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Mato Grosso

“Mato Grosso tem cumprido a lei e reduzido o desmatamento ilegal”, afirma secretária de Meio Ambiente

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A secretária de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT), Mauren Lazzaretti, afirma que houve redução do desmatamento ilegal em Mato Grosso nos últimos anos, com o crescimento da legalidade na supressão de vegetação no campo.

” O anseio da sociedade é que se evite o desmatamento ilegal e isso temos reduzido em Mato Grosso. O que ampliamos foi o desmatamento com autorização ambiental, que chegou a 42% no primeiro semestre deste ano, respeitando uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo”, destaca.

Conforme a gestora, além do combate efetivo ao desmatamento ilegal com embargos, aplicação de multas, e abertura de processos para responsabilizar infratores, o avanço das análises do Cadastro Ambiental Rural (CAR) em Mato Grosso possibilitou a abertura de áreas dentro da legalidade para os que tem esse direito.

A gestora ainda destacou a legalidade das ações de inutilização de máquinas usadas para ações de desmatamento ilegal, a conciliação ambiental como instrumento para a recuperação do dano ambiental de forma rápida e a rastreabilidade da madeira de Mato Grosso pra o mercado nacional e internacional.

Confira a entrevista na íntegra:

Nesta semana o Tribunal de Justiça atendeu a um pedido da PGE e manteve a permissão para fiscais da Sema inutilizarem máquinas flagradas em crimes de desmatamento, quando a remoção não for possível. Essa ação de inutilização de máquinas e equipamentos é realmente necessária?

Mauren Lazzaretti – Em casos extremos, a inutilização de equipamentos é absolutamente necessária para evitar a continuidade da infração e dos impactos ao meio ambiente. Essa inutilização ocorre em casos em que não seja possível retirar as máquinas, como já aconteceu em várias situações. Locais de difícil acesso ou casos em que os infratores comprometem o equipamento, por exemplo. Então, nessas condições, que representam menos de 4% do total de bens apreendidos, é necessário inutilizá-los para evitar a continuidade do dano.

A decisão judicial desta semana reconhece a importância de se garantir os mecanismos legais para que os fiscais possam exercer na plenitude a sua função. Esse, inclusive, é o posicionamento dos tribunais superiores.

Secretária, alguns institutos apontam que em Mato Grosso o desmatamento vem aumentando nos últimos meses. O que de fato está acontecendo no Estado?

Mauren Lazzaretti – É importante esclarecer e destacar uma insurgência que nós recorrentemente fazemos com a divulgação de dados absolutos sobre desmatamento. O anseio da sociedade é que se evite o desmatamento ilegal e isso temos reduzido em Mato Grosso. O que ampliamos, na verdade, é o desmatamento com autorização ambiental, que chegou a 42% no primeiro semestre deste ano, respeitando uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo. Antes de 2018 a legalidade no campo era praticamente inexistente, com cerca de 5% de desmatamento legal.

O governador Mauro Mendes fez um compromisso com a sociedade de tornar o poder público mais eficiente. Com isso, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente tem garantido a emissão de autorizações de desmate para aqueles que têm permissão legal.

Temos áreas a serem desmatadas, conforme os critérios do Código Florestal, e essa soma do desmatamento autorizado é que tem ocasionado essa aparência de aumento do desmatamento, mas não é, em hipótese alguma, aumento do desmatamento ilegal.

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Quando falamos de prestar o serviço com eficiência, focamos principalmente na regularização dos imóveis rurais por meio do Cadastro Ambiental Rural. Nos últimos anos nós trabalhamos muito para garantir essa regularidade e isso também permitiu a eficiência do licenciamento, o que possibilita a emissão das autorizações de supressão para aquele que tem condições de promover atividade dentro da legalidade.

Isso é extremamente importante para que nós separemos o ilegal do legal. O governador já tem apontado que o percentual de ilegalidade no Estado de Mato Grosso é menos de 2% dos imóveis rurais, e que a esmagadora maioria dos produtores agem dentro da Lei. Então, precisamos destacar a regularidade e fazer com que a sociedade, inclusive as entidades que monitoram o desmatamento, separem o desmatamento lícito do ilícito, como o estado de Mato Grosso tem feito no seu trabalho de monitoramento.

A Secretaria tem defendido a prática da conciliação ambiental. Quais são os benefícios para o Estado?

