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Mato Grosso

Justiça social pressupõe igualdade e respeito à dignidade, afirma pioneira do círculo de paz

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Justiça social pressupõe bons relacionamentos e estar em um bom relacionamento requer igualdade de poder e não dominação. Este foi o conceito apresentado pela professora, escritora e pioneira do círculo de construção de paz, Kay Pranis, durante workshop, realizado na sede do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), na manhã de quinta-feira (21), reunindo magistrados, servidores, advogados e demais servidores públicos envolvidos no programa de pacificação social desenvolvido pelo Judiciário.
 
Ao abordar os requisitos que ela entende como fundamentais para alcançar a justiça e a pacificação social, Kay Pranis defendeu que bons relacionamentos requerem que o poder esteja distribuído de maneira relativamente igual no tempo e no espaço e que todos sejam respeitados em sua dignidade. “A paz não é possível se alguém é considerado menos que. Se nós consideramos alguém menos que, isso não é paz e nem justiça. A construção de paz requer que nós engajemos o ser humano em sua completude”, disse.
 
A pioneira do círculo de construção de paz defendeu ainda que a construção da paz está enraizada em uma compreensão de interconexão entre as pessoas, necessitando começar a partir de cada um e dependendo também de um equilíbrio entre as necessidades e as responsabilidades individuais e coletivas. “A paz requer que os indivíduos prestem atenção no impacto que eles causam no indivíduo e que o coletivo preste atenção no seu impacto sobre o indivíduo”.
 
Círculo de paz como ferramenta de pacificação social – Após explanar sobre o que entende ser fundamental no processo de pacificação social, Kay Pranis refletiu sobre como o círculo de construção de paz se insere nesse contexto. “O processo circular, adequadamente aplicado, redistribui o poder. Um bom relacionamento é um relacionamento de igualdade e de não dominação, particularmente em relação ao poder. Justiça social requer que o poder não se concentre em nenhum lugar específico. O círculo movimenta esse poder, mais notavelmente se nós consideramos o objeto do uso da palavra, que convida toda e cada voz e oferece espaço para cada voz”, disse, reforçando que o ato de falar em círculo demonstra que nenhuma voz é mais importante do que qualquer outra.
 
Kay Pranis reforçou que a justiça social pressupõe que todos tenham a sua dignidade respeitada, até mesmo aqueles que cometeram danos a outras pessoas. “Se não for assim, uma forma de opressão será substituída por outra forma de opressão. Então, um dos maiores desafios na construção de paz é que cada um tenha a sua dignidade respeitada porque isso requer que nós respeitemos a dignidade de pessoas que causaram danos muito sérios e que talvez não estejam sendo capazes de reconhecer o dano que causaram. Respeitar a dignidade de cada um não desculpa o mau comportamento, que trouxe dano. Nós estamos frente a frente com o paradoxo de tentar respeitar a dignidade de cada um ao mesmo tempo em que nós estamos engajados para trazer a verdade profunda sobre o impacto desse comportamento”, disse.
 
Em relação a este paradoxo, Kay Pranis afirmou que a justiça social se inicia com a contação de verdades sobre a realidade presente, que está enraizada no passado e defendeu uma postura de menos julgamentos para alcançar uma real mudança de comportamento social. “Nós precisamos de espaços de não condenação a fim de mudar os comportamentos, para que possamos criar um futuro diferente. E o círculo é este espaço. Nós vivemos num paradigma cultural que se foca fortemente na condenação para fazer com que as pessoas mudem e façam a coisa certa. Nós criticamos as pessoas, dizemos que elas são más, nós as ridicularizamos, nós as ameaçamos com consequências fortes, dizemos que elas são fracassadas, dizemos a elas que elas não são dignas, que elas não têm o nosso respeito, nós as humilhamos”, apontou Pranis.
 
Conforme a especialista em Justiça Restaurativa, essas são estratégias de condenação e elas não são eficientes para se construir a paz. “Essas estratégias têm suas raízes numa energia negativa e numa visão negativa do potencial humano. Entretanto, elas são a forma de resposta predominante em relação ao dano na nossa sociedade. O círculo [de construção de paz], se conduzido de maneira ideal, é um espaço de não condenação. É um espaço em que a dignidade de todos é respeitada, é um espaço em que cada voz é honrada e valorizada, é um espaço que busca descobrir os dons que cada pessoa traz”.
 
