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Da infância no interior paulista ao Planalto: Quem é Jair Messias Bolsonaro

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Um perfil de Jair Messias Bolsonaro: polêmicas acompanham presidente eleito desde os tempos de quartel
Fernando Frazão/Agência Brasil

Um perfil de Jair Messias Bolsonaro: polêmicas acompanham presidente eleito desde os tempos de quartel

Na tarde desta terça-feira, 1º de janeiro de 2019, toma posse em Brasília (DF), o novo presidente do Brasil: Jair Messias Bolsonaro. Aos 63 anos, o 38º presidente do Brasil reúne traços de outros chefes de estado brasileiros, mas numa combinação única e assume o posto mais alto da República para colocar mais uma página na sua biografia estranhamente comum.

Filho de Percy Geraldo Bolsonaro e Olinda Bonturi, Jair Messias Bolsonaro nasceu em Glicério, município de apenas 4,8 mil habitantes no interior de São Paulo, em 21 de março de 1955. Mas só foi registrado dez meses depois, no dia 1º de fevereiro de 1956, na cidade de Campinas, também no interior de São Paulo, onde morava grande parte de sua família composta majoritariamente de imigrantes italianos e alemães.

Fruto de uma gestação de risco, Bolsonaro se chamaria apenas Messias, já que sua mãe atribuía a Deus o milagre do nascimento do filho.  O nome Jair  foi acrescentado por sugestão de um vizinho como 
homenagem a Jair Rosa Pinto, meia-esquerda da Seleção Brasileira que fazia aniversário no mesmo dia. O peso de influências esportivas, religiosas e geográficas ajudam a explicar não só o nome, mas também a própria origem familiar do novo presidente.

Jair Messias Bolsonaro: o andarilho

Como deputado federal, Jair Messias Bolsonaro colecionou polêmicas e teve poucos projetos aprovados
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Como deputado federal, Jair Messias Bolsonaro colecionou polêmicas e teve poucos projetos aprovados

Bolsonaro passou a infância em diversas cidades do estado de São Paulo, enquanto seu pai, um dentista sem diploma, tentava ganhar a vida e sustentar a grande família. O pequeno Jair passou seus primeiros anos em Ribeira, mas já em 1964, a família mudou-se para Jundiaí e novamente, em 1965, para Sete Barras. Só em 1966, ao chegar em Eldorado Paulista, no Vale do Ribeira, que Bolsonaro, os pais e os seus cinco irmãos acabaram passando mais tempo.

Lá, o pai de Bolsonaro chegou a ganhar certa notoriedade na cidade e o filho destacava-se na escola. Não pelas notas, já que Bolsonaro tinha dificuldades em várias matérias, sobretudo em português, fato que o levou a adquirir o hábito de fazer palavras cruzadas, mas pela capacidade de se enturmar com os outros meninos enquanto construía a fama de turrão, astuto, teimoso, ambicioso e desengonçado. Já naquela época, Bolsonaro era do tipo que falava antes de pensar e, depois, via se podia consertar.

Aos 15 anos, porém, um acontecimento mudou para sempre a vida de Bolsonaro. Na caça pelo guerrilheiro Carlos Lamarca que lutava contra a ditadura militar e decidiu se refugiar justamente em Eldorado Paulista, o Exército trocou tiros, interditou estradas e revistou pessoas. As Forças Armadas não conseguiram capturar Lamarca, mas suas ações marcaram para sempre a memória das crianças e adolescentes. Sobretudo Bolsonaro, que decidiu que, dali em diante, seu futuro seria entre os militares.

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Bolsonaro: o militar

Presidente eleito, Jair Messias Bolsonaro tem formação militar pela Aman, em Resende (RJ)
Reprodução/Twitter

Presidente eleito, Jair Messias Bolsonaro tem formação militar pela Aman, em Resende (RJ)

A partir daí, o jovem Jair Bolsonaro se dedicou aos estudos para passar nas provas e começou a pescar e a vender peixes para levantar o dinheiro necessário para sair da cidade. Conseguiu, aos 18 anos, entrar para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), mas chegou à conclusão de que deveria ter prestado concurso para a Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), então, como o paraquedista que ele viria se tornar, corrigiu a rota e passou na prova no ano seguinte.

