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Mato Grosso

A fala do Beco do Candeeiro. Fome de quê?

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A fome não é o resultado de uma economia deficitária, é o resto de uma economia de distribuição desigual dos bens.

“Não podem haver objetivos espontaneamente dados ‘pela realidade’, mas uma vez interesses são o que construímos e a política nesse sentido leva vantagem sobre a economia”. (página 181) Terry Egleton 

Dessa perspectiva o que nós precisamos não é de ter dinheiro para “dar de comer a todos”, como comumente ouvimos, mas sim de construir uma sociedade solidária entre nós. O cálculo do salário mínimo pelo Dieese atualmente está acima de 5.000 reais. Vocês sabem que o salário mínimo é o cálculo de uma pessoa viver minimamente com dignidade, não é? Pois então, imaginemos que há pessoas – e não são poucas – que vivem com 20% desse mínimo. E tem gente que vive com menos. E não só uma pessoa, mas famílias! Como vocês acham que vivem essas pessoas? Com solidariedade. Quero dizer isto: que a política dirige a economia, a fome pode deixar de existir, se decidirmos isso.

Agora vejamos, vocês imaginam o que é não ter o que comer? Talvez sim, talvez vez ou outra, voltando de uma trilha, tenham sentido o fardo que é realmente estar com os níveis de glicose baixos no sangue. O corpo pesa, nossa sensação é de falência. E não é retórica, é real! O corpo pesa mesmo. Carolina Maria de Jesus, mulher negra, que viveu praticamente toda a sua vida em situação de rua, escreve o seguinte: 

… a comida no estômago é como o combustível nas máquinas. Passei a trabalhar mais depressa, o meu corpo deixou de pesar. Comecei a andar mais depressa, eu tinha impressão que eu deslizava no espaço. Comecei a sorrir como se estivesse presenciando um lindo espetáculo. E haverá espetáculo mais lindo do que ter o que comer?

Carolina Maria de Jesus 

Muito bem… vamos adiante com essa situação. Vamos imaginar que a questão vai mais fundo. Que não somos nós, mas nossos filhos. Se vocês têm filhos, ou já foram filhos, sabem o quanto é difícil negar algo para uma criança. Mas a gente nega, embasados principalmente naquilo que se refere ao que entendemos como “superficial”. Vocês já imaginaram o que é ser privado de dar o essencial para essas coisinhas lindas e maravilhosas que são os filhos? Se vocês já tiveram alguma experiência com bebês bem pequenos sabem que o que dá suporte para acalmar esses serezinhos desamparados é o alimento. Crianças mal alimentadas não dormem direito. E enquanto não dormem, choram. Imaginem então passar dias ouvindo constantemente o choro de um bebê, seu filho, sabendo que é de fome e dar a ele algo que nunca o sacia suficientemente. Imagine a irritação a que você ficaria submetido. Imagine onde iria parar seu amor por essa criança. Imagine se você também tivesse passado fome e, sobrevivente, sentisse que a criança também poderia aguentar e por isso brigasse com ela. Imagine a violência que a fome causa. Quando a necessidade entra pela porta, o amor pula a janela.

Imaginem essa criança na escola, certamente tinha déficit de atenção, certamente as piores notas, certamente ridicularizada pelos colegas e provavelmente tida como sendo “um problema” para a maioria dos adultos em seu entorno. Não é possível saúde mental num meio desse. A saúde mental é relacionada sim, ao meio. Se não é totalmente colada, tampouco é totalmente descolada.

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Esse é o conteúdo do livro de Carolina Maria de Jesus. Se vocês querem realmente saber o que é a fome, leiam-no. É um aprendizado cortante!