Mauren Lazzaretti – A conciliação, de modo geral, tem sido levantada em todos os tribunais, nos órgãos ambientais, como uma estratégia para reduzir o tempo em que se discute um tema e se consegue um resultado antecipado. Garantimos não apenas a redução da multa com a conversão em serviços, mas principalmente a recuperação do dano ou correção da infração.

Nós tínhamos, no passado, processos que demoraram 15 ou até 20 anos e nunca chegavam a promover o resultado esperado. Por isso, para nós, a conciliação tem se apresentado como uma solução que traz o resultado mais significativo, que é a efetiva recuperação do dano ou correção da infração.

Temos conseguido promover com maior rapidez a reversão do dano ambiental causado pela infração ou a correção da infração, sem a judicialização. Esse é o principal reflexo positivo. Da mesma forma, o recolhimento da multa ocorre antecipadamente e é integralmente revertido em benefício das ações ambientais. Assim, um processo que poderia demorar anos ganha eficiência e pode ser resolvido em menos de um ano.

Aqui no Governo do Estado nós instrumentalizamos o sistema para que essa conciliação ocorra de forma digital, e no mês de setembro vamos promover um mutirão de audiências dos casos mais complexos para garantir a conciliação nessas situações. Nos casos que são mais simples, que não demandam discussões no aspecto técnico, as conciliações já estão acontecendo sem necessidade de audiência.

Quanto já foi aplicado em multas por crimes ambientais neste ano em Mato Grosso? E como estão os processos de recebimento desses valores? O crime está sendo punido?

Mauren Lazzaretti – Já aplicamos mais de um R$ 1,6 bilhão de multas para todos os tipos de infração. Foram mais de 2.800 autos de infração, e apreendemos, só nesse ano, 658 equipamentos que foram, na sua maciça maioria, destinados para a utilização dos municípios e das entidades que exercem atividades no âmbito ambiental.

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O Estado tem uma atuação fiscalizatória que não se resume à aplicação de multas. As nossas ações incorporam o uso de tecnologia com imagens de satélite de alta resolução para monitorar todo o território, a apreensão de equipamentos, embargos de áreas e, além de tudo, o envio destes autos de infração ao Ministério Público e à Polícia Judiciária Civil para a responsabilização no âmbito civil e no âmbito criminal, o que completa a previsão constitucional da responsabilização nas três esferas. E uma vez lavrado o processo no âmbito administrativo e encaminhado aos Ministérios Públicos, abre-se a possibilidade do infrator optar pela conciliação.

Se a conciliação for exitosa, encerra-se o assunto processual e ele assume os compromissos. Não havendo êxito na conciliação, fazemos o julgamento, a cobrança administrativa e encaminhamos para inscrição nos órgãos de proteção de crédito e execução fiscal. Isso tem permitido que o Estado tenha mais do que dobrado os valores arrecadados. E não apenas isso, mas, neste ano, mais de 300 autos de infração já passaram pela conciliação e possuem compromissos de correção de dano e de pagamento da multa administrativa, que é sempre revertida para ações ambientais.

Atualmente, Mato Grosso é um dos Estados com análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) mais avançada em todo país. De que forma foi possível dar essa celeridade nos cadastros e quantas propriedades já possuem o CAR no Estado?

Mauren Lazzaretti – No Estado, nós separamos a análise de pequenos imóveis até quatro módulos, médios imóveis e grandes, e, com essa divisão, uma estratégia de análise que congrega mais de 60 analistas e investimentos no aprimoramento dos sistemas, já conseguimos validar quase 9 mil cadastros. Hoje, Mato Grosso tem mais de 25% de seu território já com cadastros aprovados.

Conseguimos identificar os cadastros que possuem passivo e precisam recuperar áreas, e aqueles que são validados sem passivo. Isso é um percentual muito acima da média nacional.

Quando analisamos o cenário do Brasil, a média nacional de validação é de menos de 1%. Mas as análises no País não chegam a 4% dos cadastros que constam na base de dados federal. Quando falamos em análise no Estado de Mato Grosso, temos mais de 50% dos cadastros analisados.

Apesar de já sermos reconhecidos pelo Serviço Florestal Brasileiro como Estado com a melhor performance, buscamos nos aprimorar cada vez mais e estamos implementando novas ferramentas para tornar ainda mais rápida a análise. Já nos próximos meses, vamos implementar nosso módulo de análise cadastros de menor complexidade, que pode ser validado de forma digital, absolutamente dinamizada. Com isso, acredito que o Estado vai, de novo, ser um protagonista de regularização efetiva dos imóveis rurais.