Bolsonaro passou quatro anos nas Agulhas Negras, integrou a Brigada de Infantaria Paraquedista, concluiu o curso e foi servir como Aspirante a Oficial no 21º Grupo de Artilharia de Campanha (GAC) em São Cristóvão, bairro do Rio de Janeiro. Nessa época, ele conheceu sua primeira esposa, Rogéria Nantes Nunes Braga, com quem teve o primeiro filho, Flávio Bolsonaro, em 1981, o segundo, Carlos Bolsonaro, em 1982, e o terceiro, Eduardo Bolsonaro, em 1984.

A essa altura, Bolsonaro já era formado pela Escola de Educação Física do Exército (EsEFEX) e servido no 8º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista em Deodoro, bairro do Rio de Janeiro. Na ocasião, foi um dos tenentes responsáveis pela avaliação física dos soldados que concorriam para o curso de paraquedismo até que, em 1987, cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO).

Deixou o Exército Brasileiro, no ano seguinte, em 1988, após ser acusado de planejar a Operação Beco Sem Saída que pretendia explodir pequenas bombas nos quartéis em proteto aos baixos salários. A mesma motivação já tinha lhe rendido uma prisão depois que ele assinou artigo na revista Veja
se queixando dos valores.

Dessa forma, Bolsonaro foi descrito pelo coronel Carlos Alfredo Pellegrino, superior de Bolsonaro na época, como portador de uma “excessiva ambição em realizar-se financeira e economicamente”, além de ter “permanentemente a intenção de liderar os oficiais subalternos, no que foi sempre repelido, tanto em razão do tratamento agressivo dispensado a seus camaradas, como pela falta de lógica, racionalidade e equilíbrio na aprensentação de seus argumentos”.

Bolsonaro: o político

Bolsonaro e o filho Eduardo inflaram bonecos do ex-presidente Lula vestido de presidiário na Câmara
Lúcio Bernardo Jr/ Câmara dos Deputados – 27.10.15

Bolsonaro e o filho Eduardo inflaram bonecos do ex-presidente Lula vestido de presidiário na Câmara

Bolsonaro não chegou a ser expulso do Exército. Pelo contrário, foi absolvido no julgamento do Superior Tribunal Militar (STM), mas o fato é que, imediatamente após se envolver nas polêmicas, passou para a reserva das Forças Armadas como capitão do Exército.

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Fora do quartel, Bolsonaro aproveitou a popularidade que ganhou com as camadas mais baixas da hierarquia militar para se eleger vereador pelo Partido Democrata Cristão (PDC) no Rio de Janeiro, em 1989.

O primeiro mandato do novo político foi curto e já nas eleições seguintes, o ex-militar mirou mais alto e conseguiu se eleger deputado federal pelo mesmo partido e mesmo estado em 1990, deixando a Câmara Municipal do Rio de Janeiro apenas dois anos depois de ser empossado. Como vereador, Bolsonaro apresentou sete projetos de lei, a maioria deles ligados a causas militares, e se revelou um político conservador e pouco participativo.

O perfil não mudou muito em Brasília, quando Bolsonaro tomou posse na Câmara dos Deputados na capital federal. Lá, Bolsonaro se sentiu ainda mais isolado, mas de um jeito ou de outro conseguiu se reeleger para outros seis mandatos consecutivos acumulando, portanto, quase 30 anos de vida pública.

Na sua trajetória como parlamentar, Bolsonaro ficou marcado por trocar de partido como trocava de cidades na juventude e se envolver em polêmicas como fazia no Exército. Foram oito partidos diferentes: PDC (1989-1993), PPR (1993-95), PPB (1995-2003), PTB (2003-2005), PFL (2005), PP (2005-2016), PSC (2016-2017) e o PSL (2018); apenas dois projetos aprovados, apenas duas comissões integradas e inúmeras polêmicas protagonizadas.

