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A base nacional comum curricular – bncc no contexto da educação infantil

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Joziane Lopes dos Santos

A Base Nacional Comum Curricular é um documento elaborado pelo MEC- Ministério da Educação, com a participação de uma minoria de professores e uma maioria de patrocinadores. O documento é de caráter normativo, que define dez competências e um conjunto de aprendizagens, para a Educação Básica no Brasil. O documento foi construído e revisado consecutivamente por três versões, passando por revisão, estudos, avaliações, sugestões e alterações, com participação dos profissionais da Educação Básica. A terceira versão da BNCC, foi aprovada em dezessete de dezembro do ano de dois mil e dezessete. Sendo aprovada apenas as duas primeiras etapas da Educação Básica, a primeira etapa- Educação Infantil e a segunda etapa- Ensino Fundamental, a do Ensino Médio ainda se encontra em avaliação.

 O documento foi normatizado com o objetivo de elencar as competências que as considera como essenciais para os alunos da Educação Básica desenvolver, áreas de conhecimento, objetivos de aprendizagem para cada área. Na íntegra a BNCC, estabelece dez competências, salientando que tais são de suma importância para os alunos adquirirem ao longo da sua passagem na educação básica. A Base, também estabelece as áreas de conhecimento para cada etapa dentro de cada área trás os objetivos que o professor tem que trabalhar, as áreas são compostas em quarto: Linguagens, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza, considerando-as como primordiais para a aprendizagem dos estudantes da Educação Básica.

 O documento apresenta-se como um “orientativo curricular”, com objetivo de nortear os currículos das escolas privadas e públicas de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Outra justificativa de se organizar uma Base Nacional é com o objetivo de “orientar” o trabalho pedagógico dos professores, afirmando que a BNCC não é um currículo e sim um conjunto de orientações pedagógicas.  A Base Nacional Comum Curricular estabelece para a primeira etapa, seis direitos de aprendizagem e objetivos de aprendizagem a qual considera indispensável para a aprendizagem às crianças da educação infantil.

Desde Constituição Federal de 1988, a qual estabelece o atendimento em creches e pré-escolas às crianças de zero a cinco anos de idade torna-se dever do Estado.  E posteriormente com a promulgação da LDB, em 1996, a Educação Infantil começa a ser considerada como a primeira etapa da Educação Básica, e posteriormente altera-se (Lei Nº: 9.394, de 20 de dezembro de 1996) LDB- sancionada (Lei Nº 12.796, de 04 de Abril de 2013), que determina a obrigatoriedade da Educação Básica dos 04 aos 17 anos.  Ampliando a faixa etária das crianças da educação infantil de zero a seis anos de idade, oferecida: em creches (0 a 03 anos) e pré-escolas (04 e 05 anos), caracterizando-as como espaços institucionais não domésticos que constituem estabelecimentos educacionais públicos ou privados. Consagrando a obrigatoriedade de matricula de todas as crianças de 04 e 05 anos em instituições de Educação Infantil.

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 1 Professora efetiva da Rede Publica Municipal de Ensino de Rondonópolis/MT, é formada em Pedagogia pela UFMT com Pós-Graduação em Educação Infantil Lato Sensu na mesma instituição. [email protected] .

Posteriormente, no ano de 2010 fixa as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, a qual concebe o Cuidar e Educar como indissociáveis do processo educativo, o documento tem como objetivo nortear a prática pedagógica da Educação Infantil, trazendo uma concepção de currículo e estabelece como Eixos Norteadores do processo de desenvolvimento das crianças as Interações e Brincadeiras, orientando que o trabalho na Educação Infantil deve compreender que as crianças aprendem e se desenvolvem a partir das interações e brincadeiras. E concebe o currículo da Educação infantil como um conjunto de práticas, que buscam articular os saberes e experiências das crianças com o patrimônio cultural, artístico, ambiental, cientifico e tecnológico, de modo a promover o desenvolvimento integral da criança.