Agora, vamos dar ainda mais um passo. Certamente vocês também já passaram por pessoas na rua molambentas dormindo no chão ou pedindo dinheiro na rua. Pessoas abandonadas, sujas, sem dentes e de roupas rasgadas que, muitas vezes estão fétidas, rescindindo a álcool e, às vezes, em cena de uso. Essas pessoas devem ter lhes causado repulsa e por isso vocês podem ter-lhes maltratado. Se você pessoalmente nunca fez isso certamente conhece alguém que fez, já presenciou isso, mais de uma vez. Pois então, o atual estágio dessas pessoas é decorrente de uma infância famélica. Uns podem se levantar aqui e dizer que isso não é verdade. Que a infância no Brasil não passa fome como passava e que conhece gente que nunca passou fome e está nas ruas. Muito bem, exceções são exatamente aquilo que confirmam uma regra. Mas quero argumentar mais profundamente. Quero argumentar que a fome de reconhecimento vem primeiro que a fome de alimento.

Essas pessoas não têm o reconhecimento de que foram crianças famélicas e seus pais não tiveram e seus avós também não. Elas são tratadas hoje como pessoas sem história e sua história, quando é contada, não é ouvida, é descartada, jogada fora, pois “você vai acreditar no depoimento de um noiado”?

Contudo, você também deve ter passado pela experiência de estar na internet rolando a página das redes sociais e ter visto um anúncio ou ter sido acometido por alguém pedindo dinheiro para você para uma cirurgia, compra de alimentos ou qualquer outra coisa assim; e alguma dessas histórias te tocou. Você doou dinheiro para ela. Mesmo que não tenha sido uma entidade. Pelo menos alguma vez você deve ter dado dinheiro a alguém que não conhecia para ajudá-lo e em alguma coisa que não necessariamente teria retorno para você, foi pura caridade.

Aí é que está o ponto onde eu queria chegar. Por que algumas pessoas têm a nossa empatia e outras não? Empatia, compaixão; tratam-se de palavras que afirmam o sofrer com. Incorporamos a narrativa do outro como se fôssemos nós mesmos a viver aquela história. E volta e meia encontramos na história do outro, partes que são idênticas às nossas! Chamamos isso de “bater o santo” no Brasil (meu santo bateu com o dele). Mas será que isso é místico assim? Será que precisamos apelar para o santo? Bem, ainda que longe de mim dizer que tudo pode ser explicado, nesse caso em específico, preferimos apelar para Freud, que nos ensina a condição narcísica do Eu. O próximo é uma ameaça, um estranho, alguém que pode me fazer muito mal. A passagem do estranhamento para a identificação, o reconhecimento da semelhança e o laço entre os semelhantes, só é possível depois desse investimento do meu eu nesse outro, que se torna meu semelhante porque o Eu se identificou, nas suas semelhanças, com o outro, o investimento libidinal do Eu no outro, o torna semelhante. Dar ao outro lugar de semelhante é dar revestimento simbólico, lugar de fala a partir do reconhecimento da semelhança e das diferenças. As diferenças entre falas e lugares sociais dizem respeito aos processos históricos e a organização do poder. O conceito de raça, sabemos, é sociológico. Ele tem a ver com o poder. Quem diz o que é preto e branco? Quem tem o poder de revestir simbolicamente essas categorias sociológicas? O racismo estrutural, conceito complexo e pouco reconhecido em sua grande inovação nas instituições, é a construção histórica dessa dessemelhança que estabelece com o negro a relação de próximo/estranho em nossa socialização. Ele é a tampão de ouvido que torna inaudito o dito de muitos.

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Vocês já ouviram provavelmente que recentemente em Cuiabá há uma onda de violência policial ocorrendo contra pessoas em situação de rua. Em outubro uma garota de 23 anos foi queimada com spray desodorante e isqueiro por policiais fardados, ou seja, a trabalho. Causa: ela era uma “noiada”. Os policiais pegaram as roupas e pertences de várias pessoas em situação de rua que se abrigam no Morro da Luz, juntaram e queimaram. A garota se desesperou porque havia na fogueira pertences importantes dela e meteu-se entre as chamas para retirar uma coisa ou outra. Irritados com a atitude da menina, os policiais dirigiram-lhe o lança-chamas improvisado queimando boa parte do seu corpo, de modo que a garota teve que ser levada ao hospital pelo SAMU. (Vê-se que a “caça às bruxas” ainda tem ocorrência em nosso tempo.)