Talvez até por isso, a popularidade que Bolsonaro não desfrutava entre os colegas políticos continuava cada vez mais fiel nas urnas.

Bolsonaro: o religioso

Jair Messias Bolsonaro se tornou o primeiro presidente militar eleito pelo voto popular desde a redemocratização
Divulgação/Jair Bolsonaro

Jair Messias Bolsonaro se tornou o primeiro presidente militar eleito pelo voto popular desde a redemocratização

A essa altura, Bolsonaro já tinha ajudado a eleger sua primeira esposa vereadora pelo Rio de Janeiro, divorciado-se, casado novamente e tido mais um filho, Renan Bolsonaro, que assim como os três irmãos mais velhos, também tem a intenção de entrar para a carreira política.

Apesar da origem católica, separou-se também de sua segunda esposa, num processo que se tornou polêmico durante as eleições de 2018. Em 2007, no mesmo ano em que deixou a sua segunda esposa, conheceu a terceira, Michelle de Paula Firmo Reinaldo, quando ela era secretária parlamentar na Câmara dos Deputados. Nove dias após ser contratada, os dois firmaram um pacto antenupcial e, dois meses depois, casaram-se no papel.

Evangélica, Michelle Bolsonaro foi responsável por introduzir o marido ao convívio com uma nova religião, apesar de Jair Bolsonaro afirmar que frequentou a Igreja Batista durante 10 anos de sua juventude. Com o contato, os filhos de Bolsonaro se tornaram evangélicos e o próprio chegou a se casar numa cerimônia religiosa realizada pelo pastor Silas Malafaia e foi batizado no rio Jordão por outro pastor evangélico da Assembleia de Deus.

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Com a atual esposa, Bolsonaro teve sua primeira filha e quinta herdeira, Laura Bolsonaro, e passou a residir num condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro, local que acabou, involuntariamente, tornando-se conhecido no noticiário ao longo de 2018.

Bolsonaro: o messias

Jair Messias Bolsonaro foi alvo de ataque a faca durante comício em Juiz de Fora, em setembro
Reprodução

Jair Messias Bolsonaro foi alvo de ataque a faca durante comício em Juiz de Fora, em setembro

A popularidade do capitão reformado cresceu nas redes sociais imediatamente após as eleições de 2014 revelarem um país intrinsecamente dividido entre o petismo e o antipetismo. Esse segundo grupo ganhou força nos anos que se seguiram, especialmente após o impeachment de Dilma Rousseff (PT), em 2016, e Bolsonaro foi quem mais se capitaneou em meio à crescente onda conservadora.

Já com a alcunha de ‘mito’, o capitão reformado se filiou ao PSL em 2018 e chegou à campanha eleitoral com moral elevado, ainda que o meio político seguisse desdenhando de sua real capacidade nas urnas. Por obra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que  barrou a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) em razão da Lei da Ficha Limpa, Bolsonaro herdou a liderança da corrida eleitoral e a manteve de cabo a rabo.

Mas a alta popularidade não foi capaz de fazer com que a campanha de Bolsonaro
fosse tranquila. Em setembro, durante comício na cidade mineira de Juiz de Fora, o caminho do então candidato cruzou com o de  Adelio Bispo de Oliveira, que usou uma faca
para tentar impedir que o capitão reformado subisse a rampa do Palácio do Planalto neste 1º de janeiro.

O pai de Flávio, Carlos, Eduardo, Renan e Laura foi submetido a duas cirurgias e passou mais de 20 dias internado em plena campanha presidencial. Quando liberado a voltar para casa, Bolsonaro se voltou exclusivamente ao seu canal de comunicação favorito, as redes sociais, para manter seu eleitorado fiel e avançar ao segundo turno das eleições, com pouco mais de 46% dos votos válidos.

