Mato Grosso
CGE avalia anualmente os controles internos de mais de 90% do orçamento do Estado
A cada ano, a Controladoria Geral do Estado (CGE-MT) avalia os controles internos de 92,19% do orçamento do Governo de Mato Grosso. Este nível de abrangência de atuação é resultado da metodologia utilizada pela CGE para selecionar os objetos a serem avaliados, como parte da perspectiva preventiva de atuação.
A forma de trabalho foi uma das boas práticas apresentadas na 33ª Reunião Técnica do Conselho Nacional de Controle Interno (Conaci), no dia 5 de dezembro em Salvador (BA). Como resultado, órgãos de controle interno de seis estados manifestaram interesse em conhecer melhor a sistemática. Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Amazonas e Rondônia solicitaram à CGE-MT material relativo ao formato de análise dos controles internos.
No modelo utilizado pela CGE-MT, os órgãos e as atividades administrativas (contratações, transferências, gestão de pessoas, regime próprio de previdência social, gestão orçamentária, contábil, financeira e patrimonial) são avaliados conforme índice de significância estabelecido com base em critérios de materialidade, relevância, risco e oportunidade.
“Temos um grande universo a ser avaliado, mas temos recursos limitados. Por isso, precisamos fazer uma escolha consciente para saber sobre o que atuar com o intuito de direcionar as ações de controles às áreas mais críticas”, justificou o superintendente de Controle em Gestão Sistêmica da CGE-MT, Paulo Farias.
De forma mais objetiva, para efeito de seleção dos objetos, são consideradas variáveis como o orçamento total, as despesas correntes mais os investimentos, a área de atuação (social, econômica e administrativa), as notícias divulgadas pela imprensa, as denúncias registradas na Ouvidoria do Estado, as irregularidades anteriormente identificadas e o tempo decorrido entre a última avaliação de controle realizada pela CGE.
“Quanto mais alto for o nível de significância do controle de determinadas áreas, programas e processos, mais será preciso atuar nesses objetos. Os órgãos e as atividades com maior índice de significância, como do Departamento de Trânsito (Detran), Educação (Seduc), Saúde (SES), Infraestrutura (Sinfra), Segurança Pública (Sesp) e Fazenda (Sefaz), são avaliados em periodicidade anual e os de menor, em periodicidade bienal ou trienal. Então, mesmo que a CGE não vá em determinados órgãos a cada ano, consegue avaliar anualmente mais de 90% dos recursos do Estado ”, explicou o superintendente da CGE.
A execução da avaliação de controle envolve a detecção de problemas por meio da aplicação de testes de aderência a normas e procedimentos, a identificação da causas por meio da análise da estrutura, funcionamento e segurança dos controles, bem como a emissão de recomendações com o objetivo de eliminar ou mitigar as causas dos problemas. Com as avaliações, a CGE objetiva não apenas identificar situações que precisam de melhorias, mas também estimular e auxiliar mais de perto gestores e técnicos dos órgãos na implementação de providências necessárias e monitorar se as ações adotadas estão sendo satisfatórias.
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“Nos trabalhos, os auditores têm se esforçado para detectar o motivo pelo qual determinado problema acontece e emitir recomendações para atacar as causas com o objetivo de fazer com que o problema não se repita. Além disso, quando o órgão elabora um plano de providências em atendimento a recomendações da CGE, o TCE entende que isso é atenuante no julgamento das contas de gestão para aplicação de multa”, destacou o secretário-controlador geral do Estado, Emerson Hideki Hayashida.
Os relatórios de avaliação de controles internos são enviados ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), por força da Resolução Normativa nº 12/2017 – TP, aos respetivos órgãos avaliados e aos órgãos centrais de gestão de contratações, transferências, pessoas, previdência social, gestão orçamentária, contábil, financeira e patrimonial, se for o caso.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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