Rondonópolis
TRE-MT vê exploração eleitoral da vulnerabilidade de crianças e manda Alessandra retirar vídeo de campanha
Juiz afirma que propaganda ultrapassou o limite ao associar imagens de crianças acolhidas a relatos sobre abandono, violência, família e condições de saúde; candidata terá 24 horas para retirar publicação

O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) determinou a retirada, no prazo de 24 horas, de uma propaganda eleitoral publicada no Instagram da candidata Alessandra Ferreira Cróco de Souza, após representação apresentada pelo candidato José Carlos Junqueira de Araújo.
A decisão liminar foi assinada em 25 de setembro pelo juiz auxiliar da propaganda, Flávio Fraga e Silva, no processo nº 0601548-88.2026.6.11.0000. A ação questionou um vídeo publicado pela candidata, que havia sido secretária municipal de Promoção e Assistência Social de Rondonópolis. 0601548-88.2026.6.11.0000.pdf
Segundo o magistrado, o problema não estaria simplesmente em a candidata apresentar sua trajetória na Assistência Social ou falar sobre a Casa Abrigo. O entendimento é de que a propaganda teria ultrapassado esse limite ao utilizar imagens de crianças acolhidas juntamente com informações sobre situações pessoais, familiares e condições de saúde.
Na avaliação apresentada na decisão, as crianças não apareciam apenas como imagens secundárias. Elas foram utilizadas em conjunto com a narrativa da campanha e com legendas que faziam referência, por exemplo, à idade e à situação familiar dos acolhidos. O juiz considerou que essa vulnerabilidade passou a exercer uma função concreta na mensagem destinada à obtenção de votos. 0601548-88.2026.6.11.0000.pdf
O despacho também ressalta que o fato de os rostos das crianças não estarem diretamente expostos e de as imagens terem sido apresentadas em preto e branco não afastaria a proteção da intimidade e da vida privada prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente. 0601548-88.2026.6.11.0000.pdf
A decisão deixa claro que não proibiu Alessandra de falar sobre sua atuação na área social. O juiz afirmou que a candidata pode divulgar sua trajetória, sua experiência na Assistência Social, a importância da Casa Abrigo e suas propostas para a infância.
A restrição determinada neste processo diz respeito especificamente ao uso das imagens das crianças associado à exposição de suas circunstâncias pessoais, familiares e clínicas. 0601548-88.2026.6.11.0000.pdf
O magistrado também diferenciou essa ação de outro processo envolvendo o mesmo vídeo. Na representação anterior, a discussão estava relacionada à possível utilização de bem público em benefício eleitoral. Nesta nova ação, o foco passou a ser a forma como crianças em acolhimento institucional e informações sobre suas vidas foram incorporadas à propaganda. 0601548-88.2026.6.11.0000.pdf
Na liminar, o TRE determinou que Alessandra remova a publicação em até 24 horas após a intimação, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.
Também ficou determinado que ela não poderá republicar o mesmo conteúdo, ou versão substancialmente idêntica, utilizando imagens das crianças associadas às narrativas sobre abandono, violência, situação familiar, negligência ou condições de saúde. Nesse caso, a multa prevista é de R$ 5 mil por publicação. 0601548-88.2026.6.11.0000.pdf
A decisão é liminar, tomada em cognição sumária. O processo ainda terá defesa da representada e manifestação da Procuradoria Regional Eleitoral antes da análise definitiva. 0601548-88.2026.6.11.0000.pdf
Rondonópolis
Cláudio Ferreira defende fortalecimento da Santa Casa em vez de novo Hospital Regional em Rondonópolis

Cláudio Ferreira | Foto: Ednilson Aguiar
Durante entrevista à Rádio 105 FM no inicio da tarde desta quarta-feira (23) o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira, afirmou que a principal necessidade da saúde regional, neste momento, não seria a construção de uma nova estrutura hospitalar, mas o fortalecimento do custeio e dos serviços já existentes.
Segundo o prefeito, a discussão sobre um novo Hospital Regional envolve não apenas a construção do prédio, mas principalmente a capacidade financeira para manter médicos, enfermeiros, equipamentos, cirurgias e procedimentos de alta complexidade.
“O que nós tínhamos de demanda hoje é o custeio. Você vai pagar uma cirurgia, e uma cirurgia fica 30, 40, 50, 100 mil reais. Cirurgia até de 300 mil reais. Então não é o centro cirúrgico. Muitas vezes, a cirurgia em si é mais cara que o centro cirúrgico.”, afirmou Cláudio Ferreira durante a entrevista.
A declaração ocorre após o Governo de Mato Grosso ampliar significativamente a contratualização com a Santa Casa de Rondonópolis. O acordo anunciado em maio de 2026 elevou o contrato anual da unidade de R$ 94 milhões para R$ 268 milhões, com previsão de aproximadamente 300 mil procedimentos por ano e ampliação de serviços.
Na entrevista, Cláudio também avaliou que existe um planejamento do Governo do Estado para um eventual novo Hospital Regional e criticou a antecipação de discursos políticos sobre quem poderia reivindicar a autoria de uma futura obra.
“Eu acredito que o Governo do Estado tem um plano, um projeto de fazer um novo hospital regional aqui. E aí, como alguns políticos sabem que o Governo do Estado tem essa estratégia, ficam antecipando para, quando o Governo do Estado tomar a decisão de fazer, falar: ‘Fui eu que cobrei’. Mentira!”, declarou.
O posicionamento do prefeito coloca a Santa Casa como principal estrutura hospitalar para absorver, no curto prazo, a demanda regional, enquanto uma eventual construção de um novo Hospital Regional dependeria de planejamento e, principalmente, da garantia de recursos para seu funcionamento.
O próprio governador Otaviano Pivetta, ao anunciar o novo contrato, afirmou que, na prática, a ampliação da Santa Casa representa a abertura de um novo Hospital Regional, justamente pelo aumento da capacidade de atendimento.
Esportes
5ª Corrida Unimed Rondonópolis acontece no próximo domingo
A prova vai reunir 400 atletas e promete movimentar as principais ruas da cidade com esporte, saúde e ação solidária

