Mato Grosso
Novo Diretor da Acadepol tem missão de reestruturar a unidade de ensino da Polícia Civil
No dia 11 de fevereiro, os 15 delegados empossados em dezembro passado iniciam o curso de formação técnico-profissional, na Academia da Polícia Judiciária Civil. A capacitação, que irá preparar os delegados para assumirem delegacias, é a primeira da gestão do delegado Welber Batista Franco, nomeado diretor da Academia da Polícia (Acadepol) pelo delegado geral, Mário Dermeval Aravéchia de Resende.
O curso tem a previsão de durar cinco meses e dele também participam mais três delegados, que tiveram nomeações ocorridas no período de 2017/2018 e aguardavam para finalizar a capacitação trabalhando em delegacias do interior.
O novo diretor da Acadepol tem experiência de mais de 20 anos na função de delegado de policial. Foi delegado no Estado de Pernambuco, até que em 2001 passou no concurso público para delegado em Mato Grosso. De lá para cá atuou em Juara, Porto dos Gaúchos, São José dos Quatro Marcos, Ribeirão Cascalheira, Canarana, Água Boa, Porto Alegre do Norte, Confresa, Vila Rica, Alto Araguaia, Rondonópolis, São José do Rio Claro e por último foi delegado regional de Água Boa, de onde deixou o cargo após 5 anos e 6 meses, para assumir a diretoria da Academia de Polícia.
Como principal missão recebeu a incumbência de buscar a restruturação do espaço físico da academia, para que possa ser melhor aproveitado em cursos e atividades oficiais, como eventos da instituição.
“Precisamos revitalizar de forma completa o prédio, priorizando a rede elétrica e hidráulica, e vamos implementar periodicamente cursos de aperfeiçoamento que também foram recomendados pelo delegado geral. De imediato estamos realizando limpeza da área externa e manutenção no estante de tiros que será usado pelos novos alunos delegados”, disse Welber.
O delegado Welber Batista Franco também deverá buscar reforço no corpo técnico para que haja expansão das capacitações, cursos de aprimoramento profissional e intercâmbios com outras polícias da federação, entre outros projetos previstos para a unidade de ensino.
Para ele, sair da atividade fim para a área educacional representa “aprendizado e início de uma nova missão”, para qual está de “espírito aberto para também apreender”, explica.
O diretor da Acadepol também ressaltou a receptividade dos colegas em ministrar aulas sem remuneração, nesse período de recuperação econômica do Estado. “Demonstrando compromisso com a instituição”, afirma.
O delegado Bruno Lima Barcellos, será o adjunto da Acadepol, trabalhando no gerenciamento e supervisionamento de todas as capacitações e treinamentos da PJC.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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