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Fígado gorduroso não é inofensivo: entenda os riscos

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Lívia Catalá

Durante muito tempo, a gordura no fígado foi considerada um achado sem grande importância. Hoje, porém, sabemos que ela pode representar um importante sinal de alerta para a saúde metabólica.

A doença, atualmente chamada de MASLD (doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica), afeta cerca de um em cada três adultos e está fortemente relacionada à obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão arterial e colesterol elevado.

O problema é que ela costuma ser silenciosa. Na maioria dos casos, o diagnóstico acontece por meio de exames de rotina, especialmente o ultrassom abdominal ou alterações em exames laboratoriais que levam à investigação da doença. Atualmente, ferramentas como o FIB-4 e a elastografia hepática ajudam a identificar quais pacientes apresentam maior risco de evolução.

E esse risco não deve ser subestimado.

Em alguns pacientes, o simples acúmulo de gordura pode evoluir para inflamação do fígado, condição chamada esteato-hepatite metabólica (MASH). Com o passar do tempo, esse processo pode levar ao desenvolvimento de fibrose, cirrose e, em situações mais avançadas, insuficiência hepática e câncer de fígado.

Mas talvez o dado mais importante seja outro: a principal causa de morte nesses pacientes não é a doença hepática, mas sim as doenças cardiovasculares. Pessoas com fígado gorduroso apresentam maior risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras complicações cardiovasculares.

A boa notícia é que existe tratamento.

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A perda de peso continua sendo a estratégia mais eficaz. Estudos mostram que uma redução de aproximadamente 5% do peso corporal já pode diminuir significativamente a gordura no fígado. Quando a perda ultrapassa 10%, os benefícios podem ser ainda maiores, incluindo melhora da inflamação e da fibrose em parte dos pacientes.

Por isso, mudanças no estilo de vida continuam sendo fundamentais. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle das doenças metabólicas associadas permanecem como pilares do tratamento.

Nos últimos anos, medicamentos como a semaglutida também passaram a ganhar destaque. Além de promover perda de peso significativa, estudos recentes demonstraram melhora da gordura no fígado, da inflamação e até mesmo da fibrose hepática, uma das principais preocupações relacionadas à progressão da doença. Esses achados ampliam as possibilidades de tratamento e reforçam a importância da abordagem precoce dos pacientes com fígado gorduroso.

A principal mensagem é simples: a gordura no fígado não deve ser ignorada. Muitas vezes, ela é um dos primeiros sinais de que o organismo precisa de atenção, oferecendo uma oportunidade valiosa para prevenção e tratamento antes do surgimento de complicações mais graves.

Identificar a gordura no fígado precocemente pode significar muito mais do que proteger o fígado: pode ser a oportunidade de prevenir doenças cardiovasculares, diabetes e outras complicações que comprometem a saúde e a qualidade de vida ao longo dos anos.

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Lívia Catalá é médica endocrinologista — CRM 7034 | RQE 3995. Atende na Clínica Ferraz, presencialmente e on-line.

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O “menino” Neymar

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No “País do Futebol”, temas como dólar, Selic, PIB, violência e pesquisas eleitorais perderam espaço para um assunto capaz de mobilizar interesses diversos, além de paixão: a volta de Neymar à seleção brasileira sob o comando do italiano Carlo Ancelotti.

Dom Carletto foi anunciado com contrato até 2030, algo inédito na história da CBF, e a convocação ganhou contornos de evento internacional no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Influenciadores, comentaristas, publicitários, ex-jogadores e até analistas políticos entraram no debate.

O foco, porém, acabou sendo Neymar. Criou-se uma sensação de inevitabilidade, como se a seleção não pudesse disputar a próxima Copa do Mundo sem o camisa 10. O problema é que o contexto esportivo não justificava tamanho consenso.

Neymar vive fase irregular no Santos, equipe que luta para se afastar das últimas posições do Brasileirão. Longe do brilho dos tempos de Barcelona e PSG, o atleta convive com lesões frequentes, limitações físicas e atuações discretas. Ainda assim, o movimento por seu retorno foi intenso e barulhento.

