Política MT
Comissão medeia conflito entre estado e município sobre processo de regulação
Foto: ANGELO VARELA / ALMT
Acessos diferentes para o estado e o município em um mesmo sistema e problemas estruturais na Central de Regulação são alguns dos principais motivos que dificultam o processo de regulação de exames e internações em Mato Grosso. As informações foram apresentadas durante reunião ordinária da Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, realizada na quarta-feira (13), que contou com a presença de representantes da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá.
A superintendente de regulação de Cuiabá, Luzinete Siqueira Rosa, afirmou que a regulação de pacientes de urgência e emergência é feita em regime de cogestão entre estado e município e que o encaminhamento a hospitais estaduais dos pacientes que aguardam na fila é realizado quando há vagas. Segundo ela, todo esse trabalho é executado por equipes médicas do estado e do município, que atuam em conjunto.
“A gente faz um censo diário. Entramos em contato com o hospital para ver se existe vaga ou não e isso é registrado. Esse trabalho é feito no período da manhã, da tarde e no final do dia. Então, se de manhã não havia vaga, no final do dia pode ser que tenha surgido”, explicou.
A secretária estadual de Saúde em exercício, Danielle Bertucini, afirmou que o estado tem buscado parcerias com o objetivo de atender todos os pacientes que aguardam na fila, mas disse que o processo é dificultado pelo fato de o regime de cogestão ser realizado por meio do Sistema Nacional de Regulação (Sisreg), cuja administração é feita por estado e município de forma separada.
“A Central de Regulação consegue visualizar todos os pacientes, porém, se um paciente foi solicitado pelo estado, por exemplo, para que ele possa ser autorizado para internação e realização do processo no município, o estado precisa negar esse atendimento no Sisreg estadual para que seja atendido no município. No meio do caminho, como existe uma equipe com novatos e pessoas que não entendem muito do processo, isso acaba retardando um pouco esse acesso do paciente”, relatou.
Conforme a secretária, cerca de 62 mil pacientes aguardam na fila para realização de cirurgias em todo o estado. Enquanto isso, o Hospital Estadual Santa Casa atende atualmente apenas 50% de sua capacidade.
“O hospital estadual só atende paciente regulado. Sabemos que tem muitos pacientes aguardando, porém nós seguimos a lógica do Ministério da Saúde. Temos as vagas e essas vagas são liberadas, porém a Central de Regulação precisa autorizar. O que acontece muitas vezes é que o paciente é internado na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), numa policlínica, fica internado, passa um, dois, três dias e aquela instituição não solicita para a regulação a transferência desse paciente”, disse.
Com o objetivo de reduzir essa demanda, segundo Danielle, estão sendo promovidos mutirões para realização de cirurgias eletivas na Santa Casa. “Já realizamos uma média de 450 cirurgias eletivas em formato de mutirões para pacientes que estão aguardando desde 2016. O estado tem feito rotineiramente, de segunda a sexta, as cirurgias eletivas normais e, em praticamente todos os sábados, os mutirões, nos quais o paciente interna na sexta-feira, realiza o procedimento no sábado vai embora no domingo”, frisou.
Além das dificuldades no processo de regulação, a superintendente de regulação da SES, Fabiana Bardi, reforçou a existência de problemas estruturais na Central de Regulação. “Temos estruturas que precisam ser revistas, tanto da parte de RH, quanto de estrutura física na Central de Regulação, que acabam causando essa morosidade”.
Em relação à falta de aproveitamento da capacidade máxima do Hospital Estadual Santa Casa, Fabiana explicou que os serviços de alta complexidade ainda estão em fase de conclusão. “Hoje ainda estamos concluindo esses serviços, que não tinham na unidade, fazendo toda restruturação física de equipamentos e pessoal”.
Conflito – Vice-presidente da Comissão de Saúde, o deputado estadual Lúdio Cabral (PT) destacou a importância de debater o assunto para resolver os problemas que dificultam o processo de regulação. Segundo ele, o debate continuará a ser feito pela comissão e as demandas de cada área deverão ser tratadas em diferentes encontros.