 Com a inclusão da Educação Infantil na BNCC, mais um importante passo é dado nesse processo de reconhecimento da infância como um processo de desenvolvimento do ser humano, e que as práticas pedagógicas nas creches e pré-escolas devem ter uma intencionalidade educativa. A Base Nacional, trás a educação infantil, compreendendo que esta etapa deve-se constituir na prática pedagógica três eixos estruturantes, o cuidar, educar e brincar, afirmando que o cuidado e a educação são indissociáveis no processo de desenvolvimento da criança e reafirma que é brincando que as crianças aprendem. O documento ressalta que na instituição infantil, as crianças precisam vivenciar e experimentar diferentes conhecimentos por meio de suas ações e brincadeiras, ou seja, nesta etapa educacional, no cotidiano das rotinas das instituições, as crianças precisam vivenciar e experimentar diversas atividades, desafios e a se sentirem provocadas a resolvê-los, nas quais possam ampliar seus conhecimentos e construir significados sobre o mundo social e natural.

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Tendo em vista os eixos estruturantes das práticas pedagógicas da educação infantil, a BNCC, assegura os seis direitos de aprendizagem na Educação Infantil, reafirmando que as crianças possam ter condições de aprender em situações nas quais possam desempenhar um papel ativo em ambientes que as convidem a vivenciar esses direitos, que são direitos de aprendizagem e desenvolvimento são estes: Conviver, Brincar, Participar, Explorar, Expressar e Conhecer-se.

Essa concepção de criança como Ser que observa, questiona, levanta hipóteses, conclui, faz julgamentos e assimila valores e que constrói conhecimentos e se apropria do conhecimento sistematizado por meio da ação e nas interações com o mundo físico e social não deve resultar no confinamento dessas aprendizagens a um processo de desenvolvimento natural ou espontâneo. Ao contrário, a BNCC impõe a necessidade de conservar uma intencionalidade educativa às práticas pedagógicas na Educação Infantil, tanto na creche quanto na pré-escola.

Essa intencionalidade consiste na organização, planejamento e objetivos, por parte do educador, de proporcionar experiências que permitam às crianças conhecer a si e ao outro e de conhecer e compreender as relações com a natureza, com a cultura e com a produção científica, que se traduzem nas práticas de cuidados pessoais, nas brincadeiras, nas experimentações e nas vivências.

Considerando que, na Educação Infantil, as aprendizagens e o desenvolvimento das crianças têm como eixos estruturantes as interações e as brincadeiras, assegurando-lhes os direitos de conviver, brincar, participar, explorar, expressar-se e conhecer-se, a organização curricular da Educação Infantil na BNCC, está estruturada em cinco campos de experiências, no âmbito dos quais são definidos os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento para cada campo de experiência.

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A definição e a denominação dos campos de experiências também se baseiam no que dispõem a DCNEI, em relação aos saberes e conhecimentos fundamentais a ser propiciados às crianças e associados às suas experiências. Considerando esses saberes e conhecimentos, os campos de experiências em que se organiza a BNCC são: 1 –O eu, o outro e o nós, 2- Corpo, gestos e movimentos, 3- Traços, sons, cores e formas, 4- Escuta, fala, pensamento e imaginação, 5- Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações.  A BNCC, compreende que tais campos de experiências são fundamentais para o desenvolvimento, tanto comportamentos, habilidades e conhecimentos quanto vivências que promovem aprendizagem e desenvolvimento nos diversos campos de experiências, sempre tomando as interações e a brincadeira como eixos estruturantes. Essas aprendizagens, portanto, constituem-se como objetivos de aprendizagem e desenvolvimento.

A Base Nacional compreende que é preciso proporcionar experiências diversificadas para as crianças nas instituições de educação infantil. Considera que este espaço que acolhem as crianças, deve propiciar a elas momentos de aprendizagens significativas.  Com um novo olhar para a infância, desde a LBD (1996), que estabelece as instituições de educação infantil como espaço educativo, a BNCC, vem reforçar e considerar esta primeira etapa, salientando que é partir das vivências e experiências pedagógicas proporcionadas às crianças, nas interações e brincadeiras, há o desenvolvimento biopsicossocial da criança.