Agora vejamos, será que o policial teria lançado chamas numa pessoa branca, bem vestida, com todos os dentes na boca, perfumada e numa roda de amigos, numa praça em um local nobre da cidade como o Chopão ou o bairro Popular? Vamos diminuir a diferença, será que faria isso com uma pessoa em condições de dignidade no mesmo local? Vê-se como o racismo é uma lente que aplica uma dessemelhança num outro que poderia, de outra forma ser visto como semelhante?

Mas o racismo não possui essa construção tão superficial quanto vocês pensam, sendo esta a pele. Há desvalorização de hábitos, modos de falar, traços genéticos, religiões e vestimentas que originalmente eram negros e indígenas e isso é um não reconhecimento do outro enquanto semelhante. Os policiais que abordaram essa garota não reconhecem ali uma pessoa avassalada pela fome, com uma história de um núcleo familiar infernal e desde lá culpada por estar malvestida, desdentada, ser “burra” porque não aprende na escola… Ninguém ou muito poucos reconheceram sua fome. Sua fome desde sempre.

É nisso que dizemos que a fome é fome de reconhecimento. As pessoas não sabem, não ouvem, não acreditam no que a população de rua fala! E o que faz o reconhecimento de alguém é a ESCUTA. A invisibilidade desse sofrimento é melhor entendida se for pensada como um tampão de ouvido. Um aparelho que distorce as vozes, a entonação das vozes. E a população de rua é ouvida sempre como se fosse um monstro a rosnar contra nós! Assim os tratamos que nem cachorros e, claro, respondem a esse destrato! E então, estamos na selva! Expulsamos a civilidade e cria-se uma ideia de que não podemos conviver, é “ou nós ou eles”. E a Lei da Selva é a lei do mais forte.  Eles estão sempre oprimidos nas ruas, não existe lugar para eles. A primeira reinvindicação que o MPR faz é: “MORADIA EM PRIMEIRO LUGAR! É preciso escutar, a moradia é condição de dignidade humana, o teto é a base da condição de proteção e cuidado com a vida.

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Mas qual é a nossa posição a seguir? Considerando que esse “nós” são as instituições, são os alimentados, os “inteligentes”, os reconhecidos, será que não temos nenhuma dívida simbólica nesse contexto social? O que estamos fazendo quando medimos o outro pela nossa régua e por isso os julgamos e condenamos? Estamos matando por falta de escuta. A primeira morte é porque não os recobrimos simbolicamente, não os consideramos semelhantes, eles são estranhos, não queremos saber disso e depois, vem a morte real.  Nesse processo nem nos comovemos com as mortes reais. É por isso que dizemos que a maior fome no Brasil é fome de reconhecimento. Reconhecer é conhecer de novo. Trata-se de lançar-se numa nova posição para a mesma coisa, o deslocamento é relativo a mudarmos o olhar, o mundo muda se mudamos a perspectiva do olhar. A perspectiva do olhar é a política nesse caso, pois “interesses são o que construímos”, como nos disse esse grande pensador da ideologia, Terry Eagleton, a política rege os investimentos da economia.

É por isso que devemos afinar os ouvidos ao diapasão do grito da fome desse país famélico. A droga e sua economia compulsiva aparecem como amortecimento frente ao desamparo do Estado e o sofrimento mental. Como oferecer amparo (tecimento-de-amor, tomando o amor-tecimento pelo seu avesso) que permita o protagonismo das pessoas em situação de rua? O tecimento de amor é revestir esses corpos de atenção e cuidado.

 A escuta é a verdadeira caridade!  É preciso escutar para dar ao outro lugar de fala, falar ao outro, com o outro, é estar contando para o outro, no sentido de narrar ao outro e no sentido de contar, entrar nas contas. É preciso que se conte como mais um, cada um. É preciso escutar para colocarmos as pessoas em situação de rua nas contas!  O abuso de álcool e outras drogas não é causa da fome, é consequência! As pessoas em situação de rua são pessoas como nós! Pessoas que amam como nós, se sentem mal com os maus tratos como nós, que sofrem como nós sofreríamos se fôssemos queimados com lança-chamas de spray desodorante! Nossa aposta é que elas contando possam ser contadas! E é por isso que nos afinamos com o lema da População de Rua, invertendo-o: “Nada por eles sem eles”.