“Colocamos em uma mesma mesa estado e município, que são responsáveis, de forma conjunta, pelo complexo regulador do SUS, mas infelizmente percebemos que há um conflito de comunicação entre as duas esferas que precisa ser superado. Ficou evidente que há essa dificuldade da regulação cumprir o seu papel, mesmo havendo serviços e havendo pacientes aguardando vagas”.
Visitas técnicas – Durante a reunião, a Comissão aprovou a realização de visitas técnicas ao Hospital de Câncer, no dia 27 de novembro, e ao Hospital Geral Universitário (HGU), no dia 28.
Projetos – Foram aprovados pareceres favoráveis aos PLs 75/19, 510/17, 847/19, 974/19, 1042/19, 1071/19 e 1092/19 e pareceres contrários aos PLs 296/19, 755/19 e 790/19.
Participaram da reunião os deputados estaduais Paulo Araújo (PP), Lúdio Cabral (PT), Dr. João (MDB) e Dr. Gimenez (PV).
Política MT
Ex-governador Mauro Mendes rebate senador Wellington Fagundes sobre obras da MT-170

Ex-governador Mauro Mendes
O ex-governador Mauro Mendes voltou a criticar o senador Wellington Fagundes em meio às discussões sobre as obras da MT-170, antiga BR-174, no estado de Mato Grosso.
Em declarações recentes, Mauro rebateu as críticas feitas pelo senador sobre a qualidade das obras executadas na rodovia e afirmou que a estrada permaneceu abandonada durante anos sob responsabilidade do Governo Federal. Segundo ele, a estadualização da via ocorreu justamente para garantir a retomada das obras e melhorar a trafegabilidade da região.
Mauro Mendes também acusou Wellington Fagundes de “faltar com a verdade” ao questionar o andamento dos serviços e destacou que, antes da intervenção do Estado, motoristas enfrentavam sérios problemas estruturais na rodovia, incluindo longos períodos de atoleiros e dificuldades de deslocamento.
O embate ganhou força após Wellington cobrar investigações sobre possíveis falhas na execução das obras e defender acompanhamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) nos contratos relacionados à MT-170.
A discussão entre os dois líderes políticos amplia o clima de disputa política em Mato Grosso, principalmente diante das articulações visando as eleições de 2026.
Veja Vídeo:
Política MT
Cláudio Ferreira elogia deputado Nininho durante anúncio de recursos para a Santa Casa de Rondonópolis
Política MT
“RGA é direito” será o tema do Grande Ato dos servidores no dia 25 de maio

Servidores estaduais e municipais de vários locais do estado estarão em Cuiabá para participar na próxima segunda-feira(25) do Grande Ato do Movimento Sindical Unificado pelas ruas do Centro Político Administrativo, rumo ao Palácio Paiaguás, a partir das 14h.
O ato que tem como tema “RGA é direito. E direito se conquista com luta, mobilização e unidade!” quer chamar a atenção do governo para abrir mesa de negociação e ouvir as reivindicações dos servidores e debater alternativas para se resolver o caso dos consignados, as cobranças previdenciárias sobre aposentados e pensionistas e também o plano de cargos e salários de cada categoria. “São reivindicações históricas que geram insatisfação dos servidores de forma geral no estado. O governo não pode fingir que nada está acontecendo. São mais de 250 mil famílias impactadas mensalmente pela defasagem salarial provocada pelo não pagamento integral da Revisão Geral Anual (RGA)”, diz a presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso(FEESP-MT) Carmem Machado.
O Movimento Sindical Unificado também cobra uma mudança de postura do governador, Otaviano Pivetta em relação à adotada na gestão do governador Mauro Mendes em relação aos consignados. Os servidores relatam dificuldades financeiras provocadas por descontos elevados em folha, juros acumulados e falta de mecanismos de proteção aos trabalhadores endividados. Soma-se a isso a cobrança previdenciária sobre aposentados e pensionistas, tema que continua gerando forte indignação entre categorias do funcionalismo.
“Precisamos de uma resposta do governo. Abrir a mesa de negociações”, argumenta Carmem.
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