Mato Grosso
Contexto social e humano é a nova ordem para loteamentos urbanísticos
Mais do que cidades bonitas no papel, elas precisam suprir necessidades humanas

Quando se fala em cidades planejadas, mais do que um local com atrativos visuais e a
leitura técnica envolvendo questões como potencial turístico daquela região, além dos
aspectos econômicos, a preocupação também deve girar em torno de aspectos
sustentáveis e da qualidade de vida dos moradores.
O conhecimento das questões sociais e humanas deve ser levado em consideração pelos
profissionais responsáveis por planejar essas cidades. Sem esse tipo de preocupação, a
falta de planejamento pode com o tempo causar intensos prejuízos em várias áreas, como
por exemplo no trânsito, através de um fluxo descontrolado de automóveis, acarretando
assim o aumento do número de acidentes.
Para se ter uma ideia, o número de veículos em Mato Grosso subiu de 1,4 milhão em 2012
para 1,9 milhão em 2016 – aumento de 57,6% num período de quatro anos –, conforme
dados do Anuário Estatístico de Trânsito, elaborado pelo Departamento Estadual de
Trânsito (Detran-MT) e divulgado neste ano.
Toda essa preocupação está inserida na construção do Plano Diretor, que funciona como
instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana. Nele, existe um
conjunto de regras, orientações e princípios que visam orientar os gestores públicos a
estabelecer uma ordem na ocupação do espaço – seja ele urbano ou rural.
Com isso, a responsabilidade dos arquitetos deve passar primordialmente por questões
sociais, mais humanizadas. Não é só pelo fato de uma cidade ter sido criada do zero, de
forma planejada, que hoje ela ainda possa ser usada como exemplo a ser seguido e
copiado.
Para o arquiteto e urbanista Deraldo Campos, cidades como a capital federal não refletem
mais as reais necessidades da população. “Modelos como Brasília hoje estão
completamente ultrapassados, que tiram o ser humano e a sustentabilidade do conceito
para repetir em outros locais. A gente tem que pensar em uma cidade diferente”, enfatiza
Campos.
O conceito de planejamento de uma cidade, atualmente, passa por uma escala humana,
uma consciência mundial em que não apenas carros ocupam o território, mas sim pessoas
com outro tipo de mobilidade mais sustentável.
“A gente quer que as pessoas tenham informação de que não estamos pensando apenas
em uma cidade no desenho ‘bonitinho’, precisamos ter amadurecimento e conhecimento
do que estamos fazendo”, diz o arquiteto.
Ainda de acordo com Deraldo Campos, cidades do Norte de Mato Grosso, como também
a capital Cuiabá, estão aptas a receber essa proposta de planejamento urbanístico pensado
de forma social e humana, valorizando assim o bem-estar da população.
A cidade ideal mescla residência com comércio. Onde só há comércio, a cidade morre
quando o expediente acaba. A cidade ideal deve ter espaços de lazer na rua, nas praças,
nos jardins, calçadas largas, locais para as pessoas circularem, conviverem, brindarem o
dia, tomando um simples café. Sinop, por exemplo, oferece todas as oportunidades: é
nova, está em crescimento, tem espaço e tempo.
Assessoria
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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