Reconhecendo as especificidades dos diferentes grupos etários que constitui a etapa da Educação Infantil,  a Base Nacional Comum Curricular, trás a o papel do professor como mediador do processo de aprendizagens, concebe um profissional que deve proporcionar diferentes experiências e vivências ás crianças. E impõe a necessidade das Instituições de educação infantil imprimir intencionalidade educativa  nas práticas pedagógicas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei número 9394, 20 de dezembro de 1996.

 

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil / Secretaria de Educação Básica. – Brasília: MEC, SEB, 2010.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF, 2017. Disponível em: < http://basenacionalcomum.mec.gov.br/#/site/inicio>. Acesso em: agosto de 2018.

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Agro em ano eleitoral: até onde podem ir os incentivos e benefícios fiscais?

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Em ano eleitoral, economia e tributação naturalmente ganham espaço no debate público. Surgem propostas de redução de impostos, novos incentivos e benefícios fiscais apresentados como instrumentos para estimular investimentos e gerar empregos. Em Mato Grosso, onde o agronegócio tem enorme peso econômico, essas discussões chegam rapidamente ao setor produtivo.

Mas há uma questão que precisa ser observada, até onde o poder público pode ir na concessão desses benefícios em um ano de eleições? É importante entender que nem todo incentivo fiscal concedido nesse período é irregular. Governos continuam administrando, tomando decisões e desenvolvendo políticas econômicas. O que muda é a necessidade de atenção ainda maior às regras tributárias, fiscais, orçamentárias e eleitorais envolvidas.

Para o empresário, essa discussão é muito mais prática do que parece. Pense em um frigorífico que pretende ampliar sua estrutura, contratar funcionários ou aumentar a produção. Um benefício tributário pode influenciar diretamente a decisão de investir. O mesmo ocorre com uma empresa de grãos, que trabalha com grandes volumes e precisa calcular custos e margens com antecedência.

O problema é que não basta saber quanto determinado incentivo pode representar de economia. É preciso entender se existe segurança jurídica para utilizá-lo. Uma vantagem tributária anunciada hoje pode parecer excelente para o caixa da empresa, mas, se foi concedida sem observar as exigências legais, pode ser questionada no futuro. E aquilo que começou como economia pode terminar em passivo, discussão administrativa ou processo judicial.

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Por isso, em ano eleitoral, o empresário precisa ter cuidado para não tomar decisões importantes baseado apenas em anúncios ou promessas. Antes de considerar um benefício fiscal no planejamento de um frigorífico, de uma empresa de grãos ou de qualquer negócio do agro, é necessário conhecer sua base legal, suas condições e sua sustentabilidade ao longo do tempo.

Além disso, o ano eleitoral costuma aumentar a atenção sobre medidas que possam ter impacto direto na economia. Isso exige cautela tanto de quem concede quanto de quem recebe um incentivo. Uma política fiscal voltada ao desenvolvimento do agro precisa ter justificativa econômica, planejamento e respaldo jurídico, independentemente do momento político em que é anunciada.

No caso de frigoríficos e empresas de grãos, essa segurança ganha ainda mais importância porque muitas decisões são tomadas pensando no médio e no longo prazo. A abertura de uma nova unidade, a ampliação de uma planta, a compra de equipamentos ou o aumento da capacidade de armazenagem envolvem investimentos que não terminam junto com o calendário eleitoral. A regra tributária considerada hoje pode continuar impactando aquele negócio por vários anos.

Também é preciso diferenciar incentivo fiscal de vantagem momentânea. Quando bem estruturado, um benefício pode estimular a industrialização, gerar empregos, agregar valor à produção e tornar uma região mais competitiva. Mas, para cumprir esse papel, precisa oferecer ao empresário condições claras e previsíveis. Afinal, quem investe precisa saber não apenas quais são as regras de hoje, mas qual é o grau de segurança para continuar operando amanhã.

