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Mato Grosso

Expedição Araguaia-Xingu 2022 leva Justiça, cidadania e saúde para comunidade indígena Kayapó

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A comitiva da esperança do Poder Judiciário de Mato Grosso está de volta! A Expedição Araguaia-Xingu iniciou os seus trabalhos em 2022 no domingo (06 de novembro) em São José do Xingu, a 950 km de Cuiabá.
 
Conhecido como a ‘Capital do Boi Gordo’, o município mato-grossense possui em torno de seis mil habitantes com uma grande população indígena, responsável por boa parte da movimentação do comércio local. A localidade, às margens do Rio Xingu, foi o primeiro destino escolhido para dar o pontapé inicial nos municípios atendidos pela 4ª edição do Projeto.
 
Início do trajeto da Expedição – Com cerca de 50 parceiros e centenas de voluntários, o grupo saiu de Cuiabá em direção a São José do Xingu na manhã de quinta-feira (04 de novembro), com aproximadamente 30 veículos, entre carretas, caminhões, vans e carros.
 
Poeira, sol, chuva, buracos e longos trajetos em estradas de chão (os quais inclusive causaram problemas e avarias nos veículos da expedição) foram algumas das dificuldades encontradas durante o deslocamento, mas que ainda assim não foram suficientes para acabar com o clima de alegria e união de todos integrantes da comitiva.
 
A equipe da Justiça Comunitária do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), juntamente com seus parceiros e voluntários, foi recebida na noite de sábado (05 de novembro) com muita felicidade pelos moradores de São José do Xingu, que atentos e muito esperançosos não viam a hora de poder receber os serviços de Justiça, saúde e cidadania na Escola Municipal Maria Marlene de Morais.
 
Na manhã de domingo, as crianças abriram as ações da Expedição com a Corrida Inclusiva, organizada pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) de Mato Grosso, parceira do Projeto. Os pequenos e pequenas receberam medalhas de primeiro, segundo e terceiro lugar.
 
Serviços oferecidos – A Expedição ofereceu durante o primeiro e segundo dia de Expedição em São José do Xingu os serviços de orientação e atendimentos jurídicos; acordos e expedição de ofícios; confecção de Registro Geral (RG); atendimento médico e odontológico; testes rápidos e vacinação de imunizantes de diversos tipos; oficinas infantis; plastificação de documentos; 2ª via de certidões; inscrição, alteração, regularização e 2ª via de Cadastro de Pessoa Física (CPF); regularização de pendências com o serviço militar; inscrição e transferência de embarcação; renovação de carteira de habilitação de amador (CHA); atividade de educação no trânsito; cadastro no ‘Meu INSS’; solicitação de benefícios.
 
Também foi ofertada à população da região a doação de lentes e armações de óculos; doação de medicamentos, cestas básicas, calçados, roupas, itens de higiene e brinquedos; doação de mudas; conscientização ambiental com o projeto ‘Rebojando’; experimentos de ciências, com planetário digital e óculos de realidade virtual; entre outros serviços e atendimentos.
 
A jovem Débora Aparecida Pereira Antunes das Graças de 19 anos procurou o Projeto para tentar resolver um problema de duplicidade com o seu CPF e poder receber o benefício Auxílio Brasil. Desempregada e com uma bebê de colo de poucos meses, a moradora de São José do Xingu, após diversas tentativas frustradas, até mesmo em outros municípios (antes do Projeto), enfim conseguiu resolver a situação do seu documento na Expedição Araguaia-Xingu 2022.
 
“Eu fui entrar no aplicativo pra receber o benefício e apareceu que eu estava irregular com a Receita Federal. Eu fui a Confresa para tentar receber e não consegui, pois precisava arrumar o CPF primeiro. Agora, com a Expedição, já está resolvido, chegamos aqui e resolveu na hora. Vou poder receber o dinheiro, que vai ajudar muito. Eu moro de aluguel com a minha mãe, então é muito boa essa ajuda. Se não fosse o projeto, eu teria que arranjar um jeito de ir de ônibus com a bebê pra Barra do Garças, para tentar arrumar, o que seria muito difícil e gastaria muito com passagem, comida e tempo. Então foi uma mão na roda, bom demais”, comemora a recente mamãe.
 
