Mato Grosso
Controle e manejo biológico são as armas do presente e do futuro contra nematóides, projetam especialistas no 38 CBN

O destaque do segundo dia do 38º Congresso Brasileiro de Nematologia (CBN), em Cuiabá-MT, nesta terça-feira (22/08), foi a mesa redonda que tinha como tema, “Produtos do futuro com maior sustentabilidade e eficiência”, com foco no manejo e emprego dos nematicidas biológicos, com um olhar para o futuro projetando ações de controle e prevenção aos nematóides alinhados com o meio ambiente e com a assertividade.
O debate vespertino foi aberto com a palestra do líder global de pesquisa em pragas do solo, Dr. Christoph Andreas Baun, da Bayer/Alemanha, que tratou do tema “Nematicidas químicos: o presente e o futuro”. Segundo ele, o 38 CBN destaca o trabalho desenvolvido na área de pesquisa, que busca inovações, ouvindo especialistas, pesquisadores e os produtores em um só local. “O evento mostra a importância dos Nematoides na agricultura brasileira e é uma oportunidade para mostrarmos como a Bayer está trabalhando para transformar as descobertas químicas no futuro e continuarmos inovando para o agricultor daqui. Hoje, tive a oportunidade de trocar conhecimentos com colegas de empresa, acadêmicos e produtores. Foi uma experiência muito rica e agradeço aos organizadores por proporcionarem esse encontro”, disse.
Logo em seguida, a diretora de pesquisa da Microbiota Brasil, Drª Thalita Monteiro, falou sobre “Nematicidas biológicos: o presente e o futuro”. “O controle biológico com o uso de nematicidas biológicos na agricultura é uma realidade no cenário atual, inclusive com o Brasil sendo um protagonista neste contexto. Os produtores realmente adotaram esta tecnologia, e ela se mostra eficiente e segura, e pode ser facilmente incorporada dentro do manejo integrado destes patógenos, porque a alternativa mais eficiente é a utilização de um método de controle, e o controle biológico é mais um dentre outras alternativas a serem utilizadas. Hoje vemos que há baixa diversidade de microrganismos explorados, então esperamos que tenha em breve o registro de produtos à base de outros microrganismos e também de produtos que possam explorar os metabólicos microrganismos e até produtos que tenha a ação em conjunto metabólicos e microrganismos ativos, e por fim esperamos uma maior adesão dos agricultores com a previsão de um crescimento acelerado deste setor nos próximos anos”, explicou.
O congressista, Dr. Fernando Andreote, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP), explanou sobre “A biologia do solo como agente de sanidade ambiental”. “O tema principal foi colocar o solo com um agente central em relação a sanidade, e é dentro deste solo a parte biológica com uma parte ativa, com processos relacionados à sanidade da planta. Então nós sabemos que o solo tem uma série de funções, de dentre as funções biológicas, alguns processos importantes para a sanidade da planta e proteção das mesmas, e nós mostramos como modular essa biodiversidade, como mexer no componente biológico pode nos trazer para um sistema mais saudável, ou seja, mais eficiente no processo da agricultura”, finalizou.
O Congresso é uma promoção e realização da Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN) e do Grupo Regional de Estudos em Nematoides (GREN-MT). O 38ª CBN conta com o patrocínio da Bayer, Ballagro Agro Tecnologia, UPL, Lallemand, Syngenta, Ingal Agro Tecnologia, Koppert, Spraytech, Basf, Suminoto Chemichal, Corteva Agriscience, Ihara, Omex, Amvac do Brasil, Bioma, Simbiose, APROSMAT, Carbom Brasil. E o apoio da Safrar Análises Agrícolas, e no espaço Startups com a Zagros, Agricamp, On Farming e MS BIO Science.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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