Policial
Crime marca corpo e alma de 181 mulheres de 18 a 59 anos em Mato Grosso
Números oficiais reduziram de janeiro a junho em comparação a 2018, mas a quantidade de vítimas deste crime depende da coragem em denunciar o agressor
Nara Assis | Sesp-MT
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A carona para um almoço com o pessoal do trabalho foi a desculpa para ficar a sós. A comida ruim do restaurante foi o segundo motivo para justificar a ida a um segundo lugar. A jovem P.B.C. só se deu conta de que era um motel quando já estavam lá dentro. Aos 17 anos, virgem e sem qualquer malícia, ela sentia o corpo e a mente paralisados. Quando conseguiu esboçar alguma reação, seu chefe na época já estava deitado sobre ela. Os gritos de socorro foram ignorados.
O relato é de um estupro, ocorrido há 13 anos, em Cuiabá, mas as marcas ainda estão na memória dela, agora com 30 anos de idade. “Apesar do meu esforço, não conseguia sair, minha força era quase inútil perto da dele, meus gritos não foram atendidos por ele e nem por ninguém do motel. Implorei para ele parar, falei que era virgem e pedi misericórdia. Por um milagre divino não houve a penetração completa”.
Mas ela conta que ocorreu a inicialização do ato e masturbação também. “Meu corpo estava seminu e foi apalpado de diversas formas, inclusive nas partes íntimas, tive hematomas pelo corpo, roupa relaxada, brinco quebrado e uma ferida na alma. Tive muito nojo daquilo tudo, me sentia suja e, apesar de inúmeros banhos, aquela sensação de sujeira não desaparecia”.
O que P.B.C. sofreu só passou a ser considerado estupro em agosto de 2009, com a promulgação da Lei 12.015, que passou a incluir atos libidinosos diversos à conjunção carnal na classificação do crime. Até então, a Lei condicionava a consumação do estupro à conjunção carnal e os casos de outros atos libidinosos praticados sem consentimento da vítima se encaixavam apenas como atentado violento ao pudor.
Com a mudança, o Art. 213 do Código Penal Brasileiro ficou assim: “Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”.
Em Mato Grosso, 181 mulheres entre 18 e 59 anos de idade foram vítimas de estupro no período de janeiro a junho de 2019. Em comparação com o mesmo período de 2018, quando foram registrados 196 casos, houve uma redução de 8%. Os dados são da Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal (Ceac) da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT).
O número de vítimas menores de 18 anos de idade também reduziu, mas ainda é alto: foram 93 casos este ano, contra 143 no ano passado. Esta classificação de faixa etária engloba os sexos feminino e masculino.
A inclusão de vítimas masculinas nos crimes de estupro e de agressoras femininas foi outra modificação trazida pela Lei 12.015 levando em consideração o resguardo da liberdade sexual do indivíduo, independente do gênero. Quando se fala em estupro de vulnerável, que engloba vítimas menores de 14 anos de idade (meninos e meninas), os dados são alarmantes. Mato Grosso registrou 659 casos neste primeiro semestre e 683, nos seis primeiros meses de 2018.
Crime é considerado hediondo
O crime de estupro é classificado como hediondo, por isso não admite fiança. O Código Penal prevê três penas: de seis a 10 anos de prisão para casos simples; de oito a 12 anos se a conduta resultar em lesão corporal de natureza grave ou se a vítima tiver entre 14 e 18 anos; e de 12 a 30 anos se a vítima morrer. Ainda há agravantes que podem aumentar a pena, como o fato de o suspeito ser membro da família ou o crime resultar em gravidez.
Enquanto isso, ela tomou remédio para dormir escondido, pois a cena do estupro a atormentava durante as noites. Ela diz que é possível superar, mas todo o processo é longo e dolorido, e as imagens não somem da memória.
“Eu acreditei por algum tempo que nunca era boa o suficiente para ser amada, apenas desejada. Não foi um caminho fácil e sempre teremos mais um pedaço para percorrer, você não esquece, você supera, o tempo te ensina a viver com essa parte da sua vida”.
Na avaliação da titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) de Cuiabá, Jozirlethe Magalhães Criveletto, as denúncias de violência sexual e de outros crimes relativos à violência contra a mulher têm aumentado. Porém, as dificuldades ainda encontradas são semelhantes aos casos de violência doméstica.
