Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Portal Agro

Agricultores indígenas plantam quase 18 mil hectares de grãos em Mato Grosso

Publicado

Agricultores indígenas de três etnias plantaram para safra de 2018/2019 cerca de 18 mil hectares de grãos no entorno do município de Campo Novo dos Parecis (MT). Só a etnia Paresi plantou 10 mil hectares, sendo que o maior cultivo é de soja, com extensão de 8,7 mil hectares, seguida do milho, com mil hectares, e do arroz com 300 hectares.

Os povos Nambiquara e Manoki também plantaram mil hectares cada um. Para a safrinha deste ano, a expectativa é que sejam plantados 7,7 mil hectares de milho convencional, 6 mil de feijão, 1,4 mil de girassol e 500 de milho branco, totalizando quase 18 mil hectares.

Os dados são da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da Coopihanama, cooperativa responsável pela gestão administrativa e operacional da produção. O plano de gestão desenvolvido pela cooperativa, em parceria com a Opan (Operação Amazônia Nativa), projeta que nos próximos 50 anos o plantio na comunidade dos Paresi pode chegar a 30 mil hectares.

Encontro

O resultado da produção agrícola dos índios será apresentado durante o 1º Encontro Nacional do Grupo de Agricultores Indígenas, que está sendo realizado nas aldeias Bacaval e Matsene Kalore, do povo Paresi, em Mato Grosso. A programação desta quarta-feira (13) contará com a presença da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, e de outras autoridades dos governos federal e estadual. Representantes da Embrapa e da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), entre outras instituições, também participam.

Desde a última segunda-feira (11), quando teve início o encontro, representantes de mais de 30 etnias de diferentes estados do país, como Rondônia, Sergipe, Alagoas, debateram sobre a regulamentação das atividades agrícolas em terras indígenas, os entraves da atual legislação ambiental e mecanismos para sistema de financiamento, comércio e produção.

Veja Mais:  Abertas as inscrições para seminário internacional sobre agricultura na América Latina

Os indígenas também discutiram projetos de agricultura familiar, produção de peixes, gado, frango e plantio de mandioca. Uma carta com as reinvindicações dos indígenas será entregue às autoridades nesta quarta-feira (13).

“Há vários pontos que preocupam. Um deles é ter uma linha de crédito específica para os povos indígenas que querem desenvolver essa atividade dentro do território. Tem que ter também o licenciamento dessa terra que é trabalhada. Você cria peixe, camarão, outros tipos de coisa, mas quando você vai comercializar, tem que ter a origem do produto”, afirmou Adilson Muduywane Paresi, diretor-secretário da Coopihanama.

Os Paresi e a agricultura

Dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o povo Paresi reúne mais de dois mil integrantes em Mato Grosso. O estado tem 43 etnias indígenas e três delas têm se destacado na produção agrícola de larga escala. Outras etnias, como Umutina e Bakairi, tem demonstrado interesse em ampliar a produção de outras culturas, inclusive na pecuária.

No caso das comunidades dos Paresi, também conhecidos como Haliti, a mecanização da lavoura se intensificou nos últimos 16 anos. O povo ocupa nove territórios que somam 1,5 milhão de hectares. As comunidades se dividem em 63 aldeias, situadas em cinco municípios: Campo Novo do Parecis, Sapezal, Tangará da Serra, Conquista do Oeste e Nova Lacerda.

Segundo Adilson Paresi, a lavoura foi desenvolvida aos poucos pelos próprios indígenas. Por cerca de 12 anos, eles fizeram parceria com produtores rurais da região oferecendo a terra e mão de obra em troca de insumos e maquinário.

Safra legalizada

Como os territórios indígenas pertencem à União, os povos não são autorizados a produzir monocultura para comercialização nem para arrendamento. A restrição constitucional levou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a aplicar, no passado, 36 multas e a embargar mais de 20 mil hectares.

Veja Mais:  Aprosoja-MT lança nova forma de gerenciar riscos a partir do Aproclima

Uma das autuações ocorreu pelo plantio de produtos transgênicos no território indígena, o que é proibido pela legislação ambiental brasileira. “Uma das condições para poder plantar é continuar trabalhando sem transgênico no território. Então, estamos trabalhando 100% convencional”, explica Adilson.

A produção da safra atual foi possível depois de um acordo firmado entre o Ibama, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Ministério Público Federal. O acordo definiu que os Paresi poderiam plantar somente 10 mil hectares e os outros povos outros dois mil hectares. Foram estabelecidos também limites para a safrinha, totalizando os 18 mil hectares plantados atualmente.

O contrato com os agricultores não indígenas foi encerrado na safra passada e os indígenas criaram duas cooperativas (Nahama e Matsene) para administrar a produção, viabilizar a aquisição de insumos e distribuir a renda para as comunidades. Cerca de 2.600 pessoas são beneficiadas pelas duas associações.
“No arrendamento você paga e não precisa trabalhar, e não era isso que os índios queriam. Eles querem trabalhar, porque através do trabalho tem a renda deles. E essa lavoura emprega muita gente”, comenta Adilson.