Diferentemente de 2002, quando a pressão pela convocação de Romário partia das arquibancadas, agora ela parece ter surgido principalmente do mercado. Agências de publicidade, plataformas digitais e veículos de comunicação tinham campanhas prontas para o retorno do atleta. Bastou a convocação ser anunciada para surgirem comerciais de TV, promoções e até manifestações políticas de apoio.

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Parece que o peso econômico/político da marca “Neymar” falou mais alto que a análise do seu desempenho recente. Com mais de 230 milhões de seguidores nas redes sociais, ele movimenta patrocínios e exposição global em escala rara no esporte brasileiro. Isso ajuda a explicar o comportamento de outros jogadores. Atletas em grande fase fizeram questão de destacar a importância de atuar ao lado do camisa 10. Pode haver admiração genuína, mas é impossível ignorar a influência de alguém que se tornou uma potência midiática.

Enquanto isso, nomes vivendo melhor momento técnico acabaram sem espaço. Neymar, por outro lado, chegava cercado por dúvidas físicas e rendimento abaixo do esperado. Posteriormente, exames confirmaram uma lesão de grau 2 na panturrilha direita, com ruptura parcial das fibras musculares.

Cabe agora a Carlo Ancelotti provar que sua escolha foi técnica. Reconhecido pela habilidade de administrar grandes estrelas, o treinador pode acreditar que Neymar ainda tem condições de liderar um último ciclo competitivo. Mas também é possível que Dom Carletto tenha compreendido o custo comercial, político e midiático de deixá-lo fora logo no início de seu trabalho.

Há ainda um componente político. Neymar aproximou futebol, redes sociais e disputa ideológica ao assumir posições públicas em favor do bolsonarismo. Não existe certeza de interferências na decisão da CBF, mas o simples fato de o tema surgir nos bastidores revela como a seleção continua ocupando um espaço que vai muito além do esporte.

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No fim, a convocação talvez diga menos sobre futebol e mais sobre o Brasil contemporâneo. Um país em que audiência, influência digital e marketing parecem pesar mais do que desempenho e condição física. Ancelotti chegou ao Brasil e já descobriu que escalar um camisa 10 pode significar muito mais do que escolher um jogador.

Lembro 1970, quando o general-ditador Emílio Garrastazu Médici pressionou pela convocação de Dadá Maravilha. O técnico João Saldanha resistiu à interferência, pediu demissão e viu Dadá ir à Copa sem sequer entrar em campo. Ainda assim, o Brasil conquistou o tricampeonato mundial.

*Ricardo Viveiros, jornalista, professor e escritor, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura (UPM); membro da Academia Paulista de Educação (APE) e conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI); autor, entre outros livros, de A vila que descobriu o BrasilMemórias de um tempo obscuro e O sol brilhou à noite.

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O fim da escala 6×1 e a inclusão de pessoas com deficiência e pessoas idosas

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Fotos: O Defensor Público Federal André Naves – Arquivo pessoal

 

Frequentemente, como Defensor Público Federal, testemunho os efeitos da exaustão. Sabe o rosto de quem chega ao atendimento depois de jornadas estafantes de trabalho? Aquela população, honesta, decente e trabalhadora, mas sem energia para entender seus próprios direitos, sem tempo para cuidar dos filhos, sem tempo para ser? A escala 6×1 não é apenas uma questão trabalhista. É uma questão de Dignidade.

O debate sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil, no entanto, ainda cai em diversos lugares comuns e terrorismos argumentativos. Desde a quebradeira econômica até a redução dos salários. Entretanto, tempo livre não é desperdício. Não é. É insumo econômico. É o que separa um trabalhador produtivo de um trabalhador esgotado. É o ingrediente que difere o simples crescimento econômico do verdadeiro Desenvolvimento da Nação.

Os dados não deixam dúvidas. A OMS classifica o Brasil entre os países com maiores índices de esgotamento laboral da América Latina. O IPEA estima que o adoecimento relacionado ao trabalho – burnout, depressão, ansiedade ocupacional – gera perdas superiores a R$ 100 bilhões anuais em absenteísmo, queda de produtividade e custos previdenciários.

