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RGA de 1,14% e o Troco Institucional: Quando o Governo decide Enquadrar quem Pressiona

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Carmen Machado

 A tramitação do Projeto de Lei Complementar nº 1/2026, encaminhado pelo Governo do Estado de Mato Grosso, não pode ser analisada como um simples ajuste administrativo ou correção técnica da legislação vigente. O momento político em que o projeto emerge, bem como seu conteúdo, revelam uma reação clara e organizada do aparato estatal diante da crescente pressão exercida pelo movimento sindical.

Não é coincidência que o PLC nº 1/2026 surja logo após a intensa mobilização das entidades representativas dos servidores públicos em defesa da Revisão Geral Anual (RGA)e no dia de sua votação. Uma pressão legítima, pública e amplamente justificada, que culminou na aprovação de um índice de apenas 1,14%, valor infinitamente inferior às expectativas da categoria e incapaz de recompor as perdas inflacionárias acumuladas ao longo dos últimos anos. A frustração dos servidores foi evidente e o incômodo do governo também.

É nesse contexto que o PLC nº 1/2026 deve ser compreendido: não como uma iniciativa neutra, mas como parte de um movimento de contenção política diante de um sindicalismo ativo, organizado e disposto a tensionar o discurso oficial de responsabilidade fiscal e orçamentária.

Sob o argumento sedutor da “eficiência administrativa”, o projeto impõe limites diretos à atuação sindical ao restringir a licença remunerada de dirigentes sindicais a apenas dois mandatos consecutivos. A partir desse marco arbitrário, o servidor eleito por sua categoria passa a enfrentar uma escolha perversa: retornar compulsoriamente às suas funções de origem ou exercer o mandato sindical de forma não remunerada, ou de forma “parcelada ” com a “autorização de sua chefia imediata” . Na prática, institucionaliza-se a precarização do mandato classista e se desestimula a continuidade da representação sindical.

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Essa medida não é meramente administrativa. Ela possui efeitos políticos claros e objetivos: fragilizar as entidades, interromper processos organizativos consolidados e reduzir a capacidade de mobilização dos trabalhadores do serviço público, justamente no momento em que essa mobilização demonstrou força e capacidade de pressão.

Para dimensionar a gravidade do que se propõe, é necessário fazer um paralelo direto, incômodo, mas necessário para melhor compreensão da situação

E se essa mesma lógica fosse aplicada ao Parlamento Estadual?

E se os deputados estaduais, após dois mandatos consecutivos, perdessem o direito à remuneração? E se, na terceira legislatura, fossem obrigados a conciliar o exercício do mandato parlamentar com outro emprego formal, sem subsídio da Assembleia Legislativa? Continuariam sendo reeleitos com a mesma facilidade? Conseguiriam representar a população com o mesmo empenho, no tempo residual fora do expediente? conseguiriam se dedicar plenamente ao exercício legislativo e ao trabalho com a chamada eficiência administrativa? Considerando as distâncias continentais do nosso Estado, como eles poderiam atender as suas bases?

A resposta a todas essas indagações é evidente e facilmente respondida!! Uma proposta dessa natureza seria imediatamente classificada como absurda, inconstitucional e antidemocrática e corretamente rejeitada na integra, antes mesmo de ser lida em Plenário.

Portanto, fica claro que é exatamente essa lógica absurda que o PLC nº 1/2026 impõe aos dirigentes sindicais. O servidor eleito legitimamente por seus pares passa a ser tratado como um problema fiscal, um suposto “ônus ao erário”, enquanto o parlamentar, igualmente eleito e remunerado com recursos públicos, mantém intactas todas as suas garantias e prerrogativas, independentemente do número de mandatos exercidos.

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Configura-se, assim, uma grave Assimetria Institucional. A representação parlamentar é protegida, legitimada e valorizada; a representação sindical é limitada, onerada e fragilizada. Dois pesos, duas medidas. Cabe aqui , mencionar o velho e bom ditado popular :”pau que bate em Chico, não bate em Francisco”.