E por falar em mamãe, outro caso especial foi o da Gislaine Aparecida da Cruz, que levou o pequeno indígena Azano Cruz Juruna de oito meses para tomar as vacinas necessárias no caminhão do Imuniza Mais MT, parceira da Expedição. “É um momento bom para trazer as crianças para fazer os documentos e tomar as vacinas. Isso é muito importante para a saúde delas e para os adultos também, a gente precisa se vacinar para não ficar doente. Normalmente, algumas coisas não conseguimos resolver aqui, temos que ir para outras cidades e isso fica muito caro. Com a Expedição aqui melhora muito pra gente, fica muito mais fácil vir aqui e fazer o que a gente precisa.”
 
Visita à Aldeia Indígena Piaraçu – Na tarde de domingo, a Aldeia Indígena Piaraçu também recebeu a visita da equipe da Expedição Araguaia-Xingu 2022. Os cerca de 400 indígenas da etnia Kayapó receberam doações de alimentos, cestas básicas, calçados, kits escolares e também tiveram recolhidos os materiais recicláveis e parte do lixo produzido no local.
 
O coordenador da Expedição Araguaia-Xingu, juiz José Antônio Bezerra Filho, ressaltou importância da integração com os povos originários e o atendimento de políticas públicas de inclusão social, em consonância com as determinações e resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
 
“Essa ação faz parte de um eixo do CNJ, de uma agenda 2030, que tem esse viés de cidadania e inclusão social. Mostra que o Poder Judiciário já está perfeitamente alinhado com esse futuro, pois é uma ação que dignifica muito e vai além da nossa competência (políticas de assistência e inclusão do povos indígenas pertencem à competência Federal),” afirma o magistrado.
 
“Isso mostra também uma interação de Poderes, a credibilidade dos parceiros e o desafio de cada gestão da presidência do TJMT. E aqui eu falo em nome da desembargadora Maria Helena Póvoas, que nos deu todo esse suporte para que todos estivessem aqui”, completa o juiz-coordenador da Justiça Comunitária do TJMT.
 
O líder Kayapó, cacique Megaron Txucarramãe, acolheu a equipe da Justiça Comunitária (e parceiros) e destacou a relevância das ações da Expedição para a população indígena. “É uma honra receber o doutor Tony e sua equipe. Essa ajuda, esses materiais, eles serão muito bons para a minha comunidade. É muito importante esse trabalho de coleta de plásticos e latas, de recolher e levar de volta para o lixo.”
 
“No nosso costume a gente não tinha lixo, plástico e essas coisas. Era só folha de bananeira. A gente usava, largava lá e apodrecia rápido. O plástico não, ele demora muito pra desaparecer na terra. Então tem que recolher mesmo e levar de volta para o lixo”, explica o líder Kayapó.
 
Megaron é um dos mais importantes líderes indígenas dos últimos 30 anos. ‘Nascido e criado entre seu povo, os Mebengonkrê (ou Kayapó), passou boa parte de sua juventude convivendo com os índios do Alto Xingu e com Orlando Villas-Boas. O grande líder dirigiu o Parque Indígena do Xingu entre 1985 e 1989 e dirigiu a Administração Regional da Funai em Colíder, de 1995 a 2011.
 
Para o prefeito de São José do Xingu, Sandro José Luiz Costa, o segundo ano de parceria entre o município e a Expedição foi maravilhoso e de grande sucesso. “O Projeto Expedição Araguaia Xingu tem atendido os anseios da população de forma muito bem organizada. Eu destaco os acordos judiciais e a conciliação que tem tido muito êxito aqui hoje. As pessoas resolvendo os seus problemas judiciais através da Promotoria de Justiça, Defensoria Pública, as questões do INSS, da Receita Federal. Hoje, com esse trabalho da Expedição, nós estamos conseguindo atender essas pessoas.”
 