Os dados da produção deste ano ainda não estão prontos, porque a colheita está em andamento, mas os indígenas estimam que a plantação renderá uma média 53 sacas de soja por hectare. Se a estimativa se confirmar, a safra poderá gerar pelo menos R$ 1,3 milhão para a comunidade, já descontados o custo da lavoura e a diferença que é dividida com o fornecedor de insumo.

Direitos da OIT

A Funai ressalta que os indígenas têm o direito de escolher seu modelo de desenvolvimento econômico, de acordo com a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para os povos indígenas e tribais.

Veja Mais:  Vendas externas do agronegócio em julho somam US$ 9,2 bilhões

“O povo Paresi vê esse projeto com olhos diferentes. Vê como uma oportunidade do povo ter uma vida digna por meio do trabalho desenvolvido dentro do próprio território”, defende Adilson. “Nós temos praticamente 18 mil hectares de lavoura mecanizada, que perto da quantidade de terra que nós temos, significa 0,7% do nosso território”, completa.

Com o lucro gerado na produção, as aldeias desenvolvem projetos de geração de renda, como turismo, piscicultura, entre outros. O objetivo é manter os jovens na comunidade.

“Tudo o que gera renda dentro do território indígena tem que ser acessado por todos que vivem ali dentro e respeitando a cultura, mantendo os costumes, as tradições, porque isso é o que nos torna diferente. Somos cidadãos, temos os mesmos direitos de desenvolver, mas com equilíbrio e responsabilidade”, comenta. Mas, para algumas comunidades indígenas, o modelo de produção em grande escala pode prejudicar a autonomia dos povos tradicionais e trazer prejuízos para o meio ambiente.

Os indígenas realizam rotação de culturas de feijão, milho vermelho, milho pipoca, painço, e outros, para manter a qualidade do solo e em dois mil hectares da área estão desenvolvendo experiência com controle biológico de pragas. Em parceria com uma empresa da região, os agricultores indígenas aplicam fungos e vírus na lavoura para diminuir o uso de agrotóxicos.

A estimativa mais recente do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) para a safra 2018/2019 é de 9,62 milhões de hectares semeados para soja. Para o milho, a previsão de área cultivada é de 4,69 milhões de hectares. O instituto não tem dados específicos da produção indígena.

Mais informações à imprensa:Coordenação-geral de Comunicação Social
Débora Brito
[email protected]

Comentários Facebook

Portal Agro

“A Carne do Futuro” será tema de simpósio nas principais cidades de Mato Grosso

Publicado

Evento reunirá mais de 2 mil produtores, pesquisadores e especialistas em Cuiabá e Rondonópolis

Foto- Assessoria

Com o tema “A Carne do Futuro”, o 12º Simpósio Nutripura, um dos mais importantes encontros da pecuária brasileira, acontecerá entre os dias 19 e 21 de março de 2026, com um dia de campo no Centro de Pesquisa Nutripura (CPN), em Rondonópolis, e outros dois dias de palestras e painéis em Cuiabá, no Buffet Leila Malouf, espaço referência em eventos no estado.

O simpósio reunirá mais de 2 mil participantes, entre produtores, técnicos, pesquisadores e empresas do agronegócio, em uma programação voltada à inovação, sustentabilidade e tendências nos principais mercados globais da carne brasileira.
Entre os nomes confirmados estão José Luiz Tejon, referência em marketing agro e comportamento do consumidor, Alexandre Mendonça de Barros, economista e especialista em cenários agropecuários, além de Moacyr Corsi, Flávio Portela e Luiz Nussio, professores da Esalq/USP reconhecidos por suas contribuições em nutrição, manejo e produção animal.

O Dia de Campo abrirá a programação com demonstrações práticas de tecnologias aplicadas à nutrição, manejo e bem-estar animal. Já os painéis técnicos e debates em Cuiabá contarão com especialistas para discutir os avanços da pecuária brasileira em inovação, sustentabilidade e rastreabilidade. O encerramento contará com o tradicional churrasco oferecido pela Nutripura, momento de networking e celebração da cultura da carne.
As inscrições já estão disponíveis no site www.nutripura.com.br/simposio.

