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Cenário e estratégias empresariais ante o COVID-19

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Leonardo Bocchese

Neste artigo será compartilhada a visão empresarial sobre o momento de paralisia da economia, buscando-se demonstrar estratégias aplicáveis para mitigar os prejuízos. Não se abordará a questão dos cuidados à saúde em si, há diversos outros canais que se dedicam, com propriedade, a isso.

Dirijo-me àqueles que, como eu, se sentem ansiosos pelo quadro de incerteza que nos cerca diante de algumas questões que se acenam: a) quanto tempo durará a paralisação?  b) quais os impactos que o momento trará à economia mundial? c) que medidas adotar em relação aos colaboradores? d) quais estratégias para mitigar os efeitos da crise?

Em busca de respostas, foram ouvidos empresários de Cuiabá que, contribuindo com o presente artigo, compartilharam como tem agido para combater a crise ocasionada pela paralisação.

Rodolfo Alves de Almeida, pela Água Mineral Lebrinha, disse que a demanda por água aumentou muito pois as pessoas estão estocando o produto. Contrataram mais pessoas para produção (em três turnos). O setor administrativo está fazendo rodízio. Os vendedores estão em home office, sendo proibida a visita a clientes.  Os motoristas têm orientação para se proteger de contaminação no momento do carregamento e entrega. Foi adquirido um termômetro digital “de testa” pra aferir a temperatura das pessoas que entram na empresa, se alguém tiver com febre isolam e encaminham para casa de repouso.

Rodolfo diz que há risco da empresa parar se os fornecedores de peças de reposição não mantiverem o funcionamento, algumas de Bento Gonçalves e Caxias do Sul/RS. Se houver problemas com as máquinas não sabe se manterão a atividade. Considera um cenário extremo, que afetaria a produção, é se houver uma contaminação em massa, mas acredita que não ocorrerá pelas medidas preventivas públicas que estão sendo tomadas.

Manifestou preocupação com o pequeno empresário e o profissional independente que, rapidamente, poderão ter sua condição deteriorada assim como da população em geral, podendo a crise trazer resultados negativos em índices de violência. Mas, salienta a importância de se proteger em especial as pessoas pertencentes ao chamado grupo de risco. Falou do receio de calote sistemático no mercado. Por fim, mencionou ações de apoio realizadas pela Lebrinha para combater a crise provocada pelo COVID-19, como a doação de vasilhames ao governo do estado de Mato Grosso para embalagem de álcool gel.

Rogerio Fabian Iwankiw, falou pela Plaenge Empreendimentos. Ele informou que algumas medidas estão sendo tomadas como a paralisação de obras por 15 dias, mantendo-se salários e empregos, mediante acordo inicial de compensação dos dias parados ao longo dos próximos. Existe preocupação com estrago maior na economia, mas com crença que em mais 10 dias essa situação retome e o país comece a sair da paralisia. São mantidos cuidados com grupo de risco. Disponibilizam EPI aos órgãos de saúde.  Disse que recebeu relato de proprietário de hospital do interior de São Paulo, dizendo que parou tudo, está preparado para o surto mas está sem receita pois as operadoras de saúde particulares só pagam os médicos de plantão.

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Geraldo José do Prado, pela Casa Prado, informou que eles adotaram inicialmente um horário reduzido de trabalho, buscando mitigar o risco daqueles que se encontram em grupo vulnerável. Disponibilizaram também álcool em gel em todas as unidades e orientaram os colaboradores a intensificar a limpeza do local.  Suspenderam viagens e reuniões presenciais e criaram um canal de delivery. Após, com a intensificação das restrições, fecharam as unidades. Ele manifesta intensa preocupação com o cenário econômico e aguarda medidas governamentais para auxiliar na recuperação financeira pelos problemas causados neste momento.