Por outro lado, a profissional norte-americana, que é referência mundial em círculos de construção de paz, ponderou que não se deve esperar que as vítimas do mal sofrido participem desse processo, pois é algo que deve ser trabalhado pelo coletivo, o que pode-se entender como papel do Estado e da sociedade. “Nós não pedimos para aqueles que sofreram o dano para se colocar no espaço de não condenação. É responsabilidade da estrutura social maior, da comunidade ou da sociedade criar esse espaço de não condenação para aqueles que causam o dano”, explica.
 
Espaço de escuta e de fala respeitosa e espontânea – Questionada a respeito do receio que muitas pessoas sentem em participar do círculo de construção de paz, por ser um espaço em que os indivíduos falam sobre si mesmos e, por isso, acabam se expondo, Kay Pranis explicou que todos aqueles que são convidados a passar por essa experiência coletiva devem ter em mente que elas têm total liberdade para escolher se irão falar ou não e que informações irão compartilhar.
 
“A coisa mais importante para comunicar às pessoas quando são convidadas a participar de um círculo é que elas têm completa escolha sobre o que elas vão falar e nós usamos o objeto da palavra. Cada participante pode escolher se quer se manifestar verbalmente ou não e, respeitosamente, passar o objeto para a pessoa seguinte”, diz. O objeto da fala citado por Kay Pranis é um objeto que serve para organizar o círculo. Somente quem segura esse objeto pode falar, enquanto as demais ouvem, sem julgamentos e interrupções.
 
Além disso, Kay Pranis ressalta que apesar do receio de algumas pessoas em falar, ela observa que a maioria gostaria de ser ouvida e compreendida. “O medo dessas pessoas é que quando elas compartilhem uma ideia, que as outras pessoas vão julgá-la e não vão entender aquilo que ela está trazendo. Então, pelo uso do objeto da palavra, elas não precisam se preocupar com isso, pois elas não serão interrompidas até que elas compartilhem tudo o que elas querem compartilhar e as pessoas vão estar escutando. O círculo promove a escuta atenta e profunda, mesmo com pessoas que não estão habituadas a fazer isso”, desmistifica.
 
Círculo de construção de paz – É um processo estruturado para organizar a comunicação em grupo, a construção de relacionamentos, a tomada de decisões e resolução de conflitos de forma eficiente. É um método da Justiça Restaurativa, que por sua vez, é um processo colaborativo e pacífico que visa solucionar conflitos e tensões sociais ocorridas junto à comunidade, resultantes de violências, crimes ou infrações.
 
A proposta da Justiça Restaurativa é dar autonomia ao cidadão, grupos representativos e sociedade em geral para que eles resolvam seus próprios problemas, fazendo prevalecer o diálogo, a reparação do dano e a reconstrução das relações sociais rompidas por conflitos e suas consequências.
 
No âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, o Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur) é responsável pela capacitação de facilitadores. Em seis anos de atuação, o NugJur realizou, até agosto deste ano, mais de 60 cursos, quase 1.900 círculos de construção de paz, que já contemplaram mais de 20 mil participantes. Somente neste ano, foram realizados quase 500 círculos de construção de paz nas escolas, atingindo mais de 4,5 mil estudantes.
 
Além disso, o NugJur teve importante papel na sensibilização de gestores públicos para a criação de leis municipais que instituem a Justiça Restaurativa como política pública em 11 municípios. São eles: Campo Verde, Nova Brasilândia, Planalto da Serra, Chapada dos Guimarães, Primavera do Leste, Alto Garças, Campo Novo do Parecis, Sorriso, Pontal do Araguaia, Sinop e Tangará da Serra.
 
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ParaTodosVerem: Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência. Foto 1: Kay Pranis sorrindo. Ela é uma mulher idosa, de pele e cabelos brancos, usando camisa preta com bordado de flores coloridas e óculos de grau. Foto 2: Kay Pranis e um servidor do Tribunal agachados no chão e sorrindo. Ela tem na mão um ursinho de pelúcia marrom, que é o objeto da fala utilizado em um círculo de construção de paz. Foto 3: Círculo de construção de paz em uma escola. Os adolescentes e a facilitadora estão sentados em círculo. Na foto, somente as pernas das pessoas aparecem na borda da imagem. Ao centro, no chão, estão objetos com urso de pelúcia, livros, carrinho e demais brinquedos, vaso com flores, garrafas com água, papéis com palavras como amizade, humildade, verdade, amor, entre outros atributos escritos e plaquinhas com desenhos de animais diversos. São objetos utilizados na metodologia.
 
