Mato Grosso
Brigada Voluntária de Combate a Incêndios na Zona Rural será implementada em Chapada
Uma Brigada Voluntária de Combate a Incêndios na Zona Rural será implantada em Chapada dos Guimarães. A ação é uma parceria do Comitê Estadual de Gestão do Fogo e do Fórum Territorial de Segurança Alimentar e nutricional da Baixada Cuiabana com o apoio da prefeitura do município.
A Associação Projeto de Assentamento Quilombo, da Zona Rural de Chapada de Guimarães, procurou representantes do Fórum para falar sobre a necessidade de apoio para resolver o problema do fogo no período de seca na região.
“Nos reunimos uma vez por mês para discutir necessidades de desenvolvimento sustentável de agricultores familiares. Dessa forma, junto com o Comitê de Gestão do Fogo, procuramos a prefeitura de Chapada dos Guimarães para levar a solicitação do Assentamento Quilombo”, explicou a professora Josita Priante, membro do Fórum Territorial de Segurança Alimentar e Nutricional da Baixada Cuiabana.
Na reunião com a prefeitura, o 2º Tenente Bombeiro Militar Creison Silva expos a necessidade de se formar voluntários para agir na prevenção e combate ao fogo. A capacitação de voluntários é realizada com apoio do Ministério Público e de outras parcerias por meio de Cooperação Técnica.
“Essa capacitação é importante para agirmos de forma conjunta e diminuir os prejuízos tanto aos agricultores, que não encontram recursos para reparação das perdas, como para a economia do município. Desta forma Chapada, a exemplo de outros municípios, poderá reduzir muito o número de incêndios”, explicou o represente do Comitê Estadual de Gestão do Fogo.
Luiz Paulo Siqueira, da prefeitura de Chapada dos Guimarães, aprovou a proposta e destacou que irá sugerir a formação de uma comissão para acompanhamento do projeto e para viabilizar a capacitação e estruturação da Brigada Voluntária Rural na Região do PA Quilombo. “É uma resolução para alguns dos problemas do município, pois são ações sustentáveis que podem servir de exemplo para outras cidades da baixada cuiabana”.
Também participaram da reunião membros de associações e cooperativas, grupos de economia solidárias, representantes do Sicredi, prefessores da UFMT, estudantes bolsistas de projetos e representantes da zona rural e urbana de Chapada dos Guimarães.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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