Nosso profundo respeito a todas as vidas que quiseram ser ouvidas e que nesses 7 anos de trabalho do “Psicanálise na rua” estivemos tecendo o fio desse laço, desse lastro, dessa luta.

Grata por ser escutada!

*Adriana de O. Rangel é psicanalista do Laço Analítico Escola de Psicanálise, doutora em Psicologia e professora na Universidade Federal de Mato Grosso, com atuação no projeto “Psicanálise na rua”.

Fonte: MP MT

Mato Grosso

No Mato Grosso, três em cada dez mulheres viveram situações de violência doméstica em 12 meses sem declará-las como violência

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Atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero com dados da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher permite comparar o cenário de violência doméstica declarada e não declarada entre as unidades da Federação

O Mapa Nacional da Violência de Gênero, recém-atualizado com os resultados por unidade da Federação da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, aponta que Mato Grosso registra 29% de mulheres que relataram ter vivido, nos 12 meses anteriores à pesquisa, ao menos uma das situações concretas de violência investigadas, embora não tenham declarado espontaneamente ter sofrido violência doméstica ou familiar. O resultado do estado oscila dentro da margem de erro da estimativa do país (29%), o que não permite classificá-lo como distinto do patamar nacional.

A análise, possível pelo cruzamento de dados — uma das premissas do Mapa Nacional da Violência de Gênero, plataforma mantida pelo Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), o Instituto Natura e a Gênero e Número —, evidencia a distância entre a violência vivenciada pelas mulheres e aquela que chega aos registros oficiais e, consequentemente, ao alcance das políticas públicas de proteção e acolhimento.

A 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado em 2025, tem propósito semelhante: investigar o problema além das estatísticas oficiais do país. O levantamento ouviu 21.641 mulheres de 16 anos ou mais em todo o Brasil entre 16 de maio e 8 de julho de 2025. A pesquisa tem amostra probabilística e nível de confiança de 95%.

“Ampliar a Rede de Proteção é fundamental, mas os dados mostram que precisamos olhar também para o que acontece antes de a mulher chegar na Rede. Uma política pública só consegue proteger plenamente quando as mulheres têm informação para reconhecer a violência, conhecem seus direitos e encontram caminhos acessíveis e seguros para buscar ajuda”, afirma Maria Teresa Prado, coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal.

Gráfico 1 – Percentual de mulheres que vivenciaram situações de violência nos últimos 12 meses sem declará-las espontaneamente, por unidade da Federação

O levantamento realizado pelo DataSenado revela que 33% das mato-grossenses já sofreram violência doméstica ou familiar provocada por um homem ao longo da vida. Entre o total de mulheres entrevistadas em Mato Grosso, 14% relataram ter sofrido violência doméstica ou familiar nos 12 meses anteriores à pesquisa, realizada em 2025. Entre as mulheres que declararam ter sofrido violência provocada por um homem, 88% relataram violência psicológica, 84% violência física e 70% violência moral. Em 59% dos casos, o agressor era o marido ou companheiro da vítima no momento da agressão. Do total de vítimas no estado, 10% ainda convivem com a pessoa que as agrediu e, destas, 79% moram com o agressor.

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Nas situações de violência mais grave, 59% das entrevistadas afirmaram que o agressor estava com ciúmes, 52% disseram que ele estava inconformado com o término ou tentativa de término do relacionamento e 43% relataram que ele estava bêbado. Já para 82% das mulheres que encerraram o relacionamento com o agressor, a violência teve muita influência na decisão. O impacto na rotina diária foi sentido por 72% das vítimas, enquanto 68% disseram que o convívio com outras pessoas foi afetado, 45% disseram que seus estudos foram impactados e 43% relataram impactos na vida profissional ou trabalho remunerado.

“Os dados ajudam a romper com uma leitura da violência doméstica como um episódio isolado e que a violência não termina quando a agressão acaba. Ela reorganiza a rotina, afeta relações, trabalho, renda e as possibilidades que uma mulher tem de tomar decisões sobre a própria vida. Quando olhamos para esses dados em conjunto, conseguimos entender que enfrentar a violência de gênero exige mais do que responder à agressão: exige políticas capazes de olhar para as condições que permitem que essas mulheres reconstruam suas vidas”, afirma Vitória Régia da Silva, diretora executiva da Gênero e Número.