Outro aspecto que agrava ainda mais esse cenário é a forma como o projeto foi apresentado, sob a assinatura conjunta de diversos chefes de Poder, transmitindo a imagem de um consenso institucional em torno de um tema que, por sua natureza, exigiria amplo debate democrático, diálogo social e escuta ativa das categorias diretamente afetadas.

O que se observa, no entanto, é um alinhamento político-jurídico que busca disciplinar e restringir o poder de organização e mobilização das entidades sindicais , exatamente aquelas que, nos últimos meses, têm atuado como barreira crítica contra arrochos salariais, desvalorização do funcionalismo e retrocessos nas políticas públicas.

Ainda que revestido de formal legalidade, o PLC nº 1/2026 carrega um viés conservador e claramente antissindical. A autonomia sindical não pode estar subordinada à conveniência fiscal/orçamentária, nem à tolerância circunstancial dos poderes constituídos. Trata-se de um pilar democrático essencial, tão relevante quanto o próprio Parlamento Estadual. Não se pode admitir “Retrocesso Social” alcançado com muita luta ao longo da história do sindicalismo no mundo , no Brasil e em Mato Grosso.

Por fim, é necessário cobrar coerência, bom senso  dos deputados que por ventura tenham a tendência de apoiar esse projeto. Se acreditam que a limitação de mandatos remunerados “fortalece a democracia” e a “eficiência administrativa”, que tenham a coragem política de propor o mesmo critério para si próprios. Caso contrário, o que se revela não é uma reforma administrativa, mas um troco institucional: uma resposta política ao incômodo causado por um movimento sindical que ousou pressionar, questionar e exigir mais do que os 1,14% imposta  aos servidores.

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Carmen Machado – Presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos de MT /FESSP-MT

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Rota Rondon: o passaporte de Mato Grosso para o Pacífico

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*Irajá Lacerda

Cáceres e toda a região Oeste de Mato Grosso ocupam uma posição privilegiada para o futuro logístico do nosso estado. Pela proximidade com a Bolívia e pela possibilidade de conexão com o Oceano Pacífico, a região é central para a consolidação da Rota Rondon, que hoje não é apenas uma alternativa, mas uma prioridade estratégica. Grande parte da nossa produção ainda percorre milhares de quilômetros até os portos do Atlântico, encarecendo o frete, pressionando produtores e sobrecarregando rodovias. Superar essa dependência significa fortalecer municípios, atrair investimentos e transformar a localização de Cáceres em vantagem competitiva para todo o estado.

Para se ter uma ideia da importância de termos uma logística à altura da nossa força produtiva, as projeções oficiais do Valor Bruto da Produção (VBP) para 2026 apontam Mato Grosso no topo do país, com cerca de R$ 206 bilhões, respondendo por aproximadamente 15% de toda a riqueza gerada pelo campo brasileiro. Sustentar esse gigantismo exige pressa na integração regional, colocando o Oeste como ponto de partida para esse novo caminho e conectando a força do nosso interior aos mercados internacionais.

Durante minha trajetória no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), acompanhei de perto o desafio de abrir novos caminhos e encurtar distâncias para o nosso setor produtivo. Sempre defendi que a infraestrutura deve servir como vetor de competitividade. Nesse sentido, a realização de estudos técnicos para expandir o modal ferroviário até Cáceres é um passo decisivo para inserir a região definitivamente no mapa do comércio mundial.

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O avanço das Rotas de Integração Sul-Americana, com destaque para o Quadrante Rondon, consolida esse corredor como uma pauta fundamental para o Brasil. A rota envolve Acre, Rondônia e toda a porção oeste de Mato Grosso, conectada à Bolívia e ao Peru. Na prática, trata-se de abrir uma rota mais curta, fortalecendo o intercâmbio com países vizinhos e reduzindo tempo e custos no transporte de mercadorias rumo aos mercados da Ásia-Pacífico.