A 5ª edição da Corrida Unimed Rondonópolis acontece neste domingo (27/09), com largada às 6h30. Ao todo, 400 atletas garantiram presença para percorrer os 6 km de prova, consolidando o evento como o maior festival de saúde, energia e superação da região.
Além de incentivar a prática esportiva e reunir famílias, a competição possui um importante caráter social. Para fazer a retirada do material de prova, os participantes deverão doar um quilo de alimento não perecível, promovendo uma grande corrente de solidariedade na comunidade.
As inscrições da prova estão encerradas e a retirada dos kits será realizada exclusivamente no sábado, 26 de setembro, das 8h às 14h, na sede da Unimed Rondonópolis (Rua Rio Branco, nº 933).
O kit do atleta é composto por: Camiseta do evento, sacochila, número de peito, squeeze, viseira e suplemento alimentar em gel.
A largada será no domingo, 27 de setembro, às 06h30, em frente à Farmácia Unimed Rondonópolis. O percurso de 6 km passará pelas principais vias do município e ao final da prova, os participantes que concluírem o percurso de forma regular receberão medalha de participação. Também haverá premiação com troféus para os primeiros colocados nas categorias geral e por faixa etária, conforme os critérios estabelecidos no regulamento da competição.
A 5ª Corrida Unimed Rondonópolis reforça a importância da prática de atividades físicas e proporciona um momento de integração entre participantes, comunidade e organização, em uma manhã dedicada ao esporte e à qualidade de vida.
Política MT
Após ação do AGIR, candidatura de Alessandra segue de pé e caso será analisado pelo TRE-MT
Pedido de cassação foi apresentado pelo partido, mas juiz plantonista não identificou urgência para afastamento ou decisão imediata

A candidatura de Alessandra Ferreira Cróco de Souza (Podemos) segue de pé após o AGIR ingressar com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), na qual pede a cassação do registro da candidata a deputada estadual.
A legenda também solicitou o afastamento cautelar do prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira, pelo prazo de 90 dias, alegando suposto abuso de poder político e econômico e utilização da estrutura da Prefeitura em benefício da candidatura de Alessandra.
Pedido de urgência não foi acolhido
A ação chegou ao TRE-MT durante o fim de semana e foi analisada pelo juiz plantonista Jean Garcia de Freitas Bezerra. O magistrado entendeu que não havia situação concreta e imediata que justificasse a análise dos pedidos durante o plantão.
Na decisão, segundo a reportagem baseada nos autos, o juiz considerou que os fatos apresentados pelo AGIR abrangem um período extenso e que a análise das alegações exige exame detalhado de documentos e provas. Também não foram identificados, naquele momento, elementos que demonstrassem risco concreto de destruição de provas, coação de testemunhas ou interferência na investigação que justificasse o afastamento imediato do prefeito.
Com isso, não houve cassação do registro de Alessandra nem afastamento de Cláudio Ferreira no pedido de urgência. O processo foi encaminhado ao Corregedor Regional Eleitoral, responsável pela tramitação da ação.
AGIR aponta suposto uso da estrutura pública
Na AIJE, o AGIR sustenta que teria ocorrido utilização da estrutura administrativa municipal, eventos, serviços públicos, benefícios e canais oficiais de comunicação para ampliar a exposição eleitoral de Alessandra.
Entre os episódios citados pelo partido estão a 52ª Exposul, que recebeu R$ 2 milhões em recursos municipais; a Copa Integração, contemplada com aproximadamente R$ 1,048 milhão; a distribuição de picolés durante o desfile de 7 de Setembro; e o 10º Caveiras Moto Festival. A legenda também menciona outros atos e divulgações relacionados à administração municipal.
O AGIR pede, ao final do processo, a cassação do registro da candidatura de Alessandra. Também solicita restrições para que a candidata não associe sua imagem a obras, programas, serviços e eventos da Prefeitura.
Decisão ainda não encerra o caso
A decisão tomada no plantão não representa julgamento sobre a procedência ou improcedência das acusações. O magistrado apenas entendeu que não estavam presentes os requisitos para uma intervenção urgente durante o plantão judicial.
Agora, a ação seguirá o trâmite regular da Justiça Eleitoral, com análise das alegações, documentos e demais provas apresentadas pelas partes.
Assim, até o momento, Alessandra permanece candidata e não teve o registro cassado. O pedido apresentado pelo AGIR ainda será analisado no curso da ação eleitoral.
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