Do outro lado da equação, o maior experimento global de semana reduzida, conduzido pela 4 Day Week Global no Reino Unido entre 2022 e 2023, com 61 empresas e mais de 2.900 trabalhadores, mostrou: 92% das empresas mantiveram ou aumentaram a produtividade, 57% dos trabalhadores relataram melhora significativa na saúde mental e as licenças médicas caíram expressivamente. Nenhuma empresa voltou ao modelo anterior. Trabalhar menos não significa produzir menos. Significa produzir melhor, com Dignidade.

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Mas há um efeito que o debate público sobre o 6×1 continua ignorando. E é justamente o que mais me interessa como Defensor de Direitos Humanos e ativista pela Inclusão Social: a redução da escala é a chave para a inclusão real e estrutural de pessoas com deficiência e de profissionais idosos no mercado de trabalho brasileiro.

A lógica é direta e cristalina. Mais tempo livre eleva o consumo de serviços, produtos, cultura e lazer. O aquecimento do consumo aumenta a demanda por produção. E produção aquecida, combinada com a reorganização de turnos que a nova jornada exige, cria uma necessidade matemática e estrutural por mais trabalhadores. O IPEA demonstra, ainda, que cada R$ 1 investido em políticas que ampliam bem-estar e tempo livre dos trabalhadores retorna R$ 1,34 para a economia. A experiência francesa após a consolidação das 35 horas semanais confirmou esse mecanismo na prática: consumo interno cresceu, mercado de trabalho se expandiu, produtividade por hora trabalhada aumentou.

É com essa mudança econômica que as portas, historicamente fechadas pelo preconceito, serão abertas pela necessidade. E os números revelam o tamanho dessa oportunidade. O Brasil tem 18,6 milhões de pessoas com deficiência, segundo o IBGE (2023) – quase um quinto da população. Desse contingente, a taxa de desocupação é de 8,5%, contra 6,2% das pessoas sem deficiência (PNAD Contínua, 2023). Mais grave: 50,6% das pessoas com deficiência que trabalham estão na informalidade – sem proteção previdenciária, sem direitos trabalhistas, sem estabilidade (IBGE, 2023). E há uma intersecção que o debate público insiste em ignorar: 47,2% das pessoas com deficiência no Brasil têm 60 anos ou mais. Falar de inclusão de PcD é, em grande medida, falar sobre o envelhecimento da nossa força de trabalho.

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A Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015), o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei 10.741/2003) e o art. 7º da Constituição Federal garantem o direito ao trabalho digno e à não discriminação. Mas a realidade é outra. O descumprimento da Lei de Cotas é regra – como documentam sucessivos levantamentos do Instituto Ethos e de organizações de Direitos Humanos. Pessoas com deficiência e profissionais idosos são contratados para cumprir obrigação legal – isolados, infantilizados, sem perspectiva real de ascensão. A inclusão corporativa é, para a maioria, apenas outra forma de precariedade com verniz de responsabilidade social.

A redução da jornada tem potencial para mudar essa equação. Quando o mercado precisa de mais trabalhadores, grupos historicamente subutilizados deixam de ser apenas tolerados e passam a ser demandados. A inclusão deixa de ser discurso de caridade para se tornar necessidade econômica. Estudos da Accenture (Disability Inclusion Advantage, 2018) mostram que empresas verdadeiramente inclusivas têm 28% mais receita, 30% maior lucratividade e o dobro de capacidade inovadora. A Deloitte Insights (2020) demonstra que equipes neurodiversas são até 30% mais produtivas em tarefas de alta complexidade. Diversidade não é métrica moral – é vantagem competitiva.

E há algo que aprendi na prática da Defensoria que nenhum dado consegue capturar completamente: quem passa a vida inteira precisando se adaptar a um mundo que não foi desenhado para si desenvolve uma capacidade de inovação e resiliência que nenhuma universidade é capaz de ensinar. A neurodiversidade, a experiência acumulada e a perspectiva de quem sempre precisou encontrar caminhos alternativos são ativos econômicos que o Brasil desperdiça sistematicamente – e que a redução da jornada pode, finalmente, liberar.

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O capacitismo estrutural e o etarismo se alimentam da segregação. Quando o mercado exclui esses corpos e mentes, cria bolhas de homogeneidade que são o túmulo da inovação. Trazer a pessoa com deficiência e o profissional idoso para o centro da engrenagem produtiva é decisão de inteligência coletiva.

