Mato Grosso
Obras para particulares causam dano de R$ 106.862,19 em Bom Jesus do Araguaia
| Assunto: REPRESENTACAO (NATUREZA INTERNA) Interessado Principal: PREFEITURA MUNICIPAL DE BOM JESUS DO ARAGUAIA |
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| LUIZ HENRIQUE LIMA CONSELHEIRA INTERINA |
DETALHES DO PROCESSO |
| INTEIRO TEOR |
| VOTO DO RELATOR |
| ASSISTA AO JULGAMENTO |
Recebimento de pagamentos por serviços não executados, superfaturamento de quantidade na execução do contrato por executar itens licitados, construção de bueiro em propriedade privada, obra com valores acima do mercado, inexistência de ordem de serviços, termos aditivos alterando o objeto contratual. Essas são algumas das 18 irregularidades identificadas pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso ao julgar parcialmente procedente a Representação de Natureza Interna proposta pela Secretaria de Controle Externo de Obras e Serviços de Engenharia em desfavor da Prefeitura de Bom Jesus do Araguaia.
O processo tratou de irregularidades apuradas no Contrato nº 85/2014, no valor inicial de R$ 1.214.526,14, cujo objeto era a contratação de empresa para construção e reformas de bueiros de concreto e pontes de madeira no Município de Bom Jesus do Araguaia-MT. Das 20 irregularidades identificadas pela equipe da Secex de Obras e Infraestrutura, somente duas foram sanadas.
A responsabilidade foi imputada ao prefeito, Joel Ferreira; assessora jurídica, Jacqueline Cavalcante Marques; presidente da Comissão de Licitação, Cícero Clênio Alves Gonçalves; fiscal do Contrato, Leandra Ferreira de Moraes; engenheiro fiscal da Obra, Markus Túlio Ferro de Brito; engenheiro fiscal da Obra, Rodrigo Zacarias Aleixo; secretário de Obras, Sebastião Amaral Pereira; e a empresa contratada Eurípedes de Souza & Tavares Ltda.
O TCE identificou a realização, sem justificativa e sem amparo legal, de duas obras em propriedades privadas (Bueiro do “Zé Baiano” e Bueiro do “Horácio”) as quais foram causadoras de prejuízo ao erário no valor total de R$ 106.862,19. O valor deve ser restituído pelo prefeito, Joel Ferreira, e pelo secretário de obras, Sebastião Amaral Pereira, ambos multados individualmente em 10% sobre o valor atualizado do dano.
Assim, algumas condenações são: o valor de R$ 22.910,80, deve ser restituído, de forma solidária pelo prefeito, pelo engenheiro civil fiscal da obra, Markus Túlio Ferro de Brito, e empresa contratada Eurípedes de Souza & Tavares Ltda., além da aplicação de multa individual no montante de 10% sobre o valor atualizado do dano. O prefeito, solidariamente ao engenheiro civil fiscal da obra, Rodrigo Zacarias Aleixo, e da empresa contratada Eurípedes de Souza & Tavares Ltda., devem restituir R$ 34.928,52, e pagar multa individual de 10% sobre o valor atualizado do dano.
O relator do processo, conselheiro interino Luiz Henrique Lima, afirmou que “diante da gravidade da conduta adotada pelos engenheiros fiscais da obra, Markus Túlio Ferro de Brito e Rodrigo Zacarias Aleixo, determino a remessa de cópia dos autos ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de Mato Grosso (CREA), para conhecimento e adoção das providências que entender cabíveis”. Uma cópia dos autos foi enviada para o Ministério Público Estadual para ciência e adoção das providências que entender cabíveis.
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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