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O agronegócio precisa de competitividade, mas também precisa de previsibilidade. Incentivos fiscais podem ser importantes instrumentos de desenvolvimento, desde que sejam construídos dentro da lei e com segurança para quem investe. Em 2026, diante de cada nova proposta tributária apresentada ao setor, talvez a pergunta mais importante não seja apenas “quanto vamos economizar?”, mas também “esse benefício continuará juridicamente seguro depois que a eleição passar?”.

Por João Carlos Vanni Rodrigues, Advogado Tributarista da ZR Advogados

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63 anos não se constroem por acaso: a liderança por trás da longevidade empresarial

Publicado

Por Ulana Bruehmueller

O brasileiro tem uma reconhecida vontade de empreender. Muitas empresas nascem pequenas, de um sonho, de uma oportunidade ou da necessidade de construir um futuro melhor. Começam com poucos recursos, muito trabalho e a esperança de crescer ano após ano.

Mas começar uma empresa é apenas o primeiro desafio. Fazê-la permanecer, atravessar gerações e continuar relevante é uma conquista muito maior.

No Brasil, poucas empresas alcançam mais de seis décadas de atividade. Ao longo do caminho, enfrentam obstáculos que vão do acesso ao crédito aos elevados custos de insumos, energia e produção, além da carga tributária, da insegurança jurídica e de uma logística ainda cara e ineficiente.

É nesse contexto que celebramos os 63 anos da Refrigerantes Marajá.

Mais do que uma data no calendário, este aniversário nos convida a uma reflexão: o que faz uma organização atravessar tantas transformações e permanecer relevante ao longo das gerações?

A qualidade dos produtos e a confiança dos consumidores são fundamentais. Mas longevidade também se constrói com liderança forte, propósito definido, valores consistentes e pessoas alinhadas em torno de uma mesma direção.

Ao longo de mais de seis décadas, a Marajá precisou se transformar inúmeras vezes. Cresceu, ampliou mercados, modernizou sua estrutura industrial, incorporou tecnologias, profissionalizou processos, fortaleceu sua governança e desenvolveu novas marcas e produtos.

Ao mesmo tempo, avançou em uma agenda de ESG cada vez mais consistente, compreendendo que responsabilidade ambiental e social, ética e boa governança não devem existir apenas no discurso. Precisam estar incorporadas à maneira como uma organização toma decisões e pensa no seu futuro.

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Essa capacidade de evoluir sem perder a essência talvez seja uma das principais explicações para a longevidade de uma empresa.

E nenhuma transformação acontece sem pessoas.

Ao longo da minha carreira, aprendi que podemos definir estratégias, estabelecer metas, investir em tecnologia e modernizar processos, mas são as pessoas que transformam o planejamento em resultado. Por isso, o alinhamento da liderança e o comprometimento do time são fatores concretos de competitividade.

Estratégias mudam. Mercados mudam. Tecnologias evoluem. Gerações chegam com novas expectativas. Os valores, entretanto, permanecem como uma bússola, permitindo que a empresa se transforme sem perder sua identidade.

Tenho muito orgulho de ter dedicado mais de 30 anos da minha vida profissional à Marajá e de ter crescido junto com esta empresa. Foram décadas de desafios, crises, decisões, expansão, transformação e, acima de tudo, aprendizado.

Por isso, celebrar estes 63 anos é também agradecer.

Aos fundadores que tiveram a disposição de empreender. Aos acionistas, diretores e líderes que assumiram a responsabilidade de conduzir a empresa ao longo do tempo. Aos profissionais que passaram por aqui e deixaram sua contribuição. E aos que hoje continuam escrevendo esta história e preparando a Marajá para o futuro.

Depois de tantos anos na indústria, compreendo que uma das maiores responsabilidades de uma liderança não é apenas entregar os resultados do presente. É criar condições para que a organização continue crescendo e gerando valor para as próximas gerações.

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Longevidade empresarial não é simplesmente resistir ao tempo. É atravessar gerações evoluindo sempre. Continuar olhando para frente e assumindo responsabilidade pelo futuro!

