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Mato Grosso

Bombeiras militares fazem história na corporação e inspiram nova geração

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Seja no atendimento às mais diversas ocorrências, nos cargos de gestão estratégica e liderança, ou nas salas de aula, ensinando e aprendendo, as mulheres desempenham papéis fundamentais no fortalecimento do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT). Neste domingo (8.3), Dia Internacional da Mulher, a corporação destaca a trajetória das bombeiras militares que, ao longo de décadas, vêm consolidando sua presença na instituição.

A data ganha ainda mais significado neste ano, já que o CBMMT comemora 25 anos da inclusão feminina na corporação nesta segunda-feira (9.3), marco histórico que possibilitou a atuação permanente e estratégica das mulheres na instituição. Esse processo começou em 2001, com a inclusão das três primeiras oficiais, sob o comando do coronel BM RR Clarindo Vicente de Figueiredo Filho, então comandante-geral.

Dois anos depois, em 2003, foi formada a primeira turma de praças, ampliando as oportunidades para que outras mulheres também ingressassem na carreira militar. Desde então, a presença feminina passou a integrar, de forma cada vez mais expressiva, a rotina e a história da corporação.

“Ficamos felizes por termos estado à frente, na época, da concretização desse desejo. E hoje tenho certeza de que estamos satisfeitos com a implantação do corpo feminino. Os resultados estão aí, demonstrando a competência e a capacidade não só administrativa, mas também operacional, em diversos segmentos da corporação”, afirmou o coronel BM RR Clarindo.

Ao longo dessas duas décadas e meia, a atuação das bombeiras também se consolidou em posições de liderança. Com dedicação, preparo e compromisso com a missão institucional, elas passaram a assumir funções de destaque e chegaram ao comando de unidades operacionais e até de comandos regionais, fortalecendo ainda mais o CBMMT.

Uma das mulheres que marcaram a história da corporação ao ser a primeira a alcançar o posto de coronel, em 2021, a coronel BM Luciana Bragança Brandão da Silva, destacou a responsabilidade de estar em espaços nunca ocupados antes e como isso influenciou toda a trajetória das mulheres na instituição.

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“Cheguei, sim, ao último posto, o de coronel, e não foi fácil. Foi um grande sacrifício, inclusive, porque tive que sair da cidade e deixar minha família. Fui transferida para o interior e fui prontamente, porque sabia que era importante. Hoje vemos muitas mulheres assumindo funções de comando. Oficiais e praças também realizaram cursos de especialização, o que nos fortalece muito e demonstra a capacidade que todas temos de atuar nas mais diversas atividades operacionais da instituição. Isso, com certeza, eleva e fortalece o nome do efetivo feminino”, disse.

A coronel ressaltou ainda os desafios enfrentados ao longo da carreira, sobretudo à estruturação de medidas, políticas e práticas que tornaram a corporação mais inclusiva para as mulheres e que permanecem até hoje no cotidiano da instituição. Além disso, ela enfatizou a importância de manter esse compromisso coletivo voltado para o futuro das mulheres dentro da corporação.

“Tenho plena certeza de que essa trajetória só foi construída porque muitas outras mulheres vieram junto conosco. Não teríamos construído essa história ao longo desses 25 anos se fôssemos apenas nós três oficiais. Por isso, fico muito feliz em saber que hoje contamos com 233 mulheres na instituição, entre militares e civis, sejam elas efetivas ou temporárias. É uma instituição que está naturalmente crescendo, assim como a presença feminina. Cabe, agora, a todas essas mulheres zelar pela história que queremos continuar escrevendo”, garantiu.

A coronel BM Vivian Rizziolli Côrrea, que também integrou o grupo das primeiras mulheres no CBMMT, também compartilhou a responsabilidade de ser uma das pioneiras na corporação e o impacto de suas ações para inspirar novas gerações. “Tudo era novo e cada passo representava um desafio. Era necessário demonstrar, diariamente, capacidade, preparo e determinação para exercer a profissão com o mesmo comprometimento. Ao mesmo tempo, havia o orgulho de abrir caminhos para que outras mulheres também pudessem servir à sociedade por meio da corporação”, afirmou.

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Para ela, essa experiência não se resume a uma vitória pessoal. É a história da corporação sendo construída a cada passo. “Fazer parte dessa história é motivo de orgulho e gratidão. É a satisfação de ter contribuído para uma mudança importante na instituição. Ver tantas mulheres ingressando na corporação e construindo suas trajetórias mostra que todo o esforço no passado ajudou a abrir caminhos para as gerações seguintes”, disse a coronel.