A viabilidade desse projeto já se traduz em ações concretas. O planejamento do governo federal para a região inclui 10 obras financiadas pelo Novo PAC em Mato Grosso, somando R$ 370 milhões em investimentos. Esses recursos buscam fortalecer a infraestrutura de transporte e de acesso, ampliar a competitividade do estado e contribuir para que essa agenda avance da fase de planejamento para a execução concreta.

Mas o impacto da Rota Rondon vai muito além de ampliar mercados para o agronegócio. A Zona de Processamento de Exportação (ZPE), a hidrovia, o aeroporto, a proximidade com a Bolívia e a futura integração ferroviária formam uma combinação capaz de transformar Cáceres e o Oeste em um robusto hub logístico, industrial e comercial. Onde a infraestrutura melhora, o comércio cresce, as indústrias se aproximam e os investimentos privados são destravados.

Por isso, esse projeto também deve ser visto como uma política social. Quando a infraestrutura chega, ela não movimenta apenas cargas e mercadorias: leva emprego, renda, autonomia e novas oportunidades para as famílias. O Oeste de Mato Grosso não pode mais ficar à margem do crescimento do estado. Obras estruturantes como essa aproximam o produtor do mercado, impulsionam as cidades e transformam o potencial geográfico em prosperidade real para quem vive e trabalha na região.

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*Irajá Lacerda é ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária e ex-presidente da Comissão de Direito Agrário da OAB-MT

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Copa do Mundo: a oportunidade que sua empresa não pode deixar passar

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*Rômulo Rampini

A Copa do Mundo é um dos maiores eventos de atenção do planeta. Enquanto bilhões de pessoas acompanham os jogos, milhares de empresas disputam algo ainda mais valioso que o próprio futebol: a atenção do consumidor. Segundo relatório oficial de audiência divulgado pela FIFA após a Copa do Mundo do Catar 2022, cerca de 5 bilhões de pessoas consumiram conteúdos relacionados ao torneio em diferentes plataformas ao redor do mundo.

A entidade também informou que a final entre Argentina e França alcançou uma audiência global próxima de 1,5 bilhão de espectadores. Poucos eventos conseguem reunir uma audiência dessa magnitude.Mas o que realmente interessa para os empresários não está dentro do estádio.Está no comportamento das pessoas. O erro mais comum é acreditar que apenas marcas esportivas podem aproveitar a Copa.
Na prática, negócios de todos os setores podem se beneficiar desse aumento de atenção. Clínicas, concessionárias, indústrias, imobiliárias, escritórios, varejistas e prestadores de serviço podem criar campanhas, conteúdos e ações promocionais conectadas ao momento sem precisar falar diretamente sobre futebol.
Trazendo o olhar para a economia local, o mercado também deve ser impulsionado pelo aumento nas vendas de televisores, itens decorativos, alimentos e bebidas, além da maior procura por produtos alimentícios em hipermercados e supermercados. De acordo com a Fecomércio-MT, a Copa do Mundo deste ano poderá gerar um impacto adicional entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões no comércio estadual, com base em dados do IBGE e da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Durante a Copa, o tempo gasto nas redes sociais aumenta, o consumo de vídeos cresce, as conversas em grupos de WhatsApp se intensificam e as pesquisas relacionadas aos temas do momento dominam a internet.
As pessoas ficam mais conectadas, mais engajadas e mais propensas a interagir com conteúdos que estejam inseridos naquele contexto.Isso cria uma oportunidade enorme para empresas de qualquer segmento.
O ponto principal é participar da conversa que já está acontecendo. Outro aspecto importante é a velocidade. Durante a Copa, o conteúdo envelhece rapidamente. O assunto que gera interesse hoje pode perder relevância amanhã. Empresas que conseguem produzir vídeos, posts, campanhas e anúncios em tempo real tendem a capturar mais atenção do que aquelas que dependem de aprovações demoradas ou planejamentos excessivamente rígidos.
Também é um excelente período para ampliar investimentos em mídia digital. Mas existe um alerta importante que muitos empresários ignoram. A Copa do Mundo possui rígidas regras de propriedade intelectual. Logotipos oficiais, mascotes, símbolos, imagens oficiais, identidade visual da competição e diversas expressões associadas ao evento possuem proteção legal. Utilizar esses elementos em campanhas comerciais sem autorização pode gerar notificações, multas e problemas jurídicos.
A recomendação é simples: Utilize o contexto, mas não utilize os ativos oficiais. Fale sobre torcida, emoção, competição, expectativa e desempenho. Crie campanhas temáticas. Produza conteúdos relacionados ao momento. Mas evite utilizar marcas registradas ou materiais protegidos.
Conteúdo gera atenção. Anúncios geram alcance. WhatsApp gera conversa. O Customer Relationship Management (CRM) gera acompanhamento. Remarketing gera recuperação de oportunidades. É essa estrutura que transforma audiência em faturamento.
A Copa dura apenas algumas semanas. Os contatos conquistados durante esse período, porém, podem gerar negócios por meses. Quem entende isso não apenas acompanha o evento: aproveita uma das maiores oportunidades de marketing do planeta.
 