“Os crimes sexuais são difíceis de serem denunciados por várias questões, que passam desde a vergonha da vítima, o machismo e a ‘cultura do estupro’ ainda presente no seio da sociedade, até às questões ligadas ao descrédito em relação a aplicação da justiça”.
Mas a delegada pondera que fomentar o debate sobre o tema é uma das ações que contribuem para que as mulheres não se calem. “Quanto mais levamos ao conhecimento da sociedade as formas de defesa de seus direitos e quanto melhor for a estrutura de acolhimento oferecida a essas vítimas, por parte do Estado, mais denúncias serão formalizadas”, acrescenta.
Acolhimento das vítimas
Jozirlethe Criveletto ressalta ainda que desde 2018, a DEDM possui plantão 24 horas para atendimento às vítimas de estupro, mesmo nos casos em que a Polícia Militar (PM-MT) é acionada. “A autoridade plantonista que recebe a vítima na delegacia nos comunica para fazer esse acompanhamento. Nós levamos a vítima ao IML (Instituto Médico Legal), depois ao Hospital Júlio Müller e, caso ela se sinta segura para ser ouvida após os exames, já providenciamos a oitiva. Nos casos em que a vítima não se sente preparada, nós a levamos em casa e buscamos no dia seguinte para ouvi-la e fazer os primeiros procedimentos policiais, como reconhecimento, se for o caso”, informa.
P.B.C. conta que parar de atribuir a culpa a si mesma foi fundamental e faz um apelo para que a sociedade não julgue as pessoas que passam por isso. “Passei a acreditar e ter fé que sou digna de ser amada. Que busquemos justiça, mas também amor e compaixão pela dor do próximo, não a banalização de um assunto delicado como o estupro. Não falo exatamente por mim, pois superei, mas por pessoas que estão tentando se reerguer depois de passar por abusos”.
Vítimas de crimes sexuais podem procurar qualquer delegacia para registrar o crime no Estado. Além disso, estão disponíveis canais de denúncia pelo telefone. Em Mato Grosso, o Disque 181 recebe denúncias de todo o Estado; o 180 é voltado às mulheres; o Disque 100 é de Direitos Humanos e recebe também denúncias de abusos contra crianças e adolescentes; 197 é o Disque-Denúncia da Polícia Judiciária Civil (PJC-MT) e o 190 da Polícia Militar (PM-MT).
Em Cuiabá, também é possível recorrer à Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM), localizada na Rua Joaquim Murtinho, nº 789, Centro Sul. Em Várzea Grande, pelo telefone (65) 3901-4277, na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, da Criança e do Idoso, na Rua Almirante Barroso, 298, Centro Sul, e contato pelo (65) 3685-1236. Na Capital, para casos que envolvam menores de idade, o atendimento é feito pela Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (DEDDICA), localizada na Av. Dante Martins de Oliveira, s/nº (anexo ao Complexo Pomeri), Planalto. Os telefones são (65) 3901-5700 / 3901-5696.
Policial
Gaeco cumpre mandado na PCE contra facção criminosa
O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) de Cáceres deflagrou, nesta quinta-feira (11), a Operação “Mãos da Lei” contra a facção criminosa Comando Vermelho, na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá.
A investigação teve início após um réu fazer um gesto com as mãos que remeteria à sigla associada à facção Comando Vermelho, na presença de autoridades, durante audiência realizada em Cáceres.
O gesto chamou a atenção das autoridades e foi interpretado como possível demonstração de vínculo com organização criminosa, além de desrespeito à autoridade. Diante disso, a magistrada responsável pela audiência encaminhou o caso ao Gaeco, juntamente com imagens que comprovam o gesto do réu.
A partir dessas informações, o Gaeco iniciou diligências para apurar a relação do investigado com atividades criminosas na região.
Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão expedido pela 4ª Vara Criminal da Comarca de Cáceres, na Penitenciária Central do Estado (PCE), foram recolhidos cadernos e anotações manuscritas que podem indicar formas de organização e comunicação interna de facções criminosas em Mato Grosso.