Aqui no Estado o PRA (Programa de Regularização Ambiental) está totalmente implementado. Mato Grosso faz a análise e já garante a regularização dos imóveis, o que nós compreendemos ser uma estratégia mais eficiente para implementar o Código Florestal na sua plenitude.

Como a economia do Estado é impactada quando as propriedades possuem o CAR?

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Mauren Lazzaretti – O CAR validado, a análise e apresentação do Programa de Regularização Ambiental garantem para o nosso produtor melhores condições nas discussões para comercialização dos seus produtos e possibilidades de financiamento da sua produção com instituições financeiras.

Nós sabemos que existem muitos movimentos no sentido de restringir a comercialização dos produtos de áreas ilegais, daí a importância do Estado de Mato Grosso possuir um cadastro ambiental pujante, que tenha eficácia e eficiência e de garantir que toda essa regularização, e que esteja disponível no portal de transparência dando credibilidade também aos dados que são disponibilizados.

Mato Grosso foi o primeiro Estado a ter rastreabilidade total da madeira. Qual é o impacto disso para o desenvolvimento do Estado?

Mauren Lazzaretti – O Governo de Mato Grosso assumiu compromissos ambientais relevantes em todos os eventos internacionais, e assinou no acordo de Paris um compromisso de ampliar a área de manejo florestal sustentável para 6 milhões de hectares até o ano de 2030.

A base florestal, ou seja, os instrumentos que garantem a produção vinda da floresta, principalmente a ligada à madeira, é a quarta economia do Estado, já chegando próximo de ser a terceira. Então, ela tem uma relevância grande do ponto de vista social, econômico e ambiental, porque o manejo florestal sustentável é compreendido como uma estratégia que mantém a floresta em pé, mas garante renda e dignidade social para aqueles que executam o manejo.

Dentro deste contexto, o Governo identificou onde estavam os gargalos para que a produção de madeira nativa, vinda de planos de manejo, alcançasse os mercados internacionais com o mesmo valor agregado que outros países também em desenvolvimento alcançam, como é o caso da Indonésia, da Malásia, do Congo.

Identificamos, então, por meio do estudo, que, enquanto o metro cúbico vendido por esses países gerava em torno de 800 dólares, o metro cúbico de Mato Grosso era vendido por 400 dólares, por não ter rastreabilidade da madeira.

Com isso, concentramos esforços para estabelecer em Mato Grosso a rastreabilidade da madeira como uma estratégia para reduzir a ilegalidade, porque esse é um ponto fundamental para todos os nossos compromissos e para o cumprimento da lei. Além disso, isso possibilita também garantir maior transparência e acompanhamento e melhorar as condições de valor agregado ao produto lícito que sai do Estado de Mato Grosso relacionado à madeira nativa.

Mato Grosso fez um esforço adicional para eliminar aquele estoque que não possuía rastreabilidade e foi o primeiro Estado brasileiro a não mais transportar produtos florestais sem a cadeia de custódia, tendo a rastreabilidade toda garantida na guia florestal, que é o documento que acompanha o produto da origem até o consumidor final.

A rastreabilidade na totalidade é um diferencial para o nosso estado. No âmbito do país, o Ibama tem feito um esforço para que esse estoque legado, que ainda não tem a rastreabilidade, possa ser eliminado, mas não há perspectiva.

Fonte: Governo MT – MT

Mato Grosso

Serra de São Vicente será parcialmente interditada para manutenção e implantação de iluminação

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Alteração no tráfego ocorrerá entre terça e quarta-feira, das 8h30 às 17h

Foto- Assessoria

A Nova Rota do Oeste alerta aos motoristas para uma alteração temporária no tráfego da Serra de São Vicente na terça e quarta-feira (30/06 e 01/07), das 8h30 às 17h, no sentido Rondonópolis/Cuiabá. A mudança pretende permitir que as equipes da Concessionária realizem obras de implantação de sistema de iluminação, além de serviços de limpeza da vegetação às margens da pista, manutenção dos sistemas de drenagem e obras no pavimento da rodovia.

Em caso de condições climáticas inadequadas para a execução dos trabalhos, como a formação de neblina, os serviços poderão ser cancelados e reprogramados. A implantação do sistema de iluminação, as melhorias na pista e na drenagem, integram as ações voltadas ao reforço da segurança viária e à melhoria das condições de trafegabilidade na região.