Já Rodrigo Nogueira Manoel, pela Pão & Arte Frozen Bread, disse que mantém a produção e que aguarda algo prático a ser determinado pelo governo em relação aos colaboradores. Ele diz ver dificuldade em manter as atividades por conta das restrições que o atendimento precário dos bancos pode representar.

Felipe Goelzer Pereira, pela Márcio Design, afirma que passam por algo novo, nunca imaginado. Entende necessária a quarentena, mas considera que o efeito colateral disso pode trazer um saldo (inclusive de mortes) talvez maior que o próprio coronavírus, pelo definhamento de uma sociedade que já é carente. Como medidas práticas, encaminharam e-mail aos fornecedores para suspender o envio de mercadorias nesse período. As lojas estão todas fechadas nos Shoppings e maison, em atendimento às ordens governamentais. Fomentaram o e-commerce. Salientou que é um momento de se olhar para Deus e para família, e que num momento que as pessoas estão tão carentes de um abraço e contato físico, existe um vírus que nos impede disso. Como um contrassenso, vê nisso um recado para que saíamos mais fortes e simpáticos com as pessoas, com um olhar social sobre o outro. Se preocupa com a rigidez das medidas e entende que se isso se estender poderão trazer um saldo muito negativo. Aponta a quarentena vertical como uma saída, com a manutenção das pessoas pertencentes ao grupo de risco em casa, o que seria um equilíbrio entre cuidar das pessoas e retomar as atividades.

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Paulo Esteves Souza, pela Verdão Materiais de Construção, considera uma crise comparável a de 1929. As lojas estão abertas como exceção indicada no Decreto 7.849/2020  da prefeitura, pois são consideradas um segmento essencial. Concederam férias para 60% da equipe. Nas lojas foram tomadas medidas de segurança, como disponibilizar máscara para todos os funcionários e horário de funcionamento reduzido. Há enorme demanda por parte de hospitais, que necessitam de suporte do segmento nesta fase crítica. Paulo disse que cancelaram o contrato de marketing para os próximos 30 dias para diminuir custos, ante a previsão de a receita ter queda drástica. Bloquearam também a venda no boleto por risco de inadimplência. Disse haver muitos títulos a vencer e prevê que com essa paralisação haverá queda nas vendas, afetando o fluxo de caixa. Solicitaram para vários fornecedores a prorrogação dos vencimentos. Afirma acreditar que por conta do cenário pode haver mais problemas (e até mortes) do que o coronavírus pode trazer.

Passo a tecer minha própria reflexão. Começo pelos aspectos emocionais. Ao lado do sempre atual Dale Carnegie, em sua contribuição para gestão das preocupações, ele nos diz que uma ferramenta que pode ser muito eficaz em momento como esse é: cooperar com o inevitável. O que significa que não devemos nos opor àquilo que supera nosso controle e nossas forças,  o que geraria somente desgaste e sofrimento. O cenário que se impõe com a consequente paralisia é, atualmente, algo insuperável a todos nós. Adotar uma postura de resignação em relação ao cenário pode significar sabedoria.  

Mas não vamos confundir resignação (aceitação que o cenário externo não pode ser alterado por nossas forças) com paralisia ou não-ação. Resignar-se objetiva diminuir a carga de ansiedade e preocupação que pode corroer nossa condição emocional, com piora generalizada de todos os aspectos que isso pode envolver, inclusive com nossa capacidade de tomar boas decisões tão importantes nesse momento. Além das medidas trazidas acima como exemplo pelos gestores, penso que é o momento de planejar e colocar em dia algumas atividades que nunca encontramos tempo em condições normais de trabalho.

Afinal de contas, efeitos à economia e aos (nossos) negócios serão inevitáveis. Se sairmos desse período de alguma forma com mais planejamento, mais organizados e alinhados, nossa recuperação poderá ser mais rápida.

