Mato Grosso
Contrato de concessão de aeroportos de MT é oficializado pelo presidente
O contrato de concessão dos quatro aeroportos de Mato Grosso foi assinado oficialmente nesta sexta-feira (06.09), durante cerimônia em Brasília com a participação do governador do Estado, Mauro Mendes, do ministro de Infraestrutura, Tárcio Gomes de Freitas, do presidente da República, Jair Bolsonaro, e concessionários.
Com a formalização, o consórcio Aeroeste, que arrematou em leilão os terminais do “Bloco Centro-Oeste”, composto pelos terminais mato-grossenses, deve assumir a administração aeroportuária até o fim de novembro.
Pelas cláusulas contratuais, o concessionário terá até 40 dias para finalizar a entrega dos planos de Transição Operacional (PTO), de Exploração Aeroportuária (PEA) e de Gestão de Infraestrutura (PGI). A transferência total dos aeroportos virá com a homologação dos documentos pela Agência Nacional de Viação Civil (Anac).
Mauro Mendes afirmou que a concessão dos terminais mato-grossenses para a iniciativa privada é bastante positiva porque deve elevar a qualidade dos serviços prestados aos usuários do transporte aéreo.
“Essa é a nossa principal expectativa. Além disso, esperamos que, a partir da transferência dos aeroportos para o consórcio Aeroeste, seja efetiva a internacionalização do Aeroporto Marechal Rondon, com operação de voos para países da América do Sul. Isso irá facilitar e muito a locomoção das pessoas que vivem em Mato Grosso e no Centro-Oeste”, salientou ele.
O aeroporto Marechal Rondon e os regionais de Sinop, Rondonópolis e Alta Floresta foram adquiridos pelo consórcio Aeroeste durante leilão realizado em abril na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. O bloco foi arrematado por R$ 40 milhões para uma concessão de 30 anos, com ágio de 4.739%, em relação ao lance mínimo inicial de R$ 800 mil.
O leilão dos aeroportos mato-grossenses integrou um lote de 12 terminais brasileiros localizados nas regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste. A concessão de todos os complexos gerou R$ 2,398 bilhões em outorga, superando a estimativa inicial do Governo Federal, que era de R$ 2,1 bilhões.
Segundo o ministro da Infraestrutura, o leilão teve um resultado extraordinário e foi uma demonstração de confiança no Brasil e no acerto do rumo na condução da política econômica por parte do Governo Federal.
“O resultado significa que o investidor confia no país e também no caminho liberal que estamos dando à economia. Não tenho dúvidas de que estamos no caminho certo e os números começam a mostrar isso, um exemplo é que surpreendemos no crescimento econômico”, destacou ele, dizendo que os leilões de privatização vão continuar acontecendo no país.
O presidente Jair Bolsonaro referendou as palavras do ministro e ressaltou que o Brasil recuperou a confiança do mercado e isso vai continuar.
“As ações dos nossos 22 ministros estão fazendo com que o Brasil recupere a confiança externa. Sem confiança nada pode ser materializado. As ações do ministro Tarcísio têm nos projetado, sim, dentro e fora do país”, garantiu.
Transição
O processo de transferência da administração de quatro aeroportos de Mato Grosso para a iniciativa privada teve início oficialmente nesta quarta-feira (04.09), com a assinatura eletrônica do contrato de concessão dos terminais. O documento foi assinado pelo presidente da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), tenente-brigadeiro do Ar, Hélio Paes de Barros Júnior, o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, e representantes do consórcio Aeroeste, formado pelas empresas Socicam e Sociedade Nacional de Apoio Rodoviário e Turístico Ltda (Sinart).
Segundo o secretário de Infraestrutura, a responsabilidade da concessão dos aeroportos é do Governo Federal, por meio da Infraero, e o Governo do Estado tem a função apenas de acompanhar a transição e as entregas dos planos operacionais pelo consórcio e a homologação por parte da Anac. O controle aéreo continuará sendo de competência da Infraero.
Os primeiros investimentos nos quatro aeroportos mato-grossenses – as chamadas ações imediatas – estão previstos para acontecer durante os 180 dias iniciais do contrato e consistem em melhorias como adequação de banheiros e fraldários, revitalização e atualização das sinalizações de informação dentro e fora do Terminal de Passageiros (TPS); disponibilização de internet wi-fi gratuita de alta velocidade em todo o TPS; revisão de sistemas de climatização, escadas rolantes, esteiras rolantes, elevadores e esteiras para restituição de bagagens; entre outras intervenções, de acordo com informações disponíveis pela Agência Nacional de Viação Civil (Anac).
Estrutura
Os quatro aeroportos de Mato Grosso movimentam juntos cerca de 3,2 milhões de passageiros por ano, sendo que o maior fluxo é do Marechal Rondon, que em 2018, encerrou com movimentação de 3 milhões de embarques e desembarques. O aeroporto de Sinop recebe em média 150 mil passageiros ao ano, o de Alta Floresta 110 mil e de Rondonópolis 90 mil. No interior, os terminais têm capacidade para receber aeronaves de médio porte, tipo bimotor e com propulsão turboélice.
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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