Mato Grosso
Servidores de MT ameaçam greve às vésperas do Natal e já cobram salários de Mauro

O Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde (Sisma-MT) protocolou junto ao Governo do Estado um ofício informando que a classe entrará em greve na véspera do Natal – que ocorrerá na próxima segunda-feira (24) -, caso os salários dos servidores relativos ao mês de novembro de 2018 não sejam pagos até o dia 21 de dezembro. O ofício, assinado pelo presidente do Sisma-MT, Oscarlino Alves, nesta terça-feira (18), foi protocolado no gabinete do Governador Pedro Taques (PSDB).
A principal reinvindicação dos servidores é o pagamento dos salários de novembro que está em atraso. “O movimento se dá em função do atraso no pagamento dos salários dos servidores relativo ao mês de novembro de 2018 e que deveria ter sido pago até o dia 10 de dezembro de 2018, e que até a presente data não se realizou, em total desrespeito ao artigo 147 da Constituição do Estado de Mato Grosso”, diz trecho do ofício.
A medida também atende a uma deliberação da categoria ocorrida numa Assembleia Geral Extraordinária Permanente, do dia 24 de setembro de 2018, e que teve sua continuidade nesta terça-feira. O Sisma-MT também adiantou que se o salário do mês de dezembro não for pago até 10 de janeiro de 2019 – já na gestão Mauro Mendes (DEM) -, voltará a discutir uma paralisação com os trabalhadores.
“Trata-se também de deliberação da categoria que prontamente manteve também a Assembleia Geral Extraordinária Permanente instalada em 24 de setembro de 2018, afim de que não havendo o pagamento do salário do mês de dezembro de 2018 até o dia 10 de janeiro de 2018, a categoria se reunirá novamente para deliberar sobre eventual paralisação”.
PAGAMENTO
O Secretário de Estado de Fazenda (Sefaz-MT), Rogério Gallo, garantiu nesta terça-feira que 100% dos salários do funcionalismo serão pagos até a próxima quinta-feira (20) – um dia antes do prazo estipulado pelo Sisma-MT para a deflagração da greve.
Ele também afirmou que cerca de 11.500 servidores já devem receber na quarta-feira (19). O restante (1.500 trabalhadores) receberão os subsídios no dia seguinte.
No último dia 10 de dezembro, cerca de 90% dos servidores do Poder Executivo Estadual receberam seus salários. O Governo culpa a falta de recursos em caixa para o atraso nos pagamentos.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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