Graças às pioneiras, tanto oficiais quanto praças, as mulheres passaram a ter oportunidades reais de ocupar posições cada vez mais estratégicas e desafiadoras em áreas que antes pareciam inacessíveis. Entre elas, destaca-se a major BM Tamara Karoline Lopes Secotti, a primeira mulher oficial a se formar no Curso de Especialização em Salvamento em Altura (Cesalt). Essa conquista, porém, exigiu coragem e resiliência exemplar, mesmo diante da resistência de alguns.

“Eu cheguei como aspirante com um desejo de atuar em salvamento em altura. E aí veio o impacto inicial. Tínhamos um instrutor superacessível na academia, e, no meu contato inicial aqui na corporação, a primeira frase que ouvi foi: ‘Mulher não faz salvamento em altura.’ Fiquei muito chocada. Foi um impacto para mim, mas isso me fortaleceu. Isso me deixou ainda mais instigada a cumprir o objetivo que tive desde o primeiro dia na academia. E hoje, graças a Deus, temos um cenário bastante diferente, em que essa frase já não se aplica”, garantiu.

Hoje, a corporação conta com a presença das mulheres em todas as áreas, cuja atuação tem renovado práticas, ampliado perspectivas e impulsionado a capacidade da instituição de atender à sociedade de forma mais ágil e humana. Com 21 anos de dedicação, tanto na área administrativa quanto na operacional, a 1ª sargento BM Kleidiane Lanuzza de Lima Ferreira enfatizou como a presença feminina tem contribuído para o CBMMT.

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“Acho que a corporação, de uns anos para cá, vem evoluindo muito em relação a isso, o que eu penso ser algo magnífico para a gente. Penso que nós, mulheres, temos esse lado um pouco mais delicado para a instituição, aquele equilíbrio da balança entre o cuidado feminino e a força masculina. A sabedoria que ambos têm ali nos permite fazer um trabalho bacana, oferecendo o melhor serviço para a sociedade mato-grossense”, afirmou a sargento.

Ela, que integra a coordenação do 20º Curso de Formação de Soldados Bombeiro Militar (CFSD), desempenhou papel central na preparação das novas bombeiras, como a aluna-soldado BM Danyella Gonçalves Paixão. Mais do que adquirir conhecimentos técnicos, a aluna afirmou estar se inspirando no exemplo de outras mulheres da corporação para fazer o seu melhor.

“Como meu curso de formação tem mais da metade de alunos do sexo feminino, eu acredito que as mulheres estão conquistando cada vez mais espaço dentro da corporação. Isso é positivo, pois nos permite mostrar que, apesar de sermos do sexo feminino, podemos contribuir tanto quanto os homens para a corporação, seja no serviço, nas operações, na área administrativa ou em qualquer setor do quartel”, encerrou.

Além das bombeiras já em atuação e em formação, o CBMMT deverá receber em breve outras nove alunas-soldado. Na última sexta-feira (6.3), foi publicado o chamamento para uma nova turma do CFSD. A chegada dessas novas integrantes reforça o avanço da presença feminina na corporação e evidencia o compromisso do CBMMT com a valorização da diversidade e a ampliação das oportunidades para as mulheres na carreira militar.

Fonte: Governo MT – MT

Mato Grosso

Serra de São Vicente será parcialmente interditada para manutenção e implantação de iluminação

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Alteração no tráfego ocorrerá entre terça e quarta-feira, das 8h30 às 17h

Foto- Assessoria

A Nova Rota do Oeste alerta aos motoristas para uma alteração temporária no tráfego da Serra de São Vicente na terça e quarta-feira (30/06 e 01/07), das 8h30 às 17h, no sentido Rondonópolis/Cuiabá. A mudança pretende permitir que as equipes da Concessionária realizem obras de implantação de sistema de iluminação, além de serviços de limpeza da vegetação às margens da pista, manutenção dos sistemas de drenagem e obras no pavimento da rodovia.

Em caso de condições climáticas inadequadas para a execução dos trabalhos, como a formação de neblina, os serviços poderão ser cancelados e reprogramados. A implantação do sistema de iluminação, as melhorias na pista e na drenagem, integram as ações voltadas ao reforço da segurança viária e à melhoria das condições de trafegabilidade na região.