A pesquisa aponta que em Mato Grosso o conhecimento sobre os instrumentos de proteção permanece limitado. Embora 97% das mulheres tenham afirmado conhecer ou já ter ouvido falar da Defensoria Pública e 93% da Delegacia da Mulher, 70% dizem conhecer pouco a Lei Maria da Penha e 8% afirmam não conhecer nada sobre a legislação. Em relação às medidas protetivas, 69% relatam conhecê-las pouco e 15% afirmam não ter conhecimento sobre o recurso (somando 84% com conhecimento superficial ou inexistente).

A Defensoria Pública é o serviço de proteção mais conhecido pelas mato-grossenses, citado por 97% das entrevistadas, seguida pela Delegacia da Mulher, com 93%, pelo CRAS ou CREAS, com 85%, e pelo Ligue 180, com 79%. Ao mesmo tempo, 73% afirmam conhecer alguma amiga, familiar ou pessoa próxima que já sofreu violência doméstica ou familiar. Os dados indicam ainda que 82% das mato-grossenses perceberam aumento da violência doméstica e familiar contra as mulheres nos 12 meses anteriores à pesquisa e que 69% enxergam o Brasil como um país “muito machista”.

No Brasil, 93,6% das vítima não reconheceram a violência doméstica como tal ou não buscaram proteção policial

Das quase 29 milhões de mulheres que sofreram violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, 24,97 milhões de mulheres, cerca de 87%, relataram situações concretas de violência sem nomeá-las espontaneamente como violência. Quando se soma a esse grupo 1,87 milhão de mulheres que declararam ter sofrido violência, mas não acionaram a delegacia, o Ligue 180 ou o 190, chega-se a 26,84 milhões de brasileiras, ou 93,6% das vítimas na lacuna entre a violência vivenciada e a busca por proteção policial.

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Para Beatriz Accioly, Gerente de Políticas Públicas pelo Fim da Violência contra as Mulheres do Instituto Natura, esses dados mostram que o problema é maior do que os registros oficiais conseguem captar. Muitas mulheres vivem situações de violência sem nomeá-las dessa forma e isso significa que a necessidade real de proteção e atendimento é muito maior do que a que hoje chega às delegacias, aos serviços de saúde e à Justiça.

“Para quase 25 milhões de brasileiras, a violência aparece apenas quando perguntamos o que aconteceu, mas desaparece quando perguntamos diretamente se elas sofreram violência. Isso revela uma barreira anterior ao próprio acesso à política pública: reconhecer e nomear o que se está vivendo. Se a mulher não reconhece o que vive como violência, torna-se muito mais difícil procurar proteção e acolhimento. Por isso, informação de qualidade não é algo acessório: é parte fundamental de qualquer política pública de enfrentamento à violência contra as mulheres. Não basta que a rede esteja preparada para acolher quem chega; precisamos também criar caminhos para alcançar quem ainda não consegue reconhecer que pode buscar ajuda”, afirma Beatriz.

De acordo com o levantamento, apenas 4% das brasileiras declararam ter sofrido violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses. Porém, ao serem questionadas sobre situações específicas de violência, sem que o termo fosse citado na pergunta, esse percentual sobe para 33% das brasileiras que relatam experiências compatíveis com violência doméstica. Isso significa que 29% da população feminina brasileira vivenciaram essas situações sem identificá-las e nomeá-las espontaneamente como violência.

“Creio que a grande contribuição do Senado Federal seja revelar a realidade da violência doméstica contra as mulheres, em todas as unidades da Federação, e, mais importante, expor claramente como esta realidade ainda está muito distante dos registros oficiais de todas estas localidades, logo, do alcance de políticas públicas efetivas. O Mapa Nacional não é apenas mais um agregador de dados sobre o tema, ao contrário, é talvez o principal instrumento público, efetivo, capaz de expor, comparar, confrontar e mudar a realidade vivida, a cada 12 meses, pelas mulheres no Brasil”, afirma José Henrique Varanda, coordenador do Instituto de Pesquisa DataSenado.