Pouco mudou durante a campanha para o segundo turno contra o herdeiro da candidatura de Lula, Fernando Haddad (PT). Bolsonaro manteve o confinamento em sua casa no Rio de Janeiro e preferiu evitar debates com o petista mesmo após ser liberado por médicos a participar dos eventos na televisão.

A estratégia funcionou e, às 19h18 do dia 28 de outubro, a Justiça Eleitoral confirmou que, aos 63 anos de idade,  Jair Bolsonaro se tornou o primeiro militar eleito pelo voto popular desde a redemocratização.

Bolsonaro promete fugir à política tradicional e liderar o Brasil de volta ao caminho do crescimento econômico e também rumo à redução da violência. Para tanto, o capitão reformado escalou sua equipe de governo com 20 nomes, dentre eles três ‘superministros’: Paulo Guedes (Economia), Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública), e General Heleno (GSI).

O novo presidente não abandonou velhos hábitos mesmo após eleito, como o uso das redes sociais como meio oficial de comunicação e a inevitável feição a polêmicas. É melhor já ter se acostumado com o jeito do novo presidente da República do Brasil: Jair Messias Bolsonaro
.

Relembre as eleições em fotos:

Retrospectiva 2018: O ano começou com os desembargadores Leandro Paulsen, João Pedro Gebran Neto e Victor Laus do Tribunal Regional Federal da 4ª Região confirmando, por unanimidade, a sentença do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva e ampliando a pena para 12 anos e 1 mês de prisão. Foto: iG/Divulgação

Retrospectiva 2018: Enquanto a defesa de Lula ainda recorria da sentença e tentava evitar sua prisão, Lula fazia caravana pela região Sul do Brasil e dois ônibus foram atingidos por três tiros perto de Quedas do Iguaçu, no Paraná. Foto: Reprodução/Twitter

Retrospectiva 2018: Com a prisão decretada, Lula se recolheu na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e fez um discurso inflamado cercado de outras lideranças do partido como Gleise Hoffmann e Dilma Rousseff antes de se entregar à Polícia Federal. Foto: Reprodução/Twitter

Retrospectiva 2018: Após o discurso, Lula foi carregado nos ombros em meio à multidão do carro de som, onde discursou, até o prédio do Sindicato dos Metalúrgicos onde permaneceu mais algumas horas antes da prisão. Foto: Ricardo Stuckert

Retrospectiva 2018: Na primeira tentativa de se entregar à Polícia Federal, Lula não consegue deixar o Sindicato dos Metalúrgicos de carro por resistência dos militantes do PT, algumas horas depois, no entanto, Lula deixa o prédio a pé escoltado pelos seguranças e se rende. Foto: Reprodução/Globo News

Retrospectiva 2018: Já preso, Lula foi conduzido pelos policiais federais até um prédio da PF na Lapa, zona oeste de São Paulo, onde fez exame de corpo de delito antes de ser levado de helicóptero para o aeroporto de Congonhas e então, de avião, para Curitiba. Foto: Agência Estado

Retrospectiva 2018: Já por volta das 22h20 do dia 7 de abril de 2018, Lula é visto chegando de helicóptero ao prédio da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, onde começa a cumprir a pena de 12 anos e 1 mês de prisão. Foto: GERALDO BUBNIAK/ESTADÃO CONTEÚDO

Retrospectiva 2018: Em resistência à prisão de Lula, manifestantes do PT montaram uma vigília em frente ao prédio da Superintendência da Polícia Federal onde Lula cumpre pena. Eles chegaram a fazer greve de fome e amanheciam e anoiteciam todos os dias dando "bom dia" e "boa noite" ao ex-presidente que afirmou, por meio de carta, que era capaz de ouvi-los. Foto: Ricardo Stuckert - 14.11.18