Próximos destinos – Nesta terça e quarta-feira (08 e 09 de novembro) a Expedição Araguaia-Xingu estará em Santa Cruz do Xingu, na Escola Estadual Santa Cruz.
 
Nos dias 11 e 12 de novembro será a vez de Luciara, enquanto nos dias 15 e 16 quem receberá a Expedição é o município de São Félix do Araguaia. Já para finalizar a 4ª edição, nos dias 18 e 19 de novembro, Cocalinho recebe a comitiva da cidadania e esperança do Poder Judiciário
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual.
Imagem 1: fotografia horizontal mostra diversas crianças indígenas correndo. Elas carregam sacos com lixo coletado na aldeia. Imagem 2: fotografia da rodovia mostrando a comitiva de carros da Expedição. Imagem 3: fotografia retratando crianças indígenas em fila. A frente o juiz coordenador da Justiça Comunitária. Imagem 4: fotografia mostra crianças indígenas em fila aguardando para entregar as sacolas com o lixo coletada do aldeia. Imagem 5: fotografia de moradora que leva filho para receber atendimento médico. Imagem 6: fotografia mostrando crianças sendo vacinada.
 
 
Marco Cappelletti/ Fotos Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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Mato Grosso

Circuito do Varejo promove capacitação sobre atendimento e vendas digitais em Lucas do Rio Verde, Alta Floresta, Colíder e Água Boa

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Empresários e equipes do comércio poderão participar de palestras práticas voltadas à experiência do cliente e estratégias de conversão
O Circuito do Varejo segue ampliando sua agenda de capacitações em Mato Grosso e desembarca, no mês de junho, nos municípios de Lucas do Rio Verde, Alta Floresta, Colíder e Água Boa. A iniciativa reúne empresários, gestores e equipes do comércio para uma programação voltada à melhoria do atendimento e ao fortalecimento das vendas presenciais e digitais.
Realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial em Mato Grosso (Senac-MT), em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Mato Grosso (Sebrae-MT), o projeto percorre diferentes regiões do estado levando conteúdos estratégicos sobre comportamento do consumidor, experiência de compra e relacionamento com clientes.
A primeira parada será em Lucas do Rio Verde, no dia 3 de junho. Depois, o circuito segue para Alta Floresta, em 9 de junho, Colíder, no dia 11, e encerra a programação do mês em Água Boa, no dia 23. Em todas as cidades, a recepção ao público começa às 18h.
A partir das 19h30, o especialista em experiência do cliente Manoel Carlos Junior ministra a palestra “Atendimento que vende: como encantar o cliente dentro da loja”. O conteúdo apresenta estratégias para transformar o atendimento em diferencial competitivo, criando conexões com o consumidor e aumentando as oportunidades de fidelização e vendas.
Manoel Carlos Junior é curador e especialista em Customer Experience, além de autor dos livros “Experiencialize: os sete passos para transformar produtos e serviços em experiências” e “Experiencializando o Mundo: 40 histórias reais baseadas no método experiencialize”.
Na sequência, às 20h15, a empresária e business coach Uliana Ferreira conduz a palestra “Do direct ao Whatsapp: como atender e vender nos canais digitais”. A apresentação aborda técnicas para estruturar o atendimento online, fortalecer a comunicação digital e converter interações em vendas por meio das redes sociais e aplicativos de mensagens.
Uliana Ferreira é CEO do Grupo Dona, fundador do Instituto A Dona do Negócio e autora do livro best-seller “A Dona do Negócio”. A especialista atua com consultoria e aceleração de resultados para empresas e projetos de empreendedorismo feminino.
As inscrições são limitadas e podem ser feitas pela internet, na plataforma Sympla. Para participar, os interessados devem doar 5 quilos de alimentos não perecíveis no dia do evento. As arrecadações serão destinadas ao programa Sesc Mesa Brasil.
Serviço:
 