A alteração no tráfego visa garantir a segurança dos profissionais envolvidos nos serviços, bem como dos motoristas que trafegarão pela rodovia durante as obras. A orientação da Nova Rota é que os condutores reduzam a velocidade e respeitem as orientações e sinalizações empregadas no local.

Cronograma:

8h30 — Interdição total para implantação da sinalização da obra

09h — Liberação do tráfego em meia pista

16h30 — Interdição total para retirada da sinalização da obra

17h00 – Liberação total do tráfego

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Se precisar, chame a Nova Rota – Para obter informações em tempo real sobre condições de tráfego, intervenções na rodovia, condições climáticas, entre outras situações no trecho sob concessão da BR-163, entre em contato com a Concessionária Nova Rota do Oeste pelo 0800 065 0163, que também funciona no WhatsApp. A central de atendimento funciona 24 horas. Neste canal de comunicação, também podem ser acionados todos os serviços oferecidos pela Nova Rota aos motoristas que estão na rodovia, como atendimento operacional, socorro médico e mecânico.

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Mato Grosso

Pedido de julgamento do Cota Zero chega ao STF após conclusão de ineficácia da Lei em Mato Grosso

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Petição protocolada pelo Formad apresenta baixa cobertura a pescadores e graves impactos econômicos no estado

Parado no Supremo Tribunal Federal (STF), o julgamento da inconstitucionalidade do Cota Zero ganha novos argumentos em defesa da derrubada da Lei. Uma petição protocolada pelo Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (Formad), junto a outras organizações da sociedade civil, conclui que não há evidências técnico-científicas que demonstrem a recuperação dos estoques pesqueiros com a vigência do Cota Zero (Lei 12.434/24 e Lei 12.197/23). Também não houve comprovação por parte do Estado de Mato Grosso quanto à eficácia e melhoria das condições socioambientais nas regiões afetadas.

A petição é protocolada em uma data simbólica, 29 de junho – Dia Nacional do Pescador, e o documento chama a atenção para os severos impactos não só nas comunidades ribeirinhas em Mato Grosso, como em toda uma cadeia econômica e social que depende direta ou indiretamente da pesca artesanal. O pedido das organizações signatárias é que o relator das ações de inconstitucionalidade no STF, ministro André Mendonça, prossiga com a inclusão na pauta de julgamento do Plenário.

O objetivo é que o conjunto de documentos, relatórios técnicos, pareceres e manifestações de órgãos envolvidos seja apreciado pelos demais ministros para que haja uma decisão sobre a suspensão da Lei. O Formad está entre as organizações aceitas como amicus curiae nas ações de inconstitucionalidade no STF, representando entidades da sociedade civil, comunidades tradicionais e pesquisadores.

A primeira ação pela derrubada do Cota Zero no Supremo é de outubro de 2023 sem qualquer manifestação do ministro. Em seu último despacho, em janeiro de 2026, determinou ao Estado de Mato Grosso que apresentasse informações sobre a eficácia e efetividade da lei; os relatórios emitidos pelo Observatório da Pesca; e a situação atual dos pescadores em relação ao pagamento de auxílio e a flexibilização das espécies proibidas.

As informações fornecidas pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) e Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), além da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), foram analisadas pela petição protocolada pelo Formad.

Segundo o documento, sob a ótica da eficácia e da efetividade, a suspensão da atividade pesqueira não apresenta fundamentos técnicos e científicos idôneos que justifiquem a medida. Da parte dos órgãos estaduais não há dados que justifiquem os presumidos benefícios da Lei. Pela ALMT, o Observatório da Pesca não resultou em encaminhamentos sobre os impactos, além de ter contribuído com a revitimização dos pescadores, conforme analisado pelo Formad (Uma vergonha chamada Observatório da Pesca) na conclusão dos trabalhos do grupo, em 2024. 

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Não há qualquer nexo de causalidade entre a proibição e a recuperação dos estoques pesqueiros (…) Em contrapartida, os dados revelam um severo desequilíbrio regulatório e patente desproporcionalidade, enquanto o Estado priorizou a estruturação do turismo de pesca, negligenciou por completo os direitos constitucionais e a subsistência dos pescadores artesanais, bem como negligenciou a proteção ambiental“, destaca o documento.