Retrospectiva 2018: Na prisão, o ex-presidente Lula reafirmou que seria candidato à Presidência da República e foi visitado por diversas personalidades nacionais e internacionais, entre eles a ex-presidente Dilma Rousseff e a presidente do partido Gleisi Hoffmann. Passaram por lá também, prêmios Nobel da Paz, ex-presidentes de outros país, governadores eleitos e, é claro, o presidenciável e advogado de Lula, Fernando Haddad. Foto: Ricardo Stuckert - 23.4.18

Retrospectiva 2018: O acampamento onde os manifestantes pró-Lula se reuniam próximo ao prédio da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, foi alvo de tiros e pelo menos duas pessoas foram atingidas. Um homem ficou gravemente ferido, precisou ser conduzido ao hospital e deixou sua roupa ensanguentada para trás. Testemunhas relatam que o atirador gritou "Bolsonaro presidente". Foto: Reprodução/Facebook/Frente Brasil Popular

Retrospectiva 2018: Enquanto Lula tentava articular da prisão sua candidatura à Presidência e acabava barrado, outros pré-candidatos (como Rodrigo Maia, do DEM) e candidato (como Geraldo Alckmin, do PSDB) articulavam suas próprias chapas. O ex-governador de São Paulo conseguiu o apoio do Centrão e formou a maior coligação das eleições 2018. Foto: J Batista/Divulgação

Retrospectiva 2018: Já Bolsonaro foi na contramão de Alckmin e decidiu não fazer grandes alianças ficando com pouco tempo de TV. Sua vitória nas eleições era considerada tão improvável que ele teve dificuldades para conseguir um candidato a vice-presidente. Recebeu três negativas (de Magno Malta, general Augusto Heleno e Janaína Paschoal) até acabar acertando com o general Hamilton Mourão. Foto: Rafael Carvalho/Governo de Transição

Retrospectiva 2018: A campanha de Bolsonaro durante as eleições 2018 foi marcada por muitas polêmicas e alusão a violência. Num dos momentos mais marcantes, Jair Bolsonaro foi gravado empunhando um tripé de câmera como se fosse uma arma e dizendo “vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre". Foto: Reprodução

Retrospectiva 2018: Foi o próprio Jair Bolsonaro (PSL), no entanto, quem acabou sendo vítima de violência durante a campanha presidencial. Numa caminhada "corpo a corpo" nas ruas de Juiz de Fora (MG), o então candidato líder das pesquisas foi alvo de uma facada no abdômen deferida por Adélio Bispo de Oliveira. Foto: REPRODUÇÃO/AGÊNCIA BRASIL

Retrospectiva 2018: Adelio Bispo de Oliveira, criminoso que atacou e tentou assassinar Jair Bolsonaro (PSL), foi preso em flagrante e um laudo médico atestou que ele é portador de problemas psicológicos. A Polícia afirmou que ele agia sozinho, mas as investigações seguem. Foto: POLÍCIA MILITAR / DIVULGAÇÃO

Retrospectiva 2018: Bolsonaro correu sério risco de morte, precisou passar por duas cirurgias de emergência e implantou uma bolsa de colostomia para substituir as funções de intestino atingido pela facada na região abdominal no dia 6 de setembro. Episódio que mudou definitivamente os rumos da campanha presidencial. Foto: Reprodução

Retrospectiva 2018: Com Bolsonaro ferido, os adversários manifestaram seu repúdio e tiveram que suspender propagandas que atacavam o líder das pesquisas, entre elas uma peça publicitária da campanha de Geraldo Alckmin que chocou muitas pessoas ao mostrar uma menina "quase" sendo atingida por uma bala na cabeça. Foto: Reprodução/Facebook/Geraldo Alckmin

Retrospectiva 2018: Em recuperação médica, Bolsonaro cancelou todos os compromissos de campanha. Com a entrada do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), na disputa em substituição a Lula, os dois nunca chegaram a ficar frente a frente em um debate presidencial. Foto: Ricardo Stuckert