Celly Silva/Fotos: Lucas Figueiredo/Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Mato Grosso

Serra de São Vicente será parcialmente interditada para manutenção e implantação de iluminação

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Alteração no tráfego ocorrerá entre terça e quarta-feira, das 8h30 às 17h

Foto- Assessoria

A Nova Rota do Oeste alerta aos motoristas para uma alteração temporária no tráfego da Serra de São Vicente na terça e quarta-feira (30/06 e 01/07), das 8h30 às 17h, no sentido Rondonópolis/Cuiabá. A mudança pretende permitir que as equipes da Concessionária realizem obras de implantação de sistema de iluminação, além de serviços de limpeza da vegetação às margens da pista, manutenção dos sistemas de drenagem e obras no pavimento da rodovia.

Em caso de condições climáticas inadequadas para a execução dos trabalhos, como a formação de neblina, os serviços poderão ser cancelados e reprogramados. A implantação do sistema de iluminação, as melhorias na pista e na drenagem, integram as ações voltadas ao reforço da segurança viária e à melhoria das condições de trafegabilidade na região.

A alteração no tráfego visa garantir a segurança dos profissionais envolvidos nos serviços, bem como dos motoristas que trafegarão pela rodovia durante as obras. A orientação da Nova Rota é que os condutores reduzam a velocidade e respeitem as orientações e sinalizações empregadas no local.

Cronograma:

8h30 — Interdição total para implantação da sinalização da obra

09h — Liberação do tráfego em meia pista

16h30 — Interdição total para retirada da sinalização da obra

17h00 – Liberação total do tráfego

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Se precisar, chame a Nova Rota – Para obter informações em tempo real sobre condições de tráfego, intervenções na rodovia, condições climáticas, entre outras situações no trecho sob concessão da BR-163, entre em contato com a Concessionária Nova Rota do Oeste pelo 0800 065 0163, que também funciona no WhatsApp. A central de atendimento funciona 24 horas. Neste canal de comunicação, também podem ser acionados todos os serviços oferecidos pela Nova Rota aos motoristas que estão na rodovia, como atendimento operacional, socorro médico e mecânico.

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Mato Grosso

Pedido de julgamento do Cota Zero chega ao STF após conclusão de ineficácia da Lei em Mato Grosso

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Petição protocolada pelo Formad apresenta baixa cobertura a pescadores e graves impactos econômicos no estado

Parado no Supremo Tribunal Federal (STF), o julgamento da inconstitucionalidade do Cota Zero ganha novos argumentos em defesa da derrubada da Lei. Uma petição protocolada pelo Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (Formad), junto a outras organizações da sociedade civil, conclui que não há evidências técnico-científicas que demonstrem a recuperação dos estoques pesqueiros com a vigência do Cota Zero (Lei 12.434/24 e Lei 12.197/23). Também não houve comprovação por parte do Estado de Mato Grosso quanto à eficácia e melhoria das condições socioambientais nas regiões afetadas.

A petição é protocolada em uma data simbólica, 29 de junho – Dia Nacional do Pescador, e o documento chama a atenção para os severos impactos não só nas comunidades ribeirinhas em Mato Grosso, como em toda uma cadeia econômica e social que depende direta ou indiretamente da pesca artesanal. O pedido das organizações signatárias é que o relator das ações de inconstitucionalidade no STF, ministro André Mendonça, prossiga com a inclusão na pauta de julgamento do Plenário.

O objetivo é que o conjunto de documentos, relatórios técnicos, pareceres e manifestações de órgãos envolvidos seja apreciado pelos demais ministros para que haja uma decisão sobre a suspensão da Lei. O Formad está entre as organizações aceitas como amicus curiae nas ações de inconstitucionalidade no STF, representando entidades da sociedade civil, comunidades tradicionais e pesquisadores.

A primeira ação pela derrubada do Cota Zero no Supremo é de outubro de 2023 sem qualquer manifestação do ministro. Em seu último despacho, em janeiro de 2026, determinou ao Estado de Mato Grosso que apresentasse informações sobre a eficácia e efetividade da lei; os relatórios emitidos pelo Observatório da Pesca; e a situação atual dos pescadores em relação ao pagamento de auxílio e a flexibilização das espécies proibidas.

As informações fornecidas pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) e Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), além da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), foram analisadas pela petição protocolada pelo Formad.

Segundo o documento, sob a ótica da eficácia e da efetividade, a suspensão da atividade pesqueira não apresenta fundamentos técnicos e científicos idôneos que justifiquem a medida. Da parte dos órgãos estaduais não há dados que justifiquem os presumidos benefícios da Lei. Pela ALMT, o Observatório da Pesca não resultou em encaminhamentos sobre os impactos, além de ter contribuído com a revitimização dos pescadores, conforme analisado pelo Formad (Uma vergonha chamada Observatório da Pesca) na conclusão dos trabalhos do grupo, em 2024. 