Veja o quadro comparativo adaptado que analisou as respostas dadas pelos órgãos estaduais:

Documento

Eficácia e Efetividade

Situação dos Pescadores

Principais Conclusões

PGE-MT (conjunto das informações apresentadas ao STF)

Não há aumento dos estoques pesqueiros nem melhoria ambiental. As metas não foram demonstradas.

Mais de 80% dos pescadores sem cobertura das medidas compensatórias. Mais de 70% do território estadual não foi atendido pelo auxílio.

Política considerada ineficaz para os objetivos ambientais e com fortes impactos sociais e econômicos sobre comunidades pesqueiras.

SEDEC

Comprovou resultados apenas na estruturação do turismo de pesca. Não demonstrou benefícios ambientais ou recuperação dos estoques.

Não apresentou informações sobre perdas econômicas dos pescadores e municípios dependentes da pesca artesanal.

Houve priorização do turismo de pesca, sem avaliação dos impactos socioeconômicos da restrição pesqueira.

SETASC (REPESCA)

Não demonstrou que as medidas compensatórias foram suficientes para mitigar os impactos da legislação.

Apenas 19 pescadores foram atendidos em 2024 e 2.172 em 2025. Mais de 80% da categoria permaneceu excluída. Cursos de capacitação alcançaram apenas 35 beneficiários entre cerca de 16 mil famílias.

Cenário de insuficiência da política pública, exclusão social e barreiras burocráticas para acesso aos benefícios.

SEMA

Não comprovou que a proibição da pesca contribuiu para a recuperação dos estoques ou melhoria ambiental.

Reconhece impactos sobre pescadores, mas concentra ações em fiscalização e repressão.

Apresenta dados de fiscalização, porém sem evidências dos resultados ambientais que justificariam a restrição.

Observatório da Pesca (ALMT)

Não apresentou base técnico-científica suficiente para validar as restrições impostas.

Participação limitada das comunidades tradicionais e pescadores artesanais.

Governança considerada assimétrica, com baixa representação direta dos grupos afetados.

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Avanço no turismo só atende setor econômico favorável ao Cota Zero

Um dos apontamentos levantados pelas organizações é o desequilíbrio entre os investimentos realizados pelo Estado. Conforme a devolutiva da SEDEC, via Secretaria Adjunta de Turismo, dos projetos de incentivo apenas o de Estruturação do Turismo de Pesca em Mato Grosso encontra-se efetivamente em execução. Já as iniciativas voltadas à conservação ambiental permanecem como propostas. Entre elas estão os projetos “Piraíba”, “Dourado” e “Dourado – Avaliação de Estoque”, ainda sem implementação prática, o que revela que “a justificativa de proteger o meio ambiente não é verídica, como tampouco foi prioridade desde o advento da mudança legislativa na política estadual da pesca“.

Na última audiência pública em Cuiabá (MT) para debater os impactos do Cota Zero, representantes do setor turístico falaram abertamente sobre os lucros obtidos nos últimos anos com a legislação em vigência e o quanto vêm sendo beneficiados com a prática do “pesque e solte”, única atividade autorizada pelo Governo nos rios do estado.

Uma nota técnica do WWF Brasil, divulgada em abril deste ano, trouxe dados inéditos sobre a pesca na Bacia do Alto Paraguai, com destaque na ausência de comprovação a respeito da sobrepesca, conforme justificado pelo Executivo, autor do projeto proibitivo. O levantamento aponta que a atividade pesqueira movimenta cerca de R$889 milhões por ano, correspondente a 44% do PIB médio anual das cidades somente na região da BAP. Do total, a pesca profissional artesanal é responsável por R$102,7 milhões ao ano, sendo mais da metade (R$59 milhões) oriunda da venda do pescado. Enquanto o turismo de pesca, gera R$54,9 milhões por ano. O documento reforça a argumentação da petição do Formad e foi anexada ao processo. 

Paralelamente ao crescimento no turismo, a falta de cobertura das medidas compensatórias do Cota Zero é demonstrada com os dados apresentados pela Setasc, que com o REPESCA contabilizou o pagamento a pouco mais de 2,1 mil pescadores. Ao todo, Mato Grosso possui cerca de 16 mil. O que representa uma ausência de cobertura de mais de 80% dos pescadores artesanais.