Retrospectiva 2018: Protestos contra e a favor de Bolsonaro e de Lula marcaram as eleições, mas o movimento apartidário Ele Não chamou a atenção por nascer na internet liderado por mulheres e tomar as ruas de cidades do Brasil e de outros lugares do mundo. Foto: Fotos públicas/Rovena Rosa

Retrospectiva 2018: Avançando para o segundo turno, Haddad mudou o tom da campanha, assumiu o perfil conciliador, abandonou as citações ao ex-presidente Lula e até lançou uma nova marca da campanha trocando o vermelho e branco do PT pelo verde e amarelo. Foto: Divulgação/PT

Retrospectiva 2018: Nada mais abalava a campanha de Bolsonaro e o capitão reformado do Exército conquistou a vitória nas eleições 2018. No primeiro discurso como eleito, disse se sentir muito feliz e que "missão não se escolhe, se cumpre". Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Retrospectiva 2018: A partir das eleições, o governo de transição do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) se dedicou à formação ministerial que foi turbinada com o convite e a aceitação do ex-juiz Sérgio Moro para ser o novo ministro da Justiça. Foto: Rafael Carvalho/Governo de Transição

Retrospectiva 2018: Mesmo após a vitória, o estado de saúde de Bolsonaro continuou preocupando os médicos. Ele chegou a ter a cirurgia de remoção da bolsa de colostomia adiada após exames pré-operatórios, cancelou eventos da agenda de última hora e pediu adiantamente do julgamento de suas contas e de sua diplomação. Resta saber como será a posse no dia 1º de janeiro de 2019. Foto: Reprodução/Flickr

Nacional

Enem 2026: prazo de inscrições termina nesta sexta-feira

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O prazo prorrogado de inscrição no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 termina às 23 horas e 59 minutos desta sexta-feira (12), no horário de Brasília.

Os interessados em participar do exame  devem fazer a inscrição exclusivamente na internet no link da Página do Participante no portal do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

O prazo vale para todos os participantes. Os candidatos isentos da taxa de inscrição também devem se inscrever no exame.

Concluintes em 2026

Para os concluintes do ensino médio de escolas públicas, a inscrição é automática, pela primeira vez. Nesse caso, o estudante precisará apenas confirmar sua participação no sistema de inscrição, fazer a opção de prova de língua estrangeira (inglês ou espanhol) e indicar, se for o caso, a necessidade de recursos de acessibilidade ou se quer ser tratado pelo nome social.

Inclusão e acessibilidade

A solicitação de tratamento pelo nome social em todas as fases do exame também teve o prazo alterado, podendo ser feita até esta sexta-feira (12).

A opção é destinada às pessoas trans, que se identificam e querem ser reconhecidos socialmente pela sua identidade de gênero. A sinalização deve ser marcada no momento da inscrição.

O prazo de 12 de junho vale também para os candidatos que necessitam de atendimento especializado.

Neste ano do Enem 2026 novas condições de pessoas com fibromialgia e transtornos mentais, como ansiedade, Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), estão entre as situações possíveis para solicitar atendimento especializado.

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Entre outras condições específicas para pedir o atendimento especializado estão: baixa visão, cegueira, deficiência física, auditiva, intelectual, dislexia, transtorno do espectro autista (TEA), gestantes, lactantes, diabéticos, idosos e estudantes em classe hospitalar, entre outras condições.

A resposta preliminar à solicitação de atendimento especializado e ao tratamento pelo nome social sairá em 26 de junho.

Taxa de inscrição

Após a inscrição, o sistema do Enem vai gerar a GRU Cobrança no valor de R$ 85.

O pagamento da taxa de inscrição no exame deve ser feito entre 25 de maio e 17 de junho.

A opções de pagamento são via Pix, cartão de crédito, débito ou boleto. A quitação poderá ser feita em qualquer banco, casa lotérica ou aplicativos bancários.

A inscrição somente será confirmada após o processamento do pagamento desta taxa.