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Outro ensinamento que nos traz Dale Carnegie é o que ele chama de stop-loss. Significa que a partir de uma situação danosa, pode-se determinar que as perdas não sejam ainda maiores. Assim, já que os problemas advindos do momento devem ocorrer de forma inevitável, “restringir” os prejuízos às finanças e às atividades, não permitindo que isso se estenda à nossa capacidade de trabalho é aplicar o stop-loss. Não aplicar esse limitador à situação pode fazer com que os problemas não fiquem adstritos ao ambiente, podem ser incorporados em forma de quaisquer efeitos danosos à saúde física e/ou mental, o que atrapalhará ainda mais nossa recuperação.

Agora para aspectos mais técnicos da minha contribuição pessoal. O Governo Federal, através da Caixa Econômica Federal, vem criando mecanismo de auxílio às empresas, como diminuição de taxa de juros e criação de pausas de pagamento. Caso o período de paralisação de alongue, novas medidas devem ser tomadas pelos governos à medida que a arrecadação diminua pela inadimplência dos tributos e pela queda generalizada no faturamento/arrecadação. Assim, procurar (através dos canais disponíveis) o sistema bancário pode ser uma alternativa para superar o momento.

Em segundo, a eliminação de custos é uma busca permanente e atemporal. Para o presente momento fazer isso é essencial. Realizar cancelamentos ou suspensão, negociando com credores o espaçamento de débitos, pode auxiliar.

 O terceiro ponto do aspecto técnico é a respeito da criatividade e inovação. Temos visto negócios que estão atuando de forma diferente para suportar a paralisação, utilizando mecanismos alternativos para funcionar baseando o funcionamento em entregas, atendimento online, teletrabalho. É certo que nem todas as atividades suportam o modelo de funcionamento por esses canais, mas a pergunta deve sempre ser feita: há alguma forma de atuação possível durante esse período?

Por derradeiro, esse momento nos traz à luz a ideia que podemos utilizar de forma eficaz outros meios de comunicação, o que nos mostra que muitas reuniões presenciais, por exemplo, são desnecessárias, que poderiam dispensar deslocamento, gasto, perda de tempo, exposição à violência etc. Não perder de foco que há aprendizado à nossa disposição é importante.

Deixo a reflexão de tentar fazer desse momento mais produtivo e relevante, com menos perdas e, se possível, com algum ganho para o futuro.

Leonardo Bocchese – Executivo, advogado e educador corporativo

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Saúde mental: urgência pública que exige ação e acolhimento

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*Irajá Lacerda

A saúde mental deixou de ser uma preocupação silenciosa e se consolidou como uma das grandes urgências públicas do Brasil. Em 2025, a Previdência Social concedeu o impressionante número de 546.254 benefícios por incapacidade temporária devido a transtornos mentais e comportamentais, o que representa uma alta de 15,66% em relação ao ano anterior. Transtornos ansiosos e episódios depressivos lideram os afastamentos, revelando um país emocionalmente adoecido.

O cenário nacional dialoga com os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde, divulgados no final 2025, que apontam que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo. A OMS também estima que depressão e ansiedade custem à economia global cerca de US$ 1 trilhão por ano em perda de produtividade. Essa realidade ganhou ainda mais atenção no Brasil com a atualização da NR-1, que passou a incluir os fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, reforçando que a pressão no ambiente de trabalho e o esgotamento profissional exigem prevenção, responsabilidade e acolhimento.

Esses números não são apenas estatísticas. Por trás de cada linha há uma mãe exausta, um trabalhador no limite ou um jovem sofrendo em isolamento. Dados oficiais do IBGE em 2026, por meio da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), revelam que cerca de três em cada dez estudantes entre 13 e 17 anos relataram sentir tristeza frequente, 18,5% disseram sentir que a vida “não vale a pena ser vivida” e 32%  afirmaram ter sentido vontade de se machucar de propósito.

Veja Mais:  O que será de nós quando as impressoras acabarem? 

O impacto vai além do ambiente escolar: estudos do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) apontam que o tratamento de jovens com transtornos mentais chega a comprometer metade da renda das famílias na busca por apoio. O cenário exige que família, escola, assistência social e saúde atuem de forma integrada para acolher crianças e jovens antes que a dor vire tragédia.

