Mato Grosso
Autor de dois homicídios no mesmo dia em Barra do Bugres é preso pela Polícia Civil em Sapezal
O autor de dois homicídios, ocorridos no mesmo dia no intervalo de quatro horas, em Barra do Bugres, teve o mandado de prisão preventiva cumprido pela Polícia Civil, nesta sexta-feira (08.07), no município de Sapezal. Os crimes estariam ligados à atuação de uma facção criminosa, em razão de dívida, com drogas, das vítimas.
O suspeito, de 22 anos, teve o mandado de prisão cumprido em uma ação conjunta entre a Delegacia de Barra do Bugres e Delegacia de Sapezal. A execução de um jovem de 18 anos e de um adolescente de 15 anos ocorreu no dia 30 de junho.
A primeira vítima, Edemilson da Silva Moraes, foi morta por volta das 16h30, no cemitério da cidade, onde trabalhava como servente de pedreiro, onde foi encontrada pelos policiais, já sem vida e com várias perfurações causadas por arma de fogo.
O segundo crime, cuja vítima foi o adolescente Wellinton da Silva Paiva, foi cometido cerca de quatro horas depois da primeira execução. Ela estava na casa de uma tia no bairro Renê Barbour, quando o suspeito arrombou o portão, foi até os fundos e atirou várias vezes contra o menor.
A vítima ainda correu, tentando escapar, mas caiu rua, ferido na cabeça. Foi socorrido ainda com sinais vitais pelo Samu, mas não resistiu aos ferimentos e morreu ao dar entrada no hospital.
Nas investigações da equipe da Delegacia de Barra do Bugres, foi identificado que o crime estava relacionado à atuação de facção criminosa, uma vez que as duas vítimas possuíam dívidas de drogas, fato que teria motivado o crime.
Com base nas informações, foi possível identificar o responsável pela execução das duas vítimas. A delegada titular de Barra do Bugres, Renata Evangelista, representou pela prisão preventiva do suspeito, que foi deferida pela Justiça nesta sexta-feira (08).
Após troca de informações entre as unidades policiais, a ordem de prisão foi cumprida pela equipe de investigadores da Delegacia de Sapezal, em ação coordenada pelo delegado Herbeth Montenegro, sendo, posteriormente, o preso encaminhado para o presídio de Campo Novo do Parecis.
Fonte: GOV MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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