sensação de que o setor está lucrando neste momento difícil. Como alguém vai ter que pagar a conta ao final desta pandemia, o agronegócio pode ser encarado pelo Governo Federal como o setor com as melhores condições para ajudar na retomada do crescimento. Isso precisa ser observado com cautela e o setor, tanto em nível federal quanto estadual, está aberto para dialogar, tendo em vista o bem maior da população, sem penalizar os empresários do agronegócio, que geram emprego e renda e é tão importante para o PIB brasileiro.

O que podemos aprender com esta turbulência que atinge também a economia? Ainda que o agro represente elevada importância na balança comercial, em Mato Grosso ainda estamos muito distantes no que se refere a agregação de valor. Já vivenciamos outros momentos, quando o mercado de grãos esteve em níveis de preços abaixo dos custos e, por sermos simples produtor de matéria-prima, desencadeou, além de uma forte crise no setor, a redução drástica nas receitas do Estado e municípios. Precisamos agregar valor como meta permanente. Este é o nosso caminho!

Veja Mais:  Uso do FGTS no consórcio imobiliário

*Miguel Vaz Ribeiro é produtor rural, empresário e membro do conselho executivo da Fiagril

Comentários Facebook
Continue lendo

Câmara Municipal de Rondonópolis

Rondonópolis

Polícia

Esportes

Famosos

Mais Lidas da Semana