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Não há qualquer nexo de causalidade entre a proibição e a recuperação dos estoques pesqueiros (…) Em contrapartida, os dados revelam um severo desequilíbrio regulatório e patente desproporcionalidade, enquanto o Estado priorizou a estruturação do turismo de pesca, negligenciou por completo os direitos constitucionais e a subsistência dos pescadores artesanais, bem como negligenciou a proteção ambiental“, destaca o documento.

Veja o quadro comparativo adaptado que analisou as respostas dadas pelos órgãos estaduais:

Documento

Eficácia e Efetividade

Situação dos Pescadores

Principais Conclusões

PGE-MT (conjunto das informações apresentadas ao STF)

Não há aumento dos estoques pesqueiros nem melhoria ambiental. As metas não foram demonstradas.

Mais de 80% dos pescadores sem cobertura das medidas compensatórias. Mais de 70% do território estadual não foi atendido pelo auxílio.

Política considerada ineficaz para os objetivos ambientais e com fortes impactos sociais e econômicos sobre comunidades pesqueiras.

SEDEC

Comprovou resultados apenas na estruturação do turismo de pesca. Não demonstrou benefícios ambientais ou recuperação dos estoques.

Não apresentou informações sobre perdas econômicas dos pescadores e municípios dependentes da pesca artesanal.

Houve priorização do turismo de pesca, sem avaliação dos impactos socioeconômicos da restrição pesqueira.

SETASC (REPESCA)

Não demonstrou que as medidas compensatórias foram suficientes para mitigar os impactos da legislação.

Apenas 19 pescadores foram atendidos em 2024 e 2.172 em 2025. Mais de 80% da categoria permaneceu excluída. Cursos de capacitação alcançaram apenas 35 beneficiários entre cerca de 16 mil famílias.

Cenário de insuficiência da política pública, exclusão social e barreiras burocráticas para acesso aos benefícios.

SEMA

Não comprovou que a proibição da pesca contribuiu para a recuperação dos estoques ou melhoria ambiental.

Reconhece impactos sobre pescadores, mas concentra ações em fiscalização e repressão.

Apresenta dados de fiscalização, porém sem evidências dos resultados ambientais que justificariam a restrição.

Observatório da Pesca (ALMT)

Não apresentou base técnico-científica suficiente para validar as restrições impostas.

Participação limitada das comunidades tradicionais e pescadores artesanais.

Governança considerada assimétrica, com baixa representação direta dos grupos afetados.

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Avanço no turismo só atende setor econômico favorável ao Cota Zero

Um dos apontamentos levantados pelas organizações é o desequilíbrio entre os investimentos realizados pelo Estado. Conforme a devolutiva da SEDEC, via Secretaria Adjunta de Turismo, dos projetos de incentivo apenas o de Estruturação do Turismo de Pesca em Mato Grosso encontra-se efetivamente em execução. Já as iniciativas voltadas à conservação ambiental permanecem como propostas. Entre elas estão os projetos “Piraíba”, “Dourado” e “Dourado – Avaliação de Estoque”, ainda sem implementação prática, o que revela que “a justificativa de proteger o meio ambiente não é verídica, como tampouco foi prioridade desde o advento da mudança legislativa na política estadual da pesca“.

Na última audiência pública em Cuiabá (MT) para debater os impactos do Cota Zero, representantes do setor turístico falaram abertamente sobre os lucros obtidos nos últimos anos com a legislação em vigência e o quanto vêm sendo beneficiados com a prática do “pesque e solte”, única atividade autorizada pelo Governo nos rios do estado.

Uma nota técnica do WWF Brasil, divulgada em abril deste ano, trouxe dados inéditos sobre a pesca na Bacia do Alto Paraguai, com destaque na ausência de comprovação a respeito da sobrepesca, conforme justificado pelo Executivo, autor do projeto proibitivo. O levantamento aponta que a atividade pesqueira movimenta cerca de R$889 milhões por ano, correspondente a 44% do PIB médio anual das cidades somente na região da BAP. Do total, a pesca profissional artesanal é responsável por R$102,7 milhões ao ano, sendo mais da metade (R$59 milhões) oriunda da venda do pescado. Enquanto o turismo de pesca, gera R$54,9 milhões por ano. O documento reforça a argumentação da petição do Formad e foi anexada ao processo. 

Paralelamente ao crescimento no turismo, a falta de cobertura das medidas compensatórias do Cota Zero é demonstrada com os dados apresentados pela Setasc, que com o REPESCA contabilizou o pagamento a pouco mais de 2,1 mil pescadores. Ao todo, Mato Grosso possui cerca de 16 mil. O que representa uma ausência de cobertura de mais de 80% dos pescadores artesanais.