Acesse o Mapa e a Pesquisa.

SOBRE O DATASENADO

O Instituto de Pesquisa DataSenado tem mais de 20 anos de história e foi criado pelo Senado Federal para reforçar a representação parlamentar federativa do Senado Federal. Este levantamento tem o método, a responsabilidade técnica estatística e a produção de resultados realizada pelo instituto e integra série histórica iniciada em 2005 e tem por objetivo ouvir cidadãs brasileiras acerca de aspectos relacionados à desigualdade de gênero e a agressões contra mulheres no país. (senado.leg.br/datasenado)

SOBRE O OBSERVATÓRIO DA MULHER CONTRA A VIOLÊNCIA

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Criado em 2016 pelo Senado Federal, o Observatório da Mulher contra a Violência reúne, analisa e divulga dados sobre a violência de gênero no Brasil. Em parceria com o Instituto DataSenado, atua na produção e integração de informações que subsidiam políticas públicas e fomenta o intercâmbio entre as principais instituições envolvidas no enfrentamento à violência contra mulheres. (senado.leg.br/omv)

SOBRE O MAPA NACIONAL DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO

O recorte estadual da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher estará disponível, a partir de 25/8*, na página “Pesquisa Nacional” do Mapa Nacional da Violência de Gênero. O Mapa é resultado da união de esforços de muitas mãos e corações. A ideia de fazer diferente, de construir algo relevante, motivou organizações, profissionais e vontades, todos com um único propósito: criar uma ferramenta poderosa na luta contra a violência que atinge mulheres e meninas. Realizado por meio da cooperação entre Estado, sociedade civil e imprensa, o projeto é fruto da parceria entre o Senado Federal (representado pelo Observatório da Mulher e DataSenado), o Instituto Natura e a Gênero e Número, que reuniram seus projetos em uma plataforma pública e interativa dedicada à integração e à transparência dos principais dados sobre a violência de gênero no Brasil. (senado.leg.br/mapadaviolencia)

SOBRE O INSTITUTO NATURA

Fundado em 2010 no Brasil, o Instituto Natura é uma organização sem fins lucrativos que atua pela transformação sistêmica da realidade social na América Latina. Viabilizado pela venda de produtos sociais como o Natura Crer Para Ver e as Ofertas do Bem Avon e presente na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru, organiza sua atuação em três causas estratégicas: Educação, com foco na alfabetização na idade certa, no fomento ao Ensino ‘Médio e no fortalecimento de todo o ecossistema necessário para uma escola de qualidade; Desenvolvimento Integral das Consultoras de Beleza Natura e Avon, com ações multissetoriais voltadas para este grupo, agente de transformação em suas comunidades; e, desde 2024, Direitos e Saúde das Mulheres, agenda que é realizada em parceria com a Avon e foi incorporada a partir da integração com o Instituto Avon, que atuava há mais de 20 anos com iniciativas pelo cuidado com a saúde das mamas e fim da violência contra as mulheres. Em articulação com governos, sociedade civil e setor privado, o Instituto Natura apoia a formulação e implementação de políticas públicas de impacto sistêmico e duradouro e promove ações e campanhas de conscientização dentro da causa das mulheres, sempre apoiada pela Avon.

SOBRE A GÊNERO E NÚMERO

A Gênero e Número é uma associação sem fins lucrativos dedicada à produção, análise e comunicação de dados especializados sobre gênero, raça e sexualidade. Seu propósito é promover transformações sociais em prol da equidade e da justiça social, apoiando a tomada de decisões e a participação cidadã por meio de linguagem gráfica, conteúdo audiovisual, pesquisas, relatórios e reportagens multimídia.

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Mato Grosso

Retorno da BR-364 é interditado durante recuperação de ponte sobre o Rio São Lourenço

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Crédito – Mayke Toscano/Secom-MT

A Nova Rota do Oeste informa que fará, a partir desta quinta-feira (27.08), o fechamento de um retorno localizado no km 265,4 da BR-364, em São Pedro da Cipa. O dispositivo está situado antes do desvio de tráfego implantado para a continuidade das obras de recuperação estrutural da ponte sobre o Rio São Lourenço, localizada no km 266,7 da rodovia.