Mais locais de provas

Em 2026, a aplicação das provas do Enem está agenda para os domingos 8 e 15 de novembro.

Nesta edição, o Inep quer ampliar o número de locais de aplicação do exame para cerca de 10 mil, em todo o país.

De acordo com estimativas do Inep, aproximadamente 80% dos concluintes da rede pública devem fazer as provas dos dois dias do Enem na própria escola em que estudam. A medida tem o objetivo de facilitar o acesso ao exame e reduzir deslocamentos.

Para os estudantes que precisarem realizar a prova em outro município, o MEC divulgou que também estuda alternativas de apoio logístico para transporte entre os municípios.

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Enem

O Exame Nacional do Ensino Médio, que avalia o desempenho escolar dos estudantes ao término da educação básica, é considerado a principal forma de entrada na educação superior no Brasil, por meio de programas federais como Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Programa Universidade para Todos (Prouni) e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

As instituições de ensino públicas e privadas usam os resultados das provas para selecionar os estudantes.

Desde a edição de 2025, o Enem voltou a certificar a conclusão dessa etapa de ensino para os candidatos com 18 anos de idade completos e que também alcancem a pontuação mínima em cada área do conhecimento nas provas e na redação.

Os resultados individuais do exame também podem ser aproveitados em processos seletivos de instituições portuguesas que têm convênio com o Inep. Os acordos garantem acesso facilitado às notas dos estudantes brasileiros interessados em cursar a educação superior em Portugal.

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Nacional

Entenda os próximos passos do projeto para reduzir a maioridade penal

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Brasília (DF) 29/05/2024 Sessão do Congresso Nacional que apreciou e votou vetos presidenciais e projetos de lei de abertura de créditos suplementares para ministérios e outros órgãos públicos. Foto Lula Marques/ Agência Brasil
                                                                                                  © Lula Marques/ Agência Brasil
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (10), a Proposta de Emenda à Constituição que propõe a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Foram registrados 44 votos favoráveis e 18 contrários à matéria.

No entanto, a medida ainda passará por um longo processo, até que possa de fato se tornar lei. O projeto não segue de forma imediata para votação em plenário da Casa.

O próximo passo é a criação de uma Comissão Especial temporária por ato da Mesa Diretora da Câmara, que analisará o mérito da proposta. Nessa comissão, os parlamentares poderão realizar audiências públicas, sugerir modificações adicionais ao texto e votar o relatório final.

Caso seja aprovado pela Comissão Especial, o texto será encaminhado para deliberação no Plenário da Câmara dos Deputados. Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição, a aprovação exige o apoio mínimo de três quintos dos deputados (308 dos 513 parlamentares), em dois turnos de votação. Se aprovada nessas etapas, a matéria segue para o Senado Federal, onde passará por rito semelhante.

Histórico

Apresentada originalmente em maio de 2015 pelo então deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) e outros parlamentares, a PEC 32/2015 visava estabelecer a “plena maioridade civil e penal aos 16 anos de idade”. Desde a sua apresentação, a proposta permaneceu sob análise na CCJ para a verificação de sua constitucionalidade.

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A PEC teve, pelo menos, três relatores diferentes nestes 11 anos e chegou a ser arquivada pela mesa diretora em 2019. O debate do texto foi intensificado nos últimos meses. No final de maio, o relator atual da proposta na comissão, deputado Coronel Assis (PL-MT), concluiu a leitura de seu parecer favorável à admissibilidade jurídica da matéria. A votação final na CCJ ocorreu após a rejeição de requerimentos de adiamento apresentados por parlamentares da oposição.

Mudanças no texto

Embora o projeto original propusesse uma maioridade plena (civil e penal), o relator apresentou um substitutivo que preserva as regras cíveis atuais.

Com isso, os direitos políticos e a maioridade civil dos jovens não são afetados. O alistamento eleitoral e o exercício do voto continuam facultativos aos 16 anos e obrigatórios somente a partir dos 18 anos de idade.

