Mato Grosso
Artistas estreiam mais uma edição da Mostra de Cenas
Estudantes e artistas da MT Escola de Teatro finalizam 2019 com mais uma edição Mostra de Cenas. Durante os dias 16 e 17 de dezembro, os grupos sobem ao palco do Cine Teatro Cuiabá, apresentando três peças inspiradas nas conseqüências vivenciadas pelos povos afetados por regimes de segregação social. Os espetáculos começam às 19h30, e a entrada é gratuita.
Esta é a sexta edição da Mostra de Cenas, que é realizada pelos estudantes do curso superior tecnológico em teatro. A ação tem o objetivo de proporcionar aos alunos uma experiência prática dos conhecimentos técnicos adquiridos em sala de aula.
“Enquanto prática artística, o teatro é capaz de gerar experiências que ampliam horizontes, discutem temas urgentes, constroem pontes, proporcionam o riso, a emoção, o divertimento. E também é fonte de renda, movimenta a economia e está presente no cotidiano das comunidades. Sendo assim, é papel do Estado fomentar e construir possibilidades de estruturação do setor. E uma política pública que pensa o desenvolvimento das artes tem que partir de uma ação basilar nesta tarefa, que é a formação, neste caso, realizada pela MT Escola de Teatro”, destaca o secretário de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), Allan Kardec Benitez.
Nos dois dias de programação, os grupos apresentam três peças com duração de vinte minutos cada uma. Os espetáculos se baseiam no conceito da Necropolítica, uma expressão utilizada pelo cientista político Achille Mbembe para designar como políticas públicas ou ações estatais podem implicar na negação de direitos, marginalização e até mesmo na morte de determinados grupos sociais. Para compor os espetáculos, os artistas pesquisaram notícias atuais relacionadas ao tema.
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A programação começa com a peça ‘A cerca de nós’, uma história de luta que se passa em um hospital público onde os rivais feridos de um conflito agrário são obrigados a dialogar e expor seus respectivos pontos de vista sobre as questões que os levaram ao embate.
Em seguida, será encenada ‘Desafinar o coro dos contentes’, que trata das relações cotidianas entre empregados e empregadores, sob a ótica das desigualdades sociais existentes entre as diferentes classes. O espetáculo de encerramento será ‘Necron’, que remete a uma sociedade do futuro onde o Estado controla o uso de armas letais, e a população é dividida entre conservadores e libertários.
A MT Escola de Teatro é resultado da parceria entre Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), a Associação dos Artistas Amigos da Praça (Adaap) e a Associação Cultural Cena Onze.
“Realizada por meio de uma parceria público-privada, é um projeto de muito sucesso, que tem transformado profundamente a realidade da rede produtiva das artes cênicas de Mato Grosso. Nunca antes vimos tantos profissionais atuando, realizando seus espetáculos, produzindo, formando público, construindo projetos, sendo vistos e emocionando tantas platéias”, complementa o secretário.
Esta é a segunda turma da MT Escola de Teatro, que formou 33 artistas no final de 2018, que hoje atuam profissionalmente nas áreas de teatro, cinema e televisão. Único curso tecnológico superior de Teatro de Mato Grosso, a graduação oferece ênfase nas áreas Atuação, Cenografia e Figurino, Direção, Dramaturgia, Iluminação, Sonoplastia e Produção Cultural. Ao todo, são 60 alunos no curso superior, cuja proposta pedagógica leva a assinatura de Ivam Cabral (diretor executivo da SP Escola de Teatro) e Rodolfo García Vázquez (coordenador de direção).
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Confira o resumo e ficha técnica das peças
A cerca de nós. A peça se passa em um hospital público no interior de Mato Grosso. O local está abarrotado de feridos, divididos entre campesinos e indígenas. Estes dois grupos protagonizaram um conflito agrário na região, e é justamente por isso que estas pessoas estão hospitalizadas. Neste contexto, impedidos de continuar o confronto fisicamente, são obrigados a dialogar e expor seus respectivos pontos de vista acerca das questões que os levaram ao embate.
Atuação: André Souza, Andreel Ferreira, Dicélia Correa, Duda Dal Bello, Elvis Dourado, Vinicius Amorim, Waltair França. Cenografia e Figurino: Bruno Brun, Liah Bischoff. Direção: Benone Lopes, Nariel Iatskiu. Dramaturgia: Sérvulo Neuberger, Tulio Paniago. Iluminação: Anna Maria Moura, Xico Macedo. Produção: José Junior Franco. Sonoplastia: Daniel Viegas, Débora Veiga, Edilson Souza.