Comentários Facebook
Veja Mais:  Aprosoja-MT lança nova forma de gerenciar riscos a partir do Aproclima
Continue lendo

Portal Agro

Exportação de carne suína de Mato Grosso bate recorde histórico em 2024

Publicado

China, Vietnã e Angola são principais destinos da proteína suína produzida em MT

Foto- Assessoria

O bom ano da suinocultura mato-grossense refletiu também nas exportações da proteína suína. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) Mato Grosso bateu recorde histórico de exportação de carne suína em 2024, atingindo 1,306 mil toneladas exportadas. O número é 9% maior que o exportado em 2023, antigo recorde com 1,199 mil toneladas.
No cenário nacional o resultado de 2024 também foi positivo, a exportação brasileira de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) atingiu 1,352 milhão de toneladas, estabelecendo novo recorde para o setor. O número supera em 10% o total exportado em 2023 (com 1,229 milhão de toneladas), segundo levantamentos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Para o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho, a expectativa de 2025 é positiva para o setor, principalmente pelo histórico dos últimos quatro meses.
“A expectativa é que 2025 seja um bom ano, visto o recorde de exportações nos últimos meses de 2024. A Acrismat vai continuar realizando o trabalho de manutenção sanitárias que promovem a qualidade da nossa carne, para manter nossas exportações e abrir novos mercados para nossos produtos”, pontuou.
Os principais destinos da carne suína de Mato Grosso foram Hong Kong, Vietnã, Angola e Uruguai. Dos produtos exportados, 80% foram In Natura, 18% miúdos e apenas 2% industrializados.
Na última semana o governo do Peru, por meio do Serviço Nacional de Sanidade Agrária (Senasa), autorizou que nove novas plantas frigoríficas no Brasil exportem produtos para o país.
Desde janeiro de 2023, o país vizinho importa carne suína do estado do Acre. Agora, com as novas habilitações, unidades em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo também poderão vender.
“A abertura do mercado peruano é mais uma boa oportunidade para a suinocultura de Mato Grosso, e reflete que o ano de 2025 para a atividade será de grandes oportunidades”, afirmou Frederico.
Comentários Facebook
Veja Mais:  Autocontrole é discutido em reunião do Fórum de Executores de Sanidade Agropecuária
Continue lendo

Portal Agro

Dia do Agricultor (28/7): produção de grãos deverá atingir 330 milhões de toneladas na próxima década

Publicado

Ministério da Agricultura prevê crescimento de 27% no setor até 2031; soja, milho, algodão e trigo puxam a evolução do setor

Foto: Assessoria

Enquanto outros setores produtivos mostraram dificuldades para crescer durante a pandemia, o agronegócio brasileiro “puxou para cima” o PIB nacional em 2020 – e deve continuar o bom desempenho também na próxima década. Segundo o estudo Projeções do Agronegócio, Brasil 2020/21 a 2030/31, realizado pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, a produção de grãos no Brasil deverá atingir mais de 330 milhões de toneladas nos próximos dez anos, uma evolução de 27%, a uma taxa anual de 2,4%. Soja, milho, algodão e trigo deverão se manter como os grandes protagonistas no campo.

O levantamento concluiu ainda que o consumo do mercado interno, o crescimento das exportações e os ganhos de produtividade, aliados às novas tecnologias, deverão ser os principais fatores de expansão do agronegócio brasileiro, que representou, no ano passado, mais de 26% de todo o produto interno bruto do país.

Na contramão

O setor de farinha de trigo, por exemplo, foi fortemente impactado pelo aumento no consumo de pães e massas no mercado interno durante a pandemia, e teve um crescimento de 9% no faturamento do ano passado, segundo estudo da Abimapi (Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados).

Veja Mais:  Vendas externas do agronegócio em julho somam US$ 9,2 bilhões

E a tendência seguiu assim no primeiro trimestre de 2021. A Herança Holandesa – linha de farinhas de trigo da Unium, marca institucional das indústrias das cooperativas paranaenses Frísia, Castrolanda e Capal – registrou no período, uma produção de 36,6 mil toneladas de farinha de trigo, e um faturamento que ultrapassou os R$ 67 milhões, números robustos para o setor no estado. “Os primeiros meses do ano foram muito positivos para o moinho da Unium. Nossa estimativa de produção para 2021 é de 140 mil toneladas, mesmo com um segundo semestre mais desafiador, com o preço do dólar influenciando no custo da matéria-prima”, explica o coordenador de negócios do moinho de trigo da Unium, Cleonir Ongaratto.

Dividida entre farinha e farelo de trigo, a produção da Unium não foi interrompida durante o período mais crítico do isolamento social, e a companhia conseguiu ainda investir R$ 756 mil em seus produtos em 2020. Ongaratto afirma que o principal objetivo foi garantir que todos os clientes fossem atendidos e que os supermercados estivessem abastecidos. “E a tendência é que continuemos dessa  forma. Temos um estudo para uma duplicação da moagem no moinho da Herança Holandesa, que deve ser aprovado pela diretoria da Unium ainda este ano, pois acreditamos que o setor continuará crescendo no futuro”, finaliza o coordenador.

Comentários Facebook
Continue lendo

ALMT Segurança nas Escolas

Rondonópolis

Polícia

Esportes

Famosos

Mais Lidas da Semana