A alteração no tráfego visa garantir a segurança dos profissionais envolvidos nos serviços, bem como dos motoristas que trafegarão pela rodovia durante as obras. A orientação da Nova Rota é que os condutores reduzam a velocidade e respeitem as orientações e sinalizações empregadas no local.

Cronograma:

8h30 — Interdição total para implantação da sinalização da obra

09h — Liberação do tráfego em meia pista

16h30 — Interdição total para retirada da sinalização da obra

17h00 – Liberação total do tráfego

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Se precisar, chame a Nova Rota – Para obter informações em tempo real sobre condições de tráfego, intervenções na rodovia, condições climáticas, entre outras situações no trecho sob concessão da BR-163, entre em contato com a Concessionária Nova Rota do Oeste pelo 0800 065 0163, que também funciona no WhatsApp. A central de atendimento funciona 24 horas. Neste canal de comunicação, também podem ser acionados todos os serviços oferecidos pela Nova Rota aos motoristas que estão na rodovia, como atendimento operacional, socorro médico e mecânico.

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Mato Grosso

Pedido de julgamento do Cota Zero chega ao STF após conclusão de ineficácia da Lei em Mato Grosso

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Petição protocolada pelo Formad apresenta baixa cobertura a pescadores e graves impactos econômicos no estado

Parado no Supremo Tribunal Federal (STF), o julgamento da inconstitucionalidade do Cota Zero ganha novos argumentos em defesa da derrubada da Lei. Uma petição protocolada pelo Fórum Popular Socioambiental de Mato Grosso (Formad), junto a outras organizações da sociedade civil, conclui que não há evidências técnico-científicas que demonstrem a recuperação dos estoques pesqueiros com a vigência do Cota Zero (Lei 12.434/24 e Lei 12.197/23). Também não houve comprovação por parte do Estado de Mato Grosso quanto à eficácia e melhoria das condições socioambientais nas regiões afetadas.

A petição é protocolada em uma data simbólica, 29 de junho – Dia Nacional do Pescador, e o documento chama a atenção para os severos impactos não só nas comunidades ribeirinhas em Mato Grosso, como em toda uma cadeia econômica e social que depende direta ou indiretamente da pesca artesanal. O pedido das organizações signatárias é que o relator das ações de inconstitucionalidade no STF, ministro André Mendonça, prossiga com a inclusão na pauta de julgamento do Plenário.

O objetivo é que o conjunto de documentos, relatórios técnicos, pareceres e manifestações de órgãos envolvidos seja apreciado pelos demais ministros para que haja uma decisão sobre a suspensão da Lei. O Formad está entre as organizações aceitas como amicus curiae nas ações de inconstitucionalidade no STF, representando entidades da sociedade civil, comunidades tradicionais e pesquisadores.

A primeira ação pela derrubada do Cota Zero no Supremo é de outubro de 2023 sem qualquer manifestação do ministro. Em seu último despacho, em janeiro de 2026, determinou ao Estado de Mato Grosso que apresentasse informações sobre a eficácia e efetividade da lei; os relatórios emitidos pelo Observatório da Pesca; e a situação atual dos pescadores em relação ao pagamento de auxílio e a flexibilização das espécies proibidas.

As informações fornecidas pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) e Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), além da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), foram analisadas pela petição protocolada pelo Formad.

Segundo o documento, sob a ótica da eficácia e da efetividade, a suspensão da atividade pesqueira não apresenta fundamentos técnicos e científicos idôneos que justifiquem a medida. Da parte dos órgãos estaduais não há dados que justifiquem os presumidos benefícios da Lei. Pela ALMT, o Observatório da Pesca não resultou em encaminhamentos sobre os impactos, além de ter contribuído com a revitimização dos pescadores, conforme analisado pelo Formad (Uma vergonha chamada Observatório da Pesca) na conclusão dos trabalhos do grupo, em 2024. 

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Não há qualquer nexo de causalidade entre a proibição e a recuperação dos estoques pesqueiros (…) Em contrapartida, os dados revelam um severo desequilíbrio regulatório e patente desproporcionalidade, enquanto o Estado priorizou a estruturação do turismo de pesca, negligenciou por completo os direitos constitucionais e a subsistência dos pescadores artesanais, bem como negligenciou a proteção ambiental“, destaca o documento.