Desafinar o coro dos contentes. Em qualquer país, em um município qualquer, pessoas enriquecem, fazem maracutaias, divertem-se ou sofrem. A classe social a que pertence diz sobre suas possibilidades. Brechta nos apresentará a essas distintas classes e veremos como o tempo passa para essas mesmas distintas classes. Será que trama o estado a morte de alguém? Será que alguém trama a morte do estado?
Atuação: André Ferreira de Oliveira, Dagmar Donatello, Ismael Diniz, Jonathan Nery, Maykon Matheus, Sarah Emily, Thais Falca. Cenografia e Figurino: Naiane Gonçalves, Luiz Carlos Ribeiro. Direção: Eliane Fonseca, Rafael Cerigato, Jean Pablo Loti. Dramaturgia: Glaubber Lauria. Iluminação: Alexandre Cruz, Raylla Campos. Produção: Gustavo Teixeira, Nadyne Marques. Sonoplastia: Marcio Albino, Pedro Trauer.
Necron. Com escassez da pólvora, a humanidade agora vive em Necron, lugar onde o Estado controla o uso da arma letal e que todo cidadão dispõe o direito da lei da delação. No mesmo território, a população foi dividida em duas castas: os libertários Margins e os conservadoristas Evolui. Nessa aparente tranqüilidade, diante das armas, as leis se calam e qualquer corpo é alvo.
Atuação: Ézero Obalhe, Fabíola Karen, Jone Sayd, Lucas Layon e Wender Almeida. Cenografia e Figurino: Débora Cometti e Róbson Oliveira. Direção: Clodoaldo Arruda. Dramaturgia: Susuca. Iluminação: Lívia Viana e Sebastian Dantas. Produção: Elis Correia e Ronaldo José. Sonoplastia: Carlos Awire e Roque Almeida.
Serviço
A MT Escola de Teatro funciona no Cine Teatro Cuiabá, que é um dos equipamentos culturais da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel). Está localizado na Avenida Presidente Getúlio Várgas, 247, Centro de Cuiabá. A entrada é gratuita. Mas pessoas interessadas em contribuir com a MT Escola de Teatro podem doar R$ 5 pelo ingresso. Mais informações sobre a Mostra de Cenas: (65) 99601-1817 / 2129-3848.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Leis aprovadas por Câmaras são declaradas inconstitucionais em MT

Foto- Assessoria
Leis aprovadas em câmaras municipais que avançam sobre atribuições típicas do Poder Executivo continuam sendo alvo de questionamentos no Judiciário, com reiterado reconhecimento de inconstitucionalidade por vícios formais. Em decisões recentes envolvendo municípios mato-grossenses, a exemplo de Sinop e Rondonópolis, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reafirmou os parâmetros que delimitam a atuação do Legislativo local.
Nesse contexto, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tem se manifestado em ações diretas de inconstitucionalidade apontando irregularidades em leis de iniciativa parlamentar que tratam da execução de políticas públicas. Foi o que ocorreu nos casos das Leis Municipais nº 3.599/2025, que instituiu a denominada Escola Ambiental, e nº 3.641/2026, que criou o Programa Oftalmologia nas Escolas, ambas no município de Sinop.
As análises jurídicas indicam que essas normas apresentaram vício formal de iniciativa, uma vez que trataram de matérias cuja proposição é reservada ao chefe do Poder Executivo. A Constituição Federal e a Constituição do Estado de Mato Grosso estabelecem que cabe privativamente ao Executivo propor leis que disponham sobre organização administrativa, funcionamento de órgãos públicos e implementação de políticas governamentais, entendimento que se aplica aos municípios por simetria constitucional.
Nos casos analisados, as leis não se limitaram à criação de diretrizes gerais, mas passaram a disciplinar a execução das políticas públicas. Entre os pontos identificados estão a definição de periodicidade de serviços, a imposição de atividades específicas por secretarias e a vinculação direta de ações à estrutura administrativa do município. Esse tipo de previsão normativa caracteriza ingerência indevida na esfera do Executivo, ao restringir a margem de decisão administrativa quanto à conveniência, oportunidade e viabilidade das medidas.
Situação semelhante foi verificada em Rondonópolis, onde a Lei Municipal nº 14.224/2025 instituiu o projeto “Bem-Estar Rural”, determinando a realização de atividades físicas e de lazer para a população, com frequência mínima semanal e execução a cargo de secretaria municipal. O entendimento consolidado foi de que a norma, também de iniciativa parlamentar, impôs obrigações concretas ao Executivo, interferindo na gestão administrativa, no planejamento de políticas públicas e na alocação de recursos humanos, além de exigir contratação de profissionais.