Ulana Maria Bruehmueller é CEO da Refrigerantes Marajá

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A cidade começa na calçada

Publicado

Rodrigo Arruda e Sá

Quando pensamos em desenvolvimento urbano, quase sempre imaginamos grandes avenidas, viadutos, pontes ou obras de infraestrutura. Tudo isso é importante, mas existe um elemento muito mais presente na vida das pessoas e que, muitas vezes, passa despercebido: a calçada. É nela que a cidade realmente começa, porque é por ela que todos nós caminhamos antes de entrar em um carro, em um ônibus, em um comércio ou em uma praça.

A qualidade de uma cidade pode ser medida pela forma como ela trata o pedestre. É pela calçada que uma criança vai à escola, um idoso chega à farmácia, uma mãe empurra o carrinho do filho e um trabalhador segue até o ponto de ônibus. Quando esse espaço está esburacado, desnivelado, ocupado irregularmente ou simplesmente não existe, a cidade transmite uma mensagem clara: as pessoas deixaram de ser prioridade.

Não é preciso olhar para a Europa para encontrar bons exemplos. Curitiba transformou o cuidado com as calçadas em uma política permanente de urbanismo e acessibilidade. Maringá tornou-se referência nacional pela arborização, pela conservação dos espaços públicos e pela qualidade de seus passeios. Joinville e Blumenau também demonstram como calçadas bem cuidadas, praças limpas, iluminadas e bem conservadas tornam a cidade mais acolhedora para moradores, turistas e comerciantes.

Essas cidades compreenderam que desenvolvimento urbano não se resume a grandes obras. A qualidade de vida nasce dos espaços que as pessoas utilizam diariamente. Calçadas acessíveis, arborização, praças bem cuidadas, iluminação eficiente e limpeza permanente estimulam a convivência, fortalecem o comércio de rua, aumentam a sensação de segurança e fazem com que os moradores sintam orgulho da cidade onde vivem.

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Em Cuiabá, infelizmente, ainda convivemos com uma realidade distante desse padrão. Além das calçadas interrompidas, desniveladas ou sem acessibilidade, muitas praças apresentam sinais evidentes de abandono.

A Praça Ipiranga, um dos espaços mais tradicionais da capital, frequentemente convive com acúmulo de lixo e mau cheiro, enquanto a Praça Popular, um dos principais pontos de encontro da cidade, além de estar coberta de lixo, sofre com a iluminação deficiente e manutenção insuficiente. Em vez de convidarem as famílias ao convívio, ao esporte e ao lazer, esses espaços acabam transmitindo uma sensação de descuido incompatível com a importância que têm para a vida urbana.

Como contador e empresário, aprendi que cidades agradáveis também são cidades economicamente mais fortes. O comércio prospera quando as pessoas caminham pelas ruas com conforto e segurança, frequentam as praças, permanecem mais tempo nos espaços públicos e ocupam naturalmente os centros comerciais. Investir nesses ambientes não é apenas uma política de urbanismo; é também uma política de desenvolvimento econômico.

É evidente que Cuiabá precisa continuar investindo em mobilidade, infraestrutura e transporte coletivo. Mas nenhuma dessas políticas produzirá resultados completos se esquecermos que toda viagem começa e termina a pé.

Antes de sermos motoristas, passageiros ou ciclistas, todos nós somos pedestres, e uma cidade que não acolhe quem caminha dificilmente será acolhedora para qualquer outro meio de transporte.

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Talvez esteja na hora de ampliarmos o conceito de desenvolvimento urbano. Em vez de avaliar uma administração apenas pelo número de quilômetros de asfalto entregues ou pelas grandes obras inauguradas, deveríamos observar também a qualidade das calçadas, das praças e dos espaços públicos onde a vida realmente acontece.

Cuidar desses pequenos detalhes não é uma questão estética, mas uma demonstração de respeito ao cidadão e de compromisso com a qualidade de vida. Afinal, uma cidade verdadeiramente humana não se mede apenas pelo tamanho de suas avenidas, mas pelo cuidado com os lugares onde seus moradores caminham, convivem e constroem diariamente a sua história.

*RODRIGO ARRUDA E SÁ é contador, bacharel em Direito, empresário e ex-vereador de Cuiabá.

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