Veja o quadro comparativo adaptado que analisou as respostas dadas pelos órgãos estaduais:

Documento

Eficácia e Efetividade

Situação dos Pescadores

Principais Conclusões

PGE-MT (conjunto das informações apresentadas ao STF)

Não há aumento dos estoques pesqueiros nem melhoria ambiental. As metas não foram demonstradas.

Mais de 80% dos pescadores sem cobertura das medidas compensatórias. Mais de 70% do território estadual não foi atendido pelo auxílio.

Política considerada ineficaz para os objetivos ambientais e com fortes impactos sociais e econômicos sobre comunidades pesqueiras.

SEDEC

Comprovou resultados apenas na estruturação do turismo de pesca. Não demonstrou benefícios ambientais ou recuperação dos estoques.

Não apresentou informações sobre perdas econômicas dos pescadores e municípios dependentes da pesca artesanal.

Houve priorização do turismo de pesca, sem avaliação dos impactos socioeconômicos da restrição pesqueira.

SETASC (REPESCA)

Não demonstrou que as medidas compensatórias foram suficientes para mitigar os impactos da legislação.

Apenas 19 pescadores foram atendidos em 2024 e 2.172 em 2025. Mais de 80% da categoria permaneceu excluída. Cursos de capacitação alcançaram apenas 35 beneficiários entre cerca de 16 mil famílias.

Cenário de insuficiência da política pública, exclusão social e barreiras burocráticas para acesso aos benefícios.

SEMA

Não comprovou que a proibição da pesca contribuiu para a recuperação dos estoques ou melhoria ambiental.

Reconhece impactos sobre pescadores, mas concentra ações em fiscalização e repressão.

Apresenta dados de fiscalização, porém sem evidências dos resultados ambientais que justificariam a restrição.

Observatório da Pesca (ALMT)

Não apresentou base técnico-científica suficiente para validar as restrições impostas.

Participação limitada das comunidades tradicionais e pescadores artesanais.

Governança considerada assimétrica, com baixa representação direta dos grupos afetados.

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Avanço no turismo só atende setor econômico favorável ao Cota Zero

Um dos apontamentos levantados pelas organizações é o desequilíbrio entre os investimentos realizados pelo Estado. Conforme a devolutiva da SEDEC, via Secretaria Adjunta de Turismo, dos projetos de incentivo apenas o de Estruturação do Turismo de Pesca em Mato Grosso encontra-se efetivamente em execução. Já as iniciativas voltadas à conservação ambiental permanecem como propostas. Entre elas estão os projetos “Piraíba”, “Dourado” e “Dourado – Avaliação de Estoque”, ainda sem implementação prática, o que revela que “a justificativa de proteger o meio ambiente não é verídica, como tampouco foi prioridade desde o advento da mudança legislativa na política estadual da pesca“.

Na última audiência pública em Cuiabá (MT) para debater os impactos do Cota Zero, representantes do setor turístico falaram abertamente sobre os lucros obtidos nos últimos anos com a legislação em vigência e o quanto vêm sendo beneficiados com a prática do “pesque e solte”, única atividade autorizada pelo Governo nos rios do estado.

Uma nota técnica do WWF Brasil, divulgada em abril deste ano, trouxe dados inéditos sobre a pesca na Bacia do Alto Paraguai, com destaque na ausência de comprovação a respeito da sobrepesca, conforme justificado pelo Executivo, autor do projeto proibitivo. O levantamento aponta que a atividade pesqueira movimenta cerca de R$889 milhões por ano, correspondente a 44% do PIB médio anual das cidades somente na região da BAP. Do total, a pesca profissional artesanal é responsável por R$102,7 milhões ao ano, sendo mais da metade (R$59 milhões) oriunda da venda do pescado. Enquanto o turismo de pesca, gera R$54,9 milhões por ano. O documento reforça a argumentação da petição do Formad e foi anexada ao processo. 

Paralelamente ao crescimento no turismo, a falta de cobertura das medidas compensatórias do Cota Zero é demonstrada com os dados apresentados pela Setasc, que com o REPESCA contabilizou o pagamento a pouco mais de 2,1 mil pescadores. Ao todo, Mato Grosso possui cerca de 16 mil. O que representa uma ausência de cobertura de mais de 80% dos pescadores artesanais.

Racismo ambiental e insegurança alimentar

Para além dos impactos econômicos, o Cota Zero é sinônimo de marginalização, insegurança alimentar e perda de direitos humanos. A petição inclui o debate sobre o conceito de racismo ambiental, ao argumentar que a Lei tem distribuído de forma desigual os custos de uma decisão política.

