Mato Grosso
Banco de dados periciais é utilizado para criação de ferramenta de análise forense
Imagens extraídas de computadores e celulares analisados pela Gerência de Perícia de Computação Forense da Politec foram utilizadas como base de dados para a criação de uma ferramenta computacional que facilita as buscas por conteúdos alvos de investigação.
A ferramenta, denominada “ML Forensics” reduz em até 70% o universo de buscas por conteúdos através de mecanismos de Inteligência Artificial, que filtra os objetos relacionados aos crimes mais comuns analisados pela Gerência.
O perito criminal Thiago Henrique de Souza Santos realizou uma seleção com mais de 7 mil imagens subdivididas em categorias que constam no banco de dados do sistema criado e as cedeu ao professor do Instituto de Computação da Universidade Federal de Mato Grosso, Tiago Meireles Ventura, para o desenvolvimento do projeto. A biblioteca do sistema possui imagens relacionadas a crimes que envolvam drogas, dinheiro, armas, pornografia, cenas de morte violenta e documentos.
Ao selecionar uma das categorias, o perito pode escolher diferentes níveis de precisão e o sistema busca as imagens que possam estar relacionadas à área de interesse da perícia. Ao extrair 50 mil imagens de um computador, por exemplo, o sistema seleciona 144 relacionadas à categoria selecionada.
Para os peritos, a ferramenta contribui para um maior rendimento e celeridade às análises forenses.
“Na perícia de computação forense, a análise do material é uma das principais dificuldades que lidamos devido à grande quantidade de conteúdos extraídos da memória dos dispositivos em que o perito deve procurar apenas aqueles que possivelmente estão relacionados aos crimes investigados. Eu já tinha a ideia dessa ferramenta, e o professor possuía o conhecimento para concretiza-la. Ele se interessou em criar modelos com base em imagens analisadas pela perícia e acabamos desenvolvendo”, explicou o Thiago Santos.
Ainda em fase de testes, a ferramenta já foi utilizada em quatro casos reais, mas ainda precisa de algumas adequações para serem publicadas cientificamente.
A metodologia empregada, com o título “Modelos abertos de deep learning aplicados à análise forense de imagens”, será apresentada durante o IX Seminário de Crimes de Informática, no dia 07/12, às 9h10. O evento será no Mato Grosso Palace Hotel, em Cuiabá.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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