Racismo ambiental e insegurança alimentar

Para além dos impactos econômicos, o Cota Zero é sinônimo de marginalização, insegurança alimentar e perda de direitos humanos. A petição inclui o debate sobre o conceito de racismo ambiental, ao argumentar que a Lei tem distribuído de forma desigual os custos de uma decisão política.

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Ao penalizar severamente a pesca artesanal e proibir o livre exercício de um modo de vida tradicional milenar, a política pública preserva e beneficia setores de maior poder econômico e menor vulnerabilidade social. Essa distorção revela um padrão de exclusão distributiva no qual a preservação ambiental é instrumentalizada à custa da identidade cultural, da liberdade de profissão e da dignidade humana de populações historicamente marginalizadas e que atuam reconhecidamente como guardiões do meio ambiente“, traz a petição.

E a exclusão social não para por aí, quando se analisa os dados fornecidos pela Setasc de que somente 35 pessoas foram beneficiadas com os cursos de capacitação oferecidos. Isto porque, acrescenta a petição, “a exigência de escolaridade mínima funcionou como a principal barreira burocrática para a ampliação do programa, ignorando a realidade sociocultural da categoria. A SETASC provou que excluiu aproximadamente 83% dos pescadores e exigiu escolaridade formal de quem é tradicional“.

O abandono compulsório da atividade pesqueira artesanal já é visto em algumas comunidades, descaracterizando populações historicamente presentes à beira dos rios de Mato Grosso e isso, aliado à notória insegurança alimentar vivenciada por milhares de famílias, compõe um cenário de exclusão social e altíssimo custo à dignidade humana.

Com o prazo concedido pelo STF já encerrado e sem apresentação de uma solução capaz de responder aos questionamentos levantados, a expectativa da sociedade civil é conquistar o andamento processual da pauta no Supremo. Um julgamento final do caso pode decidir mais do que a retomada de uma atividade profissional, mas por fim a um dos casos mais emblemáticos na disputa de interesses econômicos e privilégios a uma categoria já bastante beneficiada em Mato Grosso.

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Por Bruna Pinheiro / Formad

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Mato Grosso

Laudo afasta crime, mas incêndio em prédio da Prefeitura de VG segue cercado de perguntas

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A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) concluiu os levantamentos periciais e descartou a hipótese de incêndio criminoso no prédio da gerência de patrimônio e da Superintendência Operacional do Sistema Escolar da Prefeitura de Várzea Grande, ocorrido no dia 17/6.

Análises de vestígios coletados no local associada a evidências de registros de gravação de câmeras de segurança das redondezas e depoimento de testemunhas apontaram para causa acidental provocada por fenômeno termoelétrico na fiação localizada na parte superior da câmara fria de alimentos congelados pertencente ao anexo I da Secretaria Municipal de Educação de Várzea Grande, que seriam destinadas à alimentação dos alunos da rede municipal de educação. Os peritos realizaram vistoria externa e superior com a utilização de drones em todo o perímetro colapsado pelo incêndio.

No prédio, funcionava a parte logística da Secretaria onde eram armazenados de alimentos, materiais e equipamentos que seriam destinados às escolas do município.

Conforme o perito oficial criminal Augusto César de Figueiredo, os exames não permitiram identificar o que pode ter provocado o fenômeno termoelétrico, que segundo a literatura pericial pode estar relacionado à sobrecarga elétrica, curto-circuito, ou descarga elétrica contínua.

“Tudo iniciou-se com o fenômeno termoelétrico que ocorreu na parte superior da câmara fria de congelados, e se propagou para o prédio todo, para os dois sentidos do pavilhão. Na parte de trás da edificação, as chamas rapidamente tiveram contato com dois veículos, que estavam muito próximos a essa câmara, e que possuem uma carga térmica muito alta, causando facilmente a propagação para o fundo dessa estrutura metálica, e também por conta grande quantidade de material combustível que existia dentro prédio, o que ajudou a propagação e a grande monta dos danos e prejuízos causados pelo incêndio”, apontou o perito.

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Mediante o término das análises no local do incêndio, o prédio foi liberado pela perícia para a Polícia Civil. O laudo pericial com o detalhamento das análises será concluído em até 30 dias.

No laudo, constará toda a descrição do local e dos vestígios coletados e analisados em laboratório, o relato de depoimentos de testemunhas, as imagens registradas pelo sistema de monitoramento de câmeras que ajudaram a delimitar a dinâmica do incêndio, que explica onde o fogo teve início e como ele se propagou, além dos danos que ocorreram em todos os ambientes.

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