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Ao penalizar severamente a pesca artesanal e proibir o livre exercício de um modo de vida tradicional milenar, a política pública preserva e beneficia setores de maior poder econômico e menor vulnerabilidade social. Essa distorção revela um padrão de exclusão distributiva no qual a preservação ambiental é instrumentalizada à custa da identidade cultural, da liberdade de profissão e da dignidade humana de populações historicamente marginalizadas e que atuam reconhecidamente como guardiões do meio ambiente“, traz a petição.

E a exclusão social não para por aí, quando se analisa os dados fornecidos pela Setasc de que somente 35 pessoas foram beneficiadas com os cursos de capacitação oferecidos. Isto porque, acrescenta a petição, “a exigência de escolaridade mínima funcionou como a principal barreira burocrática para a ampliação do programa, ignorando a realidade sociocultural da categoria. A SETASC provou que excluiu aproximadamente 83% dos pescadores e exigiu escolaridade formal de quem é tradicional“.

O abandono compulsório da atividade pesqueira artesanal já é visto em algumas comunidades, descaracterizando populações historicamente presentes à beira dos rios de Mato Grosso e isso, aliado à notória insegurança alimentar vivenciada por milhares de famílias, compõe um cenário de exclusão social e altíssimo custo à dignidade humana.

Com o prazo concedido pelo STF já encerrado e sem apresentação de uma solução capaz de responder aos questionamentos levantados, a expectativa da sociedade civil é conquistar o andamento processual da pauta no Supremo. Um julgamento final do caso pode decidir mais do que a retomada de uma atividade profissional, mas por fim a um dos casos mais emblemáticos na disputa de interesses econômicos e privilégios a uma categoria já bastante beneficiada em Mato Grosso.

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Por Bruna Pinheiro / Formad

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Mato Grosso

Laudo afasta crime, mas incêndio em prédio da Prefeitura de VG segue cercado de perguntas

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A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) concluiu os levantamentos periciais e descartou a hipótese de incêndio criminoso no prédio da gerência de patrimônio e da Superintendência Operacional do Sistema Escolar da Prefeitura de Várzea Grande, ocorrido no dia 17/6.

Análises de vestígios coletados no local associada a evidências de registros de gravação de câmeras de segurança das redondezas e depoimento de testemunhas apontaram para causa acidental provocada por fenômeno termoelétrico na fiação localizada na parte superior da câmara fria de alimentos congelados pertencente ao anexo I da Secretaria Municipal de Educação de Várzea Grande, que seriam destinadas à alimentação dos alunos da rede municipal de educação. Os peritos realizaram vistoria externa e superior com a utilização de drones em todo o perímetro colapsado pelo incêndio.

No prédio, funcionava a parte logística da Secretaria onde eram armazenados de alimentos, materiais e equipamentos que seriam destinados às escolas do município.

Conforme o perito oficial criminal Augusto César de Figueiredo, os exames não permitiram identificar o que pode ter provocado o fenômeno termoelétrico, que segundo a literatura pericial pode estar relacionado à sobrecarga elétrica, curto-circuito, ou descarga elétrica contínua.

“Tudo iniciou-se com o fenômeno termoelétrico que ocorreu na parte superior da câmara fria de congelados, e se propagou para o prédio todo, para os dois sentidos do pavilhão. Na parte de trás da edificação, as chamas rapidamente tiveram contato com dois veículos, que estavam muito próximos a essa câmara, e que possuem uma carga térmica muito alta, causando facilmente a propagação para o fundo dessa estrutura metálica, e também por conta grande quantidade de material combustível que existia dentro prédio, o que ajudou a propagação e a grande monta dos danos e prejuízos causados pelo incêndio”, apontou o perito.

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Mediante o término das análises no local do incêndio, o prédio foi liberado pela perícia para a Polícia Civil. O laudo pericial com o detalhamento das análises será concluído em até 30 dias.

No laudo, constará toda a descrição do local e dos vestígios coletados e analisados em laboratório, o relato de depoimentos de testemunhas, as imagens registradas pelo sistema de monitoramento de câmeras que ajudaram a delimitar a dinâmica do incêndio, que explica onde o fogo teve início e como ele se propagou, além dos danos que ocorreram em todos os ambientes.

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