*Rômulo Rampini é estrategista de marketing, consultor credenciado pelo SEBRAE MT e diretor da agência 3TRÊS
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Empreender na educação: liderança, propósito e impacto social

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*Leonardo Chucrute é Gestor em Educação e CEO do Zerohum

Abrir uma escola vai muito além de iniciar um empreendimento. Trata-se de assumir uma missão de impacto social. A educação é um dos pilares fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e desenvolvida.

A educação transforma vidas. Liderar esse processo exige preparo técnico, planejamento estratégico, coragem para empreender e visão de longo prazo. O primeiro passo é definir com clareza o propósito da instituição. Estabelecer diferenciais e valores sólidos será a base para todas as decisões pedagógicas, administrativas e mercadológicas.

Também é indispensável realizar um estudo de mercado aprofundado. Identificar o público-alvo, a demanda real na região escolhida e o perfil socioeconômico das famílias é essencial. Analisar a concorrência, compreender seus pontos fortes e reconhecer lacunas ainda não atendidas contribui para reduzir riscos e aumentar as chances de sustentabilidade do projeto.

O planejamento financeiro merece atenção redobrada. Abrir uma escola envolve investimentos significativos, como aluguel ou aquisição do imóvel, adequação da infraestrutura, compra de mobiliário e materiais pedagógicos, processos de legalização e contratação de professores e equipe administrativa. Ter um plano de negócios detalhado, com projeções realistas de custos, receitas e fluxo de caixa, é fundamental para garantir a viabilidade da instituição.

A legalização da escola é outro ponto crucial. Buscar assessoria jurídica especializada ajuda a atender às exigências das secretarias de educação, conselhos e demais órgãos reguladores. Além disso, a formação de um time qualificado e alinhado à proposta pedagógica é determinante. Professores, coordenadores e gestores educacionais impactam diretamente a credibilidade da instituição e o desenvolvimento dos alunos.

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A construção da marca também não deve ser negligenciada. Nome, identidade visual e posicionamento precisam transmitir confiança, seriedade e propósito. Um plano de marketing bem estruturado contribui para criar conexão com as famílias, lembrando que, na educação, o relacionamento com os pais começa muito antes da matrícula.

A tecnologia, por sua vez, deve ser encarada como uma aliada estratégica. Plataformas digitais podem otimizar a gestão pedagógica, administrativa e financeira, além de tornar o processo de ensino-aprendizagem mais eficiente e atrativo. No entanto, o foco deve permanecer na missão central: educar com qualidade, propósito e humanidade.

(*) Leonardo Chucrute é CEO do Zerohum, gestor em Educação, mentor de empresários, palestrante e autor de livros didáticos.

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