Mudar a escala 6×1 é, portanto, muito mais do que aliviar o cansaço de quem já está empregado. É redistribuir oportunidades. É transformar a inclusão social em prática econômica. É reconhecer que a dignidade humana não é obstáculo para o desenvolvimento nacional – é seu único alicerce possível.

A Constituição Federal, no art. 193, estabelece que a ordem social tem como base o primado do trabalho e como objetivo o bem-estar e a Justiça sociais. Aprovar a PEC contra a escala 6×1 é honrar esse mandamento. É um ato simultâneo de inteligência econômica e de Justiça social.

Um Brasil que descansa é um Brasil que consome, que inova e que, acima de tudo, finalmente abre espaço para que todos os seus cidadãos – sem exceção – possam sentar à mesa e ajudar a construir o futuro do país.

(*) André Naves é Defensor Público Federal especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social, Mestre em Economia Política, Comendador Cultural, escritor e professor. Saiba mais em www.andrenaves.com ou em suas redes sociais @andrenaves.def.

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Saúde mental: urgência pública que exige ação e acolhimento

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*Irajá Lacerda

A saúde mental deixou de ser uma preocupação silenciosa e se consolidou como uma das grandes urgências públicas do Brasil. Em 2025, a Previdência Social concedeu o impressionante número de 546.254 benefícios por incapacidade temporária devido a transtornos mentais e comportamentais, o que representa uma alta de 15,66% em relação ao ano anterior. Transtornos ansiosos e episódios depressivos lideram os afastamentos, revelando um país emocionalmente adoecido.

O cenário nacional dialoga com os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde, divulgados no final 2025, que apontam que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo. A OMS também estima que depressão e ansiedade custem à economia global cerca de US$ 1 trilhão por ano em perda de produtividade. Essa realidade ganhou ainda mais atenção no Brasil com a atualização da NR-1, que passou a incluir os fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, reforçando que a pressão no ambiente de trabalho e o esgotamento profissional exigem prevenção, responsabilidade e acolhimento.

Esses números não são apenas estatísticas. Por trás de cada linha há uma mãe exausta, um trabalhador no limite ou um jovem sofrendo em isolamento. Dados oficiais do IBGE em 2026, por meio da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), revelam que cerca de três em cada dez estudantes entre 13 e 17 anos relataram sentir tristeza frequente, 18,5% disseram sentir que a vida “não vale a pena ser vivida” e 32%  afirmaram ter sentido vontade de se machucar de propósito.

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O impacto vai além do ambiente escolar: estudos do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) apontam que o tratamento de jovens com transtornos mentais chega a comprometer metade da renda das famílias na busca por apoio. O cenário exige que família, escola, assistência social e saúde atuem de forma integrada para acolher crianças e jovens antes que a dor vire tragédia.

Em Mato Grosso, esse desafio também precisa ser encarado de frente. Em 2025, o estado registrou 5.556 afastamentos temporários por transtornos mentais e comportamentais, segundo a Previdência Social. Não adianta ostentarmos indicadores econômicos grandiosos se as nossas famílias sofrem desamparadas, sem acesso adequado a psicólogos, psiquiatras e tratamento contínuo. O desenvolvimento econômico perde o sentido se não vier acompanhado da dignidade humana.

Para mudar essa realidade no nosso estado, a ação precisa ser descentralizada. É urgente expandir os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) para o interior, garantindo que o morador de qualquer município tenha o mesmo direito ao cuidado que quem vive na capital. Além disso, precisamos estruturar programas de apoio emocional permanentes dentro das escolas estaduais, capacitando professores para identificar os primeiros sinais de crise em crianças e adolescentes, e criar parcerias com o setor privado para aplicar a NR-1 de forma humana e acolhedora.

Cuidar de pessoas significa olhar para aquilo que as grandes obras e os discursos políticos tradicionais ignoram. É enxergar a dor de quem não consegue pedir socorro e garantir que o orçamento público priorize a vida. O Brasil e Mato Grosso precisam transformar a saúde mental em prioridade absoluta. Uma sociedade só é verdadeiramente rica e desenvolvida quando protege sua gente, oferecendo a cada cidadão a oportunidade e o amparo necessários para viver bem e com dignidade.

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*Irajá Lacerda é ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária e ex-presidente da Comissão de Direito Agrário da OAB-MT

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