A medida é necessária para garantir a segurança viária na região, uma vez que motoristas estão realizando conversões irregulares no dispositivo, o que pode ocasionar sinistros.

Com o fechamento do retorno, as manobras poderão ser realizadas nos seguintes pontos:

  • Km 266 da BR-364: para quem viaja no sentido Cuiabá/Rondonópolis e precisa retornar;
  • Km 264 da BR-364: para quem viaja no sentido Rondonópolis/Cuiabá e precisa acessar a pista no sentido oposto.

Outras alterações no local

Conforme a programação da Nova Rota do Oeste, a pista Norte (sentido Cuiabá) será totalmente interditada em um trecho de 500 metros, entre os km 266,8 e 267,4, e o fluxo de veículos será desviado para a pista Sul (sentido Rondonópolis), que passará a funcionar em mão dupla pelo período estimado de 30 dias.

Durante esse período, o acesso da estrada vicinal à BR-364 no sentido Cuiabá, localizado no km 266,3, permanecerá fechado por questões de segurança. Os usuários e moradores das imediações deverão utilizar a estrada vicinal e acessar a rodovia pelo km 264,2, também no sentido Cuiabá. A sinalização foi implantada para orientar sobre o fechamento do acesso e o direcionamento do tráfego.

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A alteração é necessária para garantir a segurança dos motoristas e trabalhadores da obra, além de permitir o avanço da recuperação da ponte, que entra na etapa de concretagem dos reforços das vigas longarinas no sentido Norte. O serviço exige um período adequado para a cura do concreto.

A Nova Rota do Oeste orienta os motoristas a redobrarem a atenção ao trafegar pelo trecho, respeitando a sinalização e os limites de velocidade estabelecidos.

Se precisar, chame a Nova Rota – Para obter informações em tempo real sobre condições de tráfego, intervenções na rodovia, condições climáticas, entre outras situações no trecho sob concessão da BR-163, entre em contato com a Concessionária Nova Rota do Oeste pelo 0800 065 0163, que também funciona no WhatsApp. A central de atendimento funciona 24 horas. Neste canal de comunicação, também podem ser acionados todos os serviços oferecidos pela Nova Rota aos motoristas que estão na rodovia, como atendimento operacional, socorro médico e mecânico.

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Mato Grosso

Entrega dos kits da Corrida Marajá – Edição Infinity Energy Drink começam nesta quinta-feira (20/08)

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No ato da retirada do kit o participante deverá doar um quilo de alimento não-perecível (exceto sal)

O clima de expectativa já tomou conta dos 2 mil atletas inscritos na Corrida Marajá – Edição Infinity Energy Drink e antes de encarar o percurso no domingo (23/08), os participantes terão o compromisso nesta quinta-feira (20/08), com o início da entrega dos kits de prova em um espaço exclusivo do evento no Atacadão do Porto, em Cuiabá.

A organização preparou um cronograma especial em três dias para garantir comodidade e agilidade aos participantes: nos dias 20 e 21 de agosto (quinta e sexta-feira), das 9h às 19h e 22 de agosto (sábado), das 9h às 13 horas.

O kit oficial do atleta é para lá de completo, onde inclui a camiseta oficial da prova, sacochila, número de peito com chip de cronometragem, copo exclusivo colecionável, uma unidade do Infinity Energy Drink Sem Açúcar e brindes oferecidos pelos patrocinadores do evento.

Com o número no peito e chip de cronometragem garantidos, o foco total será para o dia do desafio de 6 quilômetros no domingo. A largada pontual está marcada para às 06h30, em frente à sede da fábrica de Refrigerantes Marajá, em Várzea Grande, que também servirá como ponto de chegada. O evento é alusivo ao aniversário de 63 anos de fundação da empresa.

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A recomendação da organização é que os corredores cheguem com antecedência para o aquecimento inicial e hidratação.

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