Em Mato Grosso, esse desafio também precisa ser encarado de frente. Em 2025, o estado registrou 5.556 afastamentos temporários por transtornos mentais e comportamentais, segundo a Previdência Social. Não adianta ostentarmos indicadores econômicos grandiosos se as nossas famílias sofrem desamparadas, sem acesso adequado a psicólogos, psiquiatras e tratamento contínuo. O desenvolvimento econômico perde o sentido se não vier acompanhado da dignidade humana.

Para mudar essa realidade no nosso estado, a ação precisa ser descentralizada. É urgente expandir os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) para o interior, garantindo que o morador de qualquer município tenha o mesmo direito ao cuidado que quem vive na capital. Além disso, precisamos estruturar programas de apoio emocional permanentes dentro das escolas estaduais, capacitando professores para identificar os primeiros sinais de crise em crianças e adolescentes, e criar parcerias com o setor privado para aplicar a NR-1 de forma humana e acolhedora.

Cuidar de pessoas significa olhar para aquilo que as grandes obras e os discursos políticos tradicionais ignoram. É enxergar a dor de quem não consegue pedir socorro e garantir que o orçamento público priorize a vida. O Brasil e Mato Grosso precisam transformar a saúde mental em prioridade absoluta. Uma sociedade só é verdadeiramente rica e desenvolvida quando protege sua gente, oferecendo a cada cidadão a oportunidade e o amparo necessários para viver bem e com dignidade.

Veja Mais:  O que será do Brasil?

*Irajá Lacerda é ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária e ex-presidente da Comissão de Direito Agrário da OAB-MT

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Governança jurídica: empresas fortes dependem de segurança institucional

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DAUTO PASSARE

Empresas não crescem apenas por eficiência operacional ou capacidade financeira. Crescem porque conseguem planejar — e o planejamento depende de estabilidade institucional, previsibilidade regulatória e segurança jurídica.

O desenvolvimento econômico está diretamente ligado à confiança que empresários e investidores possuem nas instituições. Quando as regras mudam constantemente, os contratos se tornam inseguros e o ambiente regulatório é instável, o impacto atinge toda a economia.

O Brasil ainda convive com elevada complexidade jurídica, excesso de judicialização e insegurança tributária. Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que o país mantém dezenas de milhões de processos em tramitação, refletindo um cenário de intensa litigiosidade.

Nesse contexto, a governança jurídica deixou de ser apenas uma função técnica e passou a ocupar posição estratégica dentro das empresas.

Empresas sólidas dependem de estruturas capazes de prevenir riscos, organizar relações societárias, garantir segurança contratual e antecipar conflitos regulatórios e tributários.

A advocacia contemporânea exerce justamente esse papel: não apenas atuar em crises já instaladas, mas contribuir para a construção de estabilidade e segurança dentro das organizações.

A ausência de segurança jurídica produz efeitos silenciosos, mas profundos: investimentos são adiados, projetos deixam de avançar e o custo operacional aumenta.

Por outro lado, ambientes institucionalmente estáveis favorecem crescimento sustentável, inovação e expansão econômica.

No agronegócio e no setor empresarial, especialmente, previsibilidade regulatória e segurança contratual tornaram-se elementos indispensáveis para o desenvolvimento dos negócios.

Veja Mais:  O que será de nós quando as impressoras acabarem? 

Mais do que uma questão técnica, a segurança jurídica é hoje um ativo econômico.

Empresas fortes precisam de instituições fortes — e a advocacia estratégica tem papel fundamental na construção desse ambiente de estabilidade e confiança.