Nessa hipótese, assim como em Sinop, o Ministério Público apontou que, embora a iniciativa legislativa tenha sido orientada por finalidade social relevante, a forma adotada acabou por invadir a esfera de competência do Executivo, comprometendo o equilíbrio entre os poderes e retirando do gestor público a possibilidade de avaliar a melhor forma de execução da política pública.
Outro ponto comum nos casos analisados é a violação ao princípio da separação dos poderes. Embora o Legislativo tenha papel essencial na formulação de normas e na representação da sociedade, sua atuação encontra limites constitucionais. Quando a lei estabelece comandos operacionais específicos, substitui a discricionariedade administrativa por obrigações previamente definidas, caracterizando interferência indevida na gestão pública.
Além disso, foi constatada a ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro em leis que criavam despesas públicas obrigatórias e continuadas. A exigência constitucional de apresentação desse estudo busca garantir o equilíbrio das contas públicas e a compatibilidade com o planejamento orçamentário. A inobservância desse requisito tem sido considerada vício suficiente para invalidar as normas.
A atuação do Ministério Público nesses casos busca assegurar que o processo legislativo observe os parâmetros constitucionais, contribuindo para a produção de normas eficazes e juridicamente válidas, sempre reconhecendo o importante papel das câmaras municipais na elaboração de leis que estabeleçam diretrizes gerais e políticas públicas em sentido amplo.
Mato Grosso
Estado é condenado a reformar Cadeia Pública feminina de Cáceres
A pedido da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Cáceres (a 225 km de Cuiabá), a Justiça determinou que o Estado de Mato Grosso apresente, no prazo de até 90 dias, um plano completo para sanar irregularidades estruturais, sanitárias e de segurança na Cadeia Pública Feminina de Cáceres, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. A 4ª Vara Cível da comarca julgou procedente a Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso. A sentença foi proferida em 21 de maio.
A decisão judicial estabelece que o Estado deve elaborar, apresentar e implementar um Plano de Adequação Estrutural e Funcional, no qual deverão constar, de forma detalhada, todas as intervenções necessárias para a regularização da unidade, incluindo obras, reparos e medidas voltadas ao cumprimento das normas de segurança contra incêndio, das condições sanitárias e das exigências estruturais. O cronograma deverá indicar, ainda, os prazos de início e conclusão de cada etapa, a estimativa de custos, as fontes de financiamento e os órgãos responsáveis pela execução.
Além disso, o Estado deverá comprovar periodicamente o andamento das ações por meio da apresentação de relatórios técnicos e registros fotográficos a cada 60 dias, evidenciando a evolução das medidas adotadas. Na sentença, o juízo também fixou multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil, em caso de descumprimento dos prazos estabelecidos.
De acordo com a ação, a investigação teve início após a 1ª Promotoria de Justiça Criminal identificar irregularidades relevantes na unidade durante fiscalizações de rotina, especialmente relacionadas à estrutura física, à segurança e ao funcionamento, com risco à integridade de custodiadas e servidores. Diante desse cenário, a 1ª Promotoria de Justiça Cível instaurou procedimento para acompanhar a situação e cobrar providências do Estado, responsável pela gestão do sistema prisional.
As apurações revelaram um quadro crônico de precariedade estrutural, com edificações deterioradas, problemas nas instalações elétricas, ausência de sistemas adequados de prevenção a incêndios e falhas nas condições sanitárias. Relatórios técnicos e vistorias realizadas por órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária e o Centro de Apoio Operacional do Ministério Público (CAO-MP) confirmaram os riscos. Na cadeia feminina, foram registrados, entre outros problemas, fiação exposta e sobrecarga elétrica, fatores que motivaram, inclusive, pedido de interdição parcial.
“As irregularidades estruturais constatadas pelo Centro de Apoio Operacional do Ministério Público expõem de forma permanente pessoas privadas de liberdade, servidores e demais usuários das unidades prisionais a riscos concretos à vida e à integridade física, especialmente em razão da precariedade das edificações, da ausência de manutenção preventiva e da deficiência das instalações elétricas e estruturais.”, narra a ação.
Segundo o MPMT, as medidas adotadas pelo Estado ao longo da investigação foram pontuais e insuficientes para solucionar as irregularidades. O Ministério Público também buscou uma solução extrajudicial, por meio da proposta de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não obteve resposta do poder público.
Foto: Reprodução.
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