Racismo ambiental e insegurança alimentar

Para além dos impactos econômicos, o Cota Zero é sinônimo de marginalização, insegurança alimentar e perda de direitos humanos. A petição inclui o debate sobre o conceito de racismo ambiental, ao argumentar que a Lei tem distribuído de forma desigual os custos de uma decisão política.

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Ao penalizar severamente a pesca artesanal e proibir o livre exercício de um modo de vida tradicional milenar, a política pública preserva e beneficia setores de maior poder econômico e menor vulnerabilidade social. Essa distorção revela um padrão de exclusão distributiva no qual a preservação ambiental é instrumentalizada à custa da identidade cultural, da liberdade de profissão e da dignidade humana de populações historicamente marginalizadas e que atuam reconhecidamente como guardiões do meio ambiente“, traz a petição.

E a exclusão social não para por aí, quando se analisa os dados fornecidos pela Setasc de que somente 35 pessoas foram beneficiadas com os cursos de capacitação oferecidos. Isto porque, acrescenta a petição, “a exigência de escolaridade mínima funcionou como a principal barreira burocrática para a ampliação do programa, ignorando a realidade sociocultural da categoria. A SETASC provou que excluiu aproximadamente 83% dos pescadores e exigiu escolaridade formal de quem é tradicional“.

O abandono compulsório da atividade pesqueira artesanal já é visto em algumas comunidades, descaracterizando populações historicamente presentes à beira dos rios de Mato Grosso e isso, aliado à notória insegurança alimentar vivenciada por milhares de famílias, compõe um cenário de exclusão social e altíssimo custo à dignidade humana.

Com o prazo concedido pelo STF já encerrado e sem apresentação de uma solução capaz de responder aos questionamentos levantados, a expectativa da sociedade civil é conquistar o andamento processual da pauta no Supremo. Um julgamento final do caso pode decidir mais do que a retomada de uma atividade profissional, mas por fim a um dos casos mais emblemáticos na disputa de interesses econômicos e privilégios a uma categoria já bastante beneficiada em Mato Grosso.

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Por Bruna Pinheiro / Formad

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Mato Grosso

Laudo afasta crime, mas incêndio em prédio da Prefeitura de VG segue cercado de perguntas

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A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) concluiu os levantamentos periciais e descartou a hipótese de incêndio criminoso no prédio da gerência de patrimônio e da Superintendência Operacional do Sistema Escolar da Prefeitura de Várzea Grande, ocorrido no dia 17/6.

Análises de vestígios coletados no local associada a evidências de registros de gravação de câmeras de segurança das redondezas e depoimento de testemunhas apontaram para causa acidental provocada por fenômeno termoelétrico na fiação localizada na parte superior da câmara fria de alimentos congelados pertencente ao anexo I da Secretaria Municipal de Educação de Várzea Grande, que seriam destinadas à alimentação dos alunos da rede municipal de educação. Os peritos realizaram vistoria externa e superior com a utilização de drones em todo o perímetro colapsado pelo incêndio.

No prédio, funcionava a parte logística da Secretaria onde eram armazenados de alimentos, materiais e equipamentos que seriam destinados às escolas do município.

Conforme o perito oficial criminal Augusto César de Figueiredo, os exames não permitiram identificar o que pode ter provocado o fenômeno termoelétrico, que segundo a literatura pericial pode estar relacionado à sobrecarga elétrica, curto-circuito, ou descarga elétrica contínua.

“Tudo iniciou-se com o fenômeno termoelétrico que ocorreu na parte superior da câmara fria de congelados, e se propagou para o prédio todo, para os dois sentidos do pavilhão. Na parte de trás da edificação, as chamas rapidamente tiveram contato com dois veículos, que estavam muito próximos a essa câmara, e que possuem uma carga térmica muito alta, causando facilmente a propagação para o fundo dessa estrutura metálica, e também por conta grande quantidade de material combustível que existia dentro prédio, o que ajudou a propagação e a grande monta dos danos e prejuízos causados pelo incêndio”, apontou o perito.

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Mediante o término das análises no local do incêndio, o prédio foi liberado pela perícia para a Polícia Civil. O laudo pericial com o detalhamento das análises será concluído em até 30 dias.

No laudo, constará toda a descrição do local e dos vestígios coletados e analisados em laboratório, o relato de depoimentos de testemunhas, as imagens registradas pelo sistema de monitoramento de câmeras que ajudaram a delimitar a dinâmica do incêndio, que explica onde o fogo teve início e como ele se propagou, além dos danos que ocorreram em todos os ambientes.

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