*é advogado, professor universitário e sócio-fundador do escritório Passare Advocacia em Cuiabá

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Pejotização da medicina: o lucro de poucos e a precarização da profissão médica

Publicado

Dr. Adeildo Lucena

A medicina brasileira atravessa uma das maiores transformações da sua história profissional. O que antes era uma carreira associada à estabilidade, autonomia técnica e valorização social vem sendo substituído por um modelo de contratação marcado pela precarização, insegurança jurídica e perda de direitos. O nome desse processo é pejotização.

Hospitais, clínicas, organizações sociais e grandes grupos privados de saúde passaram a substituir vínculos formais por contratos de pessoa jurídica (PJ), obrigando médicos a abrirem empresas para poder trabalhar. Na prática, muitos profissionais continuam submetidos à mesma rotina de um empregado comum — com escala fixa, subordinação, metas e plantões obrigatórios —, mas sem férias, sem 13º salário, sem FGTS, sem licença médica e sem aposentadoria adequada.

A chamada “flexibilização” virou, na realidade, um mecanismo de redução de custos para o sistema privado de saúde.

Dados recentes mostram a dimensão desse fenômeno. Estudo citado por pesquisadores da FGV aponta que a pejotização no Brasil já provocou perdas entre R$ 89 bilhões e R$ 144 bilhões aos cofres públicos desde a reforma trabalhista de 2017. A diferença ocorre porque trabalhadores contratados como PJ recolhem muito menos tributos e contribuições previdenciárias do que empregados regidos pela CLT.

O próprio  Conselho Federal de Medicina reconheceu que empresas utilizam a pejotização para economizar recursos, transferindo riscos aos profissionais e comprometendo as condições de trabalho. Durante debate nacional promovido pelo CFM, representantes da medicina do trabalho alertaram que médicos terceirizados vêm sendo colocados para exercer funções fora de suas atribuições e sem garantias mínimas de proteção profissional.

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Ao mesmo tempo, o Brasil vive uma explosão no número de profissionais. A pesquisa “Demografia Médica 2025”, conduzida pela Faculdade de Medicina da USP em parceria com o Ministério da Saúde e a Associação Médica Brasileira, aponta que o país já ultrapassou a marca de 635 mil médicos ativos, com previsão de crescimento contínuo nos próximos anos.

Esse aumento da oferta de mão de obra, somado à expansão agressiva de grandes conglomerados privados da saúde, criou um ambiente de forte pressão econômica sobre os médicos, especialmente os mais jovens. Muitos recém-formados entram no mercado já obrigados a abrir CNPJ antes mesmo do primeiro plantão.

Sem direitos trabalhistas, milhares de médicos enfrentam jornadas exaustivas, insegurança previdenciária e ausência completa de estabilidade. Há profissionais trabalhando anos seguidos sem férias remuneradas, sem cobertura em caso de afastamento por doença e sem qualquer proteção em situações de maternidade ou incapacidade laboral.

O problema ultrapassa a questão corporativa. A pejotização também afeta diretamente a qualidade da assistência prestada à população.

A lógica empresarial da redução de custos transforma o médico em mera peça operacional dentro de uma cadeia financeira controlada por grupos econômicos. O profissional passa a viver sob pressão de produtividade, metas de atendimento e redução do tempo de consulta. A medicina perde seu caráter humanizado e se aproxima perigosamente de um modelo industrial.

Os grandes grupos econômicos lucram. Os planos de saúde ampliam faturamento. As organizações privadas reduzem encargos. Mas o médico perde segurança, perde autonomia e perde dignidade profissional.

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O mais grave é que esse modelo vem sendo naturalizado.

Criou-se uma falsa ideia de que direitos trabalhistas seriam privilégios ultrapassados. Não são. São garantias mínimas de proteção humana e profissional.

Defender relações de trabalho dignas não significa negar novas formas de contratação. Significa impedir abusos e preservar condições mínimas para o exercício ético da medicina.

O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso entende que o debate sobre a pejotização precisa deixar os bastidores jurídicos e ganhar dimensão pública. A sociedade precisa compreender que precarizar o trabalho médico também significa fragilizar o atendimento à população.

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