Nacional
Da infância no interior paulista ao Planalto: Quem é Jair Messias Bolsonaro

Na tarde desta terça-feira, 1º de janeiro de 2019, toma posse em Brasília (DF), o novo presidente do Brasil: Jair Messias Bolsonaro. Aos 63 anos, o 38º presidente do Brasil reúne traços de outros chefes de estado brasileiros, mas numa combinação única e assume o posto mais alto da República para colocar mais uma página na sua biografia estranhamente comum.
Filho de Percy Geraldo Bolsonaro e Olinda Bonturi, Jair Messias Bolsonaro nasceu em Glicério, município de apenas 4,8 mil habitantes no interior de São Paulo, em 21 de março de 1955. Mas só foi registrado dez meses depois, no dia 1º de fevereiro de 1956, na cidade de Campinas, também no interior de São Paulo, onde morava grande parte de sua família composta majoritariamente de imigrantes italianos e alemães.
Fruto de uma gestação de risco, Bolsonaro se chamaria apenas Messias, já que sua mãe atribuía a Deus o milagre do nascimento do filho. O nome Jair foi acrescentado por sugestão de um vizinho como
homenagem a Jair Rosa Pinto, meia-esquerda da Seleção Brasileira que fazia aniversário no mesmo dia. O peso de influências esportivas, religiosas e geográficas ajudam a explicar não só o nome, mas também a própria origem familiar do novo presidente.
Jair Messias Bolsonaro: o andarilho

Bolsonaro passou a infância em diversas cidades do estado de São Paulo, enquanto seu pai, um dentista sem diploma, tentava ganhar a vida e sustentar a grande família. O pequeno Jair passou seus primeiros anos em Ribeira, mas já em 1964, a família mudou-se para Jundiaí e novamente, em 1965, para Sete Barras. Só em 1966, ao chegar em Eldorado Paulista, no Vale do Ribeira, que Bolsonaro, os pais e os seus cinco irmãos acabaram passando mais tempo.
Lá, o pai de Bolsonaro chegou a ganhar certa notoriedade na cidade e o filho destacava-se na escola. Não pelas notas, já que Bolsonaro tinha dificuldades em várias matérias, sobretudo em português, fato que o levou a adquirir o hábito de fazer palavras cruzadas, mas pela capacidade de se enturmar com os outros meninos enquanto construía a fama de turrão, astuto, teimoso, ambicioso e desengonçado. Já naquela época, Bolsonaro era do tipo que falava antes de pensar e, depois, via se podia consertar.
Aos 15 anos, porém, um acontecimento mudou para sempre a vida de Bolsonaro. Na caça pelo guerrilheiro Carlos Lamarca que lutava contra a ditadura militar e decidiu se refugiar justamente em Eldorado Paulista, o Exército trocou tiros, interditou estradas e revistou pessoas. As Forças Armadas não conseguiram capturar Lamarca, mas suas ações marcaram para sempre a memória das crianças e adolescentes. Sobretudo Bolsonaro, que decidiu que, dali em diante, seu futuro seria entre os militares.
Bolsonaro: o militar

A partir daí, o jovem Jair Bolsonaro se dedicou aos estudos para passar nas provas e começou a pescar e a vender peixes para levantar o dinheiro necessário para sair da cidade. Conseguiu, aos 18 anos, entrar para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), mas chegou à conclusão de que deveria ter prestado concurso para a Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), então, como o paraquedista que ele viria se tornar, corrigiu a rota e passou na prova no ano seguinte.
Bolsonaro passou quatro anos nas Agulhas Negras, integrou a Brigada de Infantaria Paraquedista, concluiu o curso e foi servir como Aspirante a Oficial no 21º Grupo de Artilharia de Campanha (GAC) em São Cristóvão, bairro do Rio de Janeiro. Nessa época, ele conheceu sua primeira esposa, Rogéria Nantes Nunes Braga, com quem teve o primeiro filho, Flávio Bolsonaro, em 1981, o segundo, Carlos Bolsonaro, em 1982, e o terceiro, Eduardo Bolsonaro, em 1984.
A essa altura, Bolsonaro já era formado pela Escola de Educação Física do Exército (EsEFEX) e servido no 8º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista em Deodoro, bairro do Rio de Janeiro. Na ocasião, foi um dos tenentes responsáveis pela avaliação física dos soldados que concorriam para o curso de paraquedismo até que, em 1987, cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO).