Durante a tramitação na CCJ, deputados favoráveis ao projeto argumentaram que a medida atende a demandas sociais por segurança pública e responsabilização penal. Por outro lado, parlamentares contrários sustentaram que a redução da maioridade penal viola direitos fundamentais previstos na Constituição e defenderam o foco em políticas públicas educacionais.

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Nacional

O que é o PlanMob-Brasil e como ele pretende transformar a mobilidade urbana

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Plano Nacional de Mobilidade Urbana está sendo elaborado por meio de uma consulta pública; sugestões podem ser enviadas até 3 de julho
O que é o PlanMob-Brasil e como ele pretende transformar a mobilidade urbana

                                                                                                                                                                   Rovena Rosa/Agência Brasil
O deslocamento nas cidades brasileiras vai muito além de carros e vias. Mobilidade urbana significa garantir que as pessoas consigam acessar trabalho, escola, saúde, lazer e serviços essenciais com segurança, eficiência e qualidade de vida. É nesse contexto que o Ministério das Cidades vem construindo o Plano Nacional de Mobilidade Urbana, o PlanMob-Brasil.

Clique aqui para participar da consulta pública do  PlanMob-Brasil.

Coordenado pela Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana (Semob), o plano será um instrumento estratégico para orientar ações e investimentos públicos e privados voltados à mobilidade urbana em todo o País, com foco em cidades mais acessíveis, sustentáveis, seguras e integradas.

A construção do PlanMob-Brasil está alinhada à Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), instituída em 2012, que estabeleceu diretrizes para integrar os diferentes modos de transporte e melhorar a acessibilidade nos municípios brasileiros. A política também reforçou a importância do planejamento urbano, priorização do transporte público coletivo e da mobilidade ativa, como caminhadas e bicicletas.

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O plano evidencia os desafios enfrentados diariamente pela população brasileira, como congestionamentos, longos tempos de deslocamento, perda de qualidade do transporte público, desigualdades territoriais e aumento dos sinistros de trânsito e impactos ambientais causados pelo excesso de veículos individuais motorizados.

Segundo o secretário Nacional de Mobilidade Urbana, Marcos Daniel Souza dos Santos, o PlanMob Brasil é um instrumento essencial para o planejamento estratégico da mobilidade no país.

“O PlanMob Brasil é um importante instrumento de planejamento de longo prazo, que vai orientar as ações dos municípios, dos estados e, especialmente, do governo federal. Queremos avançar ainda mais, mas para isso precisamos ouvir a sociedade e construir soluções cada vez melhores. A mobilidade é um tema fundamental para o desenvolvimento do Brasil e exige uma visão integrada e de longo prazo. Precisamos nos organizar como país e não perder de vista o horizonte de investimentos que já vem sendo construído. É necessário consolidar a mobilidade e o transporte como prioridades na agenda nacional”, destacou.

Com um enfoque de equidade e acesso às oportunidades das cidades, e de sustentabilidade ambiental, PlanMob-Brasil também pretende abordar temas como mobilidade ativa e micromobilidade, transporte público coletivo, gestão do território, e desenvolvimento institucional e governança, considerando as diferentes realidades urbanas do país.

A proposta é fortalecer a atuação da União, de forma coordenada com estados e municípios, promovendo maior integração entre políticas públicas, planejamento urbano e ações e investimentos em mobilidade. O plano também dialoga com iniciativas já desenvolvidas e em desenvolvimento pelo Governo Federal, como o Novo PAC, o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), o Novo Marco Legal do Transporte Público Coletivo, o Programa Bicicleta Brasil, a Estratégia Nacional de Promoção da Mobilidade por Bicicleta (Enabici), o Plano Clima, o Pnatrans e a plataforma Viabiliza.

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Com perspectiva de longo prazo e ampla participação social, o PlanMob-Brasil busca consolidar uma visão de futuro para a mobilidade.

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