A operação contou com o apoio de equipes do Gaeco de Cuiabá, além do Grupo de Intervenção Rápida, do Canil e do Núcleo de Inteligência da unidade prisional.
O nome da operação, “Mãos da Lei”, faz alusão à resposta das autoridades diante da conduta investigada, reforçando a atuação do Estado no combate ao crime organizado.
O Gaeco é uma força-tarefa permanente composta pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso, Polícia Judiciária Civil, Polícia Militar, Polícia Penal e Sistema Socioeducativo.
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Operação contra facção termina com dois mortos em confronto em Rondonópolis

GARRAS o braço operacional da Polícia Civil do MS
Dois suspeitos apontados como integrantes da facção criminosa Comando Vermelho morreram durante um confronto com equipes do Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (GARRAS), na manhã desta quinta-feira (11), em Rondonópolis.
A ação faz parte da segunda fase da Operação Leviatã, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul para combater integrantes de organizações criminosas envolvidos em crimes graves.
Durante a operação, foram cumpridos quatro mandados de prisão e quatro mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
De acordo com a polícia, ao cumprir um dos mandados em um imóvel utilizado como esconderijo da facção, os agentes teriam sido recebidos a tiros por dois investigados. Houve troca de tiros e ambos foram baleados.
Os suspeitos chegaram a ser socorridos e encaminhados para atendimento médico, porém não resistiram aos ferimentos.
No local, os policiais apreenderam armas de fogo e porções de entorpecentes com características semelhantes à maconha.
As investigações prosseguem com o objetivo de identificar outros integrantes da organização criminosa e desarticular sua estrutura de atuação na região.
Policial
Polícia Civil cumpre mandados contra grupo criminoso que utilizava mulheres para o transporte interestadual de drogas
A Polícia Civil, deflagrou na manhã desta quinta-feira (11.6) a Operação Valquíria, com objetivo de desarticular um grupo criminoso envolvido com o tráfico interestadual de drogas e a utilização de mulheres na logística de transporte de entorpecentes entre estados e para o interior do sistema prisional.
Ao todo, estão sendo cumpridos 27 ordens judiciais, sendo nove mandados de prisão preventiva, nove mandados de busca e apreensão domiciliar e nove ordens de bloqueio de contas bancárias, limitadas ao valor de R$ 500 mil por investigado.
As medidas cautelares foram deferidas pela 5ª Vara Criminal de Sinop, com base em investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), com parecer favorável do Ministério Público, diante dos robustos elementos de prova reunidos ao longo da investigação.
As ordens judiciais são cumpridas simultaneamente nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande e Campo Novo do Parecis, além de unidades do sistema prisional mato-grossense, onde parte dos investigados se encontra custodiada e, mesmo encarcerada, continuava exercendo funções de comando e coordenação das atividades criminosas.
As investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc) apontaram a existência de uma estrutura criminosa organizada voltada ao tráfico de drogas, cuja logística era operacionalizada por mulheres recrutadas para realizar viagens interestaduais transportando substâncias entorpecentes.
Além disso, as investigações identificaram que o grupo era responsável por promover o ingresso de drogas em estabelecimentos prisionais e realizar a comunicação entre integrantes presos e membros que atuavam em liberdade.
Conforme apurado, lideranças da facção criminosa determinavam e coordenavam as ações ilícitas a partir do interior das unidades prisionais, utilizando aparelhos telefônicos e terceiros para manter a cadeia de comando ativa.
As mulheres investigadas desempenhavam papel fundamental na engrenagem criminosa, atuando no transporte de drogas, repasse de valores, recrutamento de novas integrantes e execução de tarefas logísticas indispensáveis à manutenção do tráfico.
Valquíria
O nome da operação faz referência às Valquírias da mitologia nórdica, figuras femininas encarregadas de cumprir missões e realizar a ligação entre diferentes mundos. De forma análoga, a investigação identificou que mulheres eram utilizadas pela organização criminosa para conectar integrantes presos e em liberdade, transportando drogas, valores e informações necessárias à continuidade das atividades ilícitas.
Operação Pharus
A operação integra os trabalhos do planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para o ano de 2026, por meio da Operação Pharus, dentro do Programa Tolerância Zero, voltado ao combate às facções criminosas em todo o Estado.
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