Deixou o Exército Brasileiro, no ano seguinte, em 1988, após ser acusado de planejar a Operação Beco Sem Saída que pretendia explodir pequenas bombas nos quartéis em proteto aos baixos salários. A mesma motivação já tinha lhe rendido uma prisão depois que ele assinou artigo na revista Veja
se queixando dos valores.
Dessa forma, Bolsonaro foi descrito pelo coronel Carlos Alfredo Pellegrino, superior de Bolsonaro na época, como portador de uma “excessiva ambição em realizar-se financeira e economicamente”, além de ter “permanentemente a intenção de liderar os oficiais subalternos, no que foi sempre repelido, tanto em razão do tratamento agressivo dispensado a seus camaradas, como pela falta de lógica, racionalidade e equilíbrio na aprensentação de seus argumentos”.
Bolsonaro: o político

Bolsonaro não chegou a ser expulso do Exército. Pelo contrário, foi absolvido no julgamento do Superior Tribunal Militar (STM), mas o fato é que, imediatamente após se envolver nas polêmicas, passou para a reserva das Forças Armadas como capitão do Exército.
Fora do quartel, Bolsonaro aproveitou a popularidade que ganhou com as camadas mais baixas da hierarquia militar para se eleger vereador pelo Partido Democrata Cristão (PDC) no Rio de Janeiro, em 1989.
O primeiro mandato do novo político foi curto e já nas eleições seguintes, o ex-militar mirou mais alto e conseguiu se eleger deputado federal pelo mesmo partido e mesmo estado em 1990, deixando a Câmara Municipal do Rio de Janeiro apenas dois anos depois de ser empossado. Como vereador, Bolsonaro apresentou sete projetos de lei, a maioria deles ligados a causas militares, e se revelou um político conservador e pouco participativo.
O perfil não mudou muito em Brasília, quando Bolsonaro tomou posse na Câmara dos Deputados na capital federal. Lá, Bolsonaro se sentiu ainda mais isolado, mas de um jeito ou de outro conseguiu se reeleger para outros seis mandatos consecutivos acumulando, portanto, quase 30 anos de vida pública.
Na sua trajetória como parlamentar, Bolsonaro ficou marcado por trocar de partido como trocava de cidades na juventude e se envolver em polêmicas como fazia no Exército. Foram oito partidos diferentes: PDC (1989-1993), PPR (1993-95), PPB (1995-2003), PTB (2003-2005), PFL (2005), PP (2005-2016), PSC (2016-2017) e o PSL (2018); apenas dois projetos aprovados, apenas duas comissões integradas e inúmeras polêmicas protagonizadas.
Talvez até por isso, a popularidade que Bolsonaro não desfrutava entre os colegas políticos continuava cada vez mais fiel nas urnas.
Bolsonaro: o religioso

A essa altura, Bolsonaro já tinha ajudado a eleger sua primeira esposa vereadora pelo Rio de Janeiro, divorciado-se, casado novamente e tido mais um filho, Renan Bolsonaro, que assim como os três irmãos mais velhos, também tem a intenção de entrar para a carreira política.
Apesar da origem católica, separou-se também de sua segunda esposa, num processo que se tornou polêmico durante as eleições de 2018. Em 2007, no mesmo ano em que deixou a sua segunda esposa, conheceu a terceira, Michelle de Paula Firmo Reinaldo, quando ela era secretária parlamentar na Câmara dos Deputados. Nove dias após ser contratada, os dois firmaram um pacto antenupcial e, dois meses depois, casaram-se no papel.
Evangélica, Michelle Bolsonaro foi responsável por introduzir o marido ao convívio com uma nova religião, apesar de Jair Bolsonaro afirmar que frequentou a Igreja Batista durante 10 anos de sua juventude. Com o contato, os filhos de Bolsonaro se tornaram evangélicos e o próprio chegou a se casar numa cerimônia religiosa realizada pelo pastor Silas Malafaia e foi batizado no rio Jordão por outro pastor evangélico da Assembleia de Deus.
Com a atual esposa, Bolsonaro teve sua primeira filha e quinta herdeira, Laura Bolsonaro, e passou a residir num condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro, local que acabou, involuntariamente, tornando-se conhecido no noticiário ao longo de 2018.
Bolsonaro: o messias

A popularidade do capitão reformado cresceu nas redes sociais imediatamente após as eleições de 2014 revelarem um país intrinsecamente dividido entre o petismo e o antipetismo. Esse segundo grupo ganhou força nos anos que se seguiram, especialmente após o impeachment de Dilma Rousseff (PT), em 2016, e Bolsonaro foi quem mais se capitaneou em meio à crescente onda conservadora.
Já com a alcunha de ‘mito’, o capitão reformado se filiou ao PSL em 2018 e chegou à campanha eleitoral com moral elevado, ainda que o meio político seguisse desdenhando de sua real capacidade nas urnas. Por obra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que barrou a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) em razão da Lei da Ficha Limpa, Bolsonaro herdou a liderança da corrida eleitoral e a manteve de cabo a rabo.
Mas a alta popularidade não foi capaz de fazer com que a campanha de Bolsonaro
fosse tranquila. Em setembro, durante comício na cidade mineira de Juiz de Fora, o caminho do então candidato cruzou com o de Adelio Bispo de Oliveira, que usou uma faca
para tentar impedir que o capitão reformado subisse a rampa do Palácio do Planalto neste 1º de janeiro.
O pai de Flávio, Carlos, Eduardo, Renan e Laura foi submetido a duas cirurgias e passou mais de 20 dias internado em plena campanha presidencial. Quando liberado a voltar para casa, Bolsonaro se voltou exclusivamente ao seu canal de comunicação favorito, as redes sociais, para manter seu eleitorado fiel e avançar ao segundo turno das eleições, com pouco mais de 46% dos votos válidos.
Pouco mudou durante a campanha para o segundo turno contra o herdeiro da candidatura de Lula, Fernando Haddad (PT). Bolsonaro manteve o confinamento em sua casa no Rio de Janeiro e preferiu evitar debates com o petista mesmo após ser liberado por médicos a participar dos eventos na televisão.
A estratégia funcionou e, às 19h18 do dia 28 de outubro, a Justiça Eleitoral confirmou que, aos 63 anos de idade, Jair Bolsonaro se tornou o primeiro militar eleito pelo voto popular desde a redemocratização.
Bolsonaro promete fugir à política tradicional e liderar o Brasil de volta ao caminho do crescimento econômico e também rumo à redução da violência. Para tanto, o capitão reformado escalou sua equipe de governo com 20 nomes, dentre eles três ‘superministros’: Paulo Guedes (Economia), Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública), e General Heleno (GSI).
O novo presidente não abandonou velhos hábitos mesmo após eleito, como o uso das redes sociais como meio oficial de comunicação e a inevitável feição a polêmicas. É melhor já ter se acostumado com o jeito do novo presidente da República do Brasil: Jair Messias Bolsonaro
.
Relembre as eleições em fotos:






















Nacional
Eleições 2026: regras do TSE sobre IA impactam as campanhas de 2026
Resolução em vigor permite ao tribunal punir manipulação digital e amplia vigilância sobre campanhas e redes sociais

Enquanto a regulamentação geral da inteligência artificial segue represada no Congresso Nacional, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) assume o protagonismo ao fechar o cerco jurídico sobre o uso da tecnologia nas eleições de 2026. Amparada pela Resolução nº 23.732, em vigor desde 2024, a Justiça Eleitoral já dispõe de instrumentos normativos para banir deepfakes, exigir a identificação de materiais sintéticos e enquadrar estratégias digitais de partidos e candidatos.
De acordo com Renato Opice Blum, advogado, economista e professor de direito digital na ESPM, FAAP e Insper, as diretrizes do tribunal suprem uma lacuna crucial deixada pela lentidão do Legislativo na votação do Marco Legal da IA (PL 2338/2023). “O TSE exerce o poder de polícia, o que permite regulamentar e fiscalizar condutas no processo eleitoral de forma ágil. Na prática, mesmo com a tramitação da lei geral em curso, o pleito deste ano já conta com uma normatização plenamente válida e com eficácia de lei”, destaca o especialista.
Na avaliação do jurista, o arcabouço consegue delimitar a fronteira entre o uso legítimo da ferramenta nas campanhas, como a edição técnica de materiais e a automação de processos, e a criação de peças manipuladas para induzir o eleitor ao erro. A norma prevê sanções severas nos casos em que a irregularidade for comprovada.
Um dos pontos centrais da norma é a exigência de rotulagem, onde todo material produzido por IA precisa trazer um sinal visual ou sonoro explícito, como marca d’água. O ônus de provar eventual falsificação, no entanto, cabe ao denunciante, cabendo à Justiça analisar cada representação individualmente, sob os critérios de contexto, finalidade e impacto do dano.
As resoluções também elevam o cerco sobre as plataformas digitais, exigindo credenciamento formal, transparência quanto aos financiadores de impulsionamentos e filtros rígidos para a promoção de anúncios. Em situações específicas, as próprias redes sociais poderão ser responsabilizadas pelo material pago que veiculam.
Para consolidar as diretrizes do pleito, a Justiça Eleitoral optou por atualizar mecanismos de remoção ágil de publicações nocivas sem alterar o texto-base de IA aprovado em 2024. A decisão sinaliza que a prioridade do TSE em 2026 não é expandir a regulamentação sobre as ferramentas, mas focar na fiscalização e na responsabilização prática dos infratores.
Apesar do rigor, Opice Blum pondera que o principal desafio dos magistrados será coibir a manipulação digital sem comprometer o debate público. “Não há uma solução binária. A avaliação será sempre contextual, ponderando se a manifestação está protegida pela liberdade de expressão ou se houve propósito ilícito”, conclui.
Sobre o Opice Blum
Opice Blum Advogados é sinônimo de inovação digital. Desde 1997, o escritório é parceiro de seus clientes, redefinindo os limites do possível e trazendo novas estratégias para novas necessidades. Com um time de advogados especialistas, o escritório está onde a transformação acontece e se destaca pela excelência em áreas capazes de impactar positivamente os setores em que atua, como Proteção de Dados, Segurança da Informação, Contencioso Digital e Legal Innovation, entre outras.
Nacional
Novo Caged: Brasil registra saldo de 145,1 mil empregos formais em junho
Levantamento mensal apresenta informações sobre o mercado de trabalho no país

Cuiabá liderou a geração de empregos com 848 novos postos, seguida por Várzea Grande, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Cocalinho – Foto por: Secom/MT
O Ministério do Trabalho e Emprego apresentou nesta quarta-feira (29/7) os dados do Novo Caged relativos a junho de 2026. De acordo com o levantamento, o mercado formal de trabalho registrou, no mês passado, saldo de 145.161 postos de trabalho, resultado de 2,22 milhões de admissões e 2,07 milhões de desligamentos.
No acumulado do ano, de janeiro a junho de 2026, o saldo registrado é de 921.645 vagas formais. Nos últimos 12 meses, entre julho de 2025 e junho de 2026, o saldo foi de 963.921 empregos com carteira assinada.
GRUPOS ECONÔMICOS – Os cinco grandes grupamentos de atividades econômicas tiveram saldos positivos em junho. O setor de Serviços registrou 74.514 novos postos de trabalho. O resultado decorreu, principalmente, das atividades Administrativas e Serviços Complementares (26.634); Saúde Humana e Serviços Sociais (20.436); e Transporte, Armazenagem e Correio (16.217).
Em seguida aparecem os setores de Agropecuária (22.898), Comércio (19.177), Indústria (14.438) e Construção (12.136).
UNIDADES DA FEDERAÇÃO – Em junho deste ano, 25 das 27 unidades da Federação registraram saldo positivo. Os maiores foram em São Paulo, com 34.981 novos empregos formais, Minas Gerais (20.805) e Rio de Janeiro (16.856). Em termos relativos, a maior variação percentual ocorreu no Amapá (1,04%), seguido pelo Acre, com alta de 0,88%, e Mato Grosso, com 0,85%.
GRUPOS POPULACIONAIS – No recorte populacional, as mulheres foram responsáveis por um saldo de 72.592 vagas e os homens por 72.569 postos. A população de até 24 anos teve o maior saldo positivo, com 125.430 postos.
No recorte por escolaridade, pessoas com ensino médio completo tiveram saldo de 109.255, seguidos pelo nível médio incompleto, com 15.185. Na análise por raça, o saldo foi de 106.176 para pardos; 28.636 para brancos; 20.199 para pretos; e 776 para indígenas. O saldo foi negativo para amarelos (-66) e para vínculos sem informação de etnia e raça (-10.563).
SALÁRIOS – O salário médio real de admissão em junho foi de R$ 2.404,34. Para os trabalhadores considerados típicos, o salário real de admissão foi de R$ 2.446,27, enquanto para os trabalhadores não típicos foi de R$ 2.101,51.
EMPREGO NO ANO — De janeiro a junho de 2026, o saldo foi positivo em quatro dos cinco
grandes grupamentos de atividades econômicas. O destaque foi o setor de Serviços, que
gerou 571.926 postos formais no semestre (+2,5%), especialmente nas atividades de
administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais,
responsáveis por 208.737 empregos no primeiro semestre do ano.
A Construção gerou 168.962 postos de trabalho, crescimento de 5,73%, com maior expansão nas atividades de Obras de Infraestrutura (+64.793) e Construção de Edifícios (+60.552). A Indústria apresentou saldo de 143.442 postos (+1,6%) e a Agropecuária registrou saldo positivo de 40.853 novas vagas. O Comércio foi o único setor com saldo negativo, registrando redução de 3.514 postos de trabalho no acumulado do ano.
Nas Unidades da Federação, os maiores saldos no acumulado de 2026 foram registrados em São Paulo (252.558), Minas Gerais (108.977) e Paraná (69.638). Em termos relativos, as maiores variações positivas ocorreram no Amapá (+4,25%), Acre (+3,38%) e Mato Grosso (+3,36%).
Nacional
Por que gritos e punições físicas não contribuem para o desenvolvimento emocional da criança

Portrait of mother and son happy cuddle together in the park. Family concept.
Atualmente, grande parte dos pais reconhece a importância do diálogo na educação de seus filhos, porém, muitos deles ainda recorrem aos gritos e às punições como método de solução de conflitos. Uma pesquisa do Instituto Futuro para a Infância (IFI), em parceria com a Quaest, revelou que 62% dos brasileiros já gritaram com crianças e quase metade admitiu ter utilizado punições físicas como forma de disciplina.
Para a pedagoga Andreia Dichelli, supervisora pedagógica da Rede Fadelito de Educação Infantil, os dados evidenciam um desafio comum na parentalidade: transformar o conhecimento sobre práticas educativas mais respeitosas em atitudes concretas no dia a dia.
De acordo com a especialista, mesmo que um grito possa interromper um comportamento momentaneamente, ele não ensina nem ajuda a criança a desenvolver habilidades socioemocionais fundamentais, que são essenciais para a vida.
“A infância é o período em que a criança aprende principalmente por meio do exemplo. Ela observa como os adultos resolvem conflitos, expressam emoções e se relacionam com as pessoas. Quando é educada por meio de gritos ou punições físicas, tende a compreender que essa é uma forma aceitável de lidar com as dificuldades”, comenta Andreia.
A especialista explica que a obediência conquistada pelo medo costuma ser imediata, mas passageira porque raramente gera aprendizado. O grito pode até interromper uma atitude, porque assusta a criança, mas isso não significa que ela tenha compreendido porque aquele comportamento não era adequado. Na maioria das vezes, ela apenas reage ao medo.
Além disso, esse tipo de estratégia pode dificultar o desenvolvimento da autorregulação emocional e influenciar a forma como a criança passará a lidar com conflitos ao longo da vida.
“Quando a infância está voltada para um ambiente em que conflitos são resolvidos pela imposição ou pela elevação da voz, a criança pode reproduzir esse modelo em suas relações, acreditando que gritar é uma maneira eficaz de conseguir o que deseja. Em vez de desenvolver diálogo, empatia e autocontrole, ela aprende a reagir pela força ou pelo medo”, reflete a especialista.
Ela também ressalta que, a longo prazo, esse tipo de estratégia é prejudicial para o desenvolvimento da autorregulação emocional da criança e influencia a forma como ela irá se relacionar com outras pessoas.
“Quando a infância está voltada para um ambiente em que conflitos são resolvidos pela imposição ou pela elevação da voz, a criança pode reproduzir esse modelo em suas relações, acreditando que gritar é uma maneira eficaz de conseguir o que deseja. Em vez de desenvolver diálogo, empatia e autocontrole, ela aprende a reagir pela força ou pelo medo”, reflete a especialista.
Limites sem violência
Para Andreia, estabelecer regras e dizer “não” continua sendo uma das principais responsabilidades da família. A diferença está na forma como esses limites são apresentados.
“Ser firme não significa ser agressivo. Uma atitude simples e muito eficaz é abaixar-se para ficar na altura da criança, estabelecer contato visual e falar com uma voz calma, mas segura. Depois, é importante procurar compreender o que aconteceu e ajudar a criança a reconhecer e nomear aquilo que está sentindo”, sugere Andreia.
Segundo ela, acolher emoções como tristeza, medo, frustração e raiva, sem abrir mão de regras claras e consistentes, ajuda a criança a desenvolver recursos para lidar com esses sentimentos de maneira saudável.
E quando o adulto perde a paciência?
Andreia lembra que nenhum cuidador é perfeito e que perder a paciência eventualmente faz parte da experiência de educar. Nesses casos, reparar a relação é tão importante quanto estabelecer limites.
“Quando o adulto reconhece o erro, explica o que aconteceu e pede desculpas quando necessário, a criança aprende algo importante: todo mundo erra, mas é possível assumir isso e reconstruir a relação através do diálogo”, aponta a supervisora pedagógica.
Para a especialista, reconhecer o erro fortalece a confiança entre adultos e crianças e transforma um momento difícil em uma oportunidade de aprendizado. Ao mostrar que é possível lidar com sentimentos como raiva, frustração e tristeza sem recorrer a gritos ou violência, os adultos ensinam, na prática, uma das habilidades mais importantes da infância: resolver conflitos com respeito, empatia e inteligência emocional.
Sobre o Fadelito: Fundado há 27 anos, o Fadelito é uma rede pioneira dedicada exclusivamente à Educação Infantil, com atuação voltada à valorização da primeira infância como uma fase decisiva para o desenvolvimento cognitivo, emocional, social e físico das crianças. Com 36 unidades distribuídas na capital paulista, Grande São Paulo e interior do Estado de São Paulo, a rede já contribuiu para a formação de mais de 35 mil crianças e conta atualmente com cerca de 1.600 colaboradores. Especializado no atendimento de crianças de 4 meses a 6 anos, o Fadelito possui metodologia própria, desenvolvida por um comitê pedagógico multidisciplinar e aprimorada continuamente a partir de estudos e novas descobertas da Educação Infantil. Entre seus diferenciais está o Baby Learning, programa multidisciplinar criado para bebês do berçário, que integra conhecimentos de Pediatria, Fisioterapia e Pedagogia para estimular, de forma planejada e respeitosa, o desenvolvimento motor, cognitivo, emocional e social de cada criança, considerando as particularidades de cada fase da primeira infância. Mais do que uma rede de escolas, o Fadelito trabalha ativamente para fortalecer a compreensão de que investir nos primeiros anos de vida é investir no desenvolvimento humano e no futuro da sociedade.
-
Rondonópolis15/09/2026 - 14:26Medeiros rebate suspeita de fraude em ata e afirma que não tinha poder para alterar posição de suplência
-
Rondonópolis15/09/2026 - 14:59Empresa pede aumento de 66,59% em contrato de medicamentos e Prefeitura de Rondonópolis aponta sobrepreço e paralisação no fornecimento
-
Rondonópolis15/09/2026 - 16:14Rondonópolis cria regras para bicicletas elétricas e patinetes e prevê educação gratuita para usuários
-
Rondonópolis16/09/2026 - 11:53Mauro Campos sobe o tom e cobra fiscalização contra abuso de poder econômico nas eleições em Rondonópolis
-
Rondonópolis16/09/2026 - 15:33Vereadora Dra. Luciana Horta cobra revitalização da ESF e recuperação de praça no Vila Cardoso
-
Rondonópolis16/09/2026 - 16:06Vereador cobra pagamento de incentivo e denuncia falta de EPIs para agentes de saúde em Rondonópolis
-
Rondonópolis17/09/2026 - 00:00Ibrahim Zaher sobe o tom contra Prefeitura, cobra dados sobre multas e questiona sistema de R$ 16 milhões