Evento Circuito do Varejo 2026
 
Inscrições: Ingresso solidário de 5 kg de alimentos não perecíveis
Lucas do Rio Verde
Data: 3 de junho, a partir das 18h
Local: Auditório Sebrae em Lucas do Rio Verde, Avenida Pará, 484-s –
Alvorada, Lucas do Rio Verde
Inscrições:  via Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/circuito-do-varejo-2026—–edicao-lucas-do-rioverde/3412816)
Alta Floresta
Data: 9 de junho, a partir das 18h
Local: Teatro Agostinho Bizinotto – Centro Cultural, Travessa C-A, Alta Floresta
Inscrições: via Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/circuito-do-varejo-2026—–edicao-altafloresta/3405873)
Colíder
Data: 11 de junho, a partir das 18h
Local: Auditório Amazonia ACIC – R. Luiz Aldori Neves Fernandes, 745 – Centro, Colíder
Inscrições: via Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/circuito-do-varejo-2026—–edicaocolIder/3405768)
Água Boa
Data: 23 de junho, a partir das 18h
Local: Auditório da Associação Comercial de Água Boa (Aceab) – R. Nove, 338 – Centro, Água Boa
Inscrições: via Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/circuito-do-varejo-2026—–edicao-aguaboa/3405939)
O Sistema S do Comércio é presidido pelo empresário José Wenceslau de Souza Júnior. A entidade é filiada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que está sob o comando de José Roberto Tadros.
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Mato Grosso

Leis aprovadas por Câmaras são declaradas inconstitucionais em MT

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Foto- Assessoria

Leis aprovadas em câmaras municipais que avançam sobre atribuições típicas do Poder Executivo continuam sendo alvo de questionamentos no Judiciário, com reiterado reconhecimento de inconstitucionalidade por vícios formais. Em decisões recentes envolvendo municípios mato-grossenses, a exemplo de Sinop e Rondonópolis, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reafirmou os parâmetros que delimitam a atuação do Legislativo local.

Nesse contexto, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tem se manifestado em ações diretas de inconstitucionalidade apontando irregularidades em leis de iniciativa parlamentar que tratam da execução de políticas públicas. Foi o que ocorreu nos casos das Leis Municipais nº 3.599/2025, que instituiu a denominada Escola Ambiental, e nº 3.641/2026, que criou o Programa Oftalmologia nas Escolas, ambas no município de Sinop.

As análises jurídicas indicam que essas normas apresentaram vício formal de iniciativa, uma vez que trataram de matérias cuja proposição é reservada ao chefe do Poder Executivo. A Constituição Federal e a Constituição do Estado de Mato Grosso estabelecem que cabe privativamente ao Executivo propor leis que disponham sobre organização administrativa, funcionamento de órgãos públicos e implementação de políticas governamentais, entendimento que se aplica aos municípios por simetria constitucional.

Nos casos analisados, as leis não se limitaram à criação de diretrizes gerais, mas passaram a disciplinar a execução das políticas públicas. Entre os pontos identificados estão a definição de periodicidade de serviços, a imposição de atividades específicas por secretarias e a vinculação direta de ações à estrutura administrativa do município. Esse tipo de previsão normativa caracteriza ingerência indevida na esfera do Executivo, ao restringir a margem de decisão administrativa quanto à conveniência, oportunidade e viabilidade das medidas.

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Situação semelhante foi verificada em Rondonópolis, onde a Lei Municipal nº 14.224/2025 instituiu o projeto “Bem-Estar Rural”, determinando a realização de atividades físicas e de lazer para a população, com frequência mínima semanal e execução a cargo de secretaria municipal. O entendimento consolidado foi de que a norma, também de iniciativa parlamentar, impôs obrigações concretas ao Executivo, interferindo na gestão administrativa, no planejamento de políticas públicas e na alocação de recursos humanos, além de exigir contratação de profissionais.

Nessa hipótese, assim como em Sinop, o Ministério Público apontou que, embora a iniciativa legislativa tenha sido orientada por finalidade social relevante, a forma adotada acabou por invadir a esfera de competência do Executivo, comprometendo o equilíbrio entre os poderes e retirando do gestor público a possibilidade de avaliar a melhor forma de execução da política pública.

Outro ponto comum nos casos analisados é a violação ao princípio da separação dos poderes. Embora o Legislativo tenha papel essencial na formulação de normas e na representação da sociedade, sua atuação encontra limites constitucionais. Quando a lei estabelece comandos operacionais específicos, substitui a discricionariedade administrativa por obrigações previamente definidas, caracterizando interferência indevida na gestão pública.

Além disso, foi constatada a ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro em leis que criavam despesas públicas obrigatórias e continuadas. A exigência constitucional de apresentação desse estudo busca garantir o equilíbrio das contas públicas e a compatibilidade com o planejamento orçamentário. A inobservância desse requisito tem sido considerada vício suficiente para invalidar as normas.

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A atuação do Ministério Público nesses casos busca assegurar que o processo legislativo observe os parâmetros constitucionais, contribuindo para a produção de normas eficazes e juridicamente válidas, sempre reconhecendo o importante papel das câmaras municipais na elaboração de leis que estabeleçam diretrizes gerais e políticas públicas em sentido amplo.

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Mato Grosso

Estado é condenado a reformar Cadeia Pública feminina de Cáceres

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A pedido da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Cáceres (a 225 km de Cuiabá), a Justiça determinou que o Estado de Mato Grosso apresente, no prazo de até 90 dias, um plano completo para sanar irregularidades estruturais, sanitárias e de segurança na Cadeia Pública Feminina de Cáceres, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. A 4ª Vara Cível da comarca julgou procedente a Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso. A sentença foi proferida em 21 de maio.

A decisão judicial estabelece que o Estado deve elaborar, apresentar e implementar um Plano de Adequação Estrutural e Funcional, no qual deverão constar, de forma detalhada, todas as intervenções necessárias para a regularização da unidade, incluindo obras, reparos e medidas voltadas ao cumprimento das normas de segurança contra incêndio, das condições sanitárias e das exigências estruturais. O cronograma deverá indicar, ainda, os prazos de início e conclusão de cada etapa, a estimativa de custos, as fontes de financiamento e os órgãos responsáveis pela execução.

Além disso, o Estado deverá comprovar periodicamente o andamento das ações por meio da apresentação de relatórios técnicos e registros fotográficos a cada 60 dias, evidenciando a evolução das medidas adotadas. Na sentença, o juízo também fixou multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil, em caso de descumprimento dos prazos estabelecidos.

De acordo com a ação, a investigação teve início após a 1ª Promotoria de Justiça Criminal identificar irregularidades relevantes na unidade durante fiscalizações de rotina, especialmente relacionadas à estrutura física, à segurança e ao funcionamento, com risco à integridade de custodiadas e servidores. Diante desse cenário, a 1ª Promotoria de Justiça Cível instaurou procedimento para acompanhar a situação e cobrar providências do Estado, responsável pela gestão do sistema prisional.

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As apurações revelaram um quadro crônico de precariedade estrutural, com edificações deterioradas, problemas nas instalações elétricas, ausência de sistemas adequados de prevenção a incêndios e falhas nas condições sanitárias. Relatórios técnicos e vistorias realizadas por órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária e o Centro de Apoio Operacional do Ministério Público (CAO-MP) confirmaram os riscos. Na cadeia feminina, foram registrados, entre outros problemas, fiação exposta e sobrecarga elétrica, fatores que motivaram, inclusive, pedido de interdição parcial.

“As irregularidades estruturais constatadas pelo Centro de Apoio Operacional do Ministério Público expõem de forma permanente pessoas privadas de liberdade, servidores e demais usuários das unidades prisionais a riscos concretos à vida e à integridade física, especialmente em razão da precariedade das edificações, da ausência de manutenção preventiva e da deficiência das instalações elétricas e estruturais.”, narra a ação.

Segundo o MPMT, as medidas adotadas pelo Estado ao longo da investigação foram pontuais e insuficientes para solucionar as irregularidades. O Ministério Público também buscou uma solução extrajudicial, por meio da proposta de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não obteve resposta do